FERNANDO BARROS DE MELLO, da Folha de São Paulo A crise do Senado, agravada após a série de denúncias contra o seu presidente, José...

FERNANDO BARROS DE MELLO, da Folha de São Paulo

A crise do Senado, agravada após a série de denúncias contra o seu presidente, José Sarney (PMDB-AP), levou o Congresso a atingir uma de suas piores avaliações já registradas, 44% de ruim ou péssimo, revela pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento, 74% dos brasileiros defendem que Sarney deixe a Presidência do Senado, sendo que 36% preferem um afastamento temporário e 38%, a renúncia dele.
Para 66% dos brasileiros, o senador está envolvido nas irregularidades que atingem o seu nome. Entre aqueles que dizem estar bem informados sobre esses casos, 86% acreditam no envolvimento dele. Apenas 10% não acreditam que o peemedebista tenha alguma relação com as denúncias.

“A maioria da população tomou conhecimento das denúncias contra Sarney. Por conta disso, a maioria acha que ele deve se afastar. Como a crise do Senado se arrasta há tanto tempo, isso acabou prejudicando a imagem do Congresso”, afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.

A maior parte das pessoas (78%) diz ter tomado conhecimento das denúncias. É justamente a parcela que tem a pior avaliação do Congresso (visto por 51% como ruim ou péssimo). A desaprovação cresce ainda mais entre os que afirmam estar bem informados sobre as denúncias (61%).

Já entre aqueles que não se informaram sobre os casos envolvendo Sarney, apenas 23% desaprovam o Congresso.

A nova pesquisa Datafolha é a primeira após o agravamento da crise no Senado. Nesse período, foram descobertos os atos secretos utilizados, entre outras coisas, para nomeações e promoções de servidores.

A situação piorou com o surgimento de várias denúncias contra Sarney, que vão de nepotismo a desvios de verba na fundação que leva seu nome.

Sarney foi alvo, no Conselho de Ética, de 11 pedidos de abertura de processo por quebra de decoro. O presidente do colegiado, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou todos os pedidos.

O auge da crise ocorreu no começo do mês. Dois momentos foram marcantes: os ataques de Fernando Collor (PTB-AL) a Pedro Simon (PMDB-RS) e a troca de insultos entre Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Na semana passada, oposição e base governista negociaram um “acordão”. Por ele, Sarney se livraria das acusações, assim como o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), alvo de ação do PMDB, que o acusa de ter quebrado o decoro por ter, entre outras coisas, mantido funcionário-fantasma no gabinete.

Renan e mensalão

A desaprovação ao Congresso deu um salto de dez pontos percentuais na comparação com a última pesquisa, realizada em maio, quando 34% achavam o trabalho de senadores e deputados ruim ou péssimo.

Hoje, 14% acham o desempenho ótimo ou bom, contra 19% em maio. Para 36%, o desempenho é regular, ante 41% observado na pesquisa anterior.

A taxa de reprovação voltou ao patamar de novembro de 2007, quando 45% diziam que o Congresso era ruim ou péssimo. Naquele momento, o Senado acabara de passar por outra crise, que culminou na renúncia de Renan da presidência.

O recorde negativo, de 48% de ruim ou péssimo, foi observado em agosto de 2005, no auge do escândalo do mensalão.

Para a mais recente pesquisa, o Datafolha ouviu 4.100 pessoas entre os dias 11 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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