CATIA SEABRA, da Folha de são Paulo Andressa Mendonça, de 30 anos, deixou na terça a penitenciária da Papuda, em Brasília, com um recado...

CATIA SEABRA, da Folha de são Paulo

Andressa Mendonça, de 30 anos, deixou na terça a penitenciária da Papuda, em Brasília, com um recado do marido, o empresário Carlinhos Cachoeira, 49.

“Revoltado” e declarando-se “um preso político”, Cachoeira não descarta prestar um depoimento bombástico à CPI de que é alvo no Congresso.

“Ele reflete muito. Como toda pessoa que está presa, longe dos seus, pensa uma coisa e, depois, pensa outra. Difícil saber o que vai acontecer. Ele não tomou uma decisão”, afirma.

Preso desde 29 de fevereiro, Cachoeira diz que fizeram dele um “bode expiatório” e reclama de ser renegado por antigos aliados.

A prisão frustrou os planos do casal, que noivaria no dia 14 de março, data do aniversário dela. Na terça, para a visita a Cachoeira, com quem vive há 9 meses, ela colocou a espessa aliança de brilhantes reservada para o noivado na mão esquerda. “Foi para mostrar minha lealdade.”

No dia seguinte, quarta-feira, falou à Folha.

 

Folha – A senhora visitou o Cachoeira na Papuda. Ele emagreceu, perdeu…
Andressa Mendonça – Quinze quilos. Ele já ganhou peso. A cabeça dele está muito bem. As ideias estão se organizando. Mais tranquilo, menos ansioso. O isolamento de Mossoró [RN, onde estava antes] fazia-lhe muito mal.

Ele come segundo a dieta da Papuda ou pode-se levar outro tipo de alimento?
Ele não tem tratamento VIP. Posso levar 10 frutas semanais e um quilo de cream cracker.

O que ele faz durante o dia?
Conversa, lê bastante. Lê o Código Penal, a Bíblia, e lê o inquérito. Sempre levo tudo para que tenha noção do que a defesa está apresentando.

Ele acompanha as notícias?
Lê. Lá em Mossoró, “Veja”, “IstoÉ”, “Época”…Tudo.

O que a senhora sente ao ver o marido retratado como o líder de quadrilha?
Revolta e tristeza. Julgam o Carlinhos por isso ou por aquilo. Mas a pessoa que eu conheço não é essa. O Carlinhos que eu conheço faz caridade, doa caminhão de macarrão para creche, doa caminhão de brinquedo. É humano, comprometido e responsável.

O que diz sobre essa acusação de exploração de jogo ilegal?
Acredito que ele é inocente, que vai ter oportunidade de falar e se defender. Ele se considera um preso político. Fica revoltado. Falou várias vezes que, após a ditadura, ele é um preso político. Que a [Operação] Monte Carlo tomou um rumo muito mais político do que a operação em si.

Mas qual é a lógica? Ele acha que é uma perseguição governamental?
Acha que fizeram ele de bode expiatório. Fiquei muito chateada quando um senador, acho que Pedro Simon [PMDB-RS], disse que ele é o futuro PC [Farias]. Pegaram o Carlinhos, julgaram, condenaram e agora querem matar.

Por que bode expiatório?
Ele não me fala em nomes. Mas, como tomou um rumo político, ele se sente assim. Fica com muito medo, talvez por ter sido levado a um presídio de segurança máxima. Ele é réu primário, não é um homicida, não cometeu crime hediondo.

Quando ‘casou’, a senhora foi avisada dos riscos, do jogo?
Dizer isso seria afirmar uma contravenção. Posso dizer que fui avisada que ele estava batalhando pela regulamentação dos jogos. Lá fora, Carlinhos seria considerado um grande empresário. Aqui, é contraventor. Na Copa, milhares de estrangeiros vêm ao Brasil. Onde irão se divertir? Ele está batalhando. Ninguém quer ficar na informalidade. Ele também não.

Há uma grande expectativa em relação ao depoimento dele na CPI. Afinal, será uma bomba ou não vai falar nada?
Ele reflete muito. Como toda pessoa que está presa, longe dos seus, pensa uma coisa e, depois, pensa outra. Difícil saber o que vai acontecer. Ele não tomou uma decisão.

Então, não dá para garantir que ele será moderado, nem…
Não.

Verdade que ele gravava todas as conversas?
Não sei te responder. Como estou “casada” há pouco, nunca falamos sobre isso.

No calor do processo, muitos negam laços com Cachoeira…
Isso é cômico. Não entendo. O Carlinhos tem tantos amigos de todos os níveis sociais. Não vejo problema em dizer que o conheciam.

Tinham vida social ativa, frequentavam muitas festas?
Frequentávamos. A gente gostava de sair. Um casal jovem. Estávamos numa fase tipo “namorido”, aquele negócio gostoso, vamos tomar vinho. Ele é extremamente romântico. A gente badalava, saía, dançava.

As gravações mostram Cachoeira em operações de compra de mansão em Miami, avião, helicóptero. Qual era o padrão de vida de vocês?
O Carlinhos teve uma casa em Miami, não uma mansão, com a [ex] mulher. Ele não tem helicóptero nem avião, como sugerem as investigações. Eu queria mesmo que ele tivesse um transatlântico.

Ele tem fazendas. Como você definiria o padrão de vida?
Padrão de vida confortável. Nada de ostentar. Carlinhos é um homem de hábitos muito simples.

O que explica ela ser alvo de duas CPIs?
Carlinhos é um homem muito invejado. As pessoas têm muita curiosidade na vida dele. Especula-se muito.

Ele tinha esse trânsito todo no mundo político como se fala?
Não sei te responder. O Carlinhos é um estudioso de política. Conhece política não só do Brasil como no mundo todo. Ele acorda cedo e às 7h já deve ter lido todos os jornais. É uma pessoa extremamente informada.

Tem falado com Demóstenes?
Falei com ele antes, agora ele está cuidando da defesa dele.

É verdade que o Carlinhos é dono de um laboratório?
Tem um laboratório em Anápolis, que é da [ex] esposa dele. Se ele é dono ou não é dono… O laboratório existe. Está lá. Se é do Carlos, ou se é dela, de quem é, não sei.

Tem muita propriedade no nome dela.
Imagino que batalharam como casal. E ele preferiu deixar as coisas com ela para blindar o patrimônio dos filhos. Não sei as razões dele. Importante falar que o Carlinhos operou os jogos por quase dez anos legalmente.

E a acusação de operação de máquina de caça-níquel?
Como não trabalho com ele, saio cedo e ele vai para a Anápolis, não sei falar.

Ele tem atividade formal ou é só jogo?
Claro que tem.

Qual?
Tenho que buscar. Mas creio que o laboratório, talvez.

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