FERNANDO SAMPAIO Nas divulgações semanais do boletim Focus do Banco Central (BC), em geral os números que mais chamam a atenção são as expectativas...

FERNANDO SAMPAIO

Nas divulgações semanais do boletim Focus do Banco Central (BC), em geral os números que mais chamam a atenção são as expectativas quanto aos índices de inflação e a taxa de juros básica (Selic).

Elas costumam variar, de uma semana para a outra, bem mais do que aquelas relativas a variáveis do lado “real” da economia -como o PIB (Produto Interno Bruto), a produção industrial e o saldo da balança comercial.

Essa maior volatilidade reflete sobretudo a importância das projeções de inflação e de juros nas operações no mercado financeiro -o que leva as instituições financeiras e as consultorias cujas expectativas são coletadas pelo Banco Central a revisarem essas projeções a todo momento.

Também contribui para que a revisão das projeções para as variáveis “reais” seja menos frequente o fato de que o maior acerto nessas projeções não é “premiado” pelo Banco Central: ele somente divulga listas das instituições com menor erro nas projeções para os índices de preços, o câmbio e a Selic.

À luz desses fatores, fica mais fácil compreender a importância do recuo da expansão esperada do PIB em 2012 relatado pelo boletim Focus de ontem.

Do dia 11 para o dia 18 deste mês, a mediana das projeções para a taxa de crescimento do PIB diminuiu de 3,20% para 3,09%.

Embora possa parecer modesta, é incomum uma mudança desta magnitude em apenas uma semana.

Ela sugere que, nas próximas semanas, o Focus vai relatar novos recuos do crescimento esperado.

O recrudescimento da instabilidade na Europa é o fator de fundo a realimentar a cautela de empresários e de consumidores.

ESTOPIM

Mas o principal estopim direto da piora de expectativas de crescimento captada pelo Focus deve ter sido a divulgação, na última sexta-feira (dia 18), do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), a estimativa do desempenho mensal do PIB elaborada pelo próprio BC.

O índice caiu 0,35% do mês de fevereiro para março; em média, os analistas esperavam uma alta próxima de 0,5%.

Não por acaso, o grosso da piora das projeções para o PIB ocorreu de quinta-feira para sexta-feira.

O IBC-Br subiu apenas 0,15% do quarto trimestre de 2011 para o primeiro trimestre de 2012.

Mesmo a projeção feita pela LCA Consultores, de alta do PIB de 2,6% no ano, pode estar se tornando otimista.

FERNANDO SAMPAIO, economista, é sócio-diretor da LCA Consultores

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Mercado já espera um crescimento ainda menor – 22/05/2012.

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