Pela segunda vez consecutiva, a Caixa Econômica Federal anunciou uma redução nas taxas de juros de algumas modalidades de financiamento — crédito pessoal, consignado...

Pela segunda vez consecutiva, a Caixa Econômica Federal anunciou uma redução nas taxas de juros de algumas modalidades de financiamento — crédito pessoal, consignado e financiamento de veículos. Na próxima semana, grandes bancos de varejo privados passam a oferecer também taxas mais favoráveis em algumas linhas, reduindo os spreads, que estão entre os maiores do mundo.

A adesão da banca privada à nova realidade imposta pelos banco públicos teve o condão de desautorizar a posição da FEBRABAN, que duas semanas atrás apresentou ao governo um conjunto de 20 propostas para reduzir o custo do dinheiro sem mexer na exorbitante lucratividade dos bancos.

Até aqui, a Federação dos Bancos vinha insistindo que os spreads brasileiros são altos em função da indimplência e dos tributos. Andrew Storfer, um dos diretores da Associação Nacional dos Executivos Financeiros (ANEFAC), diverge: “a inadimplência no Brasil segue os padrões dos Estados Unidos e da Europa. O mesmo acontece com os tributos”, afirma ele.

Na contabilidade da ANEFAC, o principal elemento conformador dos spreads são os lucros dos bancos. “Historiamente, eles correspondem a um terço do que o cliente paga para tomar dinheiro emprestado”, disse Storfer ao Blog do Pannunzio.

Segundo o diretor da ANEFAC, 0 alcance e o impacto das medidas concorrenciais induzidas pelo governo por intermédio do Banco do Brasil e da CEF ainda não serão sentidos imediatamente pela população. “Vai se beneficiar quem conseguir refinanciar contratos vigentes por outros com taxas menores”, diz Andrew Storfer.

Para quem está endividado, a orientação é procurar o mais rápido possível o gerente de sua conta e propor uma renegociação. Se o banco se recusar, há duas alternativas: fazer um empréstimo em outra instituição financeira e quitar a dívida, reduzindo o valor das prestações; e ainda levar a conta, com os empréstimos a ela vinculados, para outro banco.

O Professor Amir Khair, da FGV, diz que o comportamento ativo do consumidor é que vai definir a dinâmica do processo que se inicia agora. Segundo ele, as instituições financeiras vão fazer o possível para evitar a perda e dispersão de clientes na nova realidade de efetiva concorrência.

Khair afirma que a economia brasileira vai ser positivamente impactada pela medida. “O que importa para a economia real é quanto o tomado paga pelo dinheiro, e não o patamar da taxa Selic”, diz ele. O Professor da FGV entende que os juros abusivos cobrados pelos bancos privados têm funcionado como um torniquete, asfixiando a economia e impedindo o crescimento do PIB. Amir Kahir, que está otimista, prevê que o governo logo terá que atuar também na redução das tarifas bacárias.

Assista acima o vídeo da entrevista que o professor concedeu ao Blog na manhã desta sexta-feira.

Comentários

  • Vivi

    22/04/2012 #1 Author

    E pensar que FHC e Serra queriam vender o BB e a CEF, hein?

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    • Airton

      23/04/2012 #2 Author

      Vivi , e se pensar que uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade .

      PS . que tal ver quanto era o juros dessas modalidades de empréstimos antes e depois e e que condições eles foram reduzidos , principalmente o consignado .

  • Mauro V Santos

    20/04/2012 #3 Author

    É ilusão. Pode contribuir para o custo de empréstimo. O PIB ten relação direta com a produção de bens e comércio. Mas o governo não cogita sobre a redução de impostos para aumentar o PIB, a produção e o comércio, fica na política bancária especulando com os juros e com as moedas. Enquanto persistir a política bancária especulativa o PIB crescerá pouco.

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