O jornalista Heraldo Pereira é alvo de uma campanha difamatória construída a partir de informações falsas e faltas éticas graves. O pior é que...

O jornalista Heraldo Pereira é alvo de uma campanha difamatória construída a partir de informações falsas e faltas éticas graves. O pior é que os que assacam contra ele são colegas de profissão, ex-companheiros e amigos. Nomino aqui especialmente o repórter Luis Carlos Azenha, a quem Heraldo Pereira ajudou muito no comecinho da carreira, nos idos dos 80.

Azenha hoje mantém um site na internet e parece ter se esquecido de algumas lições básicas que deve ter tido na faculdade e que, na falta de uma instrução adequada, se encontram expressas no nosso Código de Ética.

Diz a alínea a) do Artigo XII: é dever do jornalista “ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, todas as pessoas, objeto de acusações não comprovadas, feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas”.

Azenha não fez isso. Se tivesse feito, jamais publicaria o que publicou. O arguto repórter se valeu exclusivamente de fontes secundárias da internet para comprovar a tese sinistra de que Heraldo faz comentários no Jornal da Globo a soldo do ministro Gilmar Mendes, de quem seria “empregado”. Não ligou para o amigo. Não ligou para o “outro lado”.

Foi beber na Cloaca, site  em que ele referencia sua hipótese paranoica. Se você visitar a Cloaca, vai ver que o blog justiceiro define sua missão como “Desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país. Dar nome aos ratos e aos sabujos”. Azenha, velho de guerra, nem desconfiou que a “fonte”, pelo enunciado, sugeria ao menos uma checagem precária daquilo que informa. Agiu como um foquinha ensandecido pelo “furo” já publicado. E foi detonar o colega, sem nenhum respeito pelo capital de 30 anos de estrada que ele conhece muito bem.

Imbuído do espírito de patrulheiro, passou a vasculhar a internet atrás de indícios de que o nome do amigo de outras épocas deveria ser exposto em hasta pública, metaforicamente misturado aos “gatos e sabujos” dessa metonímica Cloaca.

Teria sido mais fácil incomodar o “outro lado” com um telefonema. Mas Azenha se deu por satisfeito quando encontrou anotações sobre um curso no IDP que teria sido ministrado pelo Heraldo. Um curso para jornalistas no qual Heraldo deveria ministrar três aulas sobre Fundamentos do Direito.

Ocorre que esse curso nunca aconteceu. Heraldo, que é bacharel, especialista e mestrando em direito pela UNB tem todos os predicados para dar aulas – e proferiria três palestras. Mas o curso, para o qual foi convidado pelo Professor Paulo Roque, jamais existiu. Não houve uma aula sequer. As turmas não se formaram. Heraldo nunca ganhou um centavo pelo que não fez.

O que Azenha e os demais acharam em suas investigações no Google foi um programa do curso. Um anúncio do que viria a acontecer. Mas que nunca aconteceu.

Outro “indício” de que ele merecia a exposição que recebeu foi localizado no site da TV Justiça. Ali havia uma menção ao nome do Heraldo como conselheiro da TV do Poder Judiciário.

Pronto. Estavam colhidas todas as evidências de que o “comentarista” do Jornal da Globo agia a mando do presidente do STF. O problema é que o artigo XII do Código de Ética foi mais uma vez estuprado.

Heraldo foi convidado, realmente, para ser conselheiro da TV Justiça. Ficou orgulhoso com o convite, feito ainda durante a presidência da ministra Ellen Gracie. E não era para menos. A vaga que ele assumiria seria a do Dr. Walter Ceneviva. Alguém discorda de que isso é uma honraria?

E fez o que deveria. Consultou a direção da Rede Globo a respeito. O Rio de Janeiro entendeu que haveria incompatibilidade com as funções que ele ocupava na emissora. E o próprio Heraldo, antes de receber a negativa, já havia chegado à mesma conclusão.  A consulta está registrada porque foi feita por escrito, por e-mail. Mas antes de receber a resposta ele agradeceu e declinou do convite.

Se o solerte Azenha e sua Cloaca tivessem se dado ao trabalho de ir ao mesmo Google para tentar encontrar um ato de nomeação, um termo de posse, chegariam à conclusão inequívoca de que havia algo errado com a sua suposição. Como não se deram a esse trabalho – e se esqueceram dos preceitos éticos que deveriam reger a profissão – sentiram-se com “autoridade moral” suficiente para detonar o colega. E foram adiante.

A pergunta que o patrulheiro Azenha faz é exatamente esta, transcrita de seu site: “você considera que Heraldo Pereira deveria ter revelado que é funcionário de Gilmar antes ou depois do comentário que fez a respeito de Lacerda no Jornal da Globo?”

É um sofisma, uma falácia. Heraldo não é “funcionário de Gilmar”.  Como “deveria ter revelado” algo que só existe nos delírios desse Simonal moralista do jornalismo brasileiro ?

Vocês devem um pedido de desculpa público ao Heraldo. Todos vocês, que pariram e fizeram multiplicar  suspeitas levianas, produto de uma apuração que não seria aceitável nem de um estagiário.

Quem quer policiar os colegas tem antes que ser correto. Tem que ser ético. Tem que ir além do Google. Tem que pelo menos tocar o telefone e perguntar.

Atacar sem ouvir o outro lado – especialmente nesse caso – mais do que mau jornalismo, é covardia. Ainda mais em nome da “causa” em questão – a defesa do comportamento de um delegado de polícia que acaba de se transformar em réu em um processo por ter quebrado o sigilo funcional. Vocês sabem o que ele fez, não sabem? Ou resta alguma dúvida de que o Protógenes convocou uma equipe da Globo para produzir provas na Operação Satiagraha?

Depois de tantos erros crassos, soa como um acinte perceber que a matéria denunciando Heraldo “sumiu”do site do Azenha — prática que ele  julgou abjeta quando se referia à página do IDP. Em seu lugar, apenas esse conselho calhorda para que ele “tome mais cuidado com o próprio nome. É que tem muita gente que gosta de simular proximidade com gente de televisão, obtendo “facilidades” a partir disso.”

Espero que vocês tenham a humildade de reconhecer que erraram. Porque se isso não acontecer, vai ficar para sempre caracterizada a má-fé.

Por enquanto, nós, que conhecemos o Heraldo, achamos que vocês só foram tão desrespeitosos, tão erráticos, tão dramaticamente equivocados porque se esqueceram do básico e agiram como focas cinquentonas: ouvir o outro lado.

Para ler o “outro lado”, clique aqui.

Comentários

  • Abreu

    29/02/2012 #1 Author

    Pannuzio,

    Não entendi e certamente Você saberá explicar o que desejou dizer com a expressão «… Como “deveria ter revelado” algo que só existe nos delírios DESSE SIMONAL MORALISTA moralista do jornalismo brasileiro?»

    Por acaso Você se refere a Wilson Simonal?

    Não entendi e gostaria muito de entender.

    Grato,

    Responder

    • Fábio Pannunzio

      29/02/2012 #2 Author

      É uma referência a ele, sim. Apesar da tentativa de reabilitação de sua imagem, é fato notório que Simonal se gabava de entregar colegas do meio artístico aos algozes da ditadura. Ele foi processado e condenado pelo sequestro de seu contador, executado por dois agentes da repressão. Não há controvérsia sobre esse fato. Reconheço, no entanto, que não há comprovação documental da participação do artista nos “serviços” que ele dizia prestar aos milicos na década de 70, assim como não há documentos sobre a maior parte dos dedos-duros infiltrados pelo regime. Mas há testemunhos — inclusive o de pessoas que dizem ter sido torturadas na frente do cantor.

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