João Domingos, de O Estado de S. Paulo BRASÍLIA – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, que deve ser instalada no Congresso...

João Domingos, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, que deve ser instalada no Congresso na próxima semana, promete ressuscitar escândalos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial o que atingiu Waldomiro Diniz, o ex-assessor da Casa Civil na gestão de José Dirceu, e pode esbarrar novamente em um tema delicado a todos os partidos políticos: o financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

Apesar de o requerimento de instalação da CPI dizer que ela deve “investigar práticas criminosas do senhor Carlos Augusto Ramos, desvendadas pelas Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal” – o que significaria um espaço temporal de 2009 para cá -, o entendimento dos partidos de oposição, que será minoria na comissão, é de que todos os fatos correlacionados podem ser tratados. A Vegas, concluída em 2009, investigou negócios ilícitos de Cachoeira, que pressionava o Congresso pela legalização dos jogos de azar. A Monte Carlo aprofundou as investigações sobre a rede de negócios do “empresário” Cachoeira.

“O Supremo Tribunal Federal decidiu que as CPIs podem fazer as investigações nesses casos, independentemente de espaço temporal”, disse o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).

O PT, por sua vez, pretende utilizar o espaço da CPI para punir algozes do governo Lula, em especial o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), cuja relação de proximidade com o contraventor Cachoeira ficou clara em diálogos flagrados pela Polícia Federal. Demóstenes foi um parlamentar extremamente atuante, sobretudo na CPI dos Correios, que se debruçou sobre o episódio do mensalão no governo Lula. O Supremo vai julgar, provavelmente neste ano, os 38 réus do caso mensalão.

A amplitude das investigações também alcançaria em cheio figuras tarimbadas da oposição, como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), alvo do PT na CPI. Perillo já admitiu ter um relacionamento pessoal com Cachoeira e disse que todos os políticos de Goiás tinham ligações com o contraventor pelo fato de ele ser um empresário.

A janela de oportunidade aberta pela própria base governista para a oposição vasculhar malfeitos no governo do ex-presidente Lula e até mesmo da presidente Dilma Rousseff já preocupa o Palácio do Planalto.

O texto da CPI negociado nesta quinta-feira, 12, prevê que poderão ser investigados “agentes públicos e privados” ligados ao esquema de Cachoeira. Ou seja, elos do contraventor com administrações públicas, como as de Goiás e do Distrito Federal, que já vieram à tona, serão explorados. O Estado publicou nesta quinta reportagem mostrando que os grampos indicam a rede de influência da construtora Delta no governo do DF, administrado pelo petista Agnelo Queiroz, negociada por aliados de Cachoeira.

via CPI vira ‘vale tudo’ e pode ressuscitar caso Waldomiro, caixa 2 e mensalão – politica – politica – Estadão.

Comentários

  • Anônimos

    14/04/2012 #1 Author

    Defina o conceito de mensalão! Nao adianta a imprensa espernear como a Veja que esta desesperada porque seu dono terá de prestar esclarecimentos ao povo brasileiro no congresso. O que sempre existiu e ainda deve existir hoje e o caixa 2 de camapnha. Mas cade que a velha imprensa discute financiamento publico!? Deve haver alguma razão nada republicana para isso.

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    • Fábio Pannunzio

      14/04/2012 #2 Author

      mensalão – mesada paga a título de suborno a parlamentares para apoiar o governo.

    • Anônimos

      14/04/2012 #3 Author

      1) mensalão na forma como vc quer dizer seria pagamento mensal, nao foi o que houve, leia toda a peça. Nao existiu este pagamento paroquial como vc defende.

      2) parlamentares apóiam governo em troca de tudo, cargos, diretorias. Ou seja, pagamento de tudo quanto e forma. Nao seja moralista. O que voce achou da emenda da reeleição? Golpe. Porque o que ocorreu foi a mesma “mesada paga a título de suborno a parlamentares para apoiar o governo”, portanto, nada diferente. A diferença e que era do PSDB, partido o qual o senhor tem inclinação ou predileção,, legitima, alias, porque nao existe jornal ou jornalista isento. E do jogo, e da vida!

    • Fábio Pannunzio

      14/04/2012 #4 Author

      O que houve foi roubalheira, corrupção e compra de consciências. Ninguém de boa índole é capaz de negar as evidências. Ou Marcos Valério foi uma invenção da imprensa golpista ? Ou as malas de dinheiro, os serviços não prestados na área da publicidade oficial, as mentiras do Delúbio, a cassação do mandato do zé Dirceu nunca existiram ?

    • Anônimos

      15/04/2012 #5 Author

      Tudo isto existiu, sim, e digo mais! Um personagem que vcs nao citam, nao sei se por medo, é o Daniel Dantas, Azeredo e Marconi Perilo! Sim tudo isso tem de ser condenado como crime eleitoral! Comprar consciência me parece se ingênuo demais! Diria o mesmo do que se faz no governo de SP, que compra milhares de revistas e em contrapartida estas nao falsem critica nenhuma? Sera que nao existe nenhum ato de corrupção em SP? Siemens, Auston? Presidente do metro afastado por condenação transitava em julgado! Va dentro das grandes empresas nas áreas de compras e vc Vera que o mesmo esquema se repete! Brindes, formação de grupos que pagam “bola” para prestarem o serviço. Super-faturamento etc…

  • Junior

    13/04/2012 #6 Author

    Será que vira vale tudo ou será que vão tentar “abafar” o Mensalão???
    Acho incrível(no mau sentido!) ninguém se envergonhar ou se horrorizar com o que ocorre em todas as esferas dos Governos.
    De que adianta ser a 6ª economia do mundo e ser a escória no que diz respeito a justiça e governos sem corrupção?
    Triste, não é?

    Obs.: Tá na hora de abrir um twitter! Ou vc já tem um???

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