O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu nesta quarta-feira a afirmação do delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques, em depoimento na terça-feira à...

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rebateu nesta quarta-feira a afirmação do delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques, em depoimento na terça-feira à CPI do Cachoeira. Marques disse que a Operação Vegas ficou inconclusa porque ele não deu prosseguimento às investigações. Segundo o procurador, normalmente as críticas à sua atuação vem de parlamentares que estão “morrendo de medo do julgamento do mensalão”. Mais cedo, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que Gurgel terá cinco horas para acusar os 38 réus no julgamento do mensalão.
– O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. São pessoas que aparentemente estão muito pouco preocupadas com as denúncias em si mesmas, com os fatos, com os desvios de recursos e com a corrupção. Ficam preocupadas com a opção que o procurador-geral, como titular da ação penal, tomou em 2009, opção essa altamente bem-sucedida. Não fosse essa opção, nós não teríamos Monte Carlo, nós não teríamos todos esses fatos que acabaram vindo à tona. Há um desvio de foco que eu classificaria como, no mínimo, curioso – afirmou Gurgel nesta quarta, em intervalo de sessão do Supremo Tribunal Federal (STF).
No depoimento, o delegado disse que a investigação foi engavetada por Gurgel. O procurador recebeu o relatório da Vegas em 15 de setembro de 2009 e nada fez. Gurgel só pediu abertura de inquérito contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no STF em 27 de março deste ano, cinco dias depois de O GLOBO revelar o conteúdo das ligações entre o senador e Cachoeira.
O delegado disse que o relatório da Vegas foi enviado ao procurador-geral, a quem caberia encaminhá-lo ao STF. O documento foi entregue à subprocuradora-geral Cláudia Sampaio em 15 de setembro de 2009. Um mês depois, ela, mulher de Gurgel, chamou o delegado e disse que a investigação não tinha indícios suficientes para abrir inquérito contra parlamentares. A partir daí, o caso seria arquivado ou devolvido à Justiça Federal de Goiás, de onde se originou, para reinício da apuração.
´Há uma tentativa de imobilizar o procurador-geral´
O procurador afirmou que não deve se preocupar com o andamento das investigações conduzidas pela CPI do Cachoeira. Ele afirmou ainda que as acusações de que ele teria se omitido podem ser uma forma de prejudicar sua atuação, no processo de Cachoeira e também no julgamento do mensalão.
– Eu não posso ficar me preocupando com o que acontece a cada momento, a cada segundo na comissão. Eu tenho que me preocupar em levar adiante a investigação. O que parece haver é uma tentativa de imobilizar o procurador-geral da República para que ele não possa atuar como deve, seja no caso que envolve o senador Demóstenes e todos os seus desdobramentos, seja preparando-se para o julgamento do mensalão – disse.
– Esse é o atentado mais grave que já tivemos à democracia brasileira. É compreensível que algumas pessoas que são ligadas a mensaleiros tenham essas posturas de querer atacar o procurador-geral e querer também atacar ministros do Supremo, com aquela afirmação falsa de que eu estaria investigando quatro ministros do Supremo Tribunal Federal – continuou Gurgel.
Gurgel disse entender que surjam críticas, e que é normal que seu trabalho desagrade a alguns.
– A minha preocupação é de continuar trabalhando, de continuar investigando, de levantar o véu e revelar cada vez mais fatos que estão submetidos também à comissão parlamentar, mas que parece mais preocupada com outros aspectos, parece mais preocupada com o julgamento do mensalão.
Questionado se acredita que algum réu do mensalão está coordenando os ataques a ele, ele afirmou que há ‘protetores de réus’ como mentores dessas críticas.
– Eu apenas menciono isso: há pessoas que foram alvo da atuação do Ministério Público e ficam querendo retaliar, é natural isso. E há outras pessoas que têm notórias ligações com pessoas que são réus no mensalão.
Por fim, ele defendeu que o sigilo dos documentos do inquérito do Cachoeira seja mantido, pois há escutas, defendeu o procurador.
– Agora, não há duvidas de que esse é um dos casos de vazamentos mais escandalosos que temos na história. Nós sempre temos vazamentos nesse tipo de coisa, mas nesse realmente chegamos a um absurdo. Pedi ao diretor-geral da Polícia Federal que fosse instaurado inquérito para que se apure. É preciso que se pare com essa coisa no país de achar que o sigilo é para inglês ver, que é uma coisa formal que consta da lei e que não é observada. A quebra de sigilo nesse caso foi talvez uma das mais escandalosas de que eu tenha tido notícia.

via Gurgel: Tem gente ‘morrendo de medo’ do julgamento do mensalão – O Globo.

Comentários

  • Amores

    11/05/2012 #1 Author

    Acho que mulher do Gurgel não se importou muito com as pessoas que votaram no Demostenes, e nem com os leitores da Veja. rs …

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  • Luiz Carlos

    10/05/2012 #2 Author

    Uma lição de direito para os ”JUSTICEIROS VINGATIVOS” Uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) tem que respeitar os limites constitucionais e legais para que seja mantido, em seu âmbito, a legitimidade e o equilíbrio ético.
    CPI não pode se tornar num bando de justiceiros que, com propósitos singulares, éticos, invadam a competência dos outros poderes e abusem os direitos individuais. Não. Elas, para andarem nos trilhos da legalidade, prendem-se a fato certo e a “questões relevantes, sem se transformar em instrumento de capricho, que antes cria demérito do que honra a sua função tão essencial do Poder Legislativo”
    REALE JÚNIOR, 1994.

    E o procurador está amparado pelo CPP. ART.207. Ele não só não deve como não pode ser testemunha e, muito menso ainda investigado na causa em que atua. Isso não é um privilégio, é uma PRERROGATIVA do cargo

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  • Alex

    10/05/2012 #3 Author

    Independente de qualquer coisa, não só o PT, mas qualquer cidadão, quer saber porque o procurador engavetou por dois anos essas investigações.

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  • Big Head

    10/05/2012 #4 Author

    O timing dessa campanha de difamação do PGR entrega a estratégia. Por que só agora, às vésperas do julgamento do Mensalão, se ouvem gritos contra o sósia do Jô Soares? Robson, qualquer pessoa com um pouco de discernimento sabe que as denúncias contidas no “livro” do Aamaury tem a consistência de um suco de chuchu. A quantidade de ilações estapafúrdias presentes na obra (com duplo sentido, por favor!) é absurda. Só um exemplo: o autor gasta quase sessenta páginas satanizando empresas off-shore. Ninguém aqui é besta de achar que não há entre elas negócios de fachada, usado para lavagem de dinheiro. Aliás, salvo engano, o Duda Mendonça confessou ter recebido aquela grana preta do PT através de uma empresa desse tipo. Ocorre que, como em qualquer outro tipo de negócio, há empresas sérias também, basta dizer que a Petrobrás e o Banco do Brasil possuem offshores sediadas nas Ilhas Cayman, mais ptrecisamente: Petrobras International Finance Co e American Merchant Bank. O fato é que, de posse das ilações vazias do Amaury pouco poderia fazer um membro do Ministério Público. Ou você acha não haveria interessados em investigar o caso? O que se tem de certo, por exemplo, é que o TRF da 1ª Região já atestou a lisura da privatização da Telebrás, à época muito contestada, até porque o PT ainda era oposição.

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    • Robson de Oliveira

      10/05/2012 #5 Author

      Eu sei disso meu caro Big Head, sei do lançamento em época conveniente desse livro, ou quem sabe, dessa “obra” (do verbo obrar) pelo que você está dizendo.
      Mas como eu disse antes, pessoas públicas foram diretamente acusadas, e dezenas de vezes no livro.
      Seus nomes foram citados, suas vidas expostas e nada acontece?
      Se eu inventar qualquer besteira e publicar citando nomes e apresentando como provas um xerox de redação escolar, ainda assim, serei processado. Não me convence essa suposta benevolência do Serra e sua turminha.
      E não foi só o silêncio ensurdecedor que me causou estranheza não, foram também os argumentos. Ninguém se prestou a esclarecer (como você aqui expôs) o que de fato ocorre. Tudo tem que ficar envolto nessa névoa de mistério!!!

      só pelo fato de se dispor de uma carimbada de autenticidade do TRF já elimina todas as suspeitas?

      Um comentarista chegou a pedir o processo num blog que sigo, ou seguia, o blogueiro está sumido com problemas existenciais, disse que já deram entrada, … e?????

      Uma CPI foi ensaiada …e??????

      O próprio Reinaldo Azevedo tentando escapar dos questionamentos insistentes, ele, tão poético no que se refere à “penabundear” petistas desaforados, não teve argumentos, ao menos sérios e “palpáveis”. Preferiu esmigalhar algumas poucas linhas, mais para desqualificar do que elucidar a existência ou não de possíveis procedências…. e?????

      A própria situação parece não querer “mexer com isso” deixando o trabalho chato somente para a militância…e????

      Esse é o problema meu caro…reside exatamente entre essa letra “e” seguida de suas aparentemente infinitas interrogações.

      E tem mais, o “tal lixo” também pode ser útil quando reciclado, portanto todo “lixo” tem também seu valor, assim como “onde há fumaça, há fogo”.

      Abraços meu caro!

      Robson de Oliveira

    • byMel

      11/05/2012 #6 Author

      Robson, o Serra está sim processando o Amaury.
      Confira matéria:
      http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2012/04/23/serra-processa-autor-editora-de-privataria-tucana-441546.asp

    • byMel

      11/05/2012 #7 Author

      E sobre o livro do Amaury, leiam a série de análises do Implicante:

      O Dossiê do dossiê

      http://www.implicante.org/assuntos/livroamaury

    • Robson de Oliveira

      11/05/2012 #8 Author

      Olá By Mel, desculpe não identificar aqui o gênero.

      Fico grato por ter me apresentado essas duas informações. Do Noblat, eu costumo sempre acompanhar, infelizmente talvez essa tenha escapado. Como já disse aqui no blog, não tenho muito tempo.
      Nesse implicante, ainda vou estudar assim que me for possível.

      Falta de tempo às vezes quase deixa a gente louco.

      Mas obrigado pela luz!!!

      Robson de Oliveira

  • Jotavê

    10/05/2012 #9 Author

    Nem só Gurgel, nem só mensalão. Queremos as DUAS coisas. Que haja um julgamento justo do mensalão. E que o procurador-geral explique PUBLICAMENTE (na CPI, ou fora dela) por que não fez a denúncia contra Demóstenes Torres em 2009, permitindo assim que ele se reelegesse e se transformasse (via revista Veja) num dos “mosqueteiros” da moralidade pública.

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  • Robson de Oliveira

    10/05/2012 #10 Author

    Tudo bem, ele é procurador, tem suas prerrogativas constitucionais, etc e tal, mas que ficou nítida a “saída pela tangente”, ficou. Argumento parecido também notei na resposta do Serra sobre a obra do Amaury. “Lixo”, isso pra mim não é uma resposta, mas apenas uma opinião particular perfeitamente compreensível já que ele é um dos acusados pelo livro.
    Aliás, alguém já processou alguém nesse caso? Por que só a militância faz tanto barulho?
    As acusações no livro são DIRETAS contra pessoas e empresas. Qual o motivo de ninguém se mexer?
    Hoje em dia se processa por qualquer coisinha.

    Todos aqueles documentos fotografados são só isso? Lixo?

    Agora o tal procurador ao invés de ser claro e objetivo prefere dizer que “estão com medo”????

    Isso é evidente. Todo mundo sabe que os “mensaleiros” estão apavorados, não por terem que cumprir qualquer tipo de pena, isso no Brasil nem existe, mas por terem que suportar essa pequena “manchinha” incômoda nas suas biografias além de causar inconvenientes para o partido.

    Estranho!!!!

    ABraços!

    Robson de Oliveira

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  • Henrique

    10/05/2012 #11 Author

    Concordo com o procurador quanto ao frio na espinha que alguns políticos estão sentido com a aproximação do julgamento do mensalão. Mas isso não o isenta em dar explicações. Está obscuro o motivo que o levou barrar o processo por tanto tempo. Deve explicações não a CPI, mas a população.

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