Por tudo o que aconteceu ao longo dessas cinco décadas, Brasília também se transformou numa cidade de contradições. É o lugar onde primeiro os...

Por tudo o que aconteceu ao longo dessas cinco décadas, Brasília também se transformou numa cidade de contradições. É o lugar onde primeiro os motoristas aprenderam a respeitar os pedestres que cruzavam suas extensa avenidas. Mas é também a metrópole com mais carros por habitante do país. É tanto carro que as guias são insuficientes para o estacionamento. Brasília foi construída para os carros, não para as pessoas. Em lugares a esquina do Eixo Monumental com a rua de acesso ao  Congresso (fica difícil dizer exatamente onde porque as ruas não têm nomes), os pedestres simplesmente não têm por onde seguir. A calçada termina. Quem quiser avançar tem que se arriscar na pista, disputando espaço com o trânsito. E não é o único  problema. Na disputa entre a arquitetura e a funcionalidade, as pessoas quase sempre saem perdendo. A capital foi concebida para ser o maior espaço público do planeta. Mas o povo às vezes atrapalha a institucionalidade. Em função disso, a arquitetura vai se adequando. Um fosso foi construído no Palácio do Planalto.  O Congresso, a casa do Povo, construiu outro por questões de segurança. E há outros fosse menos visíveis, com o que separa o Varjão, o maior enclave de miséria do distrito Federal, do Plano Piloto, a apenas cinco quilômetros de distância. Na pequena vila, os índices de desenvolvimento são compatíveis com os do interior do Piauí. Nos lagos e nas asas do avião de Jucelino assenta-se uma riqueza suíça. 

Apesar de todas essas contradições, a população de Brasília rejeita os estereótipos e afirma sua identidade. Hoje foi dia de festa e de manifestações de orgulho de todos os que vieram dar forma a essa metrópole multifacetada.

A única coisa inaceitável é o lugar-comum segundo qual em Brasília só Brasília tem muita gente séria, honesta, correta. A essas pessoas, que constroem a verdadeira história da cidade, nossas homenagens.

 

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