Carlos Brickmann, no Blog do Noblat Grupos empresariais e jornalistas que se intitulam progressistas vislumbram na CPI uma oportunidade de atingir a revista Veja...

Carlos Brickmann, no Blog do Noblat

Grupos empresariais e jornalistas que se intitulam progressistas vislumbram na CPI uma oportunidade de atingir a revista Veja e seu diretor de Redação em Brasília, Policarpo Jr.

O motivo é curioso: nas gravações dos telefonemas de Carlinhos Cachoeira, o bicheiro afirma que foi o fornecedor de várias notícias divulgadas por Policarpo. Mas afirma também que Policarpo não é gente sua: só publica o que confirma e acha que vale a pena.

O ex-ministro José Dirceu tem dito que frases desse tipo indicam que Policarpo Jr. e a Veja têm relações com o crime organizado. “Jornalistas progressistas”, seja lá isso o que for, afirmam que a Folha de S.Paulo e O Globo blindam a Veja nas investigações.

Besteira: se algum jornalista ou alguma empresa tem relações com o crime organizado, o caminho não é esse. Jornalista se relaciona com todo tipo de gente para obter informações; e esse relacionamento só é incorreto se envolver subordinação à fonte (e, no caso, é incorreto mesmo que a fonte seja um Prêmio Nobel) ou o recebimento de favores, presentes ou pagamentos.

Quem quiser informações de bandidos, para elaborar o noticiário, tem de relacionar-se com bandidos. Não é o caso de um promotor, ou de um juiz, cujos contatos precisam ser cuidadosamente selecionados, e que podem perfeitamente encontrar-se com autores de malfeitos na sala do tribunal.

Personalizando, Policarpo Jr. pode, sem problemas, ter relacionamento com Carlinhos Cachoeira; já Demóstenes Torres não podia. Aliás, há mais gente que não deveria relacionar-se com empresários zoológicos e o fez. Se a CPI correr solta, se a Polícia Federal abrir de vez o inquérito, o Brasil vai ferver.

A propósito, este colunista não acredita que o Brasil vá ferver.

via O repórter e o promotor, por Carlos Brickmann – Ricardo Noblat: O Globo.

Comentários

  • Jotavê

    10/05/2012 #1 Author

    Penso exatamente como o Bruno Amaro. Todos os outros órgãos de imprensa do Brasil podiam não saber quem era o senador Demóstenes Torres e a quem ele estava associado. A revista Veja, não. Tinha contato frequente com a quadrilha de Cachoeira – um contato que se estendeu por ANOS. Não estamos falando de um repórter que chega, faz uma entrevista, ou pega uma informação e vai embora. Estamos falando de um dos mais experientes jornalistas do Brasil, chefe da sucursal em Brasília da revista de maior circulação no país. Estamos falando numa parceria de ANOS, com a quadrilha de Cachoeira repassando informações, documentos e gravações à revista. Repito: quando o Globo, a Folha, o Estado enalteciam Demóstenes Torres, estavam sendo enganados por ele, como todos nós também fomos. A revista Veja, no entanto, nos deve explicações. Como é que, tendo por informantes os membros da quadrilha à qual Demóstenes Torres estava ligado, não sabia das relações entre o senador e o bicheiro?

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    • Bruno Amaro

      10/05/2012 #2 Author

      É isso Jotavê, não tem como a Veja fugir desta. O que eu gostaria de ver nos jornalistas em quem confio, acho que procuram fazer um jornalismo sério, não é ser governista, petista ou tucano, é ter comprimisso com a verdade.
      Se o Pannunzio considera o que chama de BESTA como um anti-jornalismo, ok. Mas não pode por esse fato fugir ao debate sobre os fatos.
      Se ele quer falar sobre a relação Veja-Cachoeira e defender como apenas relação fonte-veículo, é uma linha que eu acredito ser a correta, mas a Revista tem que explicar a construção da imagem do Senador Catão da república.

    • Jotavê

      10/05/2012 #3 Author

      Perfeito. Pessoas de bom senso estão com o saco na Lua com essa guerrinha entre “petistas” e “tucanos”, a turma do Nassif contra a turma do Reinaldo. Queremos bom jornalismo. Só isso. Para ser bom, o jornalismo não pode ser partidário. Quando se partidariza, vira publicidade e, propaganda por propaganda, prefiro a do sabonete Lux. Nós, leitores, temos que lutar por pluralidade e isenção. É isso que nos interessa. É isso que temos que exigir da imprensa.

    • Marcelo G

      11/05/2012 #4 Author

      Que tal, então, vcs exigirem o mesmo da Carta Capital ou da Record, só por exercício? Vamos abrir esse debate e depois voltamos à Veja?

    • Marcelo G

      11/05/2012 #5 Author

      Coloco isso pois entendo que estão defendendo um apartidarismo dos órgãos de imprensa, certo? Eu não concordo, mas vamos lá…..
      Toda a tese de crítica feroz à Veja está baseada na suposição de que a revista “não tinha como não saber do Demóstenes”??

  • Alex

    10/05/2012 #6 Author

    Bruno Amaro, creio que quase todos os jornalistas brasileiros de mais de 60 anos já formam ‘governistas’. Ou eram governistas ou não trabalhavam ou seriam presos. Poucos escolheram essa opção em nome de suas convicções.

    Ou vc não tem acompanhado os posts do Pannunzio sobre a Veja da ditadura? ( os outros grandes órgãos de informação eram iguaizinhos. )

    Qto ao engano do Demóstenes, o Pannunzio já disse em outro post que o Demóstenes também enganou a ele proprio, ora.

    O problema com a Veja não é de agora, vem desde o caso Daniel Dantas e até antes, consulte ‘O Caso Veja”, do Nassif , a quem considero um jornalista de bom nivel como o Pannunzio.

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  • Flavio F Farias

    09/05/2012 #7 Author

    eu insisto, Pannunzio, que ou vocês fazem uma leitura correta do que representa a BLOGPROG ou não vão entender nada. Claro, isto considerando que não estão agindo de má fé.

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    • Marcelo G

      11/05/2012 #8 Author

      Imagino que “leitura correta” é a SUA LEITURA ou estamos agindo de má fé. Democrático…..

  • Celso

    09/05/2012 #9 Author

    Felizmente os jornalistas de verdade estão levantando-se contra a escumalha “progressista”.
    Quanto ao Bruno Amaro a lógica dele é risível. Ainda bem que não controla uma usina atômica.

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    • Jotavê

      10/05/2012 #10 Author

      Eu concordo com o Bruno Amaro, e não vejo por que a lógica dele seja “risível”. Qual é o seu argumento?

    • Celso

      10/05/2012 #11 Author

      Relação profunda para mimé outra coisa, se é que você me entede. Se é que entede alguma coisa.

    • Jotavê

      10/05/2012 #12 Author

      É claro que eu entendo, como você e todos os que frequentam o blog são capazes de entender – somos todos pessoas educadas, inteligentes, interessadas em discutir o Brasil.
      Ao invés de ensaiar uma ironia canhestra, que tal expor um argumento com começo, meio e fim para que a conversa possa ser produtiva?

  • Bruno Amaro

    09/05/2012 #13 Author

    Os jornalistas não são progressistas, mas sim governistas e anti-Veja.
    Porém, a pergunta que não quer calar e que o Pannunzio não quer responder pra mim é outra. Como Policarpo e a Veja, com uma relação tão profunda com sua fonte, não sabiam que Demóstenes era um membro da quadrilha?
    O meu problema com a veja é que penso que ela me enganou, enquanto leitor, ao me fazer acreditar que Demóstenes era o mosqueteiro da ética. É simples, mas o Pannunzio não toca nesse assunto.

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