Caro Fábio, Ontem, no seu Blog, me deparei com sua justa indignação por causa do artigo intitulado “Heraldo Pereira e a negritude”, de um...

Caro Fábio,

Ontem, no seu Blog, me deparei com sua justa indignação por causa do artigo intitulado “Heraldo Pereira e a negritude”, de um jornalista chamado Fernando Paulino, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Entendo a sua perplexidade diante de tamanha idiotice. Mas o senhor Fernando Paulino está cumprindo o papel a ele determinado.  Isso não deveria assombrar ninguém. O que assombra é ele ser jornalista e ainda ocupar o importantíssimo cargo de secretário-geral. O Sindicato dos jornalistas do Rio de Janeiro, para preservar o seu passado, deveria expulsar sumariamente o autor do artigo dos seus quadros, abrir um processo na comissão de ética por falsidade ideológica e por práticas danosas a toda uma categoria profissional. Explico melhor: não pode ser jornalista quem não sabe apurar. É um principio básico e obrigatório para qualquer repórter. Como poderia ter contato com o assunto pautado – no caso aqui, o Heraldo é a pauta- se havia uma distância de mil e duzentos quilômetros.  O suposto jornalista afirma que no final dos anos oitenta estava participando de uma greve no Rio de Janeiro e “ficou a meia distância do Heraldo, que furou a greve”. Ora, Heraldo estava em Brasília, onde acabara de conquistar um emprego como repórter na emissora da capital.

Fernando Paulino seria demitido imediatamente por qualquer chefe de redação por causa desse artigo. Não pelo que opinou, mas pelo que apurou. Deve ter frustrado quem fez a encomenda. Heraldo Pereira participou da greve em Brasília, mesmo sob o risco de perder o emprego recém-adquirido. Teve dignidade e só voltou à redação da Globo Brasília para trabalhar quando os jornalistas, em sua maioria, assim decidiram. Como não sabe apurar, Fernando Paulino comete o segundo crime de lesa profissão: mentiu. Qualquer manual de redação ensina que o jornalista deve buscar sempre a verdade para bem informar. Não ficaria uma semana em qualquer redação séria. E não pode ser dirigente sindical, principalmente secretário-geral. Mentiu mais uma vez quando afirmou que viu a Glória Maria pedir voto para o Siqueira Campos em Cuiabá. Ele afirmou, vale repetir ter visto uma inserção na TV onde a jornalista, no Mato Grosso, pede voto para o político do Tocantins. Mentira é assim, quando utilizada como praxe faz brotar todo o tipo de ignorância, neste caso a ignorância política e geográfica.

Fernando Paulino foi pautado para injuriar o Heraldo Pereira, mas deveria correr agora o risco de ser banido da profissão. Basta que o Sindicato cumpra o seu papel de defender a profissão. Os jornalistas não podem ser representados por quem não sabe exercer a função nem quem atropela a verdade, principio basilar da imprensa. No mais, como já disse Nelson Rodrigues “os idiotas perderam a modéstia”.

Apenas mais uma informação. Sou testemunha da participação do Heraldo na greve de 1989. E não foi a meia distância. Eu era o chefe da produção de jornalismo da TV-Globo Brasília. Participei da greve e fui demitido sumariamente, apesar de ter mais de seis anos de casa.

Luis Jorge Natal, o Natalzinho.

Comentários

  • Paulo Miranda

    10/04/2012 #1 Author

    Natalzinho está com a verdade. No Correio Braziliense, eu e mais 38 fomos demitidos no mesmo dia após a greve. A lauda afixada com os nomes está em meu poder. Eu roubei para guardar como história. São quase 23 anos.

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    • Fábio Pannunzio

      10/04/2012 #2 Author

      Oi, Paulo. Manda uma cópia dessa folha pra mim. Eu faço questão de publicar.
      Abraço.

  • Josias de Paula Jr.

    05/04/2012 #3 Author

    Faço minhas as palavras de Henrique e Big Head. Teu blog é um alento. Continue firme. Na verdade, ele merece ter maior divulgação e o ideal seriam as redes sociais – a possibilidade de replicar posts direto no twitter e facebook, por exemplo. Mas isso é só uma oponião. Parabéns.

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  • Mônica Waldvogel

    04/04/2012 #4 Author

    Queridos Fábio e Natalzinho,
    Como esquecer daquela greve? A pressão foi tremenda, um diz-que-disse sem fim, uma tremenda desorganização. Lembro de passar uma noite toda chorando tamanha era a confusão. Mas é fato que a redação parou, que gente muito notória furou a greve e que alguns, com cargo de chefia, foram demitidos, como no caso do Natalzinho. Quando a greve acabou, Heraldo, eu e outros repórteres fomos de “castigo” para o Bom Dia Brasil. Depois de uma semana só de notas cobertas no Jornal Nacional – faltavam repórteres! – fomos chamados de volta. Eram outros tempos, brilhantes à sua maneira. Beijos para os dois e muita saudade de vocês.

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  • Beto Coura

    04/04/2012 #5 Author

    Valeu Natalzinho. Infelizmente nossos sindicatos foram tomados por pseudojornalistas, como esse aí, lá do Rio. Felizmente, existem muitos como você, como Heraldo e Pannunzio, vitoriosos porque buscam também nos bons princípios profissionais e éticos o norte para o trabalho. Dignificam a profissão, diferente de certos alguns…

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  • Henrique

    04/04/2012 #6 Author

    Obrigado por ter desmascarado mais essa manipulação. A descoberta deste blog me surgiu como um alívio. Estava cansado de ler as asneiras dos blogs patrocinados pelo governo e seus comentadores alienados.

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  • Big Head

    04/04/2012 #7 Author

    A leviandade da Besta não tem limites, só perde para a ignorância orgulhosa que seus leitores costumam cultivar. O pior é que vendo o triste espetáculo em que tem se tornado a política tupiniquim, além do grande Nélson Rodrigues, me vem à cabeça o famoso trecho de Second Coming do T. S. Eliot: ” “The best lack all conviction, while the worst are full of passionate intensity”. E todos nós sabemos quem banca o combustível dessa “apaixonada intensidade”, né? Pior pra nós. Desmascará-los é o que nos resta. Quanto mais mentiras falarem sobre os outros, mais verdades diremos sobre eles. No passarán!

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  • Stella

    04/04/2012 #8 Author

    Tenho lido seus artigos sobre Heraldo Pereira. Me assustam as mentiras distorcidas e que acabam virando verdades fabricadas , explicitamente em favor de algum figurão. Seja lá o que tenha de fato acontecido, me parece claro que Heraldo é um cara íntegro e de bem com a profissão que exerce. Vou continuar acompanhando seu blog. Abraços !

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