O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que deve abrir um inquérito para examinar as relações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB),...

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que deve abrir um inquérito para examinar as relações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Investigações da Polícia Federal sobre os negócios de Cachoeira sugerem que o empresário mantinha pessoas de sua confiança em postos-chave do governo goiano para defender seus interesses.

Escutas telefônicas feitas pela polícia sugerem que operadores de Cachoeira levaram dinheiro para a sede do governo de Goiás em duas ocasiões no ano passado.

O próprio Perillo pediu há duas semanas para ser investigado pelo procurador. O tucano diz que seu relacionamento com Cachoeira é superficial e nega ter recebido dinheiro do empresário.

A abertura do inquérito transformará Perillo no segundo governador a ser investigado pela procuradoria por suas ligações com Cachoeira, depois do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

Sobre esse, Gurgel disse que “outros fatos podem gerar novos inquéritos”.

Em relação a Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio, o procurador afirmou que pedirá informações preliminares a órgãos de controle e ao Ministério Público Federal sobre contratos do Estado com a empreiteira Delta, suspeita de ter se associado ao grupo de Cachoeira.

A apuração sobre Cabral, que aparece em fotos e vídeos com o dono da construtora, ainda está em fase preliminar e não há por ora “iniciativa de instauração de inquérito”, disse Gurgel.

A CPI criada pelo Congresso para examinar as relações de Cachoeira com políticos e empresários ainda não decidiu se também investigará os três governadores.

A oposição quer colocar em votação juntos os requerimentos que pedem a convocação de Perillo, Agnelo e Cabral, para evitar que somente o tucano Perillo seja chamado a se explicar.

Controlada por aliados do Palácio do Planalto, a cúpula da CPI é contra a ideia. Com 25 votos contra os 7 da oposição na CPI, o governo tem força para aprovar o que quiser.

“Sou contra porque são posições jurídicas completamente diferentes [para cada governador]”, disse o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

O advogado de Cachoeira, o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, pediu ontem à CPI para adiar a data do depoimento do empresário, marcado para o dia 15.

Antes do depoimento, Bastos quer ter acesso à integra das investigações da Polícia Federal contra seu cliente remetidas à comissão.

O advogado indicou que Cachoeira poderá ficar calado na CPI se a defesa não receber cópia do material.

A CPI deve se reunir hoje em sessão secreta para ouvir o delegado responsável pela Operação Vegas, uma das que investigou Cachoeira.

via Folha de S.Paulo – Poder – Governador tucano será alvo de inquérito da Procuradoria – 08/05/2012.

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