O delegado Eduardo Henrique de Carvalho Filho deve ser expulso da Polícia Civil do Estado de São Paulo.  Foi ele quem conduziu a desastrada Operação...

O delegado Eduardo Henrique de Carvalho Filho deve ser expulso da Polícia Civil do Estado de São Paulo.  Foi ele quem conduziu a desastrada Operação Pelada, que tinha por objetivo produzir um flagrante de concussão e terminou com as cenas constrangedoras, reveladas pelo Blog do Pannunzio e pela Rede Bandeirantes, em que uma escrivã de polícia é despida de maneira brutal pela equipe de corregedores comandada por Eduardo Filho.

A recomendação de que seja demitido consta do procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria, que já está pronto para ser enviado ao secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto. É ele quem vai decidir se demite ou não o policial.  Na época, no entanto, Ferreira Pinto foi informado dos detalhes da Operação Pelada e mandou engavetá-la. Chegou a convocar o delegado a seu gabinete para cumprimentá-lo pela “ação bem-sucedida”.

Orientada pelo SSP, a manobra para acobertar os delegados foi executada pela ex-corregedora-geral Maria Inês Trefiglio. Além de arquivar o procedimento investigatório instaurado para apurar o comportamento dos delegados, ela saiu em defesa aberta dos subordinados. Perdeu o emprego uma semana depois que o o Blog do Pannunzio e a Band expuseram as imagens das sevícias, reproduzidas no vídeo que abre este post.

Os corregedores, no entanto, foram transferidos para o DENARC (Departamento de Narcóticos), o que o Sindicato dos Policiais Civis do Estado de São Paulo considerou como uma promoção, não uma punição.

O caso abriu uma crise na cúpula da segurança pública paulista. O governador Geraldo Alckmin cogitou até substituir o secretário, mas recuou em seguida. Na sequência da Operação Pelada, Ferreira Pinto foi flagrado dias depois entregando a um repórter do jornal Folha de São Paulo um dossiê com informações contra o sociólogo Túlio Kahn, demitido sob suspeita de comercializar dados estatísticos classificados como sigilosas  sobre as áreas de risco de São Paulo. As informações não eram abertas para o público.

O secretário só não caiu porque se descobriu que três delegados, entre eles Marco Antônio Desgualdo, um dos “cardeais” proeminentes da Polícia Civil de São Paulo — na época na chefia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) –, estavam envolvidos na desastrada operação que tinha por fim obter, do setor de segurança do Shopping Higienópolis, a fita em que Ferreira Pinto aparecia entregando o dossiê ao repórter da Folha.

Apresentado ao público como uma “conspiração da banda podre da Polícia civil” contra o secretário, o fato deu a Ferreira Pinto a condição política necessária para permanecer à frente da pasta, onde está até hoje.

O inquérito instaurado para apurar o abuso de autoridade dos corregedores foi arquivado pelo juiz Octávio Augusto de Barros Filho, titular da Vara Especial do Forum de Parelheiros, a pedido do promotor de justiça Lee Robert Kahn. A despeito de todas as provas apresentadas, o representante do Ministério Público encontrou no espetáculo de brutalidade dos policiais “apenas o rigor necessário” na condução da correição.

O Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GECEP) do MP tentou promover o desarquivamento do inquérito, mas não encontrou provas novas, requisito imposto pelo Código de Processo Penal para a reabertura das investigações.

Para ler a íntegra das reportagens publicadas pelo Blog do Pannunzio sobre a Operação Pelada, clique aqui.

Comentários

  • thifane

    02/06/2013 #1 Author

    delegado mais despreparado esse em.

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  • thifane

    02/06/2013 #2 Author

    esse delegado safado deve ser expulso esse covarde.

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  • thifane

    02/06/2013 #3 Author

    esse delegado deve ser expulso, ela errou em receber propina
    mas esse delegado errou mais ainda pelo fato dele mesmo ter dado busca nela; quem deveria dar busca nela e uma mulher
    isso que ele fez foi um ato de um muleque não de um delegado
    isso não tem perdão ele foi muito cruel em fazer essa barbarie com ela .

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  • ADRIANO

    26/04/2013 #4 Author

    Que pena, ver policiais lotados numa Corregedoria de Policia serem tão despreparados para o emprego de suas atividades-fim, e pior ainda, uma mulher tentando acobertar um serviço mal feito desses (pra não dizer outra coisa) só falta agora promoverem esses Delegados incompetentes e covardes…

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  • Cristóvão

    24/12/2012 #5 Author

    Por Favor, gostaria de ter últimas notícias desse caso…
    grato,

    Cristóvão

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  • William

    27/09/2012 #6 Author

    Delegado se fosse mae ou ….. vc teria mostrado a nudez

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  • Jacques

    01/09/2012 #7 Author

    Esse despreparado ainda não foi demitido, acredito que ele é amigo da maracujá de gaveta, aquela velha engilhada que era corredora geral dois exemplos de servidores públicos, a maracujá mesmo sendo mulher achou bonito aquela babarie.
    Eles não obedecem a lei ou eles pensam que a lei são eles.

    Pobres imbecis, ainda não perceberam que todos os tiranos sofreram no final.

    Exemplos: Sadam, Bin Laden e outros.

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  • Antonio Claudio Soares Bonsegno

    22/05/2012 #8 Author

    Desculpem, cometi um equivoco, quis dizer que o delegado acaba réu enquanto a servidora flagrada em situação delituosa vira vítima.
    Obrigado

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  • Giancarlo

    21/05/2012 #9 Author

    A única coisa que posso falar é o seguinte: Na condição de Policial Civil, tendo propriedade, posso dizer que, o que acabei de ver foi um ato de selvageria e o fato pode ser enquadrado em inúmeros tipos penais. Não se frusta um crime cometendo outros. Lamento pelo que foi publicado pelos leigos. Pois, quem parabeniza um Delegado Corregedor que age desta maneira, só pode ser leigo no assunto. Tanto é que que o mesmo vai ser ou jah foi exonerado. Se tivesse agido de forma legal, não haveria motivo algum para exonerá-lo, não é!!!???

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    • Antonio Claudio Soares Bonsegno

      22/05/2012 #10 Author

      Não é bem assim, erro houve, mas não o suficiente para se demitir um jovem delegado que ali estava para impedir a continuidade da atividade de uma servidora nada correta. No fim a vítima virou heroina e o autor virou o réu. Muito injusta se ocorrer a punição como é noticiada, no máximo uma reprimenda na folha funcional do servidor.
      Sou policial aposentado, hoje advogado e jornalista, com experiencia suficiente para analisar o caso em discussão pela sociedade que muitas vezes hipócrita.

  • Flavio

    21/05/2012 #11 Author

    PARABÉNS !!! São assuntos que caem no esquecimento e temos que ficar escutando que no Brasil não se faz justiça…blá…blá…bla…não que esteja perfeita, mas vamos citar os caos positivos também……abs

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  • Robson de Oliveira

    20/05/2012 #12 Author

    Boa noite.

    Desagradável essa cena. Notei a titubeada de todos os agentes da lei. Parece que ninguém tinha certezas, só dúvidas?
    Diante desse quadro de vacilação, a acusada cresceu e deu o show.
    Se esse artigo permite que se reviste, então que se proceda a revista. Se a suspeita reagir, deve ser algemada já que havia sido presa por desacato.
    Não entendi a necessidade da câmara filmando tudo? Isso é de praxe? Faz parte do show?

    Também sou contra a demissão do policial. Porém, ele deveria ter afastado as mesas criando um espaço, ordenado que as policiais fizessem a revista e sem tantos presentes no ambiente.

    A única razão da meliante foi em não querer platéia, muito menos que fosse registrada em filmagem.

    Mas que vacilaram…vacilaram…

    Responder

  • Levi Marcelo

    20/05/2012 #13 Author

    Esse delegado não deve ser expulso,ele mostrou que e honesto e prendeu uma corrupta,isso deveria acontecer em Brasilia,nas Câmaras de deputados e em todos os setores políticos podres deste Brasil de merda,onde a corrupção impera e ninguém faz nada e quando um delegado honesto cumpre com seu dever os ladroes e bandidos são contra.O delegado nao deve ser expulso e sim homenageado.

    Responder

  • Antonio Claudio Soares Bonsegnono

    20/05/2012 #14 Author

    Houve um excesso desnecessário, mas o objetivo era correto e no fim me parece que o agente do Estado vira réu e a bandida se torna vítima. Há que haver ponderação, o que demonstrou o juiz que absolveu e o promotor que pediu a não condenação do delegado. Não venha agora a Administração querer ser mais realista que o rei e punir com demissão um jovem delegado que exercia uma difícil missão que é a de investigador os maus policiais.

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  • Mario

    20/05/2012 #15 Author

    Eu me lembro que quando eu estagiava na Defensoria Pública do Estado de SP uma assistida me desacatou e depois desacatou também a Defensora, que teve de chamar o segurança para retirar a assistida da sala. A mulher depois até reclamou da Defensora na Ouvidoria. Ela se fez de vítima e alegou que era idosa etc. O pior é que esse vitimismo injustificado (pois se trata de gente recebendo apenas o tratamento que merece) vem por vezes sendo acolhido pela sociedade.

    Mas é a famosa impunidade. No Brasil, ninguém aceita ser repreendido. Talvez seja uma cultura pós-ditadura: repressão virou sinônimo de coisa negativa. Não é, não. Nenhuma sociedade funciona sem repressão. Nenhuma! As pessoas precisam de limites para conviver bem e em harmonia.

    Mario.

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  • Mario

    20/05/2012 #16 Author

    Reforçando que o artigo 249 do CPP autoriza excepcionalmente o policial do sexo masculino a fazer a busca:

    “Art. 249. A busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência.”

    A “escrivã” buscou a todo momento – como fica claro no vídeo- prejudicar a ação policial, sendo que não havia nenhuma delegada no momento da ação. Diante disso, não restou alternativa ao policial, que apenas fez a lei ser cumprida.

    Mario.

    Responder

  • Mario

    20/05/2012 #17 Author

    Prezado Pannunzio,

    Eu não tenho a menor dúvida de que o delegado, nesse caso, agiu corretamente e dentro da lei. Cumpriu seu dever como policial, homem e cidadão. A brutalidade está nos olhos de quem não vê a necessidade de fazer o flagrante. Aquele dinheiro da “escrivã” criminosa pode ter custado a vida de muita gente.

    O policial com razão citou o artigo 244 do CPP, que o autorizava a despir a criminosa e efetuar a voz de prisão, a saber:

    ” Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar.”

    A suspeita do policial se confirmou. Parabéns a ele que cumpriu seu dever legal!

    Mario.

    Responder

  • Jotavê

    20/05/2012 #18 Author

    Os policiais erraram, sim, e acho que devem ser punidos. Mas erraram apenas no último momento, quando todas as provas contra a escrivã já tinham sido produzidas. A demissão, no caso deles, me parece excessiva. No caso dela, de jeito nenhum.

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