No Blog do Merval Pereira A Comissão Parlamentar de Inquérito Mista que investiga as relações do mafioso Carlinhos Cachoeira com políticos, empresas e órgãos...

No Blog do Merval Pereira

A Comissão Parlamentar de Inquérito Mista que investiga as relações do mafioso Carlinhos Cachoeira com políticos, empresas e órgãos do Estado entra em sua segunda semana com a perspectiva de receber novas levas de fitas registrando mais conversas do senador Demóstenes Torres com  integrantes do grupo.

A essas novas gravações poderá se somar um depoimento à Aeronáutica daquele que é considerado o braço operacional da quadrilha do bicheiro, o terceiro sargento da Aeronáutica Idalberto Martins de Araujo, o Dadá.

Como ex-membro da comunidade de informações, que há mais de 10 anos usa sua especialidade a serviço do bicheiro, Dadá teria sidoconvocado pela Aeronáutica para um depoimento onde teria esclarecido a  sua atuação e a de outros membros da antiga comunidade de informações dos militares em atividades criminosas.

A Aeronáutica estaria preocupada com a exposição pública das atividades de Dadá e estaria investigando até onde a ação desse grupo de ex-militares estaria disseminada pelo mundo do crime.

Se for confirmado esse depoimento sigiloso à Aeronáutica, a CPI pretende requisitá-lo, ou formar uma comissão para ir à Aeronáutica tomar conhecimento dele.

Dadá esteve envolvido na montagem de um grupo de espionagem no comitê da campanha da então candidata Dilma Rousseff à presidência, a convite do jornalista Amaury RibeiroJr, e é o mais constante colaborador de Cachoeira.

No depoimento sigiloso à CPI do Cachoeira, o delegado da Polícia Federal Raul  Alexandre Souza revelou que Dadá e um outro membro da comunidade de informações da Polícia Militar Jairo Martins de Sousa sequestraram em 2009, a mando de Cachoeira, um funcionário do grupo, que foi mantido em cárcere privado por desconfiança do bicheiro de fraudes no recolhimento de máquinas caça níqueis.

Essas partes substantivas das investigações deverão superar as tentativas de manobras políticas de desviar o foco da CPI para o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que não teria tomado providências para processar o senador Demóstenes Torres com base na Operação Vegas, precursora da Montecarlo que acabou incriminando o senador.

Uma demonstração de que a atitude do Procurador de sobrestar o processo por falta de indícios suficientes foi correta é que no mesmo pacote da Operação Vegas havia cerca de 80 pessoas sem foro especial incriminadas junto com o senador, e não se tem notícias de que os processos contra elas tenham ido adiante na justiça comum.

O relator do caso, o deputado petista Odair Cunha, já admite que o Procurador-Geral envie por escrito suas explicações, mas mesmo se o convite da CPI for nesse sentido, ainda é preciso saber se mesmo assim ele não estará colocando em risco sua atuação.

Além de prerrogativas constitucionais que fazem com que ele tenha competência exclusiva para definir a estratégia de suas investigações,sem precisar dar explicações, como ressalvaram diversos ministros do Supremo sobre a atividade do Procurador-Geralda República, o Código de Processo Penal o impede de depor na CPI.

O artigo 252 impede um juiz de participar de um processo se ele tiver sido testemunha no caso e o 258 diz que os membros do Ministério Público estão sujeitos às mesmas razões de impedimento e suspeição dos juízes.

Beba na fonte: Blog do Merval – blog do jornalista Merval Pereira – Merval Pereira: O Globo.

Comentários

  • Flavio

    14/05/2012 #1 Author

    “…Essas partes substantivas das investigações deverão superar as tentativas de manobras políticas de desviar o foco da CPI para o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel…”
    Por que todo fato novo é tratado como “tentativas de de manobras políticas”…quando deveriam ser colocadas na lista de apurações…

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