Fernando Rodrigues Às vésperas da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, no próximo dia 16, a CPI do Cachoeira protagonizou ontem...

Fernando Rodrigues

Às vésperas da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, no próximo dia 16, a CPI do Cachoeira protagonizou ontem uma cena que se encaixaria à perfeição num filme do grupo de humor britânico Monty Python: uma sessão secreta sic na qual estavam presentes cerca de 50 pessoas, entre congressistas e servidores.Em regra, não deve haver segredo no Congresso. É a “Casa do Povo”. Na prática, querer manter em sigilo uma reunião com 50 participantes é tarefa inglória, patética ou as duas coisas juntas. Em CPIs anteriores era comum um deputado ou um senador deixar seu celular ligado e captando tudo para repórteres que ficavam do lado de fora.Ontem, no início da sessão dita secreta, houve uma tentativa de obrigar todos os presentes a deixar seus celulares do lado de fora da sala. A exigência não vingou.O depoente foi o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Souza. Ele comandou a chamada Operação Vegas, que precedeu e deu origem à Operação Monte Carlo. Ambas desvendaram o esquema de negócios comandado por Carlos Cachoeira, raiz da CPI.Antes de serem entregues ao Congresso, documentos dessas operações vazaram copiosamente para a mídia. O delegado Raul, por dever de ofício, já colocou tudo o que sabe em seu relatório. A CPI tem acesso a esses documentos -bem como qualquer cidadão com alguma habilidade em navegar pela internet.Nada além de uma obsessão patológica pelo sigilo justifica o depoimento secreto de ontem. Da mesma forma, é ilógico impedir cada integrante da CPI de ter uma cópia da documentação sobre o escândalo. Só assim todos teriam como formar convicção sobre o que se passou.Ao perder tempo sendo bedel de deputados e de senadores, o comando da CPI desacelera o ritmo da investigação. Por tabela, ajuda quem deveria ser punido com rapidez.

via Folha de S.Paulo – Opinião – O segredo como patologia – 09/05/2012.

Comentários

  • Soledad

    11/05/2012 #1 Author

    O pior desse sigilo idiota é que o eleitor-contribuinte é o prejudicado, porque além de não saber da fonte, ele tem que se sujeitar a ouvir a versão de um membro da comissão.
    A mentira é tão comum a essa gente que o Relator alegou que o sigilo era necessário para não dar armas para a defesa do senador e bicheiro. Só que os advogados deles estavam presente ao depoimento.
    O que eles não querem é que estes podres sejam dito pela TV ao vivo.
    Nossa! Isso tudo para tentar melar o julgamento do mensalão. Gente ordinária!

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