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Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 07 de Fevereiro de 2010 05:34    PDF Imprimir E-mail
A corrupção reiterada de Arruda, sem Sombra de dúvida
NOTÍCIAS - POLÍTICA

Interrompo minhas férias, quebrando a promessa que havia feito à minha mulher, para postar este artigo que tem o propósito de lancar um pouco mais de luz sobre o Sombra, o jornalista que vai colocar Arruda na cadeia. Não falei com ele nem pedi sua autorização, mas preciso fazer algo que um jornalista só faz em caráter excepcional: quebrar o sigilo da fonte.

No começo de 1996 fiz uma reportagem que revelava como agiam as quadrilhas de grileiros que começavam a atuar em Brasília transformando terra pública grilada em empreendimentos milionários. A matéria, que teve uma hora de duração, foi veiculada pelo programa domingo Dez, da Band. E gerou uma repercussão institucional enorme. Criou-se uma CPI para apurar a grilagem, muita gente foi presa e ficou demonstrado o envolvimento direto e indireto de autoridades do GDF.

A fonte da reportagem foi o jornalista Edmilson Edson, o Sombra. Ele próprio acabara de ter três terrenos recém-adquiridos grilados. Representavam todo o seu patrimônio.

Sombra deu duas entrevistas nas quais não era possível identificá-lo, a não ser por sua voz. Foram as peças centrais da reportagem. Também me ajudou a coletar material para comprovar o envolvimento de pelo menos um senador da República com uma das quadrilhas. Como passou a conhecer em minúcias a logística dessas quadrilhas, foi ele quem me ajudou a montar um "condomínio" em plena Esplanada dos Ministérios e a registrar, num cartório de notas, a compra do "terreno" onde estão o Palácio do Planalto e os ministérios.

Se o DF conheceu a articulação dessas quadrilhas, deve isso a Sombra. E ele o fez anonimanente, sem jamais solicitar o reconhecimento de seus méritos.

Pagou caro pela iniciativa. Foi ameaçado, ficou sob proteção policial e acumulou prejuízos financeiros. Viveu quase clandestinamente durante meses. Sombra teve, literalmente, que viver à sombra do Poder em Brasília, especialmente quando o ex-governador Joaquim Roriz voltou a mandar na Capital da República.

Depois de quinze anos de convivência com ele, posso afirmar que sombra é sério, sabe do que fala e não seria capaz de participar de uma montagem, como alega a defesa de Arruda. Ao contrário: Se ele afirma, é porque o assunto é sólido e pode ser demonstrado.

Brasília deve muito ao Sombra. Vai ficar devendo mais uma. A imagem do ainda governador sendo conduzido ao presídio da Papuda, que ainda não se materializou, terá sido sua maior obra.

Os candangos honestos haverão de agradecer.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Seg, 25 de Janeiro de 2010 13:49    PDF Imprimir E-mail
O Big Brother de jornalistas e soldados na base militar brasileira em Porto Príncipe
NOTÍCIAS - JORNALISMO
por Gustavo Chacra, do blog De Beirute a Nova York e enviado especial do Estadão a Porto Príncipe

“Pó coronel, a droga da internet caiu de novo. Será que não tem ninguém da engenharia para arrumar?”, reclamou um jornalista na hora do fechamento para o coronel Alan Santos, responsável pela comunicação social do Exército em Porto Príncipe. Era mais um episódio de um big brother que misturou jornalistas e militares na base brasileira na capital haitiana. Não foi fácil, no começo, a “ocupação” do quartel-general brasileiro no Haiti pelas tropas de jornalistas armados com seus blocos, câmeras e laptops e sem um lugar para ficar em um país arrasado. Fui um dos dois primeiros a chegar, ao lado de repórteres da Folha e de O Globo. Era o início da cobertura do terremoto que deixou dezenas de milhares de mortos.

Ao desembarcar em Porto Príncipe, não tinha idéia de onde poderia dormir ou comer. Os dois melhores hotéis, o Montana e o Christopher, haviam desmoronado, soterrando centenas de pessoas, incluindo a cúpula das Nações Unidas no Haiti. Os restantes estavam condenados, sem falar no risco de tremores secundários. A única salvação era a base militar brasileira, para onde rumei. É uma área ampla, com uma série de prédios pré-fabricados que não sofreram danos no terremoto. Dentro, além dos mais de mil militares, estavam provisoriamente 70 haitianos feridos e os corpos de 14 soldados esperando o translado para o Brasil.

Ao chegar, fui encaminhado, como os outros repórteres, para a sala do G7, como é conhecido o departamento de comunicação social. No começo, os militares não queriam permitir que utilizássemos o sinal de wi-fi e tivemos que nos revezar em um computador para enviar os nossos relatos sobre o terremoto. Tampouco garantiram que teríamos uma cama para dormir. Dissemos que ficaríamos em qualquer lugar, mas que precisávamos dormir na base, certamente o lugar mais seguro e um dos poucos intactos de Porto Príncipe. Quando arrumaram a acomodação, já haviam chegado também repórteres da rede Globo, BAND, Zero Hora e TV Brasil. E a situação da internet tinha se normalizado. O Exército disponibilizou uma rede de wi-fi especialmente para os jornalistas. Em poucas horas, as Forças Armadas já davam todo o apoio logístico para o nosso trabalho, incluindo caronas em carros de patrulha pelas ruas de Porto Príncipe.

Na hora do jantar, um soldado nos levou para o refeitório. E explicou que, de um lado, comiam cabos, soldados e sargentos. Do outro lado, coronéis e generais. No meio, oficiais como capitão, major e tenente. “A comida é a mesma, mas vocês devem se sentar com os oficiais”, disse um sargento. Tudo bem. Comemos arroz, feijão, carne cozida com batata e bebemos suco. Faltava ainda conhecer o quarto. Ou melhor, a tenda com cerca de dez colchões estirados no chão que praticamente dobraram no dia seguinte. Ao contrário do Big Brother da TV, em vez de sair, entravam novos participantes. SBT, IG e revista Veja. Sem falar nos tradutores, que não tinham mais casas. As suas caíram com o terremoto. Todos juntos no mesmo quarto. A não ser pela BAND. Mais prevenido, o repórter Fabio Panuzzio e o cinegrafista Nivaldo Lima levaram as suas barracas e até mesmo uma panela de pressão para cozinhar arroz e feijão e acamparam ao lado da tenda da imprensa. O guia deles, Junior, um haitiano de uns 13 anos, dormiu com a gente e teve que aguentar o ronco de um repórter da concorrência. As mulheres foram acomodadas em um alojamento um pouco melhor, divididas em quartos com dois beliches cada.

E, claro, há a questão do banheiro. Eram vários, espalhados pelo quartel. Deveríamos usar um que era denominado “Uruguai”. Mas, como em todo acampamento de adolescentes, os jornalistas foram descobrindo outros melhores, ainda que um pouco mais distantes do quarto. Com pouco espaço na mochila, muitos, como este repórter, esqueceram da toalha. Sem falar na pasta de dente, que não pôde nem embarcar no aeroporto JFK, em Nova York. Tomávamos banho e nos enxugávamos com a camiseta que havíamos utilizado durante o dia para depois vestir a roupa dentro do box do chuveiro . Eu ainda recebi, depois, uma toalha de rosto, trazida pelo Lourival Santanna. Com os dias, fomos nos adaptando. A equipe do SBT descobriu, por exemplo, que nas acomodações da engenharia serviam doce de leite e coca-cola. No dia seguinte, até mesmo os canais concorrentes já estavam jantando com os engenheiros responsáveis pelos resgates. Em um momento, os militares notaram que, enquanto assistiam a uma reportagem do terremoto no Jornal Nacional, o repórter Rodrigo Alvarez, da rede Globo, estava na mesa ao lado.

Como em um programa de TV, rapidamente foi determinado que um americano da BBC seria o inimigo. Ele estava desde o início na base, mas não falava nada de português. Cometeu o pecado de pedir para um repórter brasileiro fazer silêncio quando entrou no ar. Alguns, brincando, pediam ao coronel para mandar “o gringo embora” porque os americanos não nos deixariam entrar na embaixada deles. “Por que ele não vai para lá?”, afirmavam em tom de gozação. Claro, o tratamento dispensado a uma fotógrafa americana também hospedada na base era diferente, já que ela era bonita. Ou, como diriam os soldados, “acho que vocês já estão há muito tempo neste quartel”. Durante todo o período, não ocorreu nenhum conflito. Jornalistas e militares ficaram amigos. E o coronel virou quase nosso editor. “Vamos fechar que já está tarde”, disse, apressando os repórteres a enviarem suas matérias para poder trancar as portas da sala do G7. Não adiantava. Os repórteres continuavam trabalhando do lado de fora e despertavam antes mesmo da alvorada militar, às 6h da manhã.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 20:49    PDF Imprimir E-mail
Terra volta a tremer no instável Haiti
NOTÍCIAS - GERAL
Um tremor de 5.5 graus na escala Richter sacudiu novamente o solo instável do Haiti. Foi a segunda maior réplica desde a ocorrência do grande terremoto de 12 de janeiro. Não há registro de danos, mas a onda de choque provocou mais um susto grande na população.
Pelo Twitter, o repórter Chico de Góis informou que "no momento do novo tremor, coronéis e o embaixador do Brasil no Haiti saíram apressados da sala de reunião".
Os jornalistas brasileiros reunidos no QG do Brasil da Minustah, segundo ele, "ficaram um olhando para o outro e perguntando se a terra havia tremido de verdade"
Leandro Colón informa que a situação é tranquila e, passado o susto, os jornalistas já voltaram a trabalhar.
De acordo com o site Apolo XI, o tremor deste começo de noite teve a energia explosiva de 177816 toneladas de TNT. A réplica da última quinta-feira, cujo epicentro foi no centro da cidade de Petite Goave, teve uma energia de 707898 toneladas de TNT -- e não provocou danos além da demolição de algumas casas cuja estrutura já fora comprometida pelo grande tremor do dia 12.
 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 17:09    PDF Imprimir E-mail
As noites em que um repórter ateu incorporou um demônio Vodu no Haiti
NOTÍCIAS - OPINIÃO

Antes de começar, relembro que sou ateu. Ateu militante, de carteirinha, com comunidade no Orkut e tudo mais. Mas aconteceu de verdade. E foi comigo mesmo.

Tudo começou na noite de 12 de janeiro. Embora a experiência tenha sido inesquecível, só me dei conta do que havia se passado dois dias depois.

Era pouco depois da meia-noite. O dia fora exaustivo  para todos os jornalistas que cobriam o terremoto do Haiti.

Quando me dei conta do horário, confesso que fiquei com preguiça de levar em casa meu tradutor, um menino de 13 anos chamado Junior (isso é o prenome dele).

Junior dormitava no sofá do QG do Exército Brasileiro em Porto Príncipe. O calor estava infernal e na sala ocupada pela imprensa o ar-condicionado funcionava bem. Tinha acabado de comer uma pratada generosa de arroz com feijão e se esfalfara no conforto das almofadas macias.

Acordei-o. Ele limpou a baba que escorria do canto direito da boca. Tinha os olhos vermelhos e esbugalhados. Depois me contou que jamais havia sido despertado naquele horário.

"Vamos para casa ?", perguntei. "Mas agora ?", retrucou ele. "Sim, vamos agora", respondi, enquanto seu rosto era tomado por uma expressão de espanto.

Como sempre acontece quando um haitiano é contrariado, Junior seguiu resignado até o carro e emudeceu no banco de trás. Pouco depois eu dirigia para Citée Militaire, um bairro muito pobre perto do centro da cidade. Pobre e violento.

A dois quarteirões da casa dele não havia mais como prosseguir com o automóvel. O leito da rua estava tomado por centenas de pessoas que dormiam no chão de terra batida. Era o mesmo cenário de quase todas as vias públicas de Porto Príncipe -- uma tristeza infinita ver aquilo.

Abri a trava da porta. Disse a ele que havíamos chegado até onde era possível. Pedi-lhe que saísse e fosse descansar em paz. Paguei os US$ 20 combinados pelo dia de trabalho e agradeci. Prometi voltar para buscá-lo às seis horas da manhã seguinte. Mas ele não descia. Nem falava nada. Estava simplesmente paralisado, catatônico.

"Não dá para ir", disse ele, afinal. "Tem polícia com pistola que atira na gente", falou antes de se fechar de novo. Não pediu minha companhia, não disse mais nada.

Gastei uns cinco minutos pensando numa saída para aquela situação antes de intuir que talvez ele apenas quisesse companhia para percorrer os 200 metros que faltavam.

"Se eu for com você, você vai ?"

"Vou!", respondeu enfaticamente.

Fomos.

Caminhamos os dois quarteirões adivinhando onde podíamos e onde não podíamos pisar. A escuridão era completa por causa do terremoto que arrasou as linhas de transmissào. Havia apenas um halo de luz da Lua nova que aparecera naquela noite. E mais nada.

"É aqui", disse ele, mostrando-me o portão do terreno onde ficava a casa desmoronada da família. Seus pais, como quase todas as vítimas do terremoto, também dormiam na rua amontoados num denso aglomerado humano. Era impossível contar quantas pessoas embaraçavam braços e pernas. Só sei que todos eram parentes diretos.

Fiz o caminho de volta convencido de que não havia o menor perigo em andar por aquelas ruas transformadas em dormitório, ao contrário do que me alertara o comando militar brasileiro.

Como minhas retinas já haviam se acostumado à escuridão, pude perceber um certo farfalhar de lençóis e edredons. Em certo momento, olhei fixamente. Vi de relance o brilho de olhos que se esgueiravam sob as cobertas puídas. Fiquei com a impressão de que aquelas pessoas tinham medo de mim. Só não entendi  a razão.

Dois dias depois, já com outro tradutor, aquela imagem dos olhos brilhando no escuro voltou à minha mente. Perguntei a Luis (isso é sobrenome), estudante de engenharia que falava muito bem o inglês, por que nunca havia gente à noite nas ruas de Porto Príncipe.

Nunca, nesse caso, não é um eufemismo. Não vi ninguém caminhando em lugar nenhum das dezenas por onde peregrinei nos começos de madrugada. Nada. Um contraste enorme com a imagem vibrante que se tem do dia, quando todos vão para a rua para caminhar sem direção.

"É por causa da tadição vodu", disse ele.

Luis me contou que, embora a maioria dos haitianos se declare católica ou protestante, todos na verdade têm laços culturais fortes com o voduísmo.

Todos, portanto, acreditam que há um demônio de um metro de altura que sai zanzando pelas ruas à noite. Seu nome seria Rará (não sei se é isso proque não entendo nada de religião, especialmente da reiligião vodu).

Rará teria o dom de matar os caminhantes solitários que acaso tiverem o azar de se deparar com ele. Ou de transformar qualquer pessoa em animais como vacas, cavalos e cobras. O corpo seria do animal, mas o cérebro continuaria humano.

Reconhece-se um humano transformado em vaca, por exemplo, apenas quando ela, no momento do abate, pede em bom creuolle que sua vida seja poupada porque tem três filhos para cuidar.

Rará é poderoso, mas não consegue atacar ninguém que esteja dentro de um carro ou no santuário de seu lar. A casa é invulnerável às suas maldades. Ele também nada poderia contra grupos numerosos. É por isso que as pessoas se recolhem quando a madrugada se aproxima.

Mas agora ninguém tem mais casa. "Dormimos amontoados na rua para proteger nossos familiares", conta Luis. "E estamos apavorados porque Rará pode pegar qualquer um durante o sono. Enquanto estivermos juntos com nossa família, ele não poderá fazer nenhum mal".

Entendi, afinal, por que Junior, o tradutor que se recusava a descer do carro, não queria fazer a pé o percurso de 200 metros até a porta de sua casa. Temia Rará, seu mimetismo zoomórfico, a morte que o esperava na próxima esquina.

Mas ainda continuava sem entender por que as pessoas fingiam que dormiam. Por que se escondiam debaixo dos lençóes quando eu passava. Até Luis me explicar uma coisinha mais.

Rará pode assumir a forma de qualquer coisa. De uma pessoa, por exemplo. A  minha forma tão incomum para aquela cultura -- altura acima da média, pele clara, cabelo liso.

No universo mítico da crença vodu, sempre que alguém caminha sozinho alguma coisa muito ruim está por acontecer. Ou é uma prostituta (não se aplica ao meu caso específico), ou é ladrão (idem), ou é Rará, o demônio baixinho.

"Os ladrões sabem quem são os outros ladrões", assegura Luis. "E sabem que você não é ladrão. Portanto, você, quando caminha sozinho, só pode ser um demônio. Eles te temem e fogem de você".

Daí a minha sensação de tranquilidade ao caminhar de madrugada pelas ruas mais perigosas da capital do Haiti. Eu era o diabo, o demônio travestido de homem branco. E contra Rará -- no caso eu -- ninguém podia fazer nada. Nem os ladrões, nem as putas, nem a polícia.

Sem saber de nada disso, cheguei tranquilo à base militar brasileira. E intacto, incólume.

Dois dias depois, quando soube que eu encarnara o terrível Rará, entendi o motivo daquela tranquilidade aparente.

Fui dormir dando graças a Deus por seu ateu.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 11:59    PDF Imprimir E-mail
Censura ao blog: decisão da juiza censora foi além do pedido da autora
NOTÍCIAS - POLÍTICA

A decisão de impor censura prévia ao blog, exarada pela titular da Segunda Vara Cível de Curitiba, foi muito além do que pedia a autora ação cautelar, Deise Zuqui. Foi o que afirmou, em sua decisão, a desembargadora Ângela Khury Munhoz da Rocha, que determinou a suspensão da censura.

"Está evidente que a decisão agravada foi extra petita, eis que concedeu à agravada provimento judicial que não foi por ela pedido", sentenciou a desembargadora. "Por tal motivo, entendo que, no momento, deve ser suspensa a decisão agravada, a fim de que não se obrigue o agravante a suportar os ônus de uma decisão judicial que contraria o artigo 460, do Código de Processo Civil".

A decisão é, também, um libelo à liberdade de expressão. "Certamente, a manutenção da obrigação imposta ao agravante ensejaria lesão aos seus direitos constitucionais de livre manifestação do pensamento, livre expressão da atividade intelectual, livre exercício do trabalho e de acesso à informação".

Leia aqui a íntegra da decisão da desembargadora Ângela Khury Munhoz da Rocha.



 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 12:09    PDF Imprimir E-mail
A íntegra da decisão judicial que liberou o blog da censura
NOTÍCIAS - POLÍTICA

Trata-se de agravo de instrumento, com pedido de efeito suspensivo, interposto por Fábio Azevedo Pannuzio em face da decisão que deferiu a liminar nos autos da medida cautelar inominada proposta por Deise Zuqui, determinando que o ora agravante retirasse de seu "blog" as notícias relativas à ora agravada e que se abstivesse de publicar novos fatos que a envolvessem, estabelecendo multa diária por atraso no cumprimento da decisão (fls. 18/21).
Alega o agravante que noticiou em seu "blog" que a agravada era procurada pela INTERPOL, apenas com o intuito de encontrar pessoas procuradas pela polícia, esclarecendo que apurou tal fato através do site da própria INTERPOL.
Afirma que a decisão impugnada foi extra petita, eis que determinou que o agravante se abstivesse de publicar novas notícias em seu "blog" envolvendo o nome da agravada, pleito este que sequer foi feito na inicial, e que seu teor representa censura prévia e fere a liberdade de informação.
Assim, requer a concessão de efeito suspensivo, nos moldes dos artigos 527, inciso II, e 528, ambos do Código de Processo Civil, e, ao final, a reforma da decisão agravada.
De fato, ainda que em sede de cognição sumária, entendo que razão assiste ao agravante, pois a decisão recorrida concedeu provimento judicial diverso daquele pedido pela agravada.
Da leitura da inicial da medida cautelar, proposta em 15 de julho de 2009, fica evidente que a ora agravada somente pleiteou que fosse determinado que o agravante se retratasse em seu "blog":
"4. Para que se impeça a continuação da depreciação da moral da autora, o réu deverá imediatamente se retratar, assentando em sua coluna jornalística.
(...)
15. O artigo 804 do CPC, outorga ao magistrado a possibilidade de conceder inaudita altera pars a liminar pleiteada, e é o caso em mesa, pois a cada dia que o nome da autora aparece vinculado, prejuízos irreversíveis vem sendo causados.
Assim, requer a V. Exa. que acolha a presente medida cautelar, por estarem presentes os requisitos extrínsecos e intrínsecos, determinando liminarmente e inaudita altera pars que o réu apresente efetivamente seu equívoco em sua coluna, deixando vinculada o seu erro em relação a chamar a autora de 'fraudadora' internacional, por A.R..
(...)" (fls. 34/35)
No entanto, a decisão agravada não foi no sentido de acolher o pedido feito por Deise Zuqui, e impôs ao agravante obrigação completamente diversa daquela que fora pedida na cautelar:
"Posto isso, presentes os pressupostos para o provimento cautelar, DEFIRO a liminar requerida, para o fim de determinar que o requerido retire as notícias veiculadas em seu 'blog' com relação à autora, bem como se abstenha de veicular novas notícias envolvendo a autora, em cinco dias, sob pena de multa diária de R$500,00 (quinhentos reais), por dia de atraso" (fl. 20)
Assim, está evidente que a decisão agravada foi extra petita, eis que concedeu à agravada provimento judicial que não foi por ela pedido.
Por tal motivo, entendo que, no momento, deve ser suspensa a decisão agravada, a fim de que não se obrigue o agravante a suportar os ônus de uma decisão judicial que contraria o artigo 460, do Código de Processo Civil.
Certamente, a manutenção da obrigação imposta ao agravante ensejaria lesão aos seus direitos constitucionais de livre manifestação do pensamento, livre expressão da atividade intelectual, livre exercício do trabalho e de acesso à informação, ficando demonstrada a existência do fumus boni iuris e do periculum in mora, necessários para a concessão do efeito suspensivo em sede de liminar.
Destarte, após a análise da documentação trazida aos autos, defiro o pedido de atribuição de efeito suspensivo à decisão agravada, ao menos até o julgamento final do recurso.
Comunique-se ao Juízo da causa, solicitando-lhe as informações de estilo, a serem prestadas no prazo legal, inclusive quanto ao cumprimento do artigo 526, do Código de Processo Civil.
Intime-se a agravada para, querendo, responder nos termos do artigo 527, inciso V, do Código de Processo Civil.
Por motivo de celeridade processual, autorizo a divisão Cível a assinar os expedientes necessários ao cumprimento desta decisão.
Intimem-se.


Curitiba, 15 de janeiro de 2010.


Desª. ÂNGELA KHURY MUNHOZ DA ROCHA


Relatora

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 11:21    PDF Imprimir E-mail
Acabou a censura ao blog.
NOTÍCIAS - POLÍTICA

Acabou o pesadelo. A Desembargadora Ângela Khury Munhoz da Rocha concedeu efeito suspensivo à censura determinada pela Segunda Vara Cível de Curitiba, que obrigava que o blog se abstivesse de fazer matérias a respeito de Deise Zuqui, esposa do Alexsandre Fernandes, chefe da maior quadrilha de estelionatários internacionais que agia no país.

Só fiquei sabendo da decisão agora, por intermédio do Senador Alvaro Dias, que acaba de me avisar pelo Twitter. Tenho muito a agradecer a ele, que me indicou um escritório de advocacia em Curitiba e protestou firmemente contra a censura.

A primeira providência que estou tomando é republicar os arquivos sobre Deise Zuqui e a quadrilha de seu marido. com a ressalva de que não se pode tratá-la apenas como a esposa do capo, uma vez que ela teve participação ativa na organização de fachada que o grupo de estelionatários montou na república Dominicana.

Tenho que agradecer a muitas pessoas. Especialmente à advogada Maria Francisca Acciolli, que me representou; ao escritório Breda Advogados Associados, de Curitiba, que patrocinou a causa; à blogueira Adriana Vandoni, editora do Prosa e Política, que foi minha parceira num processo que decidimos chamar de Permuta de Censura; e aos leitores que se indignaram com a proibição inconstitucional imposta pela juíza de primeira instância do Paraná.

Não foi o blog que venceu essa batalha. Foi a liberdade de informar num país cada vez ameaçado pela vontade de magistrados que não respeitam o artigo 221 da Constituição de 1988.

Se você quiser saber o que levou o blog a ser censurado, leia os links abaixo.

Quem é Deise Zuqui, procurada pela Interpol Dominicana?

Deise Zuqui: Erro da Interpol?

Especial Foragidos I: Cláudia Hoerig, que assassinou marido a sangue frio, vive impune no Rio de Janeiro

Especial Foragidos II: Quadrilha que roubou US$ 500 mil no Caribe aplica mesmo golpe no Paraná

Especial Foragidos III: O caso da delegada federal que virou alemã para escapar da Justiça Brasileira

Especial Foragidos IV: Quem é Deise Zuqui - A resposta

Especial Foragidos IV: Quem é Deise Zuqui - A resposta


 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 10:28    PDF Imprimir E-mail
Haiti: na capital devastada, as cenas macabras que a miséria produziu
NOTÍCIAS - GERAL
Metade da população é analfabeta. Só um em cada dez trabalhadores tem (tinha) emprego. A expectativa de vida, sem terremoto, é 20 anos menor do que a dos brasileiros.
O Haiti é o grande quilombo esquecido do oeste do planeta.
Mais do que as cenas macabras que correram o mundo, é a pobreza extrema que choca quem está no palco da tragédia. Não fosse ela tão crônica, aguda e abjeta, talvez não estivéssemos tentando adivinhar agora se o terremoto matou cem mil ou cinquenta mil pessoas.
A verdade é que uma tragédia dessas dimensões não pode ter sua magnitude expressa apenas pelo número de mortos. O que ela deve desvelar é que tipo de fator faz com que uma república inteira ainda viva como se a escravidão acabasse de ser abolida.
O terremoto de 12 de janeiro teve o condão de devassar essa miséria aos olhos do mundo. O problema é que todos o enxergam como um inevitável e  imprevisível desastre natural. Se fosse assim, talvez a população japonesa já tivesse sido varrida da face do globo há muito tempo.
As dificuldades em dimensionar o número exato de vítimas começam pela ausência de registro civil naquele país. Não há sequer uma fonte fonte confiável de dados demográficos. Tudo é estimativa. Estima-se que a população beire os nove milhões de habitantes. Estima-se que em Porto Príncipe vivam três ou quatro milhões de pessoas. Estima-se que 75 mil pessoas tenham sido enterradas até agora. Estima-se tudo, mas ninguém tem certeza de nada.
Estima-se que 70% dos edifícios do centro da cidade ruiram. Estima-se que todo terão que ser demolidos. Ninguém sequer estima quantos desabrigados dormem e acordam nas ruas, sem ter onde se refugiar do vento frio da madrugada.
O que há de concreto é o dado antropológico. O sofrimento é visível e pode ser percebido em uma conversa banal. A fome, por exemplo, é concreta. Independe de haver ou não tremores de terra. Os haitianos estão acoatumados a ela.
Durante parte dos meus oito dias em Porto Príncipe, fui auxiliado por um estudante de engenharia chamado Luis, que foi meu guia e tradutor. Luis é sobrenome. Assim como Junior é um prenome comum.
Ele tem 25 anos de idade. Sua família é formada por 13 pessoas com parentesco imediato. Todos moravam juntos numa casa sólida no bairro de Petionville que veio abaixo.
Ele me contou que a única pessoa que trabalhava era sua mãe. Vendia em uma banca de rua produtos de estética para mulheres, que são -- ainda hoje -- muito vaidosas. Amealhava cerca de 200 dólares americanos por mês. Com isso, mantinha o metabolismo de todos os parentes.
Luis me disse que nem sempre havia comida na mesa. Mas quando havia, todos a dividiam igualmente.
No mesmo dia em que ouvi esse relato triste, conversando com um brigadeiro-médico da FAB, pude entender a ocorrência de milagres que eu mesmo testemunhei duas vezes -- o resgate de sobreviventes seis, sete, oito, onze dias depois da tragédia.
"Eles estão acostumados com a fome e a privação. Por isso resistem tanto entre os escombros", disse-me o brigadeiro José Maria Lins Calheiros, o comandante do hospital de campanha montado às pressas dentro do QG do Brasil na Minustah.
Nos próximos posts, vou contar como essa desvantagem social acabou se transformando em uma vantagem aparente.
 
Escrito por Fábio Pannunzio    Dom, 24 de Janeiro de 2010 10:14    PDF Imprimir E-mail
Voltei do Haiti. Agora começo a por ordem no Blog e postar sobre o que vi e vivi.
NOTÍCIAS - OPINIÃO

Oi, pessoal. Estou de volta do Haiti depois dos dez dias mais tristes da minha vida. O blog ficou esquecido durante esse período porque não havia condições técnicas nem tempo para postar nada. Prometo que vou contar pra vocês o que vi naquele lugar e espero contrib uir para que você entenda o que está por trás dessa tragédia.

Foi uma experiência muito intensa. Tão intensa quanto a vivida no início da década, quando tive a oportunidade de passar um período entre os guerrilheiros das FARC. Com certeza mudou meu ângulo de visão sobre muitas coisas -- especialmente sobre aquilo que o senso comum chama de solidariedade, e que no epicentro das consequências do terremoto se pode traduzir por comida, medicamentos, água.

Já liberei os comentários que se acumulavam nos registros do blog. Alguns, evidentemente, foram vetados por serem ofensivos.

Muito obrigado pela compreesão.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Qui, 14 de Janeiro de 2010 05:51    PDF Imprimir E-mail
Chegamos a Santo Domingo. Agora falta só a viagem por terra até Porto Príncipe
NOTÍCIAS - GERAL

Chegar até a região atingida pel oterremoto é quase uma epopéia. Nossa viagem começou seis e meia da manhã de ontem e terminou agora há pouco, às cinco e meia, em Santo Domingo, capital da república Dominicana, que fica está a cerca de 500 quilômetros de distância de Porto Príncipe.

Foram três escalas até agora: uma em Bogotá, na Colômbia, outra na Cidade do Panamá, e a última aqui em Santo Domingo. Daqui a pouco nós vamos começar a viagem por terra, com um carro alugado, em direção à capital do Haiti.

Serão pelo menos sete horas numa estrada que já não era boa antes do tremor de terra. Antes, porém, precisaremos esperar a abertura das lojas às nove da manhã, horário daqui, 11 da manhã pelo horário de Brasília. É para comprar alimentos e água, uma barraca e hipoclorito de sódio. Não há mais restaurantes nem hotéis funcionando em Porto Príncipe.

O avião da copa Airlines que nos trouxe do Panamá estava lotado de jornalistas de todo o mundo e também miitantes de ONGs que estão chegando para prestar ajuda. Uma organização não governamental espanhola trouxe dez peritos em buscas e quatro cães para ajudar a localizar os corpos e pessoas que ainda podem estar vivas em meio aos escombros.

Uma outra organização norte-americana formada por médicos e paramédicos está trazendo oito profissionais de saúde para amparar os feridos. Com eles vieram várias caixas de medicamentos como anestésicos e antibióticos.

A imigração e a aduana da república Dominicana facilitaram a entrada de estrangeiros que têm Porto Príncipe como destino. Não está sendo cobrada a taxa de turismo e a checagem da documentação é rápida. As filas de jornalistas e pessoas que vêm para prestar ajuda têm prioridade no aeroporto sobre os poucos turistas que não cancelaram suas viagens.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Qua, 13 de Janeiro de 2010 08:48    PDF Imprimir E-mail
O Blog a caminho do Haiti
NOTÍCIAS - JORNALISMO

Estou a caminho do Haiti. Embarquei no vôo da Avianca com destino a Bogotá, Cidade do Panamá, Santo domingo (República Dominicana) e, de lá, espero, seguiremos até Porto Príncipe. Ainda não sabemos como porque não há informações sobre o estado da única rodovia que liga as duas capitais nem sobre os danos causados ao aeroporto de Porto Príncipe.

Viajo com meu amigo Nivaldo Lima, cinegrafista da Band. Esperamos começar a enviar notícias de lá amanhã pela manhã. Se tudo der certo.

Até lá o blog vai ficar sem atualização.

Obrigado pela compreensão.

 

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Qua, 13 de Janeiro de 2010 05:27    PDF Imprimir E-mail
Desespero e caos no Haiti
NOTÍCIAS - GERAL

Do portal Terra

O forte terremoto que atingiu o Haiti nessa terça-feira, considerado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) o maior dos últimos 200 anos, causou a destruição de vários edifícios na capital Porto Príncipe, além de um número ainda incerto de mortos e feridos. O colapso das telecomunicações impede maiores informações sobre os danos causados pelo terremoto de 7 graus e pelas suas réplicas, que foram mais de dez, segundo a rede CNN. Na madrugada desta quarta-feira, agências internacionais de notícias começaram a divulgar imagens de pessoas gravemente feridas e mortas nos escombros, mas nenhuma informação oficial com os números de vítimas foi divulgada.

Com as linhas telefônicas prejudicadas, muitos dos haitianos conseguem repassar informações da situação local através da internet, por redes sociais e pelo Twitter.

"Acho que vamos ver danos substanciais e muitas vítimas", declarou à imprensa Don Blakeman, analista do Serviço Geológico dos EUA (USGS, pela sigla em inglês). Um porta-voz da ONU confirmou que a sede das Nações Unidas no Haiti é um dos edifícios que caíram. O hospital de Peirotville também teria desabado, segundo fontes.

Um funcionário haitiano relatou ao embaixador de seu país em Washington, Raymond Joseph, que "as casas caíram dos dois lados das ruas", segundo disse o diplomata à rede de televisão CNN. Joseph manifestou que o presidente René Préval e a primeira-dama estão a salvo, apesar da queda do palácio presidencial nas consequências do terremoto. Joseph pediu que a comunidade internacional ajude o seu país. Diversos países confirmaram que vão participar do esforço humanitário para auxiliar o Haiti; entre eles, Brasil, Estados Unidos, Venezuela, Colômbia, Panamá, Canadá, Honduras, Nicarágua e República Dominicana.

Uma fonte do governo brasileiro, que não quis se identificar, afirmou na madrugada desta quarta-feira que há brasileiros soterrados no Haiti, país atingido por um terremoto de 7 graus na escala Richter. O governo não sabe, no entanto, a gravidade das ocorrências relatadas por militares brasileiros em missão no país caribenho.

Em nota divulgada na noite de terça-feira, o Ministério da Defesa afirmou que instalações utilizadas por militares foram danificadas por causa dos abalos. Mais cedo, o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, disse à rádioCBN que a Embaixada brasileira sofreu muitos estragos, mas afirmou que os brasileiros estavam bem.

"É possível que haja milhares de mortos", disse Karel Zelenka, dos Serviços Católicos de Ajuda, direto de Porto Príncipe, antes que fossem cortadas as comunicações com a capital, segundo relatou um porta-voz da entidade em Washington. Zelenka também disse que "o caos e o desastre é total e que Porto Príncipe esta coberta por uma nuvem de pó".

O aeroporto de Porto Príncipe ficou fechado após o terremoto, informaram fontes da Caribair, principal companhia aérea dominicana, que voa ao Haiti. As comunicações por telefone ficaram também interrompidas após o abalo. Segundo testemunhos levantados em Santo Domingo por familiares e amigos de residentes no Haiti, o tremor causou danos em numerosos edifícios da capital haitiana, como supermercados e hotéis.

De acordo com estas pessoas, a catedral da cidade caiu e é praticamente impossível circular de automóvel pelas ruas, invadidas pelos escombros.

Os tremores foram sentidos na República Dominicana e no leste de Cuba, e chegou a dar origem a um alerta de tsunami nos dois países, Haiti e Bahamas, embora horas depois tenha sido cancelado pelo Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico, situado no Havaí.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou uma mensagem de solidariedade aos haitianos após o "terremoto devastador" e se declarou "muito preocupado" e atento aos eventos. Por sua parte, o enviado especial da ONU para o Haiti, o ex- presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, expressou sua disposição para "fazer tudo o que seja necessário" para ajudar o povo haitiano.

Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos. Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país.

O Haiti é o país mais pobre do continente americano. O Brasil comanda cerca de 7 mil soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, enviada ao país em 2004, e tem cerca de 1,3 mil homens na região. As Forças Armadas Brasileiras participaram do socorro às vítimas de furacões no país em 2004 e 2008.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 22:28    PDF Imprimir E-mail
Situação do Haiti é de catástrofe de grandes proporções
NOTÍCIAS - GERAL

O site americano da CNN acaba de veicular uma entrevista com o embaixador dos EUA em Porto Príncipe que descreve as consequências do terremoto desta noite com uma tragédia de proporções gigantescas.

O palácio presidencial, o prédio do Congresso e a Catedral da cpaital vieram abaixo, segundo as primeiras informações de testemunhas. "Há muita gente apavorada gritando nas ruas", disse  Frank Williams, diretor da agência World Vision International.

De acordo com a CNN, os hospitais estão em colpaso. As comunicaçõs foram interrrompidas e milhares de casas e edifícios residenciais desabaram total ou parcialmente.

 

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 17:32    PDF Imprimir E-mail
PNDH-3 tem muitas coisas boas. Não dá pra condená-lo só pelo arrivismo revanchista.
NOTÍCIAS - OPINIÃO

Nos últimos dias a imprensa tem dedicado páginas e mais páginas à discussão  do chamado PNDH-3, a proposta de refomulação das políticas públicas para torná-las mais permeáveis aos Direitos Humanos.

O decreto embala uma série de ítens sem pé nem cabeça, que tem um quê de revanchismo, mas também tem muitas, muitíssimas propostas positivas e interessantes.

Os pontos que na visão deste blog são negativos já foram assinalados em um post anterior (que você pode ler clicando aqui). Agora quero falar sobre os pontos positivos.

O reconhecimento dos profissionais do sexo, por exemplo, tem por objetivo estender a eles o acesso a serviços como a Previdência Social e o SUS. Nada mais indigno de que manter esse universo de pessoas marginalizado, completamente à parte de tudo o que o Estado oferece como garantia mínima de dignidade a toda a sociedade.

A oposição a esse tópico parte de uma elite carola e hipócrita, que prefere continuar estigmatizando a prostituição e se recusa a admitir sequer que dispor do próprio corpo por dinheiro não constitui crime no Brasil.

Essa mesma elite se bate agora contra duas outras propostas igualmente positivas: a legalização do aborto e a ostentação de símbolos religiosos (como o crucifixo no Plenário do Supremo, por exemplo).

Com relação ao aborto, há que se reconhecer, mesmo que forçosamente, que sua proibição não impede que milhares de mulheres recorram a clínicas que são verdadeiros necrotérios ou a técnicas artesanais para encerrar a gravidez indesejada. E que as vítimas, quase sempre em situação de vulnerabilidade social, muitas vezes vezes morrem por falta de assistência médica adequada.

Sobre o laicismo do Estado há pouco a acrescentar ao que diz a própria Constituição. Não se pode permitir que a hegemonia católica continue transformando prédios públicos federais em espaço de reprodução de sua pretensa hegemonia.

Um réu pentecostal que eventualmente venha a ser julgado pelo STF, assim como um judeu ou um adepto do candomblé, terá todo o direito se sentir incomodado com o crucifixo que pende sobre o plenário. A Igreja tem milhares de templos para ostentar seus símbolos. O mesmo vale para as demais religiões..

A criação de instância de mediação para evitar a adjudicação de causas que podem ser resolvidas fora do Poder Judiciário também me parece positiva. O problema é quando a idéia passa a ser utilizada para obstruir o direito dos proprietários rurais de reivindicar a reintegração de posse de fazendas que lhes são esbulhadas pelo MST.

Creio que tenha faltado coragem aos autores do PNDH-3 para introduzir mais um assunto polêmico entre as propostas: a descriminalização do uso das drogas. O texto apenas tangencia o assunto quando defende "estimular a discussão sobre modelos alternativos de tratamento do uso e tráfico de drogas, considerando o paradigma da redução de danos".

Por todas essas razões, é necessário dizer que a condenação a todo o teor do decreto não passa de preconceito e reacionarismo. Muito do que está descrito ali antecipa discussões tempestivas e contemporâneas.

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 02:55    PDF Imprimir E-mail
Destaques dos jornais de hoje - Valor
MANCHETES DO DIA - VALOR

Fonte: Radiobras

Valor Econômico


Manchete: Ford usará motor feito no Brasil para carro nos EUA

A crise obrigou os fabricantes dos Estados Unidos a diminuir o tamanho de seus automóveis. Então, chegou a hora de o conhecimento brasileiro no desenvolvimento de carros pequenos ajudar os americanos. O motor do modelo Fiesta, que começará a ser vendido nos EUA em meados do ano, será produzido na Ford em Taubaté, fábrica que já vem recebendo investimentos de R$ 600 milhões para ampliar sua produção de 280 mil para 500 mil motores por ano até 2012. 

O motor que será usado no carro vendido para os americanos é o de 1,6 litro. “Não temos esse tipo de motor nos Estados Unidos”, explicou ontem Mark Fields, o presidente da Ford Americas, durante a apresentação do salão do automóvel em Detroit. Ao importar o motor do Fiesta, a Ford queima etapas na corrida da indústria americana no desenvolvimento de modelos de veículos menores. O Fiesta feito para americanos será produzido no México. Assim, os motores serão enviados do Brasil para o México e os carros, do México para EUA e Canadá. (págs. 1 e B1)

Karsten tenta adquirir a Trussardi

A Karsten, indústria têxtil com 125 anos de atuação em Santa Catarina, negocia a compra da Trussardi, fabricante paulista de artigos de luxo de cama, mesa e banho. Com a compra, a Karsten fortaleceria sua presença nos diversos públicos: a classe A seria atendida pelos produtos da Trussardi, a classe B pela marca Karsten e a C e D pela Casa In. Segundo informações da família Trussardi, as lojas Trousseau, com cerca de 20 unidades, não estão incluídas na negociação. De janeiro a setembro, a Karsten faturou R$ 223,5 milhões. A Trussardi não divulga balanço, mas suas vendas anuais são estimadas em R$ 60 milhões. (págs. 1 e B3)

Heineken quer o mercado da América Latina

O acordo de US$ 5,4 bilhões da Heineken para comprar a divisão de cerveja da gigante mexicana de bebidas e varejo Femsa dá à cervejaria holandesa uma base na América Latina e reduz sua dependência dos mercados europeus, de crescimento mais lento. A transação, inteiramente em ações, reunirá sob o mesmo teto as marcas Heineken, Newcastle Brown Ale e Amstel, as mexicanas Tecate, Dos Equis e Bohemia, e as brasileiras Kaiser e Bavaria. Com isso, a Heineken se torna a segunda maior cervejaria do México e amplia sua presença no Brasil e nos EUA. 

A Heineken deve ter grande crescimento no Brasil. A cerveja é feita em só uma das oito fábricas da Kaiser, mas pelo menos 5 estão sendo preparadas para produzi-la (com Lílian Cunha). (págs. 1 e B4)

Foto legenda: Jean-Francois van Boxmeer, CEO da holandesa Heineken: participação dos países emergentes vai dobrar de 11% para 24% com aquisição

‘Museu da ditadura’ cria fato político no Chile

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, o chamou de Museu da Memória. Mas o prédio inaugurado ontem em Santiago guarda as lembranças nada memoráveis de uma das piores ditaduras da América Latina, a de Augusto Pinochet, que governou o seu país de 1973 a 1990.

A seis dias da eleição presidencial, o museu também criou polêmica. A oposição acusa o governo de tentar usar a memória da ditadura para criar um “fato político” e reverter a vantagem que o candidato direitista Sebastián Piñera tem sobre o governista Eduardo Frei. (págs. 1 e A9)

BB desaloja bancos médios no consignado

O Banco do Brasil conquistou um terço do mercado de empréstimos consignados e nele deve crescer 30% este ano. Os novos contratos para administração da folha de pagamento de Estados e municípios podem garantir um mercado cativo à instituição.

Os bancos públicos já administram metade das contas de servidores dos Estados e recentemente o BB conseguiu novos contratos. Em algumas localidades, o BB tem conseguido exclusividade. Os bancos menores, que historicamente tiveram participação importante no consignado, estão preocupados com o avanço do BB nos seus negócios. O temor dos médios se explica porque depois da crise só restaram dois nichos para atuar com mais segurança: o crédito para média empresa e os empréstimos consignados. Mesmo onde não há exclusividade, eles temem a perda do atual estoque de crédito pela “compra da carteira”. (págs. 1 e C1)

Brasil deve consumir mais e exportar menos gasolina

A maior demanda por gasolina C (misturada com álcool anidro) no mercado interno, estimulada pela forte alta dos preços do etanol no país, deverá comprometer as exportações brasileiras de gasolina A (pura) em 2010. Em 2009, os embarques realizados pela Petrobras já indicaram uma pequena queda. A expectativa para este ano é que as exportações recuem até 10%. 

As exportações brasileiras de gasolina A devem ficar em cerca de 2,45 bilhões de litros, apurou o Valor. Se confirmadas as estimativas, será uma queda de 5%. Até novembro, os embarques foram de 2,32 bilhões de litros, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo. Os países da África e América Central são os principais importadores. (págs. 1 e B1)

Trem-bala só depois das Olimpíadas

Quem imaginava viajar de São Paulo em trem de alta velocidade para assistir aos Jogos Olímpicos no Rio vai ficar frustrado. A ligação completa entre Rio e São Paulo pelo trem-bala não deve ficar pronta a tempo. Segundo Hélio Mauro de França, superintendente executivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres, o projeto nunca esteve associado a nenhum evento esportivo. O governo espera entregar a licença prévia para o início das obras em meados de 2011. Se tudo correr no prazo previsto, as obras deverão durar cinco anos. “Mas isso também depende de outras variáveis, como o fluxo financeiro do projeto, demanda de material e outros fatores, como imprevistos geológicos”, afirma. (págs. 1 e A2)

Vinci assume gestão dos fundos da GAS

A Vinci Partners, gestora de ex-sócios do banco Pactual liderados por Gilberto Sayão, está assumindo os fundos de ações da GAS Investimentos. Fundada em 2003 por Leivi Abuleac, a GAS tem três carteiras de ações com patrimônio de R$ 2,2 bilhões. Duas novas carteiras devem ser lançadas. Os sócios da Vinci farão aportes de capital em valor não revelado, mas espera-se que em março as 5 carteiras tenham patrimônio de R$ 3 bilhões. A Vinci elevará o total sob sua administração para R$ 8 bilhões. (págs. 1 e D2)

Desvalorização cambial na Venezuela pode beneficiar empresas brasileiras (págs. 1 e A10)



Sofisticação do consumo leva indústrias de cafés especiais, como a Café do Centro, de Rafael e Rodrigo Peres, a faturar mais (págs. 1 e B10)


Foco em hidrovias

O Brasil pode desengavetar projetos de 20 anos para usar o potencial hidroviário dos seus rios. Está em gestação o Plano Hidroviário Estratégico. (págs. 1 e A3)

IPA reformulado

A FGV vai mudar o cálculo do Índice de Preços por Atacado, que passará a medir a variação de preços ao produtor e não mais junto a distribuidores, atacadistas ou intermediários. (págs. 1 e A4)

Estatização na Bolívia

O governo da Bolívia anunciou que vai estatizar este ano as duas redes ferroviárias do país, privatizadas em 1996, e que são controladas por capital chileno e americano. (págs. 1 e A11)

Novo uso do celular

O celular começa a ser um instrumento de treinamento. Na Universidade Federal de Pernambuco, Silvio Meira usa o Twitter para esclarecer dúvidas de alunos. (págs. 1 e B2)

Preços da Chesf

Grandes consumidores de energia estão debatendo com a Chesf critérios para preços na renovação de contratos até 2015. Os contratos vencem este ano. (págs. 1 e B6)

Sobe a renda agrícola

O valor bruto da produção das 20 principais culturas agrícolas do país deverá somar R$ 159 bilhões em 2010, um aumento de 4,3% em relação ao ano passado. (págs. 1 e B10)

Bônus de bancos

Bancos americanos se preparam para uma nova reação pública e política contra planos de remuneração, uma vez que vão anunciar pacotes de bonificações multibilionários. (págs. 1 e C2)

Regra contábil para geradora

A maior parte das geradoras de energia elétrica não terá que seguir as novas e complexas regras contábeis previstas para os contratos de concessão, diferentemente das distribuidoras e transmissoras. (págs. 1 e D1)

R$ 907 milhões na bolsa

Nos primeiros quatro pregões de janeiro, o saldo líquido de investimentos estrangeiros na Bovespa atingiu R$ 907,9 milhões, valor elevado para esta época do ano. (págs. 1 e D2)

Ideias

Delfin Netto: país cresce entre 5% e 6% em 2010, mas qualidade e manutenção dessa expansão não estão garantidas. (págs. 1 e A2)

Ideias

Raymundo Costa: planos de direitos humanos são para a ONU ver. (págs. 1 e A8)

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 02:52    PDF Imprimir E-mail
Destaques dos jornais de hoje - Folha de São Paulo
MANCHETES DO DIA - FOLHA DE SÃO PAULO

fonte: Radiobras

 

Folha de S. Paulo


Manchete: Gasolina terá menos álcool para segurar alta de preço

Medida valerá durante entressafra da cana; veículos devem poluir mais 

O governo decidiu reduzir, de 25% para 20% a proporção de álcool misturado à gasolina. O objetivo é aumentar a quantidade do combustível renovável no mercado e, com isso, tentar conter a alta do preço nos postos, em razão da entressafra da cana-de-açúcar. A medida entra em vigor em 1° de fevereiro e valerá por 90 dias, até o início da safra.

O álcool combustível produzido nas usinas tem dois destinos: o anidro (sem água) é misturado à gasolina, e o hidratado é vendido nos postos para abastecer principalmente carros flex. 

Com a medida, o álcool anidro que deixar de ser aproveitado na gasolina será transformado em hidratado, o que aumenta a oferta e, em tese, ajuda a frear a alta de preços. Para o mercado, porém, a decisão do governo deve encarecer a gasolina - e os carros que a utilizam, com menos álcool na mistura, emitirão mais poluentes.

O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que a expectativa do governo é que o preço da gasolina seja reduzido. Técnicos do seu ministério, no entanto, preveem que ela fique 2% mais cara. (págs. 1 e B1)

Após críticas, Planalto recua de defesa do aborto em plano

Depois da reação da Igreja Católica, o presidente Lula mandou rever o trecho pró-aborto no decreto do Plano Nacional de Direitos Humanos, alegando que ele não traduz a posição do governo.

Pela nova redação, o texto deverá fazer uma defesa genérica do aborto, no contexto de saúde pública - para salvar a vida da mãe, por exemplo. Também haverá alterações na parte que trata da violação de direitos humanos na ditadura. (págs. 1 e A4) 

Carlos Heitor Cony: Militares têm de pedir desculpas e admitir seus erros 

O Estado, para o bem da nação, precisa abrir os porões do regime militar. Vivemos um tempo em que é banal pedir desculpas públicas. A melhor forma de os militares pedirem perdão à sociedade é admitirem os erros do passado e garantirem que a distorção profissional não mais se repetirá. (págs. 1 e A2)

Cai o custo da cesta básica em 16 de 17 capitais

Pesquisa do Dieese apontou recuo no preço da cesta básica no ano passado em 16 de 17 capitais brasileiras investigadas. João Pessoa teve a maior queda (14,92%) e Belém, a única alta (2,65%). A maior procura por insumos e as perdas causadas pela chuva devem aumentar preços neste ano. (págs. 1 e B3)

Juíza posterga decisão sobre presidente do BC argentino

A juíza argentina Maria José Sarmiento reclassificou como ordinárias as medidas cautelares que anulam dois decretos presidenciais - o que cria um fundo com reservas do Banco Central para pagar a dívida externa e o que exonera o presidente do BC, Martín Redrado, por não cumprir a ordem. 

A decisão, que atende pedido da oposição à presidente Cristina Kirchner, mantém Redrado no cargo até a próxima semana. (págs. 1 e A10)

Heineken compra por US$ 8 bi dona da marca Kaiser

A Heineken anunciou a compra da divisão de cervejas da mexicana Femsa por US$ 7,7 bilhões, incluindo dívidas de US$ 2,1 bilhões. 

No Brasil, a Femsa é dona das marcas Kaiser e Bavaria, entre outras. A entrada da Heineken não deve interferir na liderança da AmBev (70% do mercado). (págs. 1 e B5)

 

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 02:51    PDF Imprimir E-mail
Destaques dos jornais de hoje - Correio Braziliense
MANCHETES DO DIA - CORREIO BRAZILIENSE

Fonte: Radiobras

Correio Braziliense


Manchete: Distritais instalam CPI

Comissão Parlamentar de Inquérito da corrupção vai investigar desvio de recursos públicos em contratos do GDF nos últimos 19 anos. Depoimento do ex-secretário Durval Barbosa é uma das prioridades dos deputados. (págs. 1, 28 e 29)

Foto legenda

Os 300 da PM

O gramado e a rampa de acesso à Câmara Legislativa foram ocupados por grupos de apoio e contrários ao governador Arruda. Pela manhã houve um enfrentamento, mas uma barreira de 300 policiais garantiu a tranquilidade das manifestações durante todo o dia. (pág. 1)

Prós e contras, todos fora

Estudantes do movimento contrário a Arruda foram retirados à força da entrada do prédio, depois de descumprirem acordo feito com a polícia e ocuparem uma área proibida. Apoiadores do governador estavam em maior número, mas nenhum manifestante pôde entrar na Câmara. (pág. 1)

Menos álcool para segurar os reajustes

O governo reduzirá de 25% para 20% o percentual do álcool anidro misturado à gasolina para tentar controlar os preços. No DF, os combustíveis sobem amanhã. (págs. 1 e 10)

Justiça paralisa concurso do Planejamento (págs. 1 e 12)


Venda casada em passagens está proibida

Anac determina que TAM e Gol parem com a comercialização irregular, pela internet, de seguros de viagem embutidos nos bilhetes aéreos. (págs. 1 e 11) 

Eleições 2010: Habitação é a bandeira de Dilma

O presidente Lula anuncia hoje a aplicação de R$ 3 bilhões em obras do programa Minha Casa, Minha Vida, que deverá se transformar no carro-chefe da campanha da ministra da Casa Civil à sucessão do Palácio do Planalto. O dinheiro irá para municípios com menos de 50 mil habitantes. (págs. 1 e 2)

Câmbio da Venezuela pode afetar Mercosul (págs. 1 e 16)


Desvio de septo atinge 20% dos brasileiros

Cerca de 38 milhões de pessoas no país sofrem com o mal, que dificulta a respiração e provoca dores de cabeça. Cirurgia pode corrigir o problema. (págs. 1 e 19)

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 02:49    PDF Imprimir E-mail
Destaques dos jornais de hoje - JB
MANCHETES DO DIA - JB

Fonte: Radiobras

Jornal do Brasil


Manchete: China ameaça mercados do Brasil

Café, aço e automóveis tomam espaço de produtos nacionais 

A China soube bem como aproveitar a retração das importações em todo o planeta. Com preços competitivos, a maior exportadora do mundo invadiu e está tomando mercados junto aos principais parceiros comerciais brasileiros, como Estados Unidos, México e Argentina. Café, aço, automóveis e ferro fundido estão entre os itens que levaram a primeira semana de 2010 a fechar com saldo comercial negativo de US$ 375 milhões. No mercado americano a participação brasileira se manteve até setembro do ano passado a 1,38%, mesmo nível de 2001, enquanto a chinesa avançou 18,84%, contra pouco mais de 8% em 2001. (págs. 1 e Economia A17)

Arruda vai municiar o PT contra ex-partido

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), fechou acordo com o PT do DF para que o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (sem partido), continue no cargo. Em troca, ele vai ajudar os petistas contra seu ex-partido (DEM}, informa Leandro Mazzini no Informe JB. Aliados de Arruda vão comandar as investigações sobre a corrupção no DF. (págs. 1, Tema do dia A2 e A3 e Informe JB A4)

Coisas da política

Na sucessão, os extremos entre dividir e unir. (págs. 1 e A2)

Anna Ramalho

José Sarney eufórico com Dilma Rousseff. (págs. 1 e A15)

Editorial

Turismo vai de vento e popa no Brasil. (págs. 1 e A10)

Sociedade Aberta

Desiré Carlos Callegari
Médico

Pela regulamentação da medicina. (págs. 1 e A11)

Sociedade Aberta

Alexandre Braga
Coordenador da Unegro

O risco de guerra civil no Equador. (págs. 1 e A12)

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 02:44    PDF Imprimir E-mail
Destaques dos jornais de hoje - Estadão
DEU NO JORNAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

Fonte: Radiobras

O Estado de S. Paulo


Manchete: Plano dos direitos humanos será esvaziado, diz líder do PT

Vaccarezza afirma que pontos criticados por militares e Igreja serão esquecidos 

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), disse que o presidente Lula deverá deixar de lado pontos polêmicos do Programa Nacional de Direitos Humanos, criticado pelas Forças Armadas, Igreja, sociedade civil e até integrantes do governo. A ideia é amenizar o plano e não enviar projetos de lei ao Congresso, ou deixar de apoiar os já existentes, como a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a descriminalização do aborto, a revisão da Lei de Anistia e a reintegração de posse em invasões de terra. Lula convocou os ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e Nelson Jobim (Defesa) para explicarem as trocas de insultos e ameaças de demissão. (págs. 1, A4 e A6)

Análises
João Bosco Rabello 
Programa é uma mini-constituinte 

Dora Kramer 
Lula e Dilma assinam sem ler (págs. 1 e A6)

Foto legenda: De volta - Lula com Dilma, no primeiro dia de trabalho depois da férias: presidente convoca ministros para explicar troca de insultos

Foto legenda: PSDB: quando o carnaval chegar

Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e Sérgio Guerra após almoço em São Paulo: cúpula do partido resolveu "colocar o time em campo" e estipulou meados de fevereiro como prazo para desatar os principais nós nas alianças regionais para eleições. (págs. 1 e A7)

Arruda tem maioria para barrar processo

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), garantiu maioria nas três comissões da Câmara Legislativa que decidirão seu destino. O plano é evitar o processo de impeachment e o avanço nas apurações sobre o "mensalão do DEM". Arruda montou uma tropa na CPI para tentar barrar o avanço das investigações e outra para controlar as comissões que analisarão os pedidos de impeachment contra ele. Houve protestos no primeiro dia de trabalho da Câmara. (págs. 1 e A8)

BCs apertam regras para manter bancos sob controle

Dirigentes de bancos centrais aprovaram medidas para evitar novas crises em bancos pelo mundo. Supervisão das instituições financeiras, registro obrigatório das transações nos balanços, mais reservas decapitar e controle de instituições que representem risco sistêmico foram pontos definidos. (págs. 1 e B1)

Governo reduz etanol na gasolina para segurar preço

O porcentual obrigatório de adição de etanol na gasolina cairá de 26% para 20% por 90 dias, a partir de 1º de fevereiro. A medida tem o objetivo de conter o preço do álcool, mas, segundo técnicos do próprio governo, pode levar a um aumento entre 2% e 2,6% no preço da gasolina nas bombas. (págs. 1 e B4)

Estados Unidos: Os bastidores apimentados da campanha de Obama

Declarações preconceituosas de políticos sobre o então candidato Barack Obama e casos extraconjugais estão no livro Game Change, sobre os bastidores da campanha de 2008. As revelações agitaram o cenário político dos EUA. (págs. 1 e A12)

Notas e Informações: Lula e os estragos do decreto

O Programa Nacional de Direitos Humanos é ruim porque é de natureza ditatorial. E o presidente sabe disso. (págs. 1 e A3)

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Ter, 12 de Janeiro de 2010 02:42    PDF Imprimir E-mail
Destaques dos jornais de hoje - O Globo
DEU NO JORNAL - O GLOBO

Fonte: Radiobras

O Globo


Manchete: O megadecreto dos Direitos Humanos: Lula reclama de Stephanes e recua sobre aborto e tortura

Para agradar a militares, presidente manda mudar artigo que cria Comissão da Verdade

As críticas dos comandantes das Forças Armadas e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) levaram o presidente Lula a recuar e determinar mudanças no Programa Nacional dos Direitos Humanos, que provoca polêmica desde que foi lançado, em dezembro. Será alterado um trecho do decreto que prevê a criação da Comissão Nacional da Verdade para investigar atos cometidos durante a ditadura. A versão original diz que a comissão vai apurar violações de direitos humanos "praticadas no contexto da repressão política", o que abriria caminho para punir torturadores. O texto passa a ser "praticadas no contexto de conflitos políticos". Lula também mandou excluir o trecho em que o governo apoia projeto de lei que descriminaliza o aborto. Mas outros pontos polêmicos, ainda não foram alterados, como os que tratam dos meios de comunicação e da reforma agrária. O presidente reclamou do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, por ter criticado publicamente o item que muda normas de reintegração de posse em terras invadidas. (págs. 1, 3 e 4)

Chávez fecha lojas na Venezuela

Governo usa Exército e lacra 70 estabelecimentos por aumento de preços 

Com o apoio de soldados do Exército, o governo Chávez iniciou ontem a fiscalização de lojas e supermercados que aumentaram preços devido à maxidesvalorização de até 50% do bolívar, o que levou ao fechamento de 70 estabelecimentos. Segundo o governo, os reajustes médios foram de 50%, alguns chegando a 200%. As lojas ficarão fechadas por até 48 horas e serão obrigadas a voltar a cobrar os preços da semana passada. Para a agência de classificação de risco Moody's, a inflação deve dobrar no país. Segundo especialistas, o controle cambial se presta “à corrupção e aos privilégios”. (págs. 1 e 19)

Foto legenda: Soldados do Exército ocupam supermercado em Caracas acusado de aumentar os preços, depois da maxidesvalorização de até 50% do bolívar

Deputado 'da meia' faz sessão secreta

O deputado Leonardo Prudente, flagrado escondendo dinheiro na meia, reassumiu a presidência da Câmara do DF e impediu ontem o acesso do público na primeira sessão do ano, que blindou as investigações contra o governador Arruda. O vice-governador, Paulo Octávio, é acusado pelo Ministério Público de causar um rombo de R$ 27 milhões na CEF. (págs. 1 e 8)

Com menos álcool, gasolina subirá até 3,9%

Para evitar desabastecimento de álcool no país, a partir de fevereiro, o governo reduzirá de 25% para 20% a mistura de álcool anidro à gasolina. Com isso, o preço da gasolina subirá até 3,9% nos postos. (págs. 1 e 21)

Três milhões mudam de telefônica

De 4,2 milhões de usuários que pediram para trocar de operadora e manter o número do telefone, 3,2 milhões concluíram a migração. Ou seja, 1,52% dos usuários do país. (págs. 1 e 24)

O verdadeiro affair de Mrs. Robinson

Escândalo envolvendo a mulher do premier da Irlanda do Norte, Iris Robinson, e seu amante de 19 anos levou ao afastamento do dirigente irlandês. Mrs. Robinson, deputada conhecida por defender valores puritanos, admitiu ter obtido empréstimo de 50 mil libras para o jovem. (págs. 1 e 25)

Heineken compra dona de Kaiser e Sol

A cervejaria holandesa Heineken anunciou a compra da mexicana Femsa, que no Brasil é dona de Kaiser, Bavaria e Sol. O negócio é avaliado em US$ 7,3 bilhões, incluindo obrigações com pensões e dívidas, e envolve as operações da companhia no México e no Brasil. (págs. 1 e 23)

Eureca!

China faz uma revolução nos transplantes de células-tronco. (págs. 1 e Ana Lucia Azevedo, 27)

 
Escrito por Fábio Pannunzio    Seg, 11 de Janeiro de 2010 19:56    PDF Imprimir E-mail
Aliados dominam comissões que vão investigar Arruda
NOTÍCIAS - POLÍTICA

 

Mário Coelho, do site Congresso em Foco

Os deputados distritais definiram na tarde desta segunda-feira (11) os integrantes das comissões especial e de Constituição e Justiça (CCJ), que serão responsáveis para analisar os processos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido). Os dois colegiados são formados em sua grande maioria por parlamentares da base de apoio de Arruda.

Por quatro votos a um, o distrital Geraldo Naves (DEM) foi eleito presidente da CCJ. Suplente, ele assumiu o cargo na semana passada, após o titular Paulo Roriz (DEM) licenciar-se do mandato para retomar a Secretaria de Habitação. O novo vice-presidente será DR. Charles (PTB). Completam o colegiado os deputados Chico Leite (PT), Eurides Brito (PMDB) e Batista das Cooperativas (PRP). O petista também se candidatou à presidência da CCJ e levou um voto, o seu próprio.

Após a eleição de Naves, Leite apresentou três requerimentos ao novo presidente. O parlamentar quer que os relatores da CCJ sejam escolhidos por sorteio (e não por indicação); que todas as deliberações sejam coletivas, e que ainda hoje (11) se julgue a admissibilidade dos pareceres da Procuradoria-Geral sobre os pedidos de impeachment. Naves, porém, afirmou que ainda hoje apontará o relator dos processos de impeachment.

O relator terá 20 dias para apresentar seu relatório, que tratará da admissibilidade dos pedidos de investigação do governador por crime de responsabilidade. Somente então ele encaminhará o resultado à comissão especial, que vai analisar o mérito de cada uma. Isso, claro, se o parecer do relator for pela aceitação dos processos. Até o momento, a Casa recebeu 18 pedidos de impeachment. Deste total, apenas três foram acatados pela Procuradoria. Oito foram rejeitados e sete ainda estão sendo analisados.

A instalação da comissão especial para analisar os pedidos de crime de responsabilidade contra o governador Arruda foi adiada. De acordo com informações de integrantes da CCJ, a Comissão só deverá ser instalada após a análise da admissibilidade dos pedidos. Ela é formada pelos distritais Geraldo Naves, Chico Leite, Batista das Cooperativas, Cristiano Araújo (PTB) e Alírio Neto (PPS). Neste momento, os distritais estão voltando à Casa para instalar a CPI da Corrupção.

Acesso

O acesso do público à Câmara Legislativa não será permitido hoje (11), em nome da segurança. A decisão foi comunicada em nota oficial do presidente da Casa, deputado Leonardo Prudente, tomando por referência parecer da Coordenadoria de Segurança.

Na mesma nota, o presidente afirma que "todas as providências estão sendo tomadas para que a CLDF tenha condições de permitir, no prazo mais curto possível, a livre circulação do público, com plena garantia de segurança para todos - visitantes, servidores e parlamentares".

No primeiro dia dos trabalhos de autoconvocação, estão previstos a eleição do presidente e vice da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a instalação da CPI da Corrupção e da Comissão Especial para analisar os pedidos de impeachment do governador Arruda.
 


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