A direção da Polícia Federal e a cúpula do Ministério Público entraram em choque. Em meio a versões divergentes sobre os motivos que levaram...

A direção da Polícia Federal e a cúpula do Ministério Público entraram em choque. Em meio a versões divergentes sobre os motivos que levaram o procurador-geral da República Roberto Gurgel a engavetar o inquérito da Operação Vegas em 2009, declarações da subprocuradora Cláudia Sampaio, mulher de Gurgel, acirraram ainda mais os ânimos. Segundo ela, o caso só não foi arquivado na época porque a PF pediu. Na ocasião, os delegados acreditavam ter provas da ligação entre o senador Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mas o MPF discordou.
Neste domingo, a assessoria da Procuradoria Geral da República confirmou que, numa reunião em 2009 com o delegado Raul Alexandre, Cláudia Sampaio teria dito que iria arquivar o caso. Só não o fez porque o delegado Raul Alexandre, coordenador da investigação, teria pedido para que ela esperasse um pouco porque o arquivamento poderia atrapalhar outra investigação em curso.
Diante das declarações da subprocuradora publicadas no jornal “Folha de S. Paulo”, a direção da Polícia Federal contestou a informação e endossou o que o delegado já tinha dito à CPI do Cachoeira, na terça-feira.
— O delegado não fez pedido algum à procuradora — afirmou um dos dirigentes da instituição.
Para a Polícia Federal, as declarações da subprocuradora não fazem o menor sentido. O relatório da Operação Vegas foi entregue a Cláudia Sampaio em 15 de setembro de 2009, conforme revelou O GLOBO em 23 de março. Com base em gravações telefônicas, o relatório apontava o envolvimento de Demóstenes e dos deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e João Sandes Júnior (PP-G) com Cachoeira. Naquele período, não havia nenhuma outra investigação em curso sobre o caso.
Quando o caso veio à tona, Gurgel chegou a dizer que não teria tomado providência alguma em relação a Vegas porque estava aguardando os desdobramentos da Operação Monte Carlo. A PF lembra, no entanto, que a Monte Carlo só teve início em outubro de 2010 e, ainda assim, a partir de uma investigação do Ministério Público de Goiás em Valparaíso. O caso só foi transferido para a PF porque entre um dos investigados estava um policial rodoviário federal.
Na Operação Monte Carlo, a Polícia Federal se deparou com os mesmos crimes e os mesmos personagens investigados na Operação Vegas. A Monte Carlo foi deflagrada em 29 de fevereiro e resultou na prisão de Cachoeira e mais 33 pessoas. Cinco dias depois de O GLOBO mostrar que a Vegas estava engavetada, Roberto Gurgel pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para abrir inquérito contra Demóstenes e outros parlamentares. A discussão sobre o comportamento do procurador-geral e de sua mulher foi o centro das atenções da CPI semana passada.
Na quinta-feira, a CPI deverá decidir se convoca ou se cobra explicações por escrito de Cláudia Sampaio e Gurgel.

Beba na fonte: PF e Ministério Público se desentendem sobre Vegas – O Globo.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *