Edifício não tem capacidade energética para sistema de comunicação com TV e rádio ROBERTO MALTCHIK, do jornal O Globo Entrada da nova sede da...

Edifício não tem capacidade energética para sistema de comunicação com TV e rádio

ROBERTO MALTCHIK, do jornal O Globo


Entrada da nova sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), antiga Radiobrás, em Brasília
Foto: O Globo / Givaldo Barbosa

Entrada da nova sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), antiga Radiobrás, em BrasíliaO GLOBO / GIVALDO BARBOSA

BRASÍLIA – A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada em 2007 para substituir a Radiobrás, ainda não conseguiu operar transmissões ao vivo e instalar as principais redações no prédio alugado em 2009 por quase R$ 1 milhão mensais. O prédio foi alugado mesmo sem capacidade energética para suportar o funcionamento continuado e simultâneo de um sistema de comunicação, com TV, rádio e agência de notícias. A AR empreendimentos, responsável pelo contrato de aluguel, já recebeu da União R$ 21,43 milhões, entre 2010 e 2012, de acordo com o Portal da Transparência.

Também houve atrasos provocados pela empresa contratada para adaptar o prédio ao funcionamento do sistema público de comunicação. A EBC admite o atraso, e prevê que as novas instalações só devem operar plenamente no final do ano. A estrutura tem 19,3 mil metros quadrados e, em valores atualizados, custa mensalmente aos cofres federais R$ 935,6 mil. Carro-chefe da EBC, a TV Brasil continua operando na antiga sede, que funciona em condições precárias. A redação da Agência Brasil – agência de notícias na internet -, que não demanda a construção de estúdios, não foi transferida.

A nova sede abriga os funcionários e a estrutura da EBC Serviços, responsável pelo canal NBR, transmissora das atividades do governo. As produções do resumo do noticiário, entregue aos órgãos públicos, e dos programas “Café com o Presidente”e “Bom Dia, ministro” já mudaram de endereço. Dirigentes calculam que 572 funcionários da EBC, de 1.100 em todo o Brasil, já trabalhem na sede nova.

Estúdios novos nunca tiveram transmissão ao vivo

Nenhuma transmissão ao vivo da EBC ocorreu a partir dos estúdios novos, montados no subsolo de um antigo prédio comercial de Brasília, o Venâncio 2000. É que o espaço foi alugado sem capacidade para suportar a carga de energia necessária para operar com segurança os estúdios de rádio e TV, ao mesmo tempo. Somente ao consultar a Companhia Energética de Brasília (CEB), a empresa ficou sabendo que precisaria bancar o suporte para construir uma subestação da CEB. Mas o prédio não estava adequado à obra. Coube à EBC fazer uma licitação para remodelar a estrutura física e, só agora, o prédio deve ficar pronto.

Em nota, a direção da EBC argumenta que “alguns estúdios não puderam ser transferidos por causa de atraso em obras de infraestrutura para a segurança energética necessária, especialmente para programas ao vivo”. Explica ainda que houve atraso nas obras de interligação das redações, novas e antigas, por fibras óticas e da sala-cofre, que abrigará os servidores de armazenagem e processamento do Sistema de Gestão dos Acervos e Gravações Digitais da EBC.

Diz ainda que as redações não foram transferidas por questões operacionais, uma vez que a TV depende do estúdio e a redação da Agência Brasil é multimídia. E que, ao final do contrato, está previsto um período de seis meses de aluguel gratuito porque os pagamentos começaram antes da adequação física.

“A estimativa é de que até o final do primeiro semestre sejam transferidas as rádios Nacional AM e Nacional da Amazônia e até o final de 2012 as áreas de jornalismo e produção da TV Brasil, as Agências Brasil e Radioagência Nacional e a programação ao vivo da NBR”, afirma a empresa.

Para ler a reportagem do Blog do Pannunzio que ensejou a matéria de O Globo, clique aqui.

Para ler a íntegra em O Globo, clique aqui.

Comentários

  • Kleber Santana

    05/04/2012 #1 Author

    Caro Pannunzio,

    Parabéns pelo Blog!
    A TV, em geral, cria uma certa barreira com o público. Toda essa “aura” fica de lado na Internet, e podemos trocar ideias de uma forma mais próxima. Fiquei especialmente impressionado com a leitura das edições da Veja durante o período militar. Seria trágico, não fosse cômico, notar que alguns figurões que hoje gritam “PIG” – onde há jornalismo – foram entusiastas do regime. E tudo o que você fez foi ir lá e checar, comparando discurso e prática…
    Abraços,
    KS.

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  • alvaro

    05/04/2012 #2 Author

    Sorry a todos pelo lamentável equívoco. Eu quis dizer “pressionar”. Engenheiros costumam cometer graves erros de português.

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    • Fábio Pannunzio

      05/04/2012 #3 Author

      Jornalista também, Alvaro. Não tem problema, todos entendemos que foi um errinho de digitação. O importante é o que se pretende comunicar. E isso está bem claro.

  • alvaro

    05/04/2012 #4 Author

    Boa Pannunzio! Essa é a verdadeira missão de um jornalista investigativo: investigar. Não importa se quem cometeu as falcatruas seja de esquerda, direita, centro ou goleiro.
    Percebo, nitidamente, que seu blog vai ganhando força e começa a incomodar os praticantes de picaretagens e afins.
    Outro dia li em algum canto que a sociedade e a imprensa devem se mobilizar para precionar o STF a votar o mensalão ainda neste semestre. Esse foi o maior escândalo da era petista e os crimes cometidos não podem prescrever. Sucesso.

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