A decisão de não submeter o paciente Marcelo Dino a sessões de fisioterapia respiratória prescritas pela médica-intensivista Ana Karine Lima foi dos fisioterapeutas João...

A decisão de não submeter o paciente Marcelo Dino a sessões de fisioterapia respiratória prescritas pela médica-intensivista Ana Karine Lima foi dos fisioterapeutas João Augusto Luna, Fátima Pacheco e Élter Fabrício.  Internado no dia 13 passado, Marcelo, que iria completar 14 anos na semana seguinte, morreu vitimado por uma crise aguda de asma na UTI do Hospital Santa Lúcia , de Brasília, no começo da manhã seguinte, 14 de março.

Os nomes dos fisioterapeutas foram fornecidos ao Blog do Pannunzio pelo Diretor-Clínico do hospital,  Dr. Cícero Henrique Dantas. Segundo ele, o paciente foi auscultado e os resultados do exame clínico indicaram  que a fisioterapia deveria ser aplicada apenas quando o quadro agudo fosse debelado, assim que ele deixasse a UTI. A ausculta teria sido feita por Flávia Pacheco, que discutiu o caso com os dois outros colegas de plantão na madrugada que antecedeu a morte de Marcelo. Os três teriam concluído, então, pela suspensão temporária do tratamento indicado.

De acordo com o Diretor-Clínico do Santa Lúcia, a decisão de adiar o procedimento foi tomada porque “poderia desencadear ou agravar a crise”. A supressão do tratamento, cuja prescrição consta do prontuário do paciente, não foi documentada. Segundo o médico Cícero Henrique Dantas, anotações no prontuário são feitas apenas quando há prescrições, e não quando elas são suspensas.

O Diretor-Clínico do Santa Lúcia contestou opinião do médico pneumologista  Rodrigo Afonso da Silva Sardenberg que, em entrevista ao Blog do Pannunzio, afirmou que “ninguém morre de asma dentro da UTI de um hospital”. Sardemberg é um dos mais renomados especialistas brasileiros no assunto.

Na contradita, o diretor do Santa Lúcia afirma que “no Brasil, são cerca de três mil mortes por ano — 6 ou 7 mortes por dia — em decorrência da asma. Em 2011, o DF registrou 17 mortes . Quatro a cinco mil por ano casos de morte por asma nos EUA. Nos EUA,  há 11 casos por dia”. Os dados, que encontram amparo nas estatísticas  do DATASUS,  não discriminam mortes ocorridas dentro e fora do ambiente hospitalar.

Outro grande especialista, Augusto Hasiak Santo, professor livre-docente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, assegura que mortes por asma são “evitáveis” e devem ser atribuídas ao manejo dos pacientes em artigo intitulado Mortalidade relacionada à asma, Brasil, 2000: um estudo usando causas múltiplas de morte.

Segundo ele, “a maioria das mortes relacionadas à asma resulta de exacerbações agudas e essas mortes são consideradas evitáveis. Essas mortes provocam questões sobre os efeitos do manejo médico e sobre a prevalência e gravidade da asma. A ocorrência dessas mortes é motivo de preocupação pois se constituem em medida de falhas durante a assistência prestada aos doentes. Desse modo, as mortes relacionadas à asma são consideradas eventos-sentinela”.

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