O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) errou. Permitiu a um funcionário que fosse estudar na Europa recebendo salário do Senado.É um erro grave de deve...

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) errou. Permitiu a um funcionário que fosse estudar na Europa recebendo salário do Senado.É um erro grave de deve ter consequências para ele.

Embora não haja diferença entre os pecados que são imputados a ele e a outros senadores — Sarney principalmente — Arthutr Virgílio teve a dignidade de não tentar escamotear a verdade quando os erros foram apontados. E isso torna tudo muito diferente.

O líder do PSDB, ao contrário do que fizeram outros parlamentares em situação análoga, não mentiu. Optou por tomar um caminho diferente daquele pelo qual normalmente enveredam políticos enrolados. Foi para a tribuna e admitiu: “Errei. Sou réu confesso”.

Quase simultaneamente, José Sarney duelava do plenário com o senador José Nery em torno de uma falácia. Em sua defesa capenga, disse desconhecer o funcionário Rodrigo Cruz, lotado na Diretoria Geral, à qual chegou pela via tortuosa de um ato secreto. Valeu-se de um homônimo empregado no gabinete da filha para ocultar seu verdadeiro afilhado — Rodrigo Cruz, genro de Agaciel Maia, de quem o coronel do Maranhão foi padrinho de casamento.

Ao contrário de Sarney, Virgílio não é um homem rico nem constituiu um império empresarial ao longo de sua vida pública. São notórias as dificuldades financeiras por que passa, evidência de que ou ele é um péssimo administrador de suas finanças pessoais, ou é honesto e vive do que ganha. Fico com a segunda possibilidade.

Outra diferença gritante entre as situações que ambos enfrentam: as múltiplas acusações contra Sarney têm sempre como resposta ou “não conheço” ou um “não sabia de nada”. Arthur Virgílio não se limitou a admitir o erro. Antes, tentou repará-lo.

Providenciou o parcelamento da dívida, que será paga em 17 vezes, com desconto no contracheque, e a venda de um terreno da mulher para amortizar o restante. Também está vendendo um carro que havia comprado para a campanha.

Sarney, que mantinha uma cota de cargos para dar de presente aos fantasmas da família, jamais teve qualquer atitude parecida. Limitou-se a inventar desculpas esfarrapadas e a fazer seguidas revisões de suas versões inconsistentes sempre que era apanhado numa mentira.

Apesar disso tudo, é possível que Virgílio mereça, do claudicante Conselho de Ética do Senado, uma punição mais severa do que a de Sarney, que com certeza vai sair livre. Os “conselheiros” não estão ali para brincadeira. Especialmente a Tropa de Choque do PMDB, que claramente optou por uma ação movida por ódios e pelo desejo de retaliação.

Apesar de seus pecados, o Senado precisa da voz de Arthur Virgílio. Se ele for calado, quem é que vai fazer o papel de consicência crítica do pais ?

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