Uma luz vermelha acendeu no clã dos Sarney. A contabilidade dos votos que serão decisivos para determinar seu futuro político pende, hoje, para o...

Uma luz vermelha acendeu no clã dos Sarney. A contabilidade dos votos que serão decisivos para determinar seu futuro político pende, hoje, para o lado da oposição. A preocupação começou quando 39 — agora são 40 — senadores firmaram um documento suprapartidário, na última quinta-feira, reiterando a necessidade de que Sarney se afaste da presidência do Senado até o fim das investigações.

“A questão não está mais adstrita ao jogo parlamentar entre governo e oposição”, diz um parlamentar incomodado com a pressão para que fique neutro em relação ao problema. “Há partidos governistas claramente alinhados com o movimento que contesta a autoridade dele para permanecer onde está”, complementa a fonte.

Somadas as bancadas do DEM, PSDB, PDT e PSoL às defecção no PMDB, PSB e PT, que são governistas, chega-se aos 40 parlamentares que já firmaram compromisso por escrito comprometendo-se com o afastamento provisório de Sarney.

Mas ainda há senadores que não aderiram ao manifesto e, nos bastidores, já declaram abertamente que votarão favoravelmente aos recursos da oposição ao plenário porque não concordam com o arquivamento sumário determinado por Paulo Duque, que presidente o Conselho de Ética.

É o caso de Aloizio Mercadante, líder da bancada do PT, e de outros quatro parlamentares da legenda. Até agora, apenas três petistas aderiram ao movimento: Tião Viana, Fávio Arns e Augusto Botelho.

Confirmadas, as adesões desses governistas seriam suficientes para dar uma sólida maioria aos que pedem o afastamento de Sarney. Ele disporia de apenas 36 votos, insuficientes para livrá-lo de responder pelos devios que lhe são imputados. Nessa hipótese, Sarney precisaria reverter cino votos enquanto a agudização da crise segue corroendo rapidamente seu cacife.

Não é por acaso que os aliados do atual presidente do Senado já fazem uma investida de convencimento para cabalar votos entre pessoas que se relacionam bem com José Sarney, mas que têm dificuldade em assunir publicamente o compromisso de apoiá-lo, espcialmente do DEM. Com a pressão eleitoral — dois terços dos parlametnares renovam o mandato no ano que vem — o peso da opinião pública é um fator importantíssimo.

O mesmo fator atua sobre parlamentares sarneysistas como Ideli Salvatti e Delcídio do Amaral, que já começam a enfrentar hostilidades em suas bases políticas. Ideli é candidata a governadora de Santa Catarina e Delcídio deve se candidatar novamente a senador. Ambos apoiam Sarney.

“Você não imagina o que é a barra nos estados”,  diz um senador. “Há sempre um adversário político fazendo barulho no seu ouvido”, conta o parlamentar, para quem a pressão é insuportável em casos que geram comoção.

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