O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu ontem críticas sobre sua atuação na investigação do suposto esquema do empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira...

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu ontem críticas sobre sua atuação na investigação do suposto esquema do empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira e recusou convite para depor na CPI que investiga o caso no Congresso.

Gurgel informou, por meio de sua assessoria, que o Ministério Público investiga “quem quer que seja” e que só pediu providências ao STF (Supremo Tribunal Federal) ao receber indicações do envolvimento de pessoas com direito a foro privilegiado.

Isso teria ocorrido no dia 9 de março, com a entrega de material da Operação Monte Carlo pela Justiça Federal de Goiás. A operação prendeu o empresário e apontou envolvimento de pessoas com foro privilegiado, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Segundo o procurador-geral, as relações de Cachoeira são investigadas desde 2009, pela Operação Vegas, mas há dois meses ainda não havia necessidade de investigar pessoas com foro.

“[Gurgel] Optou por sobrestar o caso, como estratégia para evitar que fossem reveladas outras investigações relativas a pessoas não detentoras de prerrogativa de foro, inviabilizando seu prosseguimento, que viria a ser formalizado na Operação Monte Carlo”, disse nota divulgada pela assessoria da Procuradoria-Geral da República.

Alguns parlamentares acusam Gurgel de ter sido negligente com o caso e apresentaram requerimento à CPI do Cachoeira para que ele seja ouvido.

Ontem, o presidente da comissão, senador Vital do Rego (PMDB-PB), e o relator, Odair Cunha (PT-MG), convidaram Gurgel a falar com a comissão sobre o caso, sem precisar ser convidado ou convocado.

O procurador negou o pedido e justificou que sua participação poderia “futuramente torná-lo impedido para atuar nos inquéritos em curso e ações penais subsequentes”.

Gurgel prometeu um canal de diálogo com os parlamentares e explicou que as investigações não estão concluídas. Vital, no entanto, disse que a presença do procurador não está descartada.

“Quando o requerimento for a voto, ele será deliberado, e nós seremos intérpretes deste pedido”, afirmou.

A CPI vai pedir ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) que libere os delegados envolvidos nas investigações para depor sobre o caso.

(MÁRCIO FALCÃO)

via Folha de S.Paulo – Poder – Procurador rebate críticas e afirma que não vai a CPI – 03/05/2012.

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