A quinta-feira foi literalmente um dia de cão no Senado. A presença de José Sarney está transformando a Casa numa rinha de galos. O...

A quinta-feira foi literalmente um dia de cão no Senado. A presença de José Sarney está transformando a Casa numa rinha de galos. O pior momento foi protagonizado pelos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Eles trocaram insultos logo depois que o líder do PMDB leu a denúncia contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), encaminhada pelo PMDB ao Conselho de Ética.

Renan passou a tarde toda provocando a oposição. Repetiu diversas vezes que “o Brasil é o único país do mundo em que a minoria (oposição) tem complexo de maioria”.

Ao final da sessão conturbada, Tasso pediu a retirada de um homem da Tribuna de Honra do Senado. Ele estava se manifestando e hostilizava os adversário de Sanrney, o que é proibido pelo regimento.

Renan interveio, chamando Tasso de antidemocrático e apontando o dedo em sua direção. Jereissati se sentiu intimidado. “Tire esse dedo sujo da minha cara”, disse.

Renan reagiu dizendo que dedo sujo é o de Tasso que, segundo ele, usou dinheiro público para voar em um jatinho particular. “O jato é meu, o dinheiro é meu, diferente de você, que usa (aviões) dos seus empreiteiros, seu jagunço de terceira categoria”, atacou o senador tucano.

Renan Calheiros perdeu a compostura. Chamou Tasso de “coronel de merda”. Foi o suficiente para ensejar a ameaça de uma representação ao Conselho de Ética que, depois se decidiu, não será feita.

O pano-de-fundo da confusão foi uma carta endereçada a Sarney assinada por 39 senadores. O número de parlamentares que firmaram o documento irritou Renan. Foi a partir daí que ele começou a repetir a frase sobre o “complexo de maioria” que deforma a oposição brasileira.

A carta foi assinada pelas bancadas do PSDB (13 senadores), DEM (15 senadores) e PDT (5 senadores). Mas também recebeu  o apoio de dois parlamentares petistas (Tião Viana e Flávio Arns), dois peemedebistas (Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos) , um do PSB (Renato Casagrande) e um do PSol (José Nery). O documento ainda pode receber a adesão de dois senadores petistas, totalizando 41 votos (maioria absoluta do plenário do Senado).

Ainda que isso não aconteça,  a carta teve o condão de derrubar a suposta vantagem que Sarney teria sobre os adversários de 45 votos. Agora, os alidados do presidente não podem contabilizar mais do que 42 votos. Sarney está a um passo de perder o controle sobre a maioria do colegiado.

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