O presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, cobrou explicações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por não ter denunciado o senador Demóstenes Torres...

O presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, cobrou explicações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por não ter denunciado o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM) em 2009, depois da Operação Vegas, da Polícia Federal. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira em São Paulo, o petista rejeitou as declarações de Gurgel de que as críticas que tem recebido partiram de pessoas que temem o processo do mensalão. Falcão citou parlamentares da oposição que criticaram Gurgel e lembrou a declaração de um dos delegados do caso Cachoeira:
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– Continua a dúvida sobre as declarações do delegado da Polícia Federal Raul Henrique Souza de atribuiu à esposa do procurador-geral (a subprocuradora Claudia Sampaio) e a ele próprio não dar consequência às denúncias que recebeu do juiz federal na Operação Vegas.
Sobre as críticas petistas terem origem no medo do mensalão, o deputado respondeu:
– É uma afirmação dele (Gurgel). É preciso ele responder à pergunta que foi lançada não por qualquer pessoa, mas por um delegado da Polícia Federal. Não me consta que ele (o delegado) faça parte da lista (de processados no mensalão).
Rui Falcão negou que o PT tenha tentado enfraquecer:
– É evidente que na Operação Vegas, se naquele momento das primeiras denúncias as informações tivessem vindo à luz, nós poderíamos ter resultados eleitorais diferentes- disse, afirmando: – Talvez Demóstenes Torres não fosse hoje senador.
O presidente do PT afirmou que o partido não deverá, formalmente, insistir na convocação de Gurgel no Congresso e que a CPI deve “adotar as soluções que entender”, mas não descartou que o procurador seja investigado.
– Eu acho que, no Brasil, nenhuma pessoa deve estar acima da lei.
Relator nega que haja crise
Mais cedo, o deputado Odair Cunha (PT-MG) havia desprezado insinuações sobre uma possível crise entre a CPI do Caso Cachoeira e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusado por membros da comissão de ter demorado a denunciar o esquema do contraventor e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Ao entrar para a reunião da comissão, nesta quinta-feira, o relator das investigações assinalou que qualquer cidadão investido de poder público precisa prestar esclarecimentos ao Legislativo, mas que, neste caso, o procurador-geral pode escolher a forma de fazê-lo. Segundo o procurador, normalmente as críticas à sua atuação vem de parlamentares que estão “morrendo de medo do julgamento do mensalão”.De acordo com Odair, as explicações para o fato de o Ministério Público não ter pedido a abertura de inquérito quando recebeu, em 2009, relatório da Polícia Federal com os resultados da Operação Vegas, podem chegar à CPI por via escrita ou oral. E acrescentou:
– Não há crise nas nossas relações com o Ministério Público. Essa é uma instituição do estado democrático que precisa ser fortalecida. Tratamos de questões substantivas. Questões adjetivas não nos interessam.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) voltou a cobrar explicações do procurador-geral.
– Como põe um ponto final? Com uma explicação dele (Gurgel).
Teixeira refutou a ideia de que a demora do procurador tenha sido uma estratégia que desembocou na Operação Monte Carlo, deflagrada em fevereiro pela Polícia Federal. Segundo o deputado, isso poderia ser dito apenas se a Monte Carlo tivesse sido provocada pelo Ministério Público Federal. De acordo com o parlamentar, o delegado da PF Matheus Mella Rodrigues, em depoimento na CPI, afirmou que a operação foi provocada por promotores estaduais em Valparaíso de Goiás, no Entorno de Brasília.

via Rui Falcão cobra explicações de Gurgel sobre Demóstenes – O Globo.

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