Resposta da Prefeitura de SP à matéria sobre a ética e o lixo

Transcrevo a seguir a íntegra da nota emitida pelo assessor de imprensa do prefeito Fernando Haddad, o jornalista Nunzio Briguglio, em resposta à matéria publicada hoje pelo Blog do Pannunzio versando sobre problemas éticos na regulamentação da Lei das Sacolinhas. Louvo a celeridade da reação. E aproveito para sugerir o mesmo rito a outros assessores de imprensa da mesma Prefeitura, menos eficientes mas mais soberbos do que o experiente Nunzio.

Prezado Fábio Pannunzio:

Com relações as afirmações que você fez no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, e mais tarde em seu blog, gostaria de esclarecer algumas informações:

  1. A prestação de contas do prefeito Fernando Haddad está disponível no site do TSE. As contas foram devidamente declaradas e aprovadas na Justiça Eleitoral. Você mesmo disse que os fabricantes de embalagens fizeram a doação ao diretório municipal do Partido dos Trabalhadores.
  2. A contrapartida veio rápida quer dizer o que? O prefeito de São Paulo não cede a poderes de lobbies.
  3. A lei do prefeito Gilberto Kassab proibia a distribuição de sacolas plásticas nos supermercados. Foi questionada na Justiça, que a considerou legal e constitucional. Coube ao prefeito Fernando Haddad regulamentá-la. Preocupado em permitir uma alternativa à população, ele autorizou dois modelos que permitiriam inclusive separar o lixo orgânico do lixo reciclável.
  4. Haddad não é dócil, nem hostil. Tem se mostrado justo e republicano. Um tipo de político realmente raro.
  5. A cidade não foi surpreendida com o decreto. Teve tempo para se adaptar. Tempo aliás que foi prorrogado.
  6. Não há problemas de natureza ética. Ninguém é obrigado a usar as sacolinhas. Ninguém é obrigado a pagar por elas. Ninguém é obrigado a frequentar supermercados que cobram pelas sacolinhas.
  7. Se há mesmo alguma irregularidade, volto a te dizer que há uma Controladoria Geral do Município pronta para investigar as denúncias. Foi ela mesmo que descobriu o desvio de mais de R$ 500 milhões da máfia do ISS, que atuava durante gestão anterior.

 

Nunzio Briguglio

As sacolinhas e a ética do lixo em SP

Não foi apenas a Braskem. Quatro outros fabricantes de embalagens plásticas também fizeram contribuições ao diretório do PT durante  campanha em que Fernando Haddad se elegeu prefeito de São Paulo. No total, as doações dessas empresas somaram R$ 437 mil. Além dessas empresas, apenas o Banco Safra integralizou doações à campanha paulistana por intermédio do diretório do Partido dos Trabalhadores.

sacolinhaA contrapartida veio rápido. No dia 5 de janeiro a Prefeitura de São Paulo atendeu ao lobby dos fabricantes de embalagens plásticas ao regulamentar a chamada Lei das Sacolinhas. O decreto foi feito com o objetivo de permitir algo que a norma legal proibia expressamente — a distribuição de sacolinhas pelo comércio varejista.

A lei 15.374/11, editada pelo prefeito Gilberto Kassab, simplesmente proibiu a distribuição de sacolas plásticas aos consumidores. Ao regulamentá-la, no entanto o atual prefeito transformou uma proibição expressa em uma autorização seletiva: “Consideram-se sacolas reutilizáveis (…) as sacolas para coleta seletiva de resíduos sólidos domiciliares secos que atendam às especificações a serem definidas pela Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB”.

E que sacolas seriam essas ?

As que a Braskem julgou serem as melhores para… Ela própria! Sacolas fabricadas com 51% de polietileno proveniente da cana-de-açucar e 49% de polietileno de petróleo. Que são absolutamente iguais àquelas que foram proibidas na gestão Kassab. E que agora retornam disfarçadas de embalagens ecológicas, quando não são. Que voltam reclassificadas como reutilizáveis, quando a única reutilização possível é o descarte do lixo. Ou seja: exatamente como eram as sacolinhas proibidas na gestão passada. Com a única diferença de que as sacolas de agora custam quase três vezes mais do que as anteriores — R$ 0,08 por unidade contra R$ 0,03 no passado.

E como se sabe que a Braskem foi quem definiu onde a população iria acomodar as compras de supermercado ?

Porque o projeto de criação das novas sacolinhas foi executado por uma ONG chamada Greening Innovative and Sustainable Solutions. E essa ONG ostentava em sua homepage na internet os logotipo da própria Braskem em sua galeria de patrocinadores. E também a logomarca de um selo de certificação criado pela Braskem para atestar que certos produtos desenvolvidos com sua matéria-prima se enquadram dentro de critérios de sustentabilidade ambiental que ela mesma estabelece. Dias atrás, os dois logotipos desapareceram da galeria de ‘sponsors’. Misteriosamente.

A Prefeitura alega que não há problema em ter recebido e encampado o modelo das sacolinhas proposto pela ONG da Braskem. Mas não explicou até agora como a entidade apareceu numa reunião dentro do gabinete do Secretário de Serviço, Simão Pedro, no dia 14 de novembro de 2014, um mês e meio antes da expedição do decreto que regulamentou a lei de Kassab. Também não explica por que trecho inteiros do decreto parecem ter sido escritos pela mega-corporação de química fina. Alega também que não há dinheiro da empresa na campanha que elegeu Haddad.

O que, aliás, não é verdade.

Captura de Tela 2015-05-15 às 15.10.04

Na contabilidade direta do candidato realmente não há o registro de um único real da Braskem na campanha de 2012. Mas quando se verificam as doações feitas ao diretório municipal do PT, aí sim, aparece o dinheiro. Se você observar a tabela retirada do site do TSE (acima), vai perceber que:

– Houve cinco grandes financiadores nessa relação. Um deles é o Banco Safra, que fez doações por intermédio de três pessoas jurídicas diferentes (Safra Leasing, Safra Participações, Safra Seguro e Previdência e Banco Safra).

– Todos os demais financiadores pertencem à cadeia das sacolinhas: a própria Braskem, a ATP Indústria de Plásticos, a Plastquatro Indústria e Comércio de Plásticos  e a Polien Embalagens Flexíveis. Juntas, elas doaram R$ 437 mil. Isso corresponde a pouco mais de um terço dos recursos arrecadados pelo diretório municipal do PT, que totalizaram R$ 1,187 milhão. Pelo caixa-um, é bom que se frise.

Não é difícil entender o interesse desse segmento na candidatura Haddad. Era natural que, acossados pela lei restritiva de Kassab, eles fossem buscar um ponto de entrada em outro candidato. Alguém mais dócil, menos hostil, capaz de assegurar sua sobrevivência num mercado bilionário em que cada brasileiro consome 59 sacolas por ano para levar as compras do supermercado até em casa. Difícil é entender a negativa da Prefeitura ao que parece óbvio: que ela sucumbiu ao lobby das sacolas. Porque parece óbvio demais.

Quem apresentou a Greening aos interessados no assunto foi o próprio secretário Simão Pedro, que ganhou a vaga no primeiro escalão porque coordenou a campanha de Haddd. Isso aconteceu no dia 14 de novembro. Quando os convidados chegaram para a reunião, foram apresentados à Greening pelo próprio Simão Pedro. E foi também o secretário que avisou: “Esses caras têm a solução para o problema”.

Com o representante da ONG estava não apenas o layout das novas sacolinhas. Havia também protótipos prontos, mocapes de sacolinhas exatamente como elas são hoje. Alguns dos presentes à reunião não entenderam de onde havia saído aquilo. Nem que proveito o município, o meio-ambiente e o munícipe/consumidor tirariam do ovo de Colombo apresentado por aqueles estranhos ao assunto.

O fato é que, um mês e meio depois, a cidade foi surpreendida por um decreto que em muito remete a conceitos que a própria Greening repete em seus ensaios. O discurso comercial da entidade acabou criando bordões que se transformaram em mantras da atual administração, ou em justificativas para o injustificável.

Até aqui, não parece haver nada de ilegal em toda essa transação. Mas há muitos problemas de natureza ética. A Prefeitura diz que não houve dinheiro público no negócio. Mas não se importou em impor ao consumidor paulistano um ônus de oito centavos por sacolinha para fazer suas compras. E ninguém explica como surgiu essa ONG na mesa presidida pelo secretário — e da qual faziam parte também o secretário de meio-ambiente e o então presidente da AMURB.

ONG da sacolinha “esconde” logo da Braskem

A ONG Greening, autora ideológica das chamadas “sacolinhas reutilizáveis” da gestão Haddd, escondeu em seu website o logo da Braskem, que até o mês passado estrelava sua galeria de ‘sponsors’. A mudança se seguiu à revelação de que essa ONG apresentou no dia 24 de novembro do ano passado, numa reunião na Secretaria de Serviços da Prefeitura, o layout das sacolinhas que a cidade só iria conhecer um mês e meio depois, quando o prefeito Fernando Haddad assinou o decreto que regulamentou a lei 13.374/11, de gestão Kassab.

A Braskem é a empresa fornecedora de toda a matéria-prima com que são feitas as sacolinhas. Supostamente, é a única a ganhar alguma coisa com a regulamentação dessa lei, que é inócua do ponto-de-vista ambiental. As novas sacolinhas, que custam três vezes mais caro do que as anteriores, são feitas do mesmo plástico. A diferença é que 49% da matéria-prima agora é obtida do bagaço de cana, e não do petróleo. Independentemente da origem da resina, no entanto, o material não é mais nem menos degradável do que as sacolas que vinham sendo distribuídas gratuitamente aos consumidores pelo comércio varejista.

greening1Até recentemente, a página da Greening na internet era exatamente como ser vista até hoje no mecanismo Waybackmachine. Para consultá-la, clique aqui. O que você vai ver é uma reprodução  do site (veja fac-símile à direita) como estava em outubro do ano passado, um mês antes da fatídica reunião na Secretaria de Serviços. Ali aparece com clareza o logotipo da Braskem, apresentada como “parceira” da Greening.

Agora, além de não exibir mais os patrocinadores, a Greening avisa apenas que seus “cases” serão conhecidos no futuro, sem precisar data.

A Prefeitura não nega a reunião na Secretaria de Serviços nem que o projeto tenha sido apresentado pela Greening. Diz, por meio de sua assessoria de imprensa, que isso não  constitui qualquer irregularidade. Também não tece comentários sobre o problema ético que se vislumbra em função de ter permitido que um preposto do maior interessado, a Braskem, tenha imposto o modelo de sacolas à população paulistana sem que o assunto fosse sequer discutido com a sociedade.

O lobby da Braskem e a lei das sacolinhas

A discussão sobre a lei que padronizou as sacolinhas distribuídas nos supermercados paulistanos já dura mais de dois meses . Desde o início, tenho sustentado que a PMSP aceitou de uma ONG patrocinada pela Braskem o projeto completo que redundou no design e na composição químicas das sacolinhas atuais.

Captura de Tela 2015-05-12 às 09.09.26

A lei municipal 15.374/11 foi editada pelo então prefeito Gilberto Kassab há três anos e meio. Ela simplesmente proibia a distribuição de sacolinhas pelos supermercados. No fim do ano passado, a Justiça julgou a lei constitucional. A Prefeitura teve então que regulamentá-la para que passasse a vigorar. Nesse momento, surgiram os emissários da Braskem.

No dia 6 de janeiro deste ano, o prefeito Fernando Haddad editou o decreto 55.827. Ele transformou uma lei que apenas proibida algo em outra que autoriza a mesma coisa. O pulo do gato foi considerar que as sacolinhas, desde que respeitadas certas normas, poderiam ser consideradas reutilizáveis. Utiliza-se as sacolinhas uma vez para trazer as compras do supermercado e outra para a deposição do lixo.

E onde aparece a Braskem ?

Aparece um mês e meio antes, no dia 24 de novembro de 2014, representada pelos integrantes da ONG Greening, em uma reunião na Secretaria de Serviços do Município de São Paulo. Foi ali que essa organização apresentou o projeto que a Prefeitura comprou integralmente. Ali estavam o grafismo, o design, algumas especificações técnicas etc.

A Greening não escondia de ninguém quem a patrocinava. Até que, no mês passado, decidiu retirar da relação de ‘sponsors’ em seu website o logotipo da Braskem. Isso aconteceu uma semana depois que eu mesmo trouxe o assunto à baila no programa Bandeirantes Gente, do qual participo todas as manhãs na Rádio Bandeirantes (840 AM ou 90,9 FM para os moradores de SP).

Agora a assessoria de imprensa da Prefeitura me pede indícios que possam comprovar o que eu afirmei. Trata afirmações como ‘insinuações’. Não são insinuações. São afirmações mesmo.

Para ajudar a municipalidade e descobrir o que ocorreu entre 24 de novembro e 5 de janeiro, enviei a projeção apresentada pela ONG às autoridades municipais na Secretaria de Serviços. O mesmo material está disponível para todos os que quiserem se dar ao trabalho de entender como funciona a engrenagem que provoca certos movimentos do campo da política. Esses movimentos reverberam na vida de todos os cidadão. No tocante a esse assunto, determinaram a cobrança esdrúxula de R$ 0,08 por sacolinha de quem vai ao supermercado.

Para baixar o arquivo da apresentação da Greening, clique aqui: Greening-PREFEITURA-141124.

Adeus à Deusa

Gisele se despede. Ela refundou as passarelas. Levou as curvas, a sensualidade e a saúde a um ambiente antes dominado por esqueletos  anoréxicas, bulímicos e carregados de olheiras. eis aqui uma lembrança dos tempos em que ela, recém-chegada de Horizontina, sua terra natal no Rio Grande do Sul, protagonizou como personagem uma matéria que eu fiz sobre a vida das modelos há quase 21 anos, em 1994.

Molion: “Previsões do Painel do Clima brasileiro são catastrofismo não-científico”

O relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas é uma peça desprovida de fundamentos científicos que tem por objetivo sedimentar projeções alarmistas que não encontram amparo na realidade. A opinião é do Professor Luis Carlos Molion, meteorologista mais expressivo entre os chamados “céticos” brasileiros — cientistas que contestam a hipótese do aquecimento global provocado pelo homem por meio do aumento das emissões de carbono na atmosfera.De acordo com o meteorologista, o planeta estaria, ao contrário, iniciando um período de resfriamento por causa da diminuição da atividade solar.

O relatório prevê alterações no clima mundial com reflexos na hidrologia, regime de chuvas e na economia brasileira a partir da projeção de que as temperaturas poderão se elevar em 6 graus centígrados até o fim do século. As consequências seriam desastrosas. Além de mudar o regime de chuvas, acentuando eventos de frio intenso e calor extremo, fariam com que até o lençol freático fosse afetado.

Molion concedeu uma longa entrevista ao Blog do Pannunzio. Ela pode ser integralmente assistida no link acima. É uma aula sobre os mecanismo que, segundo ele, são responsáveis pelo controle da temperatura na superfície da Terra. Molion não se limita a contestar seus colegas que estão do outro lado da trincheira climatológica. Ele critica os cientistas que assinam o estudo do PBMC dizendo que “ficaram ao lado do dinheiro”, em referência às facilidades encontradas por cientistas pró-aquecimento antrópico para alavancar financiamento para seus trabalhos, que ele classifica como ‘não científicos’.

Conjur: Blogueiro é condenado a pagar R$ 50 mil a Ali Kamel

Por Livia Scocuglia

Não há qualquer interesse público em relacionar o nome de duas pessoas com finalidade jocosa ou sensacionalista. Com esse entendimento, a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro, condenou Wilians Miguel de Barros responsável pelo blog Cloaca News ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais ao diretor de jornalismo e esporte da TV Globo, Ali Kamel. O motivo da condenação é que o blogueiro publicou em seu site a falsa informação de que Ali Kamel atuou em filme pornográfico na década de 1980.

Para a juíza, houve excesso no direito de informar da parte do blogueiro. Ela aponta que o ator pornô sequer adotava o mesmo nome do jornalista: Alex Kamel. “A maliciosa distorção de indicação do nome do ator pornô tem como exclusiva finalidade traçar vínculo entre ele e o autor, como se homônimos fossem. E isto para atribuir ao ora autor a realização do filme pornô”, escreveu.

Na decisão, a juíza diferenciou a liberdade de imprensa do sensacionalismo — que não tem por objetivo a informação, “mas sim entretenimento de mau gosto decorrente de abuso de direito que visa atacar pessoas públicas e notórias. É o que aqui ocorre”, afirmou.

O advogado do jornalista da TV Globo, João Carlos Miranda, afirmou houve abuso de direito de manifestação do blogueiro que atingiu a honra e imagem de Kamel.

O blog Cloaca News diz ter como missão “desmascarar a máfia midiática que infesta o nosso país.” Na defesa, o responsável pelo blog, Wilians Miguel de Barros, afirmou que o site tem com milhares de seguidores e que apresenta revelações de cunho jornalístico.

Ele disse que as notícias sobre a participação do dito homônimo de Ali Kamel em filme pornô são verdadeiras e que não fez referência ao próprio diretor da Globo. O blogueiro pediu que fosse reconhecida a liberdade de manifestação, já que o autor da ação é pessoa pública e está sujeito a ser objeto de “menções jocosas” pela imprensa.Entretanto, as alegações do blogueiro não foram levadas em consideração pela juíza.

Além disso, para a juíza, o blogueiro admitiu que quis relacionar o ator do filme pornô ao diretor da Globo para demonstrar que agiu apenas com a intenção de fazer uma brincadeira (animus jocandi). E isso deixou evidente a intenção do blogueiro em relacionar o Ali Kamel ao ator do filme pornô da década de 80. “Tanto assim é que, decerto, não haveria qualquer interesse dos seus seguidores no blog sobre notícias do ator ‘homônimo’, se não fosse a identidade de nome com conhecido jornalista da emissora TV Globo.”

A juíza argumenta que o blogueiro excedeu muito o seu direito de informar e não se pode admitir a desculpa de ter feito a comparação só para fazer uma piada no site. Ela disse ainda que o autor “deixou de observar seu dever de atuar de forma ética e profissional e ingressou no terreno da ofensa pessoal, sem qualquer conteúdo informativo, ou gracioso.”

Com isso, a juíza do TJ-RJ decidiu que houve dano moral e fixou o valor de 50 mil de multa, com correção monetária desde a data do julgamento (2/9), além de juros de mora legais contados da primeira veiculação de notícia no seu blog (16 de agosto de 2009). O blogueiro ainda foi condenado ao ao pagamento das despesas processuais e honorários de advogado fixados em 20% o valor da condenação, por considerar que houve dificuldade em citar o blogueiro.

Outros casos
Essa não é a primeira vez que Kamel vence ação contra blogueiros, inclusive por ter seu nome associado ao do ator de filme pornô. Em janeiro de 2013, o blogueiro Rodrigo Vianna foi condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais por ter publicado, por várias vezes, que Kamel participou de filme pornô na década de 1980. Em sua defesa no processo, argumentou que o blog tem viés informal e espírito jocoso, “o que é intrínseco à prática da crônica jornalística”.

Em fevereiro de 2013, o também blogueiro Paulo Henrique Amorim foi condenado, pela segunda vez, a pagar R$ 50 mil por insistir em chamar Ali Kamel de racista. A decisão mais recente é uma sentença da 35ª Vara Cível da capital fluminense. O juiz Rossidelio Lopes da Fonte, ao condenar Paulo Henrique Amorim a indenizar Ali Kamel, ponderou os limites da livre crítica literária e do direito a inviolabilidade da honra. As publicações que ofenderam Kamel foram sobre seu livro “Nós não somos racistas”, em que discute a questão racial e a discriminação social no Brasil. O apresentador, em seu blog, chama o diretor da Globo de racista por causa do livro. E isso depois de ter sido condenado, também pela Justiça do Rio, a indenizar Kamel em R$ 50 mil, pelo mesmo motivo.

Ainda em 2013, o jornalista Luiz Carlos Azenha foi condenado a pagar R$ 30 mil em indenização por danos morais por conta de uma série de críticas veiculadas em seu site Viomundo. Entre outras afirmações, o site, notoriamente favorável à eleição de Dilma Rousseff, então candidata do PT à Presidência da República em 2010, acusou o diretor de participar de uma suposta estratégia das organizações Globo de influenciar o resultado de uma pesquisa eleitoral durante a campanha.

Processo 0428252-91.2010.8.19.0001
Clique aqui para ler a decisão.

 

A culpa é do STF

STF

2012 fez surgir diante da Nação uma instituição que  iria restaurar a cidadania, sanar os vícios na administração do dinheiro público e devolver a moralidade à política. O Supremo Tribunal Federal, abençoado pela lucidez de suas vestais — ainda que parte delas esteja corporificada na atuação de ministros do quilate de Lewandowsky e Tóffoli — foi “vendido” à opinião pública como a saída para resolver as contradições de uma democracia jovem, imperfeita e ainda em fase de testes.

Nomes de pessoas como Joaquim Barbosa passaram a integrar a galeria de heróis pátrios. E outros, como Gilmar Mendes, passaram a ser demonizados pelos aliados dos que viriam a ser purgados da história.

Ledo engano. Não há heróis por trás do movimento de instituições como o SFT. A cada passo que se avança, recua-se o equivalente no momento seguinte. E a história segue seu ritmo modorrento.

É fato que temos, pela primeira vez desde sempre, um deputado cumprindo seu mandato na Papuda. Mas há pencas de ladrões de dinheiro público soltos graças à inércia do próprio Supremo. E uma parte das vergonhas públicas se deve a ninguém menos do que o próprio STF, que fala grosso para o varejo da malandragem e fino com o atacado. Se temos hoje crises que nos envergonham, como os casos Roger Pinto Molina e Natan Donadon, debite-se isso da conta do tribunalzão constitucional.

Duas decisões tíbias foram responsáveis por esse estado de coisas. A primeira dizia respeito à deportação do condenado Cesare Batisti. Para não desautorizar Lula, o Supremo decidiu julgar ilegal o asilo concedido ao ex-terrorista italiano, mas deixou ao alvedrio do presidente de então acatar ou não o que fora decidido. Lula deu uma banana para os senhores de toga e manteve o que já havia feito.  Agora temos aí um Roger Molina a quem vai ser muito difícil negar o status de asilado ou refugiado.

Outra decisão tímida disse respeito ao próprio Donadon. Encurralado pelo Congresso, que ameaça a ordem jurídica com a PEC-33 (na prática, ela aposenta o Judiciário e transforma o mandato popular num salvo-conduto para a pilantragem), o Supremo falou fino. Deixou ao arbítrio do plenário a decisão sobre quem deve e quem não deve permanecer no Parlamento, ainda que desprovido de seus direitos políticos — ou a despeito da previsão constitucional da perda de direitos políticos para condenados em processos criminais ou de improbidade administrativa.

Em ambos os casos, as consequências se apresentaram rapidamente ao País. Ao se dobrar diante de Battisti para não contrariar a vontade de Lula, o STF criou a condição para a entrada de Pinto Molina no País. Ao se vergar diante do Congresso, ‘legalizou’ e legitimou a criação aberrante da figura do deputado-presidiário.

Outros sustos vão derivar da tibieza desse tribunal, onde até hoje se discute se embargos de declaração, criados para sanar dúvidas decorrentes de sentença datilografadas de maneira imprecisa antes dos tempos do computador, podem ou não propiciar oportunidade para o arrependimento tardio das togas equivocadas (ou mal intencionadas). E que vai debater proximamente se um instrumento banido da legislação — os tais embargos infringentes — ainda se aplica ao Direito para beneficiar os petistas flagrados com a boca na botija da publicidade oficial.

Já temos entre as vestais gente que ressalta o caráter heróico da biografia de condenados ilustres. Juízes que pedem desculpa pela punição que acabam de impor a delinquentes. Sussurros de altivez em meio a uma avalanche de subserviência.

E a volta do ‘garantismo’, que coloca o interesse do réu acima do interesse público, no arrasto do domínio do fato, um suspiro de renovação que parece ter sido, como asseverou Barroso, “um ponto de inflexão”, “um ponto fora da curva” das nossas tradições jurídicas.

Uma pequena mudança na área de comentários

Quero novamente agradecer às pessoas que fazem deste blog um espaço realmente democrático. São os leitores, com sua visão pessoal dos assuntos aqui noticiados, que tornam as discussões ricas e panorâmicas.

Quem faz a manutenção técnica deste blog sou eu mesmo. Como vocês sabem, não sou um especialista em informática, pouco conheço de linguagem html e me valho de ferramentas públicas, como o gerenciador de conteúdo WordPress, para conformar o espaço da informação e da crítica neste blog. Daí a impressão geral — e acertada — de que as coisas deveriam ser mais bem-ajambradas no formato e funcionamento do blog.

Agora, depois do fim do período de censura, decidi botar um pouco de ordem a este caos. Contratei um webdesigner que está finalizando a formatação do novo blog. Antecipo que ele vai mudar de nome. Vai se chamar Acta Diurna, ficará mais impessoal (não será apenas o blog de um jornalista, será um espaço plural para o debate de ideias) e dará aos comentaristas um espaço equivalente, em tamanho e exposição, ao dos textos principais. Mas isso ainda vai demorar alguns dias.

Por enquanto, fiz uma alteração na área de comentários para que a opinião do leitor possa ser lida com menos sofrimento. Antes, o sistema hierarquizava os comentários por ordem de chegada e os agrupava em níveis diversos, reduzindo o espaço na página que os comentários subsequentes ocupavam em relação ao primeiro da fila, que abria os tópicos. Agora, todos têm a mesma largura.

Se houver qualquer problema com essa nova configuração, por favor, me avisem.

E uma vez mais muito obrigado aos debatedores que, com honestidade e argumentos, nos ajudam todos os dias a formar opinião sobre os diversos assuntos da política brasileira.

O vandalismo moral, por Sandro Vaia

Sandro Vaia, no Blog do Noblat

Diz a lenda que existem coisas que só dão no Brasil, como a jabuticaba. Não é verdade, mas quando a lenda é melhor do que a realidade, publique-se a lenda, como dizia aquele personagem de “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford.

A jabuticaba pode ser uma lenda, mas um deputado condenado e preso por corrupção ter o seu mandato mantido pelo voto secreto de seus pares ( para ser gentil e não chamá-los de comparsas), certamente deve ser uma primazia e uma contribuição original brasileira para o livro Guinness.

Mas não é uma contribuição singela que começa e termina em si própria. Ela tem requintes que uma pessoa normal teria dificuldade em explicar a um colecionador de aberrações políticas universais: o próprio condenado compareceu à sessão que manteve o seu mandato e pôde votar, e com toda certeza o fez em causa própria, a não ser que além de larápio, seja maluco.

Mais ainda: esse centauro de três cabeças que só a criatividade da política brasileira foi capaz de construir, teve o toque artístico de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que levou ao pé da letra a disposição constitucional segundo a qual só o Legislativo pode cassar o mandato de seus membros.

Acontece que existe outra disposição constitucional, essa ignorada pela maioria do colegiado do STF, segundo a qual a condenação transitada em julgado cassa automaticamente os direitos políticos do condenado — e supõe-se que entre esses direitos esteja o de legislar.

O nosso centauro de três cabeças, então, não tem direitos políticos mas pode fazer leis.

Num acesso inevitável de pudor, o presidente da Câmara Federal resolveu fazer o possível para amenizar o escândalo, e chamou o suplente para assumir o cargo do deputado preso mas não cassado.

 

Natan Donadon, deputado

 

Uma pergunta inevitável: se o voto dos deputados fosse aberto e não secreto, os que votaram contra a cassação e os que sorrateiramente fugiram do plenário para ir lavar as mãos na bacia de Pôncio Pilatos, teriam coragem de fazer isso?

Outra pergunta também inevitável: o presidente da Câmara terá a coragem, doravante, de expulsar manifestantes invasores do plenário clamando que “esta é uma casa de respeito”?

E, por fim, a mais inevitável e óbvia das perguntas: os deputados sabem que boa parte das pessoas que saiu às ruas em junho para protestar contra ônibus, estádios e etc., também estavam revoltados contra a falta de vergonha dos políticos?

Se alguns manifestantes se excederam depredando bens públicos, lojas, bancos e quebrando vitrines, puderam ser chamados de vândalos — como foram — seria possível evitar a constatação de que o que os deputados praticaram uma espécie mais sutil mas não menos nociva de vandalismo?

Manter o mandato do deputado Donadon foi, sim, um ato de vandalismo moral.

 

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez e “Armênio Guedes, Sereno Guerreito da Liberdade”(editora Barcarolla). E.mail: svaia@uol.com.br

A diplomacia genuflexa, os corintianos de Oruro e a fuga do Senador Roger Pinto

O governo brasileiro, por subserviência ideológica ao presidente da Bolívia, Evo Morales, tentou como pode atrapalhar  o trabalho dos advogados que atuaram em favor da libertação dos 12 corintianos presos em Oruro. É o que se denuncia a advogada Maristela Basso, que durante cinco meses e meio tentou tirar da cadeia os torcedores brasileiros.

Para você entender quem está falando, reproduzo aqui uma síntese do curriculum dela: “Maristela Basso é Advogada, Doutora em Direito Internacional (Ph.D) e Livre-Docente (Pós-Doutora-Post-Ph.D) em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo”.

De acordo com a advogada, o diplomata Eduardo Saboia demonstrou ser um funcionário público disciplinado ao longo do período que durou o trabalho. Foi ele quem, na semana passada, tomou a iniciativa de empreender fuga com o senador boliviano Roger Pinto Molina.

Acostumada a causas que envolvem interesses de pessoas que sofrem perseguição, Maristela Basso diz que a atitude de Saboia não justifica sequer uma investigação, quanto mais suas demissão ou qualquer outro tipo de punição. Segundo ela, casos análogos acontecem todos os dias ao redor do mundo e não deveriam causar estranheza.

Assista acima a íntegra entrevista concedida pela advogada ao Blog do Pannunzio. Basta clicar na imagem aí em cima.

Dando nome à matilha

Aproveito o trabalho auspicioso do meu amigo Fernando Rodrigues para divulgar os nomes dos deputados que se esconderam ontem, no planário da Câmara Federal, para que o ladrão Natan Donadon preservasse o mandato parlamentar.

Esses caras são o lixo do parlamento. Lembre deles na próxima eleição. Quem protege bandido, bandido é!

** Há uma lista de exceções.  Romário  está internado para um procedimento cirúrgico na coluna, o que justifica sua ausência. Sérgio Guerra estava em são Paulo em função de seu tratamento. E Marcus Pestana perdeu um cunhado em acidente de trânsito e estava no enterro. Nomes de outros parlamentares que tenham justificativas plausíveis serão adicionados a essa relação de exceções.

Diga-me com quem andas, como votas, e eu te direi quem tu és.

Para consultar a relação na fonte, clique aqui e vá ao Blog do Fernando Rodrigues

Abelardo Camarinha (PSB-SP) – (61) 3215-5609 –dep.abelardocamarinha@camara.leg.br

Abelardo Lupion (DEM-PR) – (61) 3215-5515 – dep.abelardolupion@camara.leg.br

Afonso Hamm (PP-RS) – (61) 3215-5604 – dep.afonsohamm@camara.leg.br

Alceu Moreira (PMDB-RS) – (61) 3215-5445 – dep.alceumoreira@camara.leg.br

Alexandre Roso (PSB-RS) – (61) 3215-5742 – dep.alexandreroso@camara.leg.br

Alice Portugal (PCdoB-BA) – (61) 3215-5420 – dep.aliceportugal@camara.leg.br

Almeida Lima (PPS-SE) – (61) 3215-5726 – dep.almeidalima@camara.leg.br

André Zacharow (PMDB-PR) – (61) 3215-5238 –dep.andrezacharow@camara.leg.br

Angelo Vanhoni (PT-PR) – (61) 3215-5672 – dep.angelovanhoni@camara.leg.br

Anselmo de Jesus (PT-RO) – (61) 3215-5948 – dep.anselmodejesus@camara.leg.br

Antonio Balhmann (PSB-CE) – (61) 3215-5522 –dep.antoniobalhmann@camara.leg.br

Arnaldo Jardim (PPS-SP) – (61) 3215-5245 – dep.arnaldojardim@camara.leg.br

Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA) – (61) 3215-5537 –dep.arthuroliveiramaia@camara.leg.br

Artur Bruno (PT-CE) – (61) 3215-5467 – dep.arturbruno@camara.leg.br

Asdrubal Bentes (PMDB-PA) – (61) 3215-5410 –dep.asdrubalbentes@camara.leg.br

Bernardo Santana De Vasconcellos (PR-MG) – (61) 3215-5854 –dep.bernardosantanadevasconcellos@camara.leg.br

Betinho Rosado (DEM-RN) – (61) 3215-5840 – dep.betinhorosado@camara.leg.br

Beto Albuquerque (PSB-RS) – (61) 3215-5338 –dep.betoalbuquerque@camara.leg.br

Beto Faro (PT-PA) – (61) 3215-5723 – dep.betofaro@camara.leg.br

Beto Mansur (PP-SP) – (61) 3215-5616 – dep.betomansur@camara.leg.br

Biffi (PT-MS) – (61) 3215-5260 – dep.biffi@camara.leg.br

Bohn Gass (PT-RS) – (61) 32155269 – dep.bohngass@camara.leg.br

Carlos Bezerra (PMDB-MT) – (61) 3215-5815 – dep.carlosbezerra@camara.leg.br

Carlos Magno (PP-RO) – (61) 3215-5213 – dep.carlosmagno@camara.leg.br

Carlos Roberto (PSDB-SP) – (61) 3215-5568 – dep.carlosroberto@camara.leg.br

Claudio Cajado (DEM-BA) – (61) 3215-5630 – dep.claudiocajado@camara.leg.br

Darcísio Perondi (PMDB-RS) – (61) 3215-5518 –dep.darcisioperondi@camara.leg.br

Dr. Luiz Fernando (PSD-AM) – (61) 3215-5520 – dep.dr.luizfernando@camara.leg.br

Edson Pimenta (PSD-BA) – (61) 3215-5403 – dep.edsonpimenta@camara.leg.br

Eduardo Sciarra (PSD-PR) – (61) 3215-5433 – dep.eduardosciarra@camara.leg.br

Eli Correa Filho (DEM-SP) – (61) 3215-5519 – dep.elicorreafilho@camara.leg.br

Eliene Lima (PSD-MT) – (61) 3215-5837 – dep.elienelima@camara.leg.br

Eliseu Padilha (PMDB-RS) – (61) 3215-5222 – dep.eliseupadilha@camara.leg.br

Enio Bacci (PDT-RS) – (61) 3215-5930 – dep.eniobacci@camara.leg.br

Eurico Júnior (PV-RJ) – (61) 3215-5375 – dep.euricojunior@camara.leg.br

Fernando Torres (PSD-BA) – (61) 3215-5462 – dep.fernandotorres@camara.leg.br

Gabriel Chalita (PMDB-SP) – (61) 3215-5817 – dep.gabrielchalita@camara.leg.br

Genecias Noronha (PMDB-CE) – (61) 3215-5244 –dep.geneciasnoronha@camara.leg.br

Giovani Cherini (PDT-RS) – (61) 32155468 – dep.giovanicherini@camara.leg.br

Giovanni Queiroz (PDT-PA) – (61) 3215-5618 – dep.giovanniqueiroz@camara.leg.br

Guilherme Mussi (PP-SP) – (61) 3215-5712 – dep.guilhermemussi@camara.leg.br

Heuler Cruvinel (PSD-GO) – (61) 3215-5275 – dep.heulercruvinel@camara.leg.br

Homero Pereira (PSD-MT) – (61) 3215-5960 – dep.homeropereira@camara.leg.br

Inocêncio Oliveira (PR-PE) – (61) 32155963 – dep.inocenciooliveira@camara.leg.br

Iriny Lopes (PT-ES) – (61) 3215-5469 – dep.irinylopes@camara.leg.br

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) – (61) 3215-5622 – dep.jandirafeghali@camara.leg.br

Jaqueline Roriz (PMN-DF) – (61) 3215-5408 – dep.jaquelineroriz@camara.leg.br

João Lyra (PSD-AL) – (61) 3215-5720 – dep.joaolyra@camara.leg.br

João Paulo Cunha (PT-SP) – (61) 3215-5965 – dep.joaopaulocunha@camara.leg.br

Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) – (61) 3215-5538 –dep.jorgetadeumudalen@camara.leg.br

José Carlos Araújo (PSD-BA) – (61) 3215-5246 –dep.josecarlosaraujo@camara.leg.br

José Genoíno (PT-SP) – (61) 3215-5967 – dep.josegenoino@camara.leg.br

José Linhares (PP-CE) – (61) 3215-5860 – dep.joselinhares@camara.leg.br

José Otávio Germano (PP-RS) – (61) 3215-5424 –dep.joseotaviogermano@camara.leg.br

José Priante (PMDB-PA) – (61) 3215-5752 – dep.josepriante@camara.leg.br

Josias Gomes (PT-BA) – (61) 3215-5642 – dep.josiasgomes@camara.leg.br

Jovair Arantes (PTB-GO) – (61) 3215-5504 – dep.jovairarantes@camara.leg.br

Júnior Coimbra (PMDB-TO) – (61) 3215-5274 – dep.juniorcoimbra@camara.leg.br

Laercio Oliveira (PR-SE) – (61) 3215-5629 – dep.laerciooliveira@camara.leg.br

Leonardo Quintão (PMDB-MG) – (61) 3215-5914 –dep.leonardoquintao@camara.leg.br

Lira Maia (DEM-PA) – (61) 3215-5516 – dep.liramaia@camara.leg.br

Luiz Alberto (PT-BA) – (61) 3215-5954 – dep.luizalberto@camara.leg.br

Luiz Fernando Faria (PP-MG) – (61) 3215-5339 –dep.luizfernandofaria@camara.leg.br

Manoel Salviano (PSD-CE) – (61) 3215-5506 – dep.manoelsalviano@camara.leg.br

Manuel Rosa Neca (PR-RJ) – (61) 3215-5341 –dep.manuelrosaneca@camara.leg.br

Marco Tebaldi (PSDB-SC) – (61) 3215-5483 – dep.marcotebaldi@camara.leg.br

Marcon (PT-RS) – (61) 3215-5569 – dep.marcon@camara.leg.br

Marcos Montes (PSD-MG) – (61) 3215-5334 – dep.marcosmontes@camara.leg.br

Marcus Pestana (**) (PSDB-MG) – (61) 3215-5715 – dep.marcuspestana@camara.leg.br

Marina Santanna (PT-GO) – (61) 3215-5279 – dep.marinasantanna@camara.leg.br

Mário Feitoza (PMDB-CE) – (61) 3215-5371 – dep.mariofeitoza@camara.leg.br

Miguel Corrêa (PT-MG) – (61) 3215-5627 – dep.miguelcorrea@camara.leg.br

Nelson Padovani (PSC-PR) – (61) 3215-5513 – dep.nelsonpadovani@camara.leg.br

Newton Cardoso (PMDB-MG) – (61) 3215-5932 –dep.newtoncardoso@camara.leg.br

Odair Cunha (PT-MG) – (61) 3215-5556 – dep.odaircunha@camara.leg.br

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) – (61) 3215-5254 –dep.pastormarcofeliciano@camara.leg.br

Paulo Foletto (PSB-ES) – (61) 3215-5839 – dep.paulofoletto@camara.leg.br

Paulo Maluf (PP-SP) – (61) 3215-5512 – dep.paulomaluf@camara.leg.br

Pedro Eugênio (PT-PE) – (61) 3215-5902 – dep.pedroeugenio@camara.leg.br

Pedro Henry (PP-MT) – (61) 3215-5829 – dep.pedrohenry@camara.leg.br

Pedro Uczai (PT-SC) – (61) 3215-5229 – dep.pedrouczai@camara.leg.br

Pinto Itamaraty (PSDB-MA) – (61) 3215-5933 – dep.pintoitamaraty@camara.leg.br

Renan Filho (PMDB-AL) – (61) 3215-5907 – dep.renanfilho@camara.leg.br

Renato Molling (PP-RS) – (61) 3215-5337 – dep.renatomolling@camara.leg.br

Renzo Braz (PP-MG) – (61) 3215-5373 – dep.renzobraz@camara.leg.br

Rogério Carvalho (PT-SE) – (61) 3215-5641 – dep.rogeriocarvalho@camara.leg.br

Romário (sem partido-RJ) ** – (61) 3215-5411 – dep.romario@camara.leg.br

Ronaldo Zulke (PT-RS) – (61) 3215-5858 – dep.ronaldozulke@camara.leg.br

Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) – (61) 3215-5230 –dep.rosinhadaadefal@camara.leg.br

Sabino Castelo Branco (PTB-AM) – (61) 3215-5911 –dep.sabinocastelobranco@camara.leg.br

Sandra Rosado (PSB-RN) – (61) 3215-5650 – dep.sandrarosado@camara.leg.br

Sérgio Brito (PSD-BA) – (61) 3215-5638 – dep.sergiobrito@camara.leg.br

Sergio Guerra (**) (PSDB-PE) – (61) 3215-5754 – dep.sergioguerra@camara.leg.br

Toninho Pinheiro (PP-MG) – (61) 3215-5584 – dep.toninhopinheiro@camara.leg.br

Valdemar Costa Neto (PR-SP) – (61) 3215-5542 –dep.valdemarcostaneto@camara.leg.br

Vanderlei Macris (PSDB-SP) – (61) 3215-5348 –dep.vanderleimacris@camara.leg.br

Vicente Arruda (PR-CE) – (61) 3215-5603 – dep.vicentearruda@camara.leg.br

Vicentinho (PT-SP) – (61) 3215-5740 – dep.vicentinho@camara.leg.br

Vilalba (PRB-PE) – (61) 3215-5915 – dep.vilalba@camara.leg.br

Vilson Covatti (PP-RS) – (61) 3215-5228 – dep.vilsoncovatti@camara.leg.br

Waldir Maranhão (PP-MA) – (61) 3215-5541 – dep.waldirmaranhao@camara.leg.br

Weliton Prado (PT-MG) – (61) 3215-5862 – dep.welitonprado@camara.leg.br

Zé Vieira (PR-MA) – (61) 3215-5405 – dep.zevieira@camara.leg.br

Zoinho (PR-RJ) – (61) 3215-5619 – dep.zoinho@camara.leg.br

 

Quem deveria sentar no banco dos réus, por Ricardo Noblat

Ricardo Noblat, no Blog do Noblat

Finalmente apareceu alguém sem medo de confrontar a presidente da República – o diplomata Eduardo Saboia, cérebro da operação que resultou na retirada da Bolívia do senador Roger Pinto Molina, refugiado em nossa embaixada de La Paz há mais de 450 dias.

O Brasil acatara o pedido de asilo político dele, que denunciara autoridades do seu país por envolvimento com narcotráfico. A Bolívia negara o salvo-conduto para que Roger deixasse o país em segurança sob a acusação de que é corrupto.

Saboia disse que Roger não podia receber visitas. Nem circular dentro do prédio da embaixada. Nem se comunicar com a família. Nem tomar banho de sol. Uma autoridade do governo boliviano comentou certa vez que ele ficaria ali até morrer.

 

Eduardo Saboia

 

– Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? Aí vem o advogado e diz que você será responsável se ele se matar. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi.

Presidente da República não bate-boca com funcionário de escalão inferior. Dilma bateu ao dizer ter provado da desumanidade dos DOI-CODIs. E que a distância que os separava das condições de vida na embaixada de La Paz equivalia à distância entre céu e inferno.

O dia sequer terminara e Saboia já replicava Dilma. “Eu que estava lá, eu que posso dizer. O carcereiro era eu. Ninguém mais viu aquela situação”, respondeu. Desautorizou a presidente, portanto. E sugeriu que ela nada poderia falar a respeito porque simplesmente não estava lá.

Nenhum ministro, senador, deputado ou presidente de um dos poderes da República foi tão longe em relação a Dilma quanto Saboia, um mero encarregado de negócios que respondia por uma embaixada de segunda classe na ausência do embaixador.

Mas, de duas, uma. Dilma e o bando de assessores que a cercam não prestaram atenção no que afirmou Saboia. Ou prestaram, mas a presidente quis bancar a esperta e mudar o foco da discussão sobre o traslado do senador. Até este momento, a discussão é favorável a Saboia.

Recapitulemos. Disse Saboia: “Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi”. Era Saboia, bancando o carcereiro, quem se sentia como se estivesse no DOI-CODI. Não disse que o senador enfrentava condições semelhantes às dos DOI-CODIs.

As palavras ditas por Dilma: “Eu estive no DOI-Codi, eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês que é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz (Bolívia) como é distante o céu do inferno”.

Em resumo: Saboia disse uma coisa. Dilma, outra.

No último sábado, ao ficar sabendo que Roger chegara a Corumbá depois de rodar mais de mil e quinhentos quilômetros dentro de um carro da embaixada acompanhado por Saboia e dois fuzileiros navais, Dilma só faltou escalar as paredes do Palácio da Alvorada.

Cobrou a demissão imediata de Saboia ao ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores. Patriota estava em São Paulo pronto para viajar à Finlândia. Dilma foi grosseira com ele, como de hábito. Mandou que retornasse a Brasília. E o demitiu em seguida.

A indignação de Dilma tem a ver com duas coisas. A primeira: ela ficou mal diante do presidente Evo Morales. Que acusou o Brasil de desrespeitar tratados internacionais ao providenciar a fuga de Roger sem que ele tivesse obtido antes um salvo-conduto.

A segunda coisa: Dilma tem medo de que reste provada a negligência do governo brasileiro no caso do senador boliviano. Saboia tem como provar a negligência. E para evitar que o governo tente por um fim em sua carreira diplomática de mais de 20 anos, está disposto a provar.

– Eu perguntava da comissão bilateral para resolver a questão do senador, e as pessoas me diziam: “Olha, aqui [no Brasil] é empurrar com a barriga.”. Tenho e-mails dizendo: “A gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita”.

Tem um filme na praça chamado “Hannah Arendt”. Conta a história do julgamento em Jerusalém do carrasco nazista Adolf Eichmann. E da cobertura do julgamento feita para a revista americana The New Yorker pela filósofa judia de origem alemã Hannah Arendt.

A teoria da “banalidade do mal” começou a nascer ali quando Hannah se convenceu de que Eichmann, de fato, não se sentia responsável pela morte de milhões de judeus. Ele não se cansou de repetir em sua defesa: apenas cumprira ordens.

Ninguém ordenou que Saboia tentasse salvar a vida do senador boliviano que ameaçava se matar, segundo atestados médicos. Mas sentindo-se responsável por ele, Saboia decidiu em certo momento obedecer ao que mandava a sua própria consciência.

Alguns dias antes de fazê-lo, despachou para o Itamaraty uma mensagem antecipando o que iria se passar. A resposta foi o silêncio. Quem por aqui se lixava para a sorte do senador boliviano? Quem em La Paz se lixava?

Por negligência, omissão e desumanidade, Saboia não poderá ser punido. Não deverá ser punido. Não merece ser punido. Por tais crimes são outros que deveriam sentar no banco dos réus.

 

Clique qui para ir ao Blog do Noblat

Filhos da p***, corruptos, safados, ladrões…

arteblackbloc

Arte: Neli Pinheiro (https://www.facebook.com/lolaxvicious)

Eu não tenho palavras para descrever minha indignação diante dos 280 safados, bandidos, corruptos, ladrões, filhos da puta com mandato federal que preferiram continuar despachando ao lado do presidiário Natan Donadon a tirar o mandato dele.

São iguais a ele: filhos da puta, safados, corruptos, ladrões.

Tomo emprestados dois ícones dos dias atuais: uma música dos Titãs e uma aquarela produzida por um artista Black-Bloc.

A música contém uma descrição da personalidade dos colegas de banditismo de Natan Donadon que o anistiaram.

A aquarela aí em cima talvez represente  a única perspectiva de solução para as ‘Excelências’ que transformaram o Presídio da Papuda em uma extensão do Congresso Nacional   — onde estão os 280 vândalos mais perigosos do País.

Pau neles!

Com a palavra, vocês. Podem xingar à vontade, a área de comentários está liberada, sem moderação.

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=H_U_JNHEUrI[/tube]

 

* A autora da aquarela é Neli Pinheiro. Ela me disse, logo depois da publicação deste post, que não é Black Bloc, mas produziu a arte em homenagem aos ativistas mascarados.COnheça o perfil dela no Facebook clicando aqui.

Esporro de Dilma: em casa onde falta pão, todos gritam, ninguém tem razão

Dilma Rousseff falou grosso ontem. Delimitou a distância entre o céu e o inferno para confrontar as razões que teriam levado um funcionário do terceiro escalão do Itamaraty a desafiar dois governos e trazer ao Brasil o senador boliviano Pinto Molina. Acertou na forma, visto que pelo menos tomou alguma posição, embora o que já se saiba não autorize a versão de que o governo brasileiro simplesmente não sabia da possibilidade da empreitada. Mas errou no conteúdo, porque nem o céu pode parecer tão celestial assim depois de um ano e meio de clausura — ainda que seja na embaixada em La Paz, e não nas dependências do DOI-CODI.

Se tivesse falado grosso meses atrás, talvez não estivesse agora se defendendo de sua própria incompetência — aquela que leva o chefe a alegar desconhecimento das ações de subordinados que não aprova. Veja se essa fala não cairia bem um ano e meio atrás, logo depois da concessão do asilo: “Eu estive confinada no DOI-CODI. E posso assegurar que a diferença entre estar segregado no cubículo de uma embaixada e poder circular livremente no País que me acolhe como asilado é a mesma que existe entre céu e inferno”.

Mas essa é uma fala impossível. Porque representaria uma censura ao comportamento de Evo Morales, que tantas humilhações tem imposto ao Brasil sem sofrer nenhum constrangimento. E Dilma, que fala grosso com seu subalterno, fica muda diante das vergonhas que o colega de La Paz lhe inflige de tempos em tempos.

Ademais, fica cada vez mais claro que falta verossimilhança a esse discurso. Ainda que isolada e aparentemente tresloucada, a atitude do diplomata  não se encerra nessa viagem maluca do altiplano andino ao Pantanal sul-mato-grossense. Existe nela um passado, um longo passado que trata das condições de isolamento determinadas pelo governo Morales ao longo de 455 dias de prisão domiciliar ilegal do asilado na embaixada brasileira.

Contra isso, nem uma palavra sequer se ouviu do governo brasileiro. As únicas manifestações, pelo que se sabe até agora, são aquelas contidas na correspondência entre Eduardo Sabóia e seus superiores em Brasília acerca do agravamento do quadro de saúde do senador Pinto Molina e das ameaças que ele supostamente vinha sofrendo.

Mas não é apenas isso. Com os antecedentes da operação que já se conhece, é possível afirmar que não encontra amparo na verdade factual o discurso de que ninguém sabia do que estava prestes a acontecer. Os jornais noticiam que a própria Dilma já havia desautorizado uma iniciativa semelhante proposta pelo governo Evo Morales. O senador seria trasladado exatamente como foi até a fronteira e ingressaria no Brasil exatamente como entrou . Dilma teria dito ‘não’ por temer pela segurança do asilado.

Se é verdadeira a informação, pior ainda para a Presidente. Ela não terá como explicar por que, mesmo diante de informações gravíssimas sobre a conduta ilegal de Evo, não mandou o Itamaraty tomar uma posição contundente em favor da expedição do salvo-conduto, visto que era obrigação do governo brasileiro zelar pela segurança do homem que a representação diplomática brasileira decidiu acolher. Isso coloca o governo brasileiro no papel de guarda-de-presídio auxiliar do senador e de cúmplice de seu encarceramento involuntário, exatamente como disse Eduardo Saboia ao se valer da metáfora do DOI-CODI.

Outros detalhes ainda obscuros são bastante eloquentes, ainda que se possa apenas supô-los, e precisam ser melhor conhecidos. Já se sabe — está no Estadão de hoje — que os militares subordinados a Celso Amorim, que antecedeu Patriota no Ministério das Relações Exteriores, avisaram seus superiores da operação, ainda que informalmente. E Celso Amorim, não se sabe por que, ou não tomou conhecimento do alerta, ou não lhe deu importância, ou foi bypassado de maneira ardilosa pelos oficiais das três armas que lhe estão subordinados.

Para que a coisa toda se desse dessa forma, é preciso imaginar uma conspiração envolvendo um grande número de funcionários do governo, civis e militares, agindo deliberadamente contra a hierarquia, os interesses e as determinações que emanam de Brasília.  E isso, simplesmente não é crível nem possível.

O mais provável é que a operação tenha sido tramada com o beneplácito do próprio governo Morales. Que Eduardo Saboia tenha empreendido a viagem com a certeza de que não enfrentaria  riscos tão grandes quanto se imagina agora. E que, como o governo de La Paz, o de Brasília tenha se omitido, dolosamente ou por puro descuido, com o objetivo de  engendrar um desfecho para o longo período de cativeiro do senador asilado.

Agora a Presidência da República tem dois pepinos nas mãos, e não apenas um. Pinto Molina está no Brasil e vai ser difícil deportá-lo porque, a despeito das formalidades suscitadas pelo advogado-geral da União, ele foi acolhido como protegido pelo governo brasileiro. Nem as minúcias formais  sobre a natureza do asilo, se ‘diplomático’ ou ‘político’, poderiam justificar moralmente a deportação. Isso desmoralizaria de vez o instituto do asilo e o que resta de respeito à tradição diplomática, já tão vilipendiada pelo governo petista.

O segundo pepino é a simpatia despertada na opinião pública pela iniciativa de Saboia. Ele tem sido identificado como uma espécie de herói que age por patriotismo, colocando seu mister acima da conveniências da carreira e até da preocupação com sua segurança pessoal. E tudo isso por altruísmo e respeito ao sofrimento alheio. Já há páginas no Facebook em apoio a sua iniciativa e vozes importantes se levantam para defendê-lo dos ataques do Planalto.

Antes, tínhamos uma embaixada sitiada e um senador cativo em La Paz. Agora temos toda a oficialidade em xeque e um herói em construção vagando pelo território brasileiro.

Temos o nosso Snowden, que nestas plagas assina Saboia. Até o prenome de ambos, Eduardo e Edward, cheira como algo simbólico, muito além de uma coincidência incidental.

Caiu Patriota. E as patriotadas ?

Dilma Rousseff degolou o ministro Antônio Patriota. A demissão aconteceu no arrasto da operação que trouxe ao Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina depois de 455 dias de segregação na representação do Brasil em La Paz. Patriota sempre foi um ministro inexpressivo. Sob seu comando, o Itamaraty não conseguiu sequer esboçar um gesto de contrariedade no episódio da prisão desumana dos torcedores corintianos em Oruro.

Patriota pode ser enquadrado muito bem em uma categoria que nada tem a ver com a tradição  secular de respeito e admiração da nossa diplomacia. Tradição  inaugurada pelo Barão do Rio Branco no começo do século passado e reafirmada quatro décadas depois por Osvaldo Aranha.

O esforço para acabar com esse prestígio começou no governo passado e se mantém vigoroso até hoje. Nesse período, o Brasil protagonizou alguns dos episódios mais controvertidos do presente.  Por exemplo, a fantástica incursão de Lula pelo Oriente Médio para convencer israelenses e palestinos a fazerem as pazes com um brinde de cachaça.

Os dois últimos ministros — não posso deixar de lembrar também o assessor internacional Marco Aurélio Garcia — proporcionaram alguns dos piores momentos da história da nossa diplomacia. Um dos pontos culminantes (das gafes mais recentes) foi a atuação em Honduras, quando o Brasil interveio para tentar reconduzir Manuel Zelaya ao Poder. Zelaya era um notório corrupto que tentou golpear a Constituição para se reeleger e terminou deposto.

O Brasil,  até então respeitabilíssimo pela ponderação e equilíbrio de seus diplomatas, surgiu diante do mundo como um País colonialista, intervencionista e desrespeitoso, que prega mas não respeita o princípio da autodeterminação dos povos. Na época, o ministro era Celso Amorim que, como Lula, só se referia ao presidente interino de Honduras como “golpista”, sem jamais mencionar seu nome.

Em algumas ações de Patriota percebe-se claramente o DNA de Amorim.  Daquele que não conseguiu, por exemplo, reagir à expropriação da refinaria da Petrobras por Evo Morales.

Assim como Amorim coonestou (no mínimo) a Operação Tegucigalpa, Patriota foi determinante para a suspensão do Paraguai do Mercosul. O País havia acabado de depor Fernando Lugo. A deposição, vista como golpe, era inaceitável sob todos os aspectos para o Brasil. Serviu, no entanto, de pretexto moral para  outro golpe: a introdução da Venezuela como sócio pleno da agremiação cisplatina.

Volto ao caso do senador Pinto Molina. Há um ano e meio ele aguardava um salvo-conduto. Não sei se é o corrupto que Evo Morales anuncia ao mundo ou se é apenas mais um perseguido por um governo que, como denuncia, tem sérias imbricações com o narcotráfico. O fato é que o parlamentar boliviano havia conseguido uma salvaguarda do governo brasileiro, que aceitou admití-lo como asilado. Mas em nada molestou o governo de La Paz pela concessão do salvo-conduto.

O Brasil também não fez uma reclamação sequer contra a desumanidade do confinamento prolongado. Suportou até ver os corintianos mantidos em um cativeiro abertamente ilegal sem pronunciar um único discurso convincente contra a chantagem que essa situação esdrúxula evidenciava.

O episódio que culminou com a demissão de Patriota ainda é obscuro demais para que se forme uma opinião sobre ele. Faltam informações para dar sentido ao caso. Pouco se sabe até agora. Parece claro que houve quebra de hierarquia. Mas não se sabe ainda o que levou o diplomata Eduardo Sabóia a fazer  o que fez. É pouco provável que ele seja louco a ponto de arriscar a vida desse senador — e a sua própria — em uma viagem insana de 22 horas de duração.

Fato é que ela gerou um efeito positivo até agora: a demissão de Patriota.

Será que isso significa também o fim das patriotadas ?

Em tempo: Meia dúzia de imbecis já começam a demonizar, no Twitter, esse senador boliviano. Mesmo sem ter noção do motivo que levou o próprio governo brasileiro a conceder o asilo. Um deles insiste em alcunhar os parlamentares que apoiaram o ingresso do asilado como “bancada do pó”. 

Esses mesmos vândalos virtuais de reputações afirmam que é preciso “devolver” Pinto Molina à Bolívia. Para um País que já acolheu um Cesare Battisti,  devolveu dois boxeadores dissidentes e entregou Olga Benário aos nazistas, é café pequeno. 

Mais Médicos, Mais Valia

O ex-presidente Lula, em suas camelagens pela África, repetiu inúmeras vezes o discurso do opressor/explorador arrependido de antanho. Segundo sua lógica, o Brasil deve às republiquetas provedoras de escravos uma compensação pelo tráfico negreiro do passado. E os tataranetos-forros dos negros da senzala merecem uma compensação histórica. No plano interno, isso repercutiu em bolsas e cotas para isso e para aquilo. No externo, no perdão a dívidas contraídas por ditadores e corruptos em geral que governam com mão-de-ferro os grotões do planeta.

Não concordo com o discurso do opressor/explorador arrependido. É prepotente, serve apenas para ressaltar as virtudes do arrependido e apequenar, no momento presente, a autoestima do oprimido pela história. A rigor, para que a lógica tivesse efeito, seria necessário também processar a França por ter expulsado a Corte de Portugal nas guerras napoleônicas.

Mas concordo com a necessidade de médicos para trabalhar onde os nossos não vão. E não vão por causa da insegurança jurídica nas relações com as prefeituras, pela falta de atrativos econômicos e, principalmente, por não disporem de meios para exercer o seu mister.

Faltam médicos no Brasil. Faltam ainda mais nas lonjuras, onde ninguém quer mesmo ir. Vá a Iauretê, na Cabeça do Cachorro amazônica, e veja se você gostaria de passar uma temporada ali. Em algumas localidades, leva-se três ou quatro dias de piroga até o aeroporto mais próximo, onde os aviões pousam uma vez por semana e as passagens são caríssimas.

Ali, quem atende a população são os médicos militares. Esses sim, forjados no ferro quente do patriotismo e conhecedores da hierarquia, vão sem reclamar. E prestam um enorme serviço a quem está assistido apenas por Deus, quando Deus resolve dar uma incerta por lá.

Ocorre que nem eles, tão cientes quanto silentes das péssimas condições oferecidas pelo governo, conseguem trabalhar direito. Não porque não queiram. Simplesmente porque não podem.

Imagine o que vai encontrar um desses médicos cubanos ao chegar a São Gabriel da Cachoeira: remédios em falta (ou vencidos, quando há), falta de meios para a realização de diagnósticos,  prédios inadequados para a internação dos doentes, carência de insumos para a realização de procedimentos cirúrgicos simples.

O que fará o doutor cubano quando não dispuser de antibióticos para debelar uma pneumonia ou dilatador dos brônquios para restabelecer o fluxo de ar para os pulmões de um paciente com crise aguda de asma ? Fará poucos mais do que um um pai-de-santo ou pastor neopentecostal pode conseguir com a imposição das mãos.

O problema, portanto, passsa pela falta de médicos, mas não se resume a ela. E é louvável o esforço do governo para mitigá-la, com a ressalva de que isso não irá resolver o ponto central.

Mas há um problema ético a ser resolvido com essas contratações. E ele constitui, também, um grande problema político para o presente e um dilema moral para o futuro. Um dia , daqui a 200 anos, Lula Bisneto, presidente da República Futurista do Brasil, ainda vai pedir desculpas a Cuba por ter se valido do trabalho escravo de seus profissionais de saúde no Século XXI.

Mais Valia

Os médicos cubanos abundam. São mais de 5 mil novos doutores por ano. Em seu País, não há espaço nem necessidade no mercado de trabalho para todos. O que faz boa parte desses doutores ?

Vá a Havana e pegue um táxi. Pergunte ao motorista qual é sua profissão. Ou é engenheiro, ou é médico. É assim que muitos ganham a vida lá: trabalhando como prestadores de serviço em apoio ao turismo, que hoje constitui o motor da economia da Ilha. Em troca de “propina”, que em espanhol quer dizer gorjeta.

Os plantões nos hospitais pagam aos doutores cerca de 30 dólares mensais de salário. Eles também têm direito ao recebimento de uma caderneta por meio da qual assegurarão uma ração básica (e escassa) composta por algum arroz, meio quilo de frango ou peixe, um sabão etc. Essa ração, no entanto, não é suficiente para sustentar o metabolismo que dá suporte à vida humana. Fica muito abaixo dos mínimos calóricos e proteicos necessários.

O resultado é que a população tem que se virar para conseguir o restante, que é caríssimo. Imagine alguém que ganha 25 dólares por mês ter que pagar 5 dólares por um litro de óleo no mercado negro. É assim que funciona. E onde eles conseguem esses cinco dólares ?

A resposta, simples e direta, é abominada pelos cubanófilos. Eles partem para a ilegalidade, a infomalidade ou atividades criminosas como a falsificação de charutos e a venda de drogas. A prostituição grassa no Malecón. Com 50 dólares, você pega até uma sobrinha-neta do Fidel Castro. E ainda ouve um “eu te amo” como bônus. Não é por acaso que a corrupção está tão impregnada na alma dos cubanos quanto o Yoruba: o Estado leva a isso.

Uma das atividades mais prolíficas para os médicos cubanos é o aluguel de endereços de e-mail. Privilegiados, eles são uma das poucas categorias profissionais com acesso a um endereço eletrônico. Ao contrário do restante da população, podem ter um modem jurássico em casa e receber sua correspondência em arcaicos terminais de computador. Não têm acesso à web, que permanece vedado,  mas podem trocar mensagens com colegas.Como muitos deles não usam o serviço para fins profissionais, alugam seus endereços de e-mail para terceiros. Com isso, fazem mais 20 ou 30 dólares por mês e dobram sua renda.

O Estado cubano viu no mote socialista a justificativa moral e econômica para a apropriação da força individual de trabalho. Há muito Cuba vive da locação de trabalhadores para os mais diversos fins. Os hotéis que se instalaram nos centros turísticos, por exemplo, pagam até US$ 3 mil por um maitre ou chefe de cozinha ao Estado, que se transformou no maior agenciador de trabalhadores do planeta. Mas o quinhão dos trabalhadores é ridículo, não passa do salário-padrão de pouco mais de 20 dólares. Todo o restante é apropriado pela ‘Revolução’. O governo de Cuba é o ‘gato’ planetário, que vive da exploração em massa do trabalho alheio.

Conheci em Havana um advogado que era motorista de táxi. Ele me serviu quando estive lá, um ano e meio atrás. Permenceu conosco uma semana, falava português e fazia jornada dupla como informante das forças de segurança. A cada parada da nossa equipe de reportagem, ele fazia uma chamada de seu telefone celular avisando “la madre” onde estávamos e o que estávamos fazendo. Mas era gentil e ficou nosso amigo.

Ele me contou como conseguiu comprar um carro, um Nissan 1995, raridade em meio ao mar de carrões dos anos 50. Disse que se inscreveu num desses programas de exportação de mão-de-obra e foi trabalhar num navio de cruzeiro. Foram sete contratos consecutivos. Ganhava os 25 dólares por mês de salário. O governo cubano lucrava 3 mil por mês com seu sacrifício.

León poupava cada centavos das gorjetas que recebia. Assim, amealhou o dinheiro necessário para comprar, no mercado paralelo, seu Nissan quase novinho em folha. A autorização para a transação só foi obtida após esses sete anos de escravidão ultramarina. Hoje, ele ganha por dia o que um cidadão normal só consegue em um mês de trabalho. Ou seja: sua renda passou a ser, em média, 30 vezes maior do que a de um médico com dedicação integral na mesma cidade.

Os doutores que chegam de Cuba são atraídos pela mesma lógica. Não se sabe quanto lhes restará ao final de cada mês de penitência nos grotões brasileiros. É pouco provável que a cifra se situe distante desse patamar de duas ou três dezenas de dólares a que fariam jus se tivessem ficado em sua Ilha.

Para o governo escravocrata de Cuba, no entanto, os primeiros 400 profissionais de saúde a chegar representarão muito: quase US$ 25 milhões ao ano em receitas provenientes da expropriação do resultado do trabalho desses servos pós-modernos.

Ao governo brasileiro, responsável pela contratação, restou a abjeta tarefa de legitimar essa apropriação e instalar as grades de um sistema que visa prender os cubanos dentro dos limites ampliados do território exíguo de Cuba. Se ameaçarem permanecer por aqui, se sentirem o gosto doce da liberdade de dizer e fazer  o que bem entenderem, terão como alternativa apenas o retorno à sua ilha-presídio. O governo brasileiro não vai tolerar desertores e não pestanejará em mandar de volta os arredios ao menor sinal de que algo não vai bem com sua subordinação. Já temos ‘know-how':  o mesmo empregado quando da ultrajante deportação dos boxeadores cubanos que ameaçaram desertar por aqui.

Foram devolvidos pelo Brasil, que aceitou o papel ultrajante de carcereiro de cubanos insurretos, para logo depois desertar da própria ilha, indo parar em Miami.

Por isso tudo, fica claro que, a despeito da utilidade que vierem a ter no Brasil — e é certo que terão — e do altruísmo que move muitos deles, os médicos estarão fazendo dinheiro para sustentar a máquina estatal cubana. É esse o seu papel.

Assim como é papel do governo brasileiro pagar a Cuba o que Cuba cobra para mandar seus escravos de jaleco branco, não porque os médicos são necessários nos grotões, mas porque o governo brasileiro entende que precisa subsidiar de alguma forma a sobrevivência da ditadura dos irmãos Castro, que serve como modelo de sociedade ideal para as hostes petistas.

Anote aí, e me cobre daqui a 200 anos. Lula Bisneto, se um dia vier a existir, ainda vai pedir desculpas aos cubanos, assim como seu bisvô um dia pediu perdão às repúblicas africanas que provieram escravos negros para a lavoura brasileira.

Piada pronta: Loja da Vivo… não tem telefone!

vivoA telefonia no Brasil anda tão estranha que a Vivo, ela mesma, a maior operadora de telefonia do País…

… Não tem telefone!

Pelo menos na sua loja do Shopping Higienópolis, uma das maiores de toda a sua rede.

É isso mesmo. Tente encontrar o número nos serviços de busca. Tempo perdido. A loja realmente não tem telefone.

Você poderia me dizer: “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Mas tem todo o direito de pensar também que quem conhece a qualidade — e os preços — prefere não ter mesmo.

Boa, vivo! Ótimo exemplo para os seus consumidores.

Noblat vence Eduardo Cunha na Justiça

Do site do STJ, no Blog do Noblat

O jornalista Ricardo Noblat não responderá penalmente pelas acusações de calúnia e difamação contra o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), atual líder do PMDB na Câmara.

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não acolheu o recurso do deputado e acabou mantendo decisão de segunda instância que considerou que os comentários publicados pelo jornalista em seu blog não configuraram a intenção de caluniar ou difamar o político, mas apenas de prestar informações jornalísticas.

O deputado ofereceu queixa-crime contra o jornalista porque este o teria acusado de chantagear o governo na expectativa de obter nomeações para cargos públicos. A sentença de primeiro grau, que absolveu o jornalista, foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Eduardo Cunha recorreu ao STJ contra a decisão do TRF1. No julgamento da apelação, o tribunal regional concluiu que, apesar da aspereza de algumas palavras existentes no texto publicado por Noblat, o excesso não representou pretexto suficiente para uma sanção penal, já que no Estado Democrático de Direito a liberdade de expressão e de crítica é uma garantia constitucional assegurada aos profissionais da imprensa.

O deputado federal sustentou violação aos artigos 138 e 139 do Código Penal. Alegou ter havido abuso do direito de informar, por ter o jornalista publicado, em seu blog na internet, matéria de conteúdo calunioso e difamatório, na qual haveria nítida vontade de ofender sua honra e imagem, o que demonstraria a presença de dolo específico.

Ao analisar a questão, o relator, ministro Sebastião Reis Júnior, destacou que as instâncias ordinárias consideraram atípica a conduta do jornalista. Para elas, apesar da crítica negativa que acompanhou a narrativa dos fatos noticiados no blog, não houve intenção de caluniar ou difamar o deputado, ou seja, não houve dolo específico.

As instâncias ordinárias concluíram ainda que a atuação do jornalista se deu nos limites da profissão e da liberdade de expressão e imprensa que lhe é garantida pela Constituição da República.

Quanto à alegada existência de dolo específico, o ministro relator afirmou que, para verificar se houve a intenção de caluniar ou difamar, seria necessário o reexame de fatos e provas do processo, o que é vedado ao STJ em recurso especial.

Por fim, Sebastião Reis Júnior observou que o acórdão do TRF1 também possui fundamento constitucional, consistente na afirmação de que a conduta do jornalista estaria protegida pela liberdade de expressão e imprensa prevista na Constituição, e para dirimir controvérsias constitucionais a competência não é do STJ, mas do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como não houve a interposição de recurso extraordinário para o STF, simultaneamente ao recurso especial dirigido ao STJ, o ministro aplicou a Súmula 126: “É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário.”

A censura política no Youtube e a etiqueta canhestra do Facebook

Censura do Youtube:

Censura do Youtube:

O Youtube, diretório de vídeos do Google, censura a veiculação de mensagens por seu suposto conteúdo ideológico. A afirmação que faço, tantas vezes refutada pela empresa em situações análogas, está amparada em um fato que acabo de vivenciar. E, como você verá, é indesmentível.

Tenho uma pequena coleção de videos na minha página do Youtube. Alguns deles — seis no total — compunham uma série de reportagens que fiz em 1999 na Colômbia. Foi um trabalho muito importante não apenas para a minha carreira de jornalista, mas para o público brasileiro em especial, uma vez que não havia muitas informações disponíveis sobre a organização das FARC. A experiência também forneceu os insumos para o único livro que publiquei, “A Última Trincheira”, lançado pela editora Record dois anos depois.

Na época, as FARC, objeto da série de reportagens, guardavam ainda muito do romantismo que levou o grupo guerrilheiro a se manter coeso nas selvas da Colômbia. A imbricação com o narcotráfico, no entanto, já era evidente.

Havia uma construção moral que justificava essa proximidade deletéria: o grupo insurgente não tinha fontes lícitas de financiamento de suas atividades e precisava angariar recursos para manter 20 mil homens em armas. Com o Muro de Berlin recém-derrubado e Cuba quebrada, os meios para obter dinheiro eram a extorsão, os sequestros em massa e a intermediação da compra da pasta-base de cocaína. A luta contra o Estado burguês justificava a proximidade.

A reportagem que tratava desse aspecto — a relação entre a guerrilha e o narcotráfico — simplesmente foi vetada pelos censores do Google/Youtube. O link que deveria levar a esse vídeo agora não leva a lugar nenhum, a não ser ao aviso reproduzido na imagem acima que comunica sua supressão por ter supostamente violado os “termos de uso” do portal. Se quiser saber o que aconteceu com o material, clique no link e a seguir e observe o que vai acontecer: http://www.youtube.com/watch?v=FpUHvzUJiOA .

Não entendo como “termos de uso” de um site podem se sobrepor à Constituição brasileira, aquele livrinho que me assegura o livre direito à expressão do meu pensamento. Não entendo o que pode ter iluminado as mentes dos censores privados dessa organização a ponto de considerar que uma reportagem exibida em rede nacional de televisão há quase uma década e meia não pode ser assistida por quem busca conteúdos sobre o assunto na internet.

O fato é que essas convenções — os contratos de adesão a serviços como Google e Youtube — constituem hoje uma barreira concreta à livre circulação de ideias na rede. Você, que acredita que a liberdade na rede está assegurada pelas corporações que se assenhoraram dessa enorme teia, ainda vai quebrar a cara. As decisões dos censores do Google são inapeláveis e não há ninguém para justificá-las ou explicá-las. Eles simplesmente tiram do ar e pronto.

A gestão arbitrária da liberdade também está presente no Facebook. E, a julgar pelas reclamações publicadas na própria rede, não é pequena. Há milhares de casos: ativistas políticos de Minas Gerais reclamam do sumiço de posts que criticavam o governador Anastasia. O perfil da paródia Dilma Bolada foi suprimido sem maiores explicações. Mas, a despeito de haver uma infinidade de denúncias, vou me ater  apenas a outro caso que aconteceu recentemente comigo mesmo.

Na semana passada, travei um discussão com um grupo de ativistas presos durante a manifestação do dia 30 de junho em São Paulo. Essa discussão foi do Blog do Pannunzio ao eu perfil do Facebook. Vocês, que me acompanham há algum tempo, sabem que não me furto a entrar em contendas com leitores que agridem a minha reputação profissional. Fui enfático ao responder a um sujeito que me chamou de desonesto, aético e mentiroso. Chamei-o de “burro” por não conseguir sequer ler literalmente algo que eu havia escrito com todo o respeito aos postulados éticos.

Recebi, dois dias depois, um comunicado de que meu post havia sido removido por violar a convenção de uso do Facebook. Não sei onde os censores desse serviço enxergaram qualquer tipo de violação. chamar de “burro” alguém que detona seu patrimônio moral, além de expressar uma verdade em si, pode ser considerado algo até bem comportado diante das acusações proferidas pelo ofensor.

Não cabe ao Google ao ao Facebook estabelecer limites para a atividade de um jornalista, nem de qualquer cidadão. Quem decide o que deve e o que não deve permanecer no ar é, no limite, o Poder Judiciário. Ainda que eles sejam um empresa com normas para o fornecimento de seus serviços, o espaço que me franqueiam é o da livre expressão do meu pensamento. Sou um cidadão capaz e assumo responsabilidade civil e criminal pelo que escrevo. Sou perfeitamente identificável. Tenho um número de IP, um endereço para receber intimações e estou ao alcance da legislação. Não lhes cabe estabelecer o que eu digo ou o que eu penso, como digo ou como penso. Para isso ha juízes, promotores e advogados. Se querem me censurar, que corram atrás de uma ordem judicial. As minhas ideias pertencem a mim e, mesmo que veiculadas em seu espaço tecnológico, não lhes dei permissão para mutilar, suprimir ou vilipendiar meus textos e minhas imagens.

Preste atenção a isso. Especialmente se você acredita que a gênese caótica da rede é a guardiã das liberdades civis. Não é. Por trás dos espaços em que a democracia se expressa há mega-corporações que têm na comunicação social apenas  um meio para veicular seus anúncios. Você posta, leva milhares de pessoas a ler o que escreveu; eles enchem a página de anúncios, faturam horrores e ainda te censuram!

Você trabalha para eles de graça, produz textos em profusão, leva consumidores aos anunciantes que eles arregimentam, aceita essa condição subalterna em nome de uma “democracia” que não existe. Antes, é apenas um conjunto de etiquetas de conveniência, uma síntese de regras não-escritas que vão acabar por transformá-lo em uma espécie de títere involuntário do espaço ideológico franqueado por CEOs e executivos alienígenas.

Desconfie. Vai fazer bem para você, mesmo que você não seja, como eu, adepto de teorias da conspiração. Aquele não é um espaço público. É um espaço privado. E não te pertence, pertence a eles, ainda que as ideias sejam as suas.

Carta Capital tem recaída, faz bom jornalismo e detona Capilé, do Fora do Eixo

Lino Bocchini e Piero Locatelli, de Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.

O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada.” Continue reading

Resposta do Professor Fábio Morales ao Blog do Pannunzio

Publico a seguir  a resposta do Professor Fábio Morales ao post “Perfil do vândalo: arruaceiro médio, segundo a polícia, faz parte da elite“. Em seguida, faço algumas considerações.

Prezado Fábio Pannunzio,

Recebi com surpresa a notícia ontem, de alunos e amigos, que meu nome era citado em uma postagem com as palavras “arruaceiro” e “elite” no título. Mais surpresa ainda foi saber que o senhor era o autor, e que meu nome é o que aparece em primeiro. Após ler o post inteiramente, devo dizer que fui tomado por uma “vergonha alheia” considerável. Vamos por pontos:
1. Não houve “flagrante”, como o senhor afirma no post. Fui abordado quando, após participar na passeata, chegava ao metrô Clínicas. Não portava qualquer objeto além de meus documentos: nenhuma mochila, pedra, martelo, vinagre, nada. Você se “esqueceu” de mencionar isso, ou não verificou com rigor a informação. Espero que seu professor de “ética no jornalismo” não tenha lido este post, pois eu sei como se sente o professor quando vê um aluno fazer exatamente o oposto do que se assevera.
2. Não faço parte de qualquer grupo que defenda o vandalismo; não fui “convocado pelos Black Blocs”; não cometi qualquer ato de vandalismo, não há qualquer prova ou indício para isso, mas mesmo assim sou enquadrado pelo seu texto como “arruaceiro”. Gostaria que você me apresentasse qualquer prova, ou mesmo motivo para tamanha difamação. Isto é bastante sério, e é absolutamente incompreensível que o senhor, já distante da adolescência, não compreenda esta seriedade.
3. Não aceitei que meus dados pessoais fossem divulgados. Nenhum profissional da imprensa pediu meus dados ou mesmo minha autorização. Não foi solicitada qualquer entrevista ou declaração por parte da imprensa. Quando fui liberado por absoluta falta de provas, não havia nenhum jornalista para averiguar o caso. Informei meus dados aos policiais que o solicitaram, e como estes dados chegaram ao seu conhecimento, é algo bastante revelador das relações entre a polícia, a grande mídia e a prática da cidadania.
4. Não recebi qualquer telefonema, email ou sinal de fumaça partindo do senhor ou de qualquer membro de sua equipe (se houver). Não há mensagem na secretária eletrônica do meu celular ou telefone residencial, ou mesmo da instituição onde trabalho. Nenhum recado, nada. Ou não houve contato, ou a tentativa foi mínima, o que, desculpe a repetição, também é revelador de sua concepção de jornalismo, considerando que meu nome e dados pessoais receberam considerável destaque neste post. Continuo disponível para conversar sobre qualquer assunto de interesse público (me questiono se o fato de eu ser “solteiro”, como o senhor destaca no post, tem alguma relevância pública – mas, pensando bem, estamos na sociedade de espetáculo e essas coisas acontecem nos becos da comunicação social).
5. Curiosamente, o senhor sabe onde moro. No final do ano passado, o recebi em minha casa para uma entrevista sobre o Império Romano, por ocasião do lançamento da série “Roma”, na Band. Lembro de sua muito simpática equipe, especialmente do cinegrafista que havia visitado (e, copmpreensivelmente, se encantado com) a acrópole de Atenas. Não lembro se ofereci a vocês todos um copo d’água ou um café – apesar de historiador, não tenho a memória do borgeano Funes. Mas lembro que tivemos uma conversa muito clara e informativa (no meu ponto de vista), apesar da tentativa de sua parte de associar “pão e circo” ao programa “bolsa família”, o que demonstrava um desconhecimento tanto de um, quanto de outro. Como o senhor mesmo disse, tinha uma “formação generalista”, portanto esta impropriedade se justificava, em parte, ao menos. A entrevista não foi ao ar, e pelo que fui informado por amigos e alunos, optaram com a fala de um professor de cursinho pré-vestibular. Revelador…
6. Em função desta ocasião, o senhor sabe que moro no Brás em um apartamento de cerca de 50 metros quadrados. Por favor, defina novamente “elite”, pois esta sociologia me é inacessível (nem a “lulopetista”, nem a “pannunziana”).
Posso passar mais detalhes sobre minha vida pública e minha atividade política, especialmente acerca do motivo da manifestação em questão ou mesmo da falta de ética e/ou profissionalismo na cobertura jornalística dos nossos tempos. Não o ameaçarei de processo ou coisa que o valha, pois, para usar um topos ateniense, nunca processei nem fui processado. Também não acredito, pelos poucos minutos em que conversei pessoalmente com o senhor, que exista má fé de sua parte. Possivelmente, trata-se de uma concepção diferente de jornalismo e de política, e se, na sua retratação ou resposta (que considero imprescindível), o senhor se propuser a explicá-la, tenho certeza de que sairei menos ignorante.
Atenciosamente,
Fábio Morales

Resposta do editor

Professor,

 

Não associei seu nome à pessoa que entrevistei no ano passado. Asseguro, no entanto, que se a reportagem fosse feita agora, eu não o entrevistaria.Mas isso não tem qualquer relação com o conteúdo do post que o senhor contesta.Vamos aos fatos.

1) O ‘motivo’ que o senhor me pede está aqui:

New Doc20130731165418595

New Doc20130731165418595

 

2) O senhor foi efetivamente preso e seus dados constam do boletim de ocorrência registrado no Distrito Policial de Pinheiros.

3) O senhor não contesta que esteve na manifestação. Portanto, a informação divulgada é inquestionavelmente verdadeira.

4) O senhor foi preso em flagrante, como está caracterizado no boletim de ocorrência. Flagrante é a situação delitiva em que o autor — ou acusado, como é o seu caso — foi detido menos de 24 horas depois do crime imputado.

5) A ‘manifestação’ da qual o senhor participou terminou com a depredação de lojas, agências bancárias, destruição de veículos e ataque a caixas eletrônicos. Isso não é vandalismo ? O que seria, então ?

6) O Boletim de Ocorrência é um documento público e pode ser consultado por qualquer pessoa. Não houve violação da sua privacidade. Ao contrário: tive o cuidado de não publicar o documento na íntegra para não devassar o telefone e endereço dos que foram ali relacionados como vândalos, como é o seu caso.

7) Não me interessa a sua militância política. Vivemos em um País democrático e o senhor tem todo o direito de ter suas convicções. Também tem o direito de participar de atos ou manifestações, o que lhe é assegurados pela Constituição. Mas, exercendo o meu direito de criticar, que também é assegurado pela mesma Constituição,  repudio com veemência o vandalismo, que é criminoso, e sustento que não se pode chamar a baderna e a destruição de patrimônio público e privado de “ato político”.

8) A manifestação da qual o sr. participou foi efetivamente convocada pela página Black Bloc no Facebook.

9) Em nenhum momento afirmei que o sr. portava pedras, paus ou outros objetos.

10) Ao contrário do que o senhor afirma, liguei para os números dos telefones que constam da sua qualificação no B.O. quatro vezes. Os registros estão na conta do meu telefone (duas chamadas para o de prefixo 3271, duas para o celular eu começa com 97619). Se o senhor quiser, posso publicar um fac-símile desses registros — e só não o faço agora em respeito à sua privacidade. Mas se o senhor insistir que eu não tentei contatá-lo, publico o documento para provar que quem está faltando com a verdade é o senhor.

11) Deixei recado, sim senhor, na secretária eletrônica do seu celular. Não houve ‘esforço mínimo’, houve o esforço suficiente. O senhor optou por não retornar.

12) Também liguei para a PUC de Campinas para confirmar a informação de que o sr. leciona lá. Não faltou rigor na apuração, a despeito de toda essa verborragia sobre a ‘velha mídia’, que vocês abominam, ainda que esteja se referindo ao post de um blogueiro.

13) Com relação à reportagem da Band, digo que a sua crítica deveria ter sido feita na época, há mais de um ano. Mas se quer falar sobre o assunto, digo o seguinte: Eu não firmei contrato de exclusividade com o senhor. Não lhe disse que o senhor seria a única fonte. Se soubesse que o senhor iria ficar molestado pela presença de um ‘professor de cursinho’ que figurou como personagem, eu teria simplesmente reavaliado a sua participação. Porque isso é pura soberba. Somente agora fiquei sabendo que a entrevista não foi ao ar. Esclareço que quem seleciona os entrevistados que irão aparecer ou na matéria é o editor, não o repórter.

14)Se um professor universitário não é da elite, não sei realmente o que é elite. Sob qualquer aspecto: renda, escolaridade etc etc. O senhor mora em um bairro central da quinta cidade mais cara do mundo. Não se trata aqui, portanto, de definir uma sociologia lulopetista ou pannunziana. O senhor, professor, é da elite sim. Não entendo por que se envergonha disso. Deve ter batalhado muito para chegar até aí.

15) Tenho certeza de que, se estivesse vivo, meu professor de ética iria ficar orgulhoso do ex-aluno. Mas não sei o que os seus alunos pensam dos exemplos que você dá a eles.

Era chicana, sim!

Joaquim Barbosa tem um milhão de defeitos e uma qualidade.

Ele é grosseiro, estúpido e não suporta a crítica. Suas manifestações de hostilidade não poupam ninguém — jornalistas inclusive. Chegam ao limite da ira.

Mas há algo que o distingue: a honestidade de propósitos.

Você vai perguntar pra mim se alguém tem o direito de massacrar assim os próprios colegas. Como ele fez ontem, mais uma vez, com o Lewandovsky. E eu respondo que isso não é polido nem parece se adequar à estética e ao protocolo da corte suprema. Acho que ele poderia ser realmente mais polido no modo como aborda os assunto que o incomodam.

Mas estava na cara que Lewandovsky ontem atuava muito mais como advogado de defesa dos réus que pretendia liberar das punições que ele mesmo prescreveu. Aliás, apenas repetia o mesmo padrão que pautou todo seu comportamento durante o julgamento do Mensalão. Por isso hoje, quando a sessão for retomada, vai ser derrotado por todos os colegas de plenário.

Lewandovsky é polido e bem-educado. Joaquim Barbosa, tosco e atrevido com as palavras.

Mas a quem assiste a razão:  A quem quer fazer valer a punição dos mensaleiros ou a quem trabalha arduamente desmoralizar a própria corte e deixar impunes os companheiros de outrora ?

Polícia de SP prende dupla que poupou criança em sequestro relâmpago

A delegacia especializada em sequestros-relâmpagos de São Paulo prendeu uma dupla de assaltante que, três meses atrás, protagonizou uma cena insólita na porta de uma escola paulistana.

Os dois acusados, conhecidos apenas como Neno e Regina, abordaram e dominaram uma senhora que acabara de chegar de carro ao colégio, que  fica na Zona Sul, num bairro chamado Jardim das Belezas, próximo ao Morumbi. Logo perceberam que havia uma criança no carro.

O ladrão então desceu, pegou a criança e a entregou ao porteiro da escola.

Uma fonte da polícia informa ao Blog que Regina tem mais de 20 passagens pela polícia, é fria e deu muito trabalho aos investigadores. Foi presa fora de São Paulo e se encontra neste momento na carceragem do 77º Distrito Policial. Neno, no 89º.

Amanhã serão levados para a delegacia especializada. AS vítimas, ue já os reconheceram por fotos, estão sendo convocadas para o reconhecimento pessoal.

Sinto muito não ter mais detalhes. Como a cobertura policial não é a minha praia, deixo para os colegas a complementação das informações.

Depois do Mensalão do PT e do “trensalão” tucano, vem aí o “aviãossalão”

O blog vem alertando há um mês: frustrado porque alguns ‘players’ queridinhos ficaram fora da boquinha da privatização dos aeroportos, o governo federal está preparando uma concorrência “não concorrencial” para entregar os dois últimos grandes terminais brasileiros, Confins (BH) e Galeão (RJ), aos derrotados de antanho.

Recorro a um velho adágio para antecipar: Vai dar merda!

No semestre passado, antes de iniciar o processo de audiências públicas que antecede a licitação, a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República já haviam decidido criar duas regras para afunilar a concorrência “em nome do bem”. Regras estranhas às primeiras privatizações foram criadas. A primeira delas impedia os atuais concessionários de participar dos futuros leilões. A segunda, a exigência de expertise comprovada na exploração de terminais com movimento anual acima de 35 milhões de passageiros/ano.

Formalmente, a intenção é apresentada como saneadora dos “erros” das primeiras concessões. Foi o que disso o ministro Moreira Franco. Mas que erros são esses, uma vez que a própria ANAC alardeia aos quatro ventos que os exploradores privados das concessões de Cumbica, Viracopos e Brasília estão com o cronograma em dia, cumprindo rigorosamente a programação das obras ?

O erro aludido só pode ter um significado: tudo está certo, mas o que está certo não é feito por quem nós gostaríamos.

O governo nutre uma paixão declarada pela Fraport, operadora alemã que administra o aeroporto de Frankfurt. E também pela construtora Odebrecht. É o que se comenta abertamente nos bastidores de Brasília. Seriam eles os “eleitos” que não se elegeram, que perderam o negócio derrotados por gente como os grupos Inframérica, que venceu o leilão de Brasília, e Invepar, que administra Cumbica.

Em setembro, o texto do edital que vai reger os leilões será finalmente conhecido. O governo, por intermédio de Moreira Franco, já admitiu o abrandamento das restrições que, previamente condenadas pelo Ministério Público junto ao TCU, podem levar  à judicialização da licitação, atrasando o processo.

A primeira alteração conhecida tem por objetivo eliminar um problema de enquadramento legal. Ao invés de proibir expressamente, ANAC e SAC agora admitem que os atuais concessionários participem da disputa. Mas limitarão sua participação no capital do consórcio a apenas 15%, impondo ao parceiro estrangeiro (o administrador com expertise em terminais de 35 milhões de passageiros/ano) uma cota mínima de 20%. A Infraero, a estatal que o processo de privatização pretende afastar da administração aeroportuária dada sua absoluta incompetência, fica com 49%.

Se nada mudar nos próximos dias, o ambiente em que se dará a disputa estará acessível a quatro ou cinco grupos potencialmente interessados. O cenário que se vislumbra não é muito diferente daquele que agora surge como motivador das relações tortas entre os tucanos e o esquema Siemens/Alston, que tanta dor de cabeça tem dado ao tucanato em geral e a Alckmin e Serra em particular.

Observe o processo e conclua comigo. Você vai ficar encantado ao perceber que nem mesmo o ambiente de desconfiança suscitado pelas denúncias recentes, pelas manifestações e pela indignação popular é capaz de demover certas autoridades de prosseguir trabalhando em nome de interesses privados, quase sempre acima do interesse público que deveria nortear as ações de Estado.

Ou seja: vai dar merda!

Lula, o censor, por Ricardo Noblat

Indique a resposta certa:

Por que Lula repete com tanta insistência que o PT não precisa da opinião de “formadores de opinião” para saber como se comportar com decência?

Opção A: Porque a opinião dos “formadores de opinião” rejeitada por ele costuma ser contrária ao modo de o PT se comportar. Se fosse favorável, ele não reclamaria;

Opção B: Porque detesta “formadores de opinião” em geral e alguns em particular. Beneficia-se da opinião daqueles que o reverenciam, mas nem desses gosta muito;

Opção C: Porque a crítica aos “formadores de opinião” lhe garante largo espaço nos meios de comunicação. Isso massageia seu ego e atrai a solidariedade dos petistas;

Opção D: Nenhuma das opiniões acima;

Opção E: Todas as opiniões acima.

 

Foto: Ricardo Stuckert

 

(Não responda sem antes refletir um pouco. Lula é um cara complexo. Salvo a turma de sua época de sindicalista, poucos o conhecem de fato. Por esperto, espertíssimo, engana correligionários e adversários com facilidade. Com frequência não diz o que pensa, mas o que seus interlocutores querem ouvir. E depois faz o que quer. Em resumo: é um político nato à moda antiga. Mais para samurais do que para ninjas.)

De volta ao questionário. Cravou uma das opções?

A certa a meu ver: a opção E (Todas as opiniões acima).

Lula trata o PT como um filho. Por sinal, vive comparando o PT a um filho desde a época do estouro do escândalo do mensalão. Disse algo assim: “Qual o pai que pode saber o tempo todo o que seus filhos estão fazendo?”

Com isso quis se declarar inocente.

Entre ser entrevistado ao vivo pelo Jornal Nacional no dia seguinte à sua eleição em 2002 e começar a apanhar quando Roberto Jefferson denunciou o suborno de deputados, foi um pulo. Ali acabou a lua de mel de Lula com a imprensa.

Saiu de cena o ex-sindicalista que passou a perna em todo mundo e alcançou a presidência da República. Entrou o ex-sindicalista que se dizia perseguido pelas elites – embora elas jamais tenham lucrado tanto quanto no governo dele, embora ele as tenha paparicado sempre que pode, embora elas, hoje, torçam por sua volta ao poder.

O fato de não ter estudado porque não quis e de ter sucedido alguém que nunca parou de estudar alimentou em Lula um certo desprezo por aqueles que sabem pensar e expressar o que pensam.

Como se acha bem-sucedido – e de fato o é – imagina-se merecedor de todos os elogios possíveis e um injustiçado quando eles escasseiam. Ou quando são superados pelas censuras.

Disse um dia (cito de memória): “Gosto de publicidade. De notícias, não”.

Existe publicidade positiva e negativa. É da primeira que naturalmente ele gosta. Sobre a notícia ele não exerce controle. Exerce sobre a publicidade desde que pague a conta. Ou que tenha quem pague.

Talvez tenha sido o primeiro político dos tempos interessantes que vivemos a intuir que tratar mal a imprensa lhe renderia generoso e gratuito espaço na… imprensa. E assim procede até aqui.

Seus admiradores mais simplórios apreciam a disposição com que ele destrata jornalistas, formadores de opinião e os mais poderosos conglomerados de comunicação. Lula lhes fornece argumentos para justificar todos os passos do PT. E eles se sentem aptos a travar discussões com seus desafetos.

Não é bacana?

Leia o original no Blog do Noblat

Que venha o orçamento impositivo!

Charge de Chico Caruso publicada em O Globo em 3/3/2011Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,

Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:

É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,

É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

(Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa)

A vida de um deputado do chamado baixo-clero, categoria em que 9,5 entre dez parlamentares se enquadram, pouco difere da de um representante comercial um caixeiro-viajante. O que ele faz, do amanhecer ao anoitecer, é percorrer incansavelmente ministérios pleiteando a liberação de recursos das emendas que conseguiu emplacar no Orçamento da União.

Essas emendas têm várias finalidades. Uma delas é fazer dinheiro. O deputado e o prefeito constroem arranjos financeiros com empreiteiros desonestos para a execução de obras e o desvio de parte dos recursos para seus próprios bolsos.

Mas há que se reconhecer que elas também atendem a demandas de uma parcela da população que está distante da burocracia federal e à qual os ouvidos do Planalto são moucos e insensíveis.

Historicamente, a liberação ou o contingenciamento dessas emendas decorre da avaliação que o governo faz do comportamento do parlamentar em plenário. Se ele é subserviente,  “leal”– ainda que na oposição — e cumpre seu papel na manada governista, é aquinhoado generosamente.

Caso se mostre independente demais ou eventualmente se insurja contra as orientações repassadas à base, é tratado apenas a pão e água.  Muitas vezes termina seus dias humilhado nas antessalas de Brasília, sem ao menos conseguir ser recebido pelo sub do sub que tem a caneta na mão.

É por tudo isso que ao governo provoca calafrios a aprovação da PEC que torna o cumprimento dessa fração do orçamento impositivo. Sem controle sobre as liberações, o Planalto perde muito mais do que as torneiras orçamentárias. Perde seu maior instrumento de controle ou, caso prefira, de coação sobre a vontade  — ou a consciência — dos deputados e senadores. É isso o que está em jogo.

Com a liberação compulsória das emendas, os congressistas estarão muito mais à vontade para votar, se quiserem, de acordo com suas próprias convicções ou conveniências. Estarão livres do torniquete que, ao amordaçar suas consciências, abre o caminho para a corrupção deslavada que infesta o Poder central.

Anestesiar consciências, promover o voto de conveniência por alguns trocados, é essencialmente uma forma de corrupção institucional que, no Brasil, passou a ser vista como normal e até desejável, já que sempre houve lucros de parte a parte.

Com o orçamento impositivo, almas que ainda podem ser resgatadas do purgatório patrimonialista certamente se sentirão mais à vontade para voltar à luz do dia e atuar com algum norte ético ou reatar vínculos de lealdade com o eleitor, este sim o grande perdedor do troca-troca francisco imoral e indecente que domina há anos o Congresso Nacional.

Se vai haver ou não uma melhora na qualidade da representação parlamentar, o tempo dirá. É provável que os vícios dessa cultura tenham feito estragos éticos insanáveis. Mas eles certamente terão mais tempo para se dedicar a algo que a maioria nem sabe direito como funciona: a elaboração de leis, a atuação em plenário e a fiscalização do Poder Executivo.

Pelo menos um mérito há que se reconhecer nesse projeto. Ele acaba com aquela figura abjeta do deputado sempre com o pires na mão que, como um pedinte, vai esmolar na Esplanada.

 

 

Todos são iguais perante a lama

A safra de escândalos nunca foi tão democrática quanto agora. Temos o do Mensalão, o clássico da categoria, o do Metrô paulistano e agora o da Petrobras. O arco partidário abarcado pelas denúncias vai da direita à esquerda, não distingue legendas e iguala novamente todos os políticos. É uma generalização ? É, mas faz todo sentido.

A diferença entre os dois ‘cases’ criminais que os brasileiros começam a entender e os demais é a origem: agora, são os corruptores que denunciam os corrompidos, uma novidade desconcertante para as máfias que se formam a partir dos legislativos e executivos em todos os níveis. Mesmo que um deles se declare louco e diga, arrependido, que faltou medicação tarja preta para manter sua boca fechada. É presumível que tenha faltado bem mais do que isso.

Em Mato Grosso, estado em que corruptos se ufanam abertamente do que roubam dos contribuintes, a propina ganhou até um apelido: bereré. Pergunte a qualquer cuiabano o que significa que ele te dirá sem pestanejar. “Vou faturar uns beberés com esse projeto”, é o que dizem os caras-de-pau da política quando se vêm diante da chance de amealhar algum dinheiro praticando o crime em nome do povo.

Se o quadro já é desalentador para quem se acostumou a ser tungado historicamente, pior ainda é o que está na iminência de acontecer a partir desta semana: uma anistia do Supremo aos mesmos canalhas que haviam sido condenados no ano passado. Anote aí, é isso o que você vai ver. A justiça brasileira é “garantista”. Garante aos que metem a mão no erário que eles nunca, jamais, vão ser afrontados com uma punição. Cadeia, então, nem pensar. Continua vigorando a lei dos três pês:  Cadeia é coisa de pobre, preto e puta, e não de petista, pessedebista e peemedebista. Esses aí são outros pês que se enquadram melhor no Congresso do que em estabelecimentos como a Papuda.

A crise moral que assola o País coloca claramente para o cidadão que o Estado é uma engrenagem construída não para gerir o bem coletivo, mas para conspurcá-lo. Não há remédio para cessar a roubalheira no ambiente da Instituições, é 0 que se constatará tristemente.

Quando tudo isso ficar mais claro, será possível finalmente fazer uma autocrítica e dar razão aos anarquistas que surgiram de carona das manifestações de junho.

Se não há o que fazer, talvez não reste alternativa sensata a não ser quebrar tudo!

Os rastros do ódio

Por Carlos Brickmann, em 06/08/2013, na edição 758 do Observatório da Imprensa

A ditadura militar não gostava de jornalistas, exceto dos amestrados; mas a oposição democrática nos apreciava. Sarney e Collor adoraram jornalistas, depois odiaram jornalistas, mas seus adversários gostavam de nós. A polícia jamais gostou de jornalistas – abrindo exceção apenas para um pequeno grupo mais acessível. O Ministério Público adora jornalistas, especialmente os que aceitam matérias prontas; e detesta jornalistas quando mostraram, por exemplo, que determinado procurador simplesmente copiava e colava textos escritos no escritório de advocacia de uma das partes do processo. O PSDB e o PT amam jornalistas a favor; odeiam os demais. O PT é mais flexível: aceita conversões e recebe os convertidos como filhos pródigos, servindo-lhes aquilo que há de melhor na mesa. Tanto o PT quanto o PSDB adoram jornalistas que criticam seus adversários.

Em resumo, caro colega, sempre houve gente favorável e contrária a nós, jornalistas. Mas agora estamos assistindo a um fenômeno intrigante: nessas manifestações, os jornalistas estão sendo sempre tratados como inimigos. Manifestantes queimam carros de reportagem, ameaçam agredir quem faz a cobertura das passeatas (e os jornalistas não têm quem os defenda, já que a polícia também apreciaria ver-nos numa travessa de prata, com uma maçã na boca). Dois profissionais de excelente reputação, Caco Barcellos e Fábio Pannunzio, já tiveram problemas com as multidões e por pouco não se transformaram em vítimas. A tropa de choque da polícia não hesitou em atirar seus sprays e balas de borracha em jornalistas, em alguns casos, foi muito claro, deliberadamente. Uma jornalista foi atingida por bala de borracha perto do olho, outro jornalista ainda não sabe se vai conseguir recuperar a visão prejudicada.

O mais interessante é que, tirando o pessoal que é criminoso mesmo e não quer que sua ação nas passeatas seja registrada, os manifestantes deveriam estar ao lado dos jornalistas, não contra. Os jornalistas colocam suas reivindicações nos meios de comunicação, amplificam os protestos. Mas, mesmo assim, são obrigados a disfarçar-se para fazer a cobertura, como se fossem jornalistas-ninjas, com o link escondido na mochila e usando celulares para captar imagens (forçosamente de qualidade inferior à de um equipamento apropriado), ou se limitam a descrever os acontecimentos tal como registrados pelos helicópteros da equipe.

Protesto contra a emissora? Besteira: os ameaçados e agredidos são profissionais que hoje trabalham num lugar, amanhã podem estar em outro. A violência atinge pessoas, não empresas de comunicação. E o slogan “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” é, antes de tudo, uma bobagem: quem é que dá à Globo, há tantos anos, a liderança absoluta de audiência na televisão?

Há uma longa discussão sobre os novos limites do jornalismo, nessa era de celulares que gravam som e imagem. A discussão certamente não é esta: os repórteres-ninja, que se tornaram populares nestas manifestações, exercem funções jornalísticas. Tudo bem: e quem os paga? Se o jornalista é amador, trabalha de graça, como poderá dedicar-se à profissão? Como fará para aperfeiçoar-se, aprender mais, tentar entender o que está ocorrendo?

É uma situação complicadíssima. Ninguém gosta de nós, mas o pior é que, ao mesmo tempo, quem não gosta de nossa profissão quer atuar no lugar dos repórteres, sem salário, sem vínculo empregatício. É jornalismo sem patrão; e sem pagamento, sem estrutura que possa mandar um repórter para uma cidade vizinha, que garanta o fluxo de informação mesmo nos dias em que o repórter amador decide que é melhor namorar, viajar ou jantar fora. Pior: sem qualquer tipo de visão isenta. O pessoal ninja documentou muito bem as passeatas, mas que ninguém peça a eles um esforço para ao menos entender o outro lado.

A situação deve melhorar com o fim das manifestações, algum dia. Mas nunca mais voltará a ser o que era.

 

Muita tristeza, uma boa notícia

As más notícias transbordam: a Editora Abril fecha várias revistas, funde dois sites, demite 150 funcionários (e talvez, não há confirmação, os cortes não parem por aí). A Rede Record demitiu muita gente, a Rede TV! já fez demissões, o Estadão e a Folha demitiram pesadamente. O jornalismo oferecido ao público perde em qualidade, as informações não são verificadas com a mesma minúcia, as reportagens de fôlego não são feitas por falta de tempo e de equipe. Perdem todos – inclusive os departamentos comerciais, porque quando há falta de consumidores para quem é que vão anunciar?

No meio de tanta má notícia, uma informação animadora: o excelente Mauro Beting, que havia sido afastado da Rádio Bandeirantes de São Paulo “porque as contas não fechavam”, foi readmitido. A emissora avaliou melhor os fatos, muitos ouvintes se manifestaram, todos em favor de Mauro, dois pesos-pesados da equipe da rádio, Milton Neves e Neto, se movimentaram para mantê-lo. Neto foi fundo: num programa, pediu demissão, para que “as contas fechassem” e fosse possível buscar Mauro Beting de volta. A direção da emissora tomou a decisão mais sensata: segurar Mauro Beting e manter a equipe toda, sem demissões ao menos nessa área.

E por que foi uma decisão sensata? Este colunista conhece Mauro Beting, trabalhou com ele, conhece seu incrível potencial – embora ele seja torcedor do time errado, fruto da educação futebolística equivocada inerente a toda a sua família. É simpático, estabelece boas relações com os consumidores de informação, tem grande capacidade de trabalho, não enjeita serviço. Faria falta à Bandeirantes. E sua falta seria ainda mais sentida se fosse trabalhar numa emissora concorrente, que ganharia melhores condições de disputar o mercado.

Seria interessante se outros profissionais, afastados na mesma operação que atingiu Mauro Beting e que têm capacidade e currículo, como Walker Blas e Adriana Cury, fossem logo chamados de volta. Uma emissora voltada ao jornalismo não é uma fábrica de parafusos, em que os profissionais entram e saem sem que os consumidores se preocupem com isso. Um jornal, uma rádio, uma TV, blogs, portais, têm personalidade própria; têm alma, e a perda de determinados profissionais queridos do público diminui a intensidade da empatia entre consumidores e produtores de informação.

Em tempos outros, havia editoriais do Estadão com frases como “estávamos em nossa fazenda, em Louveira (…)”. Editorial é a voz do jornal; como é que o jornal, uma empresa, estaria numa fazenda passando o fim de semana? Pois o leitor do Estadão sabia que aquele editorial era do dr. Julinho, Júlio de Mesquita Filho, que nem precisava assinar o que escrevia, já que seus leitores sabiam desde as primeiras linhas quem era o autor. É o tipo de relacionamento que anda fazendo falta, o tipo de relacionamento entre produtores e consumidores de informação que ultrapassa a esfera comercial.

Enfim, lamentemos as más notícias e esperemos que, como no caso de Mauro Beting, as empresas de comunicação não sejam encaradas pelos acionistas como entidades apenas comerciais, comandadas apenas pela contabilidade do trimestre.

Leia a íntegra no Observatório da Imprensa.

 

Apatia ?, por Marco Antônio Villa

Marco Antonio Villa

Por Marco Villa , em seu blog

Excetuando uma ou outra manifestação em julho, manifestação mesmo, não aquelas dos novos camisas negras, os fascistas do século XXI (black bloc), o país regressou ao berço esplêndido. O Congresso voltou ao normal, o normal de agir sempre contra os interesses republicanos. Dilma continua falando uma língua aparentada ao português, cita uma montanha de dados, falando de êxitos que só ela vê. A oposição sumiu. É caso até de chamar a Interpol para ver se é possível, ao menos, achar um dos pré-candidatos presidenciais. Eles sumiram.

O país está à deriva. Nada anda, nada funciona bem. A economia vai mal. Não conseguimos pensar o futuro. Em suma, voltamos ao mês de maio, antes das jornadas de junho.

Na semana que vem será retomado o julgamento do mensalão. Pode ser um bom motivo para o reinício das manifestações. Não será acidental, se o PT (através dos seus braços operacionais, como o MPL) relegar o julgamento e apontar suas baterias para a oposição. Desta forma, desvia a atenção do que interessa, o cumprimento das sentenças determinadas no final do ano passado, evita o ônus político (pois é o PT que foi condenado) e constrange a oposição com ações (e denúncias) meramente eleitorais. É bom nunca desprezar o PT: eles são profissionais e não largarão o poder (são mais de 23 mil cargos de confiança, controle dos milionários fundos de pensão de bancos e empresas estatais, centenas de sindicatos sustentados com dinheiro público, etc, etc) facilmente.

Proudly powered by WordPress
Theme: Esquire by Matthew Buchanan.