As duas primeiras semanas da CPMI que apura as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares, governos e iniciativa privada...

As duas primeiras semanas da CPMI que apura as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares, governos e iniciativa privada foram marcadas por bate-boca, atuações solitárias, defecções nas bancadas e alianças improváveis. Só que boa parte desses fatos nada tem a ver com a investigação. Apesar de publicamente todos os parlamentares dizerem que estão focados no objeto da CPMI, o que se percebe é uma disputa pela defesa de interesses particulares.

Nesse sentido, está a aliança, inimaginável em outros tempos, do senador Fernando Collor (PTB-AL) com os petistas Cândido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP) e Humberto Costa (PE) para expor aos holofotes da CPMI o jornalista Policarpo Jr., da revista “Veja”.

Collor e petistas vislumbram a possibilidade de desgaste da publicação que teve papel importante no impeachment do primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura e na crise do mensalão.
Collor, ao mesmo tempo, é o alvo predileto de outros integrantes da CPMI.

Caso do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que faz questão de expor, em cada reunião, suas divergências com o ex-presidente da República, e do senador Pedro Taques (PDT-MT), que gosta de citar artigos do Código Penal, da Constituição ou de qualquer outra legislação para contradizer o colega de Senado.

Até mesmo um correligionário de Collor expressou divergência com ele. O deputado Sílvio Costa (PTB-PE), que tem se notabilizado por falar alto, bater na mesa e querer ganhar no grito as discussões com o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), chegou a pedir, na quinta-feira passada, que Collor deixasse de ressentimentos e se reconciliasse com o Brasil. Conseguiu o silêncio do ex-presidente da República, que usualmente rebateria com agressividade.

As votações também têm revelado alianças informais marcantes. Os representantes do PDT, por exemplo, têm se posicionado junto aos oposicionistas do DEM e do PSOL defendendo a mais ampla apuração das denúncias. Os tucanos, antes parceiros inseparáveis do DEM e sempre à frente de denúncias de corrupção, agora se mostram relutantes, defendendo as investigações, mas recuando quando o tema é o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), candidato a dar explicações sobre seu relacionamento com Cachoeira.

Escancarada pela troca de mensagens entre o deputado Cândido Vaccarezza e o governador do Rio, Sérgio Cabral, na última quinta-feira, a aliança entre o PT e o PMDB quer livrar o governador de dar explicações sobre sua amizade com o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish e também impedir as investigações sobre a construtora, responsável por diversas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Diante de tantos interesses em jogo, uma frase do deputado Silvio Costa, com sua teatralidade, talvez represente bem o que pode ser o fim da CPMI:
— Eu acho que vamos chegar muito longe, mas longe da investigação. É a lonjura a que vamos chegar.

Beba na fonte: Jogo de interesses influencia rumo da CPI do Cachoeira – O Globo.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *