Eleito novo líder da França, o socialista François Hollande fez do seu rival conservador Nicolas Sarkozy o primeiro presidente a não conseguir se reeleger...

Eleito novo líder da França, o socialista François Hollande fez do seu rival conservador Nicolas Sarkozy o primeiro presidente a não conseguir se reeleger no país em três décadas — algo que não ocorria desde a derrota de Valéry Giscard d’Estaing, em 1981 —, e prometeu se empenhar por uma nova política de crescimento para uma Europa em crise orientada por rigorosas políticas de austeridade.

— O 6 de maio deve ser uma grande data para o nosso país, um novo começo para a Europa, uma nova esperança para o mundo — discursou em Tulle, na região da Corrèze, onde votou. —Tenho certeza de que em muitos países europeus foi um alívio, a ideia de que, enfim, a austeridade não podia mais ser uma fatalidade — disse, ao acrescentar ser favorável a uma “reorientação da Europa para o emprego e o futuro”.
Sua proposta por um novo “pacto de crescimento” europeu será prontamente apresentada aos principais líderes do continente.
— É isto que direi o mais cedo possível a nossos parceiros europeus e, antes de tudo, à Alemanha, em nome da amizade que nos une e da responsabilidade que nos é comum — garantiu, antes de embarcar num avião para participar da festa socialista organizada na Praça da Bastilha, símbolo na Revolução Francesa de 1789 e palco de celebração da histórica vitória de François Mitterrand, em maio de 1981.
Neste domingo à noite, Hollande recebeu um telefonema de felicitação da chanceler alemã, Angela Merkel, e também um convite para uma visita oficial a Berlim. Durante a campanha, a líder da principal potência europeia havia manifestado sua preferência pela reeleição de Sarkozy e reafirmado sua rejeição da renegociação do pacto de austeridade europeu proposta pelo candidato socialista.
Após 17 anos de presidentes de direita no poder, os eleitores de esquerda e anti-Sarkozy despacharam o atual titular do Palácio do Eliseu — o 16º governo europeu a cair devido à crise — e colocaram em seu lugar, pelos próximos cinco anos, o candidato do Partido Socialista (PS), com uma votação de 51,6% contra 48,3% e um índice de abstenção de 18,6%. A vitória confere um amplo poder à esquerda no país que, além da Presidência, também controla o Senado, os departamentos e as regiões — com exceção da Alsácia —, e as prefeituras das principais cidades. Terminada a eleição, começam as campanhas pelo importante pleito legislativo, agendado para junho.

O presidente eleito se comprometeu a governar com humildade pela união do país:
— Eu serei o presidente de todos. Esta noite não há duas Franças, há uma única nação unida em torno de um mesmo destino. Cada um será tratado pelos mesmos direitos e deveres. Muitas rupturas separaram nossos cidadãos. Isso acabou — exclamou.

via ‘A austeridade não é uma fatalidade’, diz Hollande após eleito – O Globo.

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