O delegado Raul Souza respondeu ontem a questionamentos de petistas e do senador Fernando Collor (PTB-AL) sobre a relação de Carlinhos Cachoeira e a...

O delegado Raul Souza respondeu ontem a questionamentos de petistas e do senador Fernando Collor (PTB-AL) sobre a relação de Carlinhos Cachoeira e a mídia.

Questionado se havia “matérias encomendadas” por Cachoeira na revista “Veja”, o delegado disse que há várias conversas entre o empresário e o diretor da publicação em Brasília, Policarpo Júnior, mas que elas denotam apenas relação entre repórter e fonte.

Souza também citou grampo na qual Cachoeira diz que vai entregar uma gravação provando compra de votos numa cidade de Goiás à Rede Globo, sem outra referência sobre o que ocorreu.

Por fim, o delegado relatou que há conversas em que Cachoeira cita pagamentos a dois jornais de Goiás, o “Opção” e o “Diário da Manhã”, mas não fica claro do que se trata.

Um jornalista da segunda publicação, disse o empresário, estaria em sua folha de pagamento. O delegado disse não saber a veracidade do relato. Os dois jornais, procurados, não responderam.

Setores do PT têm como estratégia a tentativa de desqualificar órgãos de imprensa às vésperas do julgamento do mensalão. Já Collor, que sofreu impeachment em 92 após reportagens que alimentaram uma CPI, tem feitos seguidos ataques à imprensa.

via Folha de S.Paulo – Poder – Relação da mídia com Cachoeira é alvo de perguntas – 09/05/2012.

Comentários

  • Jotavê

    10/05/2012 #1 Author

    O bicheiro era só uma fonte do jornalista. Ninguém duvida disso. Ninguém está supondo que Policarpo Jr. fosse membro da quadrilha, ou recebesse dinheiro de Carlinhos Cachoeira. A suspeita é outra. Vamos recorrer a uma analogia.
    Suponha que você tem um informante dentro de um morro carioca, que lhe conta tudo a respeito de uma quadrilha rival – inclusive a respeito das ligações desta quadrilha com um grupo político. Com base nas informações e provas de seu informante, você publica uma série de reportagens denunciando o esquema.
    Suponha, no entanto, que você SAIBA que seus informantes não são menos criminosos do que aqueles que você está denunciando, e que eles TAMBÉM estão envolvidos com políticos. Você pode optar por ficar em silêncio para não perder a sua fonte. É uma opção que me parece eticamente inaceitável, mas acho que muitos jornalistas, nessa situação, optariam por manter aberto o canal de comunicação com a quadrilha.
    A coisa muda completamente de figura, porém, se o jornal ou revista para o qual você trabalha passa a promover sistematicamente o PRINCIPAL político associado à quadrilha de seus informantes. Aí, eu acho que não tem negócio. Isso está errado, e pronto. Não há “consideração pragmática” que salve uma atitude como essa.
    Até onde é possível perceber, foi exatamente ISSO que a revista Veja fez. Está errado.

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  • Alex

    10/05/2012 #2 Author

    Concordo totalmente que a Veja seja hj um veiculo de jornalismo unilateral, na verdade a revista virou um partido politico , o Partido Anti PT, seja lá o que faça o governo. ( a revista teve o desplante de, anos atrás, na mesma edição, dizer que o Lula-lá tinha grana no exterior mas não tinha como comprovar isso hahaha )

    Daí a achar que o Policarpo cometeu algum crime (pelo q se sabe até agora) vai uma caminhão de diferença.

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    • Marcelo G

      11/05/2012 #3 Author

      Vc leu a entrevista da Dilma na Veja?? Ela é do PT não? Por que deu uma entrevista para a tal revista unilateral anti-PT?? Aliás, como anti-PT que sou, achei a entrevista light demais.
      Além disso, a Veja denunciou os ministros todos, que Dilma, em parte demitiu e colheu só bons dividendos políticos disso. Gostaria muito de ter visto a Veja falar o óbvio: como uma presidente tem em seu primeiro escalão uma quantidade tão grande de figuras desse tipo que ela mesma escolheu?? A revista sempre a poupou dessa pergunta óbvia.

  • Roberto Tavares

    09/05/2012 #4 Author

    Leia essa:
    “O editorial do Globo tem razão ao contestar o artigo de Carta Capital em defesa do dono do grupo Abril: Roberto Civita certamente não é Rupert Murdoch.

    Rupert Murdoch criou um império de comunicação a partir de um jornal provinciano da Austrália. Roberto Civita está desmoralizando o império construído por seu pai, Victor Civita.

    Segundo o 247, o primeiro noticioso desenvolvido no Brasil para aparelhos móveis, o presidente do grupo Abril, Fábio Barbosa, estaria se preparando para deixar a empresa (ver em http://www.minas247.com.br).

    O motivo seria exatamente o envolvimento da revista Veja com o bicheiro Cachoeira e certas práticas que ele condena.

    Saudado em agosto do ano passado como um choque de ética na empresa, Barbosa, que se destacou como presidente do Banco Real e teve rápida passagem pelo Santander, teria constatado que havia assumido uma missão impossível.

    Que o grupo Abril tenha optado pelo suicídio ao permitir que sua principal publicação jornalística afundasse no jornalismo unilateral seria apenas uma opção de negócio.

    Mas a situação se torna mais interessante quando outros grupos de comunicação, ignorando seu dever de investigar as suspeitas de relações privilegiadas entre Veja e o bicheiro, tomam partido antes de iniciada a investigação.

    O que já não se pode negar é que o jornalismo declaratório e alimentado por vazamentos de informações acabou envolvido e manipulado por um bicheiro de quinta categoria.

    É o fundo do poço, ou ainda há mais a ser escavado?”

    Por Luciano Martins Costa em 09/05/2012 no programa nº 1801 http://www.observatoriodaimprensa.com.br

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