Publico acima mais um trecho do vídeo produzido pelos advogados de Law Kin Chong para demonstrar que ele foi vítima de extorsão pelo então deputado Luiz...

Publico acima mais um trecho do vídeo produzido pelos advogados de Law Kin Chong para demonstrar que ele foi vítima de extorsão pelo então deputado Luiz Antônio Medeiros a partir do material apensado ao inquérito instaurado contra o contrabandista. Aí pode-se ver que é muito difícil saber exatamente quais foram as motivações dos protagonistas das cenas. Medeiros presida a CPI da Pirataria, que investigava os negócios tortos do comerciante sino-Brasileiro.Mas há uma afirmação que é possível fazer com base nessas imagens — sem medo de errar: elas registram  algo muito, muito errado mesmo.

Aceitei a sugestão do professor Flávio F. Farias, que é um dos comentaristas mais ativos (e críticos) do Blog do Pannunzio, e fui ler a entrevista que o deputado Protégenes Queiroz concedeu à revista Caros Amigos em 2008. Já conhecia a versão. Mas, ao cotejar as declarações do deputado com a cena que se desenrola no vídeo, fiquei ainda mais atônito.

O ex-delegado afirmou nessa entrevista que , após cinco anos investigando suas atividades ilegais, havia finalmente encontrado o  Calcanhar de Aquiles do contrabandista:  “Qual seria a espinha dorsal dele? Contrabando e pirataria, talvez atividades municipais. Aqui, vou bater nele e voltar. Passo cinco anos investigando e busquei a via mais frágil, a corrupção”, disse Protógenes à revista.

A estratégia ganhou forma quando o delegado foi procurado pelo deputado: “O Law quer me dar dois milhões de dólares para deixá-lo fora da CPI”, teria dito Luiz Antônio Medeiros.

Esse valor, diga-se de passagem, não é mencionado em nenhum momento das várias conversas mantidas entre os estrategistas da fraude. Fala-se o tempo todo em três milhões, três milhões e meio de reais, valor arbitrado em conjunto pelos lobistas dos dois lados. Ao final, ajustou-se a propina em R$ 1,5 milhão.

O preposto de Medeiros na negociação foi o policial rodoviário Antônio Fernando Miranda, assessor de seu gabinete. É notória a ascendência que exerce sobre ele o preposto do contrabandista, o despachante Pedro Lindolfo, que se apresentava como advogado de Law.

É notório também que Pedro Lindolfo está trapaceando seu cliente. É ele quem alerta para o fato de que as pretensões de Medeiros — “500 mil, 600 mil reais” — eram pequenas para o que poderia amealhar de Law King Chong. Estava roubando o patrão em conluio com o estafeta do extorsionário.

Vamos voltar ao que disse Protógenes a Caros Amigos. “O deputado passa a fazer uma ação controlada. Fernando fica com medo. Falei “deputado, não vou perder esse trabalho, haverá um prejuízo grande para a sociedade”, “qual a saída?”, “precisa arrumar outro”, “quem?”, “o senhor”, “eu?”,”sim, você não foi do Partido Comunista? Não foi exilado na Rússia? Tem todos os requisitos pra uma operação de infiltração”, “eu topo”. Firmeza. Falei “o Law não confia em ninguém, chega um momento que tem que estar presente com o dono do negócio, e o senhor é o dono”.

Desta forma, o delegado se ufana de ter transformado um parlamentar federal em uma espécie de X-9 da PF. Medeiros topou o papel de isca . Teria se saído bem, na versão sustentada por Protógenes.  “Esse vídeo é fantástico. Um diálogo sugestionado por nós”, gaba-se o presidente da investigação.

O restante da história está contido nas imagens que publico agora. Apesar de editado, de ter sido produzido por uma fonte interessada (os advogados de Law), há no vídeo uma riqueza de detalhes sobre a preparação do flagrante.

O tempo todo, é Medeiros quem induz o contrabandista ao cometimento do crime. É ele quem pede, é ele quem estabelece as condições de pagamento, é ele quem pergunta o que Law Kin Chong quer do relatório da CPI.

A performanece do deputado é digna de um ganster. Se estava nervoso como relata o delegado, nem de longe deixou transparecer. E aí vem a pergunta que abre este post: se não era para achacar o comerciante, por que Medeiro se comportou como um extorsionário? Que papel é esse, deputados ?

A resposta é óbvia: se não estava ali para achacar o contrabandista, o presidente da CPI da Pirataria estava funcionando como elemento auxiliar de uma aberração jurídica. Para prender Law, Protógenes necessitava de uma prova robusta, não dos indícios dos problemas “municipais”. Precisava preparar um flagrante. E flagrante preparado é absolutamente ilegal, de acordo com a jurispurdência condensada na Súmula 145 do STJ. Ela prescreve que ” não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.”

Aceitar sem questionar a versão de que a cena não registra flagrante de uma extorsão, e sim a preparação do flagrante de corrupção, não melhora as coisas para o ex-deputado — e piora para o então delegado. Protógenes Queiroz, que ilustra sua biografia com prisões espetaculares, sempre testemunhadas de muito perto por uma rede de televisão, produz uma prova contaminada, um factóide jurídico que poderia facilmente contaminar todo o processo, como aconterceu em outro caso rumoroso protagonizado pelo ex-delegado.

Foi por agir muito além dos limites legais de sua atuação que Protógenes Queiroz conseguiu o feito de anular sua maior conquista como policial: a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Se deve a alguém o mérito pelo fim dos problemas judiciais decorrentes da Operação Satiagraha, é a Protógenes que o banqueiro precisa agradecer. Foi ele quem provocou a anulação do inquérito ao infiltrar indevidamente agentes da ABIN na investigação e até cooptar jornalistas para  trabalhar na materialização de provas que, mais tarde,   o STJ iria desqualificar por estarem contaminadas.

Eivada de vícios análogos aos do caso Law, a conduta do delegado na Operação Satiagraha valeu a Protógenes uma acusação de fraude processual que aguarda julgamento no STF. Ele é acusado de ter manipulado as imagens em que um emissário de Dantas foi filmado supostamente oferecendo um milhão de reais de propina para livrar a cara do banqueiro. Às cenas, captadas pelas câmeras da Rede Globo,  foi sobreposta uma trilha de áudio gravado em um telefone celular.

A repetição desse tipo de comportamento define uma espécie de um método (ou modus operandi, ou know-how) heterodoxo de investigação reiteradamente utilizado por Protógenes Queiroz ao longo de sua atuação como delegado da Polícia Federal. Foi assim que ele conseguiu o prestígio que acabou contribuindo para elegê-lo deputado federal. A fama de durão, portanto, decorre não apenas de sua aparente obstinação em combater a corrupção — mas também de uma atuação deliberada na preparação dos flagrantes que ilustraram sua reputação.

A entrevista sugerida pelo leitor Flávio Farias traz outros elementos definidores do método de investigação do delegado Protógenes: a utilização da mentira como arma de ataque. Na matéria, sem nenhum elemento de prova que sustentasse a afirmação, ele injuriou   Reinhold Stephanes ao dizer que o ex-ministro da Agricultura participava de um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ao tempo em que presidiu o Banestado. Stephanes o processou e Protógenes teve que se retratar, reconhecendo que fizera as afirmações infamantes a despeito de ter “conhecimento parcial” de que elas eram inverídicas.

Comentários

  • sandra do amaral toledo

    16/08/2013 #1 Author

    Esse chinês o Lao a que muitos invejosos e fracassados se referem a “bandido” gera milhares de empregos e já fui na Pajé e vi que os consumidores saiam de lá satisfeitos com a compras de seus produtos, se ele sonegava tinha motivos para conseguir competir e notei que o desconto era repassado aos consumidores. Lá ele me ajudoucom os descontos em alguns utensilios domésticos.

    E o governo me ajuda em quê, meus filhos e netos eu paguei escolas particulares, tenho planos de saúde, apesar de pagar meus impostos e ainda por cima pago seguranças particulares, se contar com os milhões que minhas empresas pagam de impostos. Responde para mim no que esse governo me ajuda, pelo contrário eu ajudo ele pois eu pago impostos e exporto minha produção trazendo dólares para o pais, ai pára mascarar tanta sujeira nos bastidores da policia, governo, pegam esse bode expiatório que é o Sr. Law Kin Chow. que gera empregos e dá oportunidades as pessoas diminuindo assim a crimialidade e o uso de drogas, pois dá ocupação á essas pessoas carentes que são camelôs e pequenos empresários. que Deus o abençoe muito Sr lao e continue a trilhar sua jornada e não dê ouvidos a esses puxa-sacos fracassados do governo, pois todos os meses seus salários estão garantidos pela união enquanto a gente tem que lutar e conquistar. Cordialmente, Sandra Toledo, 574o forbes word

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  • Lucena r.sousa

    24/05/2012 #2 Author

    O Pannunzio, até vc.? Esta na cara que estas gravações depois de tanto tempo e somente para ajudar o chinês em suas dezenas de processos que deve ter, respeito muito seu trabalho, porém ta cara que vc. Esta a serviço de alguém ou de seus advogados, não faca este tipo de jogo não macule seu curriculum, vc. E um profissional nota 10 não precisa disto, não caia na vala comum, todos sabem que o chinês e o maior contrabandista do Brasil, deste jeito, ta muito na cara rsrsrs

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    • Fábio Pannunzio

      24/05/2012 #3 Author

      Lucena, isso seria inócuo como peça de defesa. O contrabandista já foi condenado e cumpriu a pena.

  • katia Azevedo

    24/05/2012 #4 Author

    Estou absolutamente impressionada com a força de convencimento de uma matéria editada,, rsrsrs.. O material postado acima está transcrito na íntegra no processo, que tive a oportunidade de ver… E creio que poucos se lembram que o Law foi preso sob a acusação de tentar subornar Medeiros, embora a totalidade da gravação prove que foi justamente o inverso.. Ou seja, não conseguiram provar que ele era o “megacontrabandista””, como pisou e repisou a Globo.. Seja lá qual for a real atividade de Law, o fato é que a armação teve como único objetivo aumentar a popularidade de Protógenes e Medeiros. O primeiro consegui o que queria , um cargo no Congresso. Já o segundo teve menos sorte,,, não conseguiu se elever senador e tampouco se reeleger deputado… quem ainda confia em Protógenes (que é novato no roll da picaretagem) devia ao menos relembrar o passado de Medeiros, um trasnte desde o tempos de Força Sindical… Dificil compreender a insistência de alguns em querar tapar o sol com a peneira. Triste!

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  • Jose Almeida

    23/05/2012 #5 Author

    Parei na Satiagraha.Já tava ruim, mas alí já não era mais verdade. É ponto pacifico que a participação da Abin na Satiagraha foi legal. A operação foi cancelada pelo juiz do STJ Macambu que afirmou que o inquerito não poderia ter inicio em uma denuncia anônima. Logo quem salvou o Dantas foram dois juizes, Mendes e Macambu. E o PGR que até hoje não recorreu ao STF contra essa vergonha. Só não entendo essa sisma contra o Protógenes? Não conseguem fazer um texto serio sem inverdades. Ontem aqule texto horroroso e hoje a tentativa de justificar uma ilação com outra inverdade. Que que acontece PAnnuzio?

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    • Fábio Pannunzio

      23/05/2012 #6 Author

      Bom, você deveria ter lido o texto todo antes de se manifestar. Neste post não há rigorosamente nenhuma inverdade. Aponte-as, por favor. E aí teremos uma discussão realmente séria e produtiva.

    • Jose Almeida

      24/05/2012 #7 Author

      “Foi ele quem provocou a anulação do inquérito ao infiltrar indevidamente agentes da ABIN na investigação e até cooptar jornalistas para trabalhar na materialização de provas”. Não foi isso que considerou o ministro Gilson Dipp. E eu prefiro confiar no Dipp do que no Macabu que tem um filho que trabalha pro advogado do réu.

  • Francisco Azevedo

    23/05/2012 #8 Author

    Corrigindo, (brilhante) jornalista Fábio Pannunzio: eleito mesmo esse delegado bundão não conseguiu ser; não fossem os milhares de votos do palhaço (muito mais sério que o delegado) tiririca, ele estaria hoje à disposição da justiça comum, porque sem imunidade parlamentar, para responder pelos seus crimes de lesa constituição.

    Um abraço e parabéns pelo blog

    Azevedo

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  • Bruno Amaro

    23/05/2012 #9 Author

    Já falo faz tempo que o Protógenes é um engodo, tem um patrimonio que não condiz com seus vencimentos, além disso é messiânico e atropela a lei.
    Com certeza ele é o maior assessor do Dantas, vai livrá-lo da cadeia. Mas dizer que houve um “suposto suborno” do Dantas é forçar a barra, ele é condenado à cadeia por esse suborno, portanto você pode afirmar que ele subornou. Talvez nas instâncias superiores a prova seja anulada por esse modo ilegal de obtenção de prova, mas o suborno não deixará de ter existido.
    Quanto ao Privataria Tucana, o livro é horrível, mau escrito e com uma idéia ridícula. Quando o autor faz uma análise ideológica das privatizações, desqualifica sua própria investigação. Mas que há elementos fortes de corrupção, isso há.

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  • Victor

    23/05/2012 #10 Author

    Coitado do “Pafúncio” …Sob as ordens dos “coronéis midiáticos”,,,

    Seu comentário não ultrapassou o mata-besta eletrônico do blog. Você foi vetado.

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    • Victor

      23/05/2012 #11 Author

      Parabéns pela “ampla” democracia …
      Seu comentário foi vetado por não ter conseguido ultrapassar o mata-besta eletrônico do blog.

  • Kamillo

    23/05/2012 #12 Author

    Essa matéria está mais para peça de defesa de Law Kin Chong. A condenação ao que fizeram Medeiros e Protogenes serve à tentativa de incentar o Chinês. A suposta bandidagem de Medeiros em conluio com Protogenes não torna o criminoso Law em inocente. Que coisa mais feira Pannunzio!!!

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  • Flavio

    23/05/2012 #14 Author

    Pergunta inocente: Por que só agora os advogados do Law estão divulgando esse vídeo ?

    Responder

    • Fábio Pannunzio

      23/05/2012 #15 Author

      Não foram eles que divulgaram, Flávio. Foi outra pessoa. Os videos chegaram a circular nas mãos de alguns jornalistas anos atrás, creio eu. Mas ninguém se interessou pelo que eles continham.

    • Flavio

      24/05/2012 #16 Author

      Blz, Fabio… Um material desses na mão de jornalistas e eles se interessaram ??.. aí acontece o de sempre. quando ressurge um assunto a ser apurado com seriedade, sempre aparece um iluminado pra acusar que é oportunista…eleitoreiro…golpista.. abs

  • Flavio F Farias

    23/05/2012 #17 Author

    Bem, eu ainda acho que há intenção de desqualificar o deputado Protógenes, e diminuir sua força política, como aliás posto em meu blog.
    Mas, espero que tenha sucesso em conseguir as informações para elucidar estas questões e que as publicize aqui.
    Quanto às minhas sugestões, sim acredito que goste, e por isso continuarei trazendo-as, e aliás acho importante o seu blog, embora discorde de muito do que é aqui repercutido.

    Responder

  • Airton

    23/05/2012 #18 Author

    Desculpe-me e desconsiderem comentário anterior
    Li o nome errado do livro .

    Responder

  • Flavio F Farias

    23/05/2012 #19 Author

    Pannunzio, o senhor já leu A CPI DA PIRATARIA pela Geração Editorial? Leia também.
    Existe alguma relação entre estas postagens (relativas ao delegado e ao chinês) e a atual CPI do Cachoeira? seria uma forma de desqualificar o dep. fed. Queiroz?
    O senhor confia mesmo na edições do vídeos?
    O senhor sabe informar se o judiciário analisou ou avaliou os vídeos como provas?
    O senhor sabe informar se os vídeos foram obtidos de forma legal, com anuência do judiciário, e posteriormente analisados por este para verificar a ocorrência de desvios éticos por parte do delegado responsável? quais as conclusões?
    Certamente, o jornalista verificará todas estas questões e nos trará as respostas para que não paire dúvidas sobre a intenção desta série de postagens, não é?

    Responder

    • Fábio Pannunzio

      23/05/2012 #20 Author

      As respostas estão todas no texto, professor. Os videos foram feitos pela PF, alguns deles com ajuda de uma equipe da Globo. Foram editados a pedido dos advogados do Law, como eu afirmei no primeiro post ao pedir cautela para analisá-lo.
      Sabe que eu gosto das suas sugestões, não é ? Também me interessei pela maneira como esse material foi apensado ao processo. estou atrás da informação, que ainda não obtive. Quantos oas desvios éticos, há problemas maiores ainda sendo apurados pelo STF: a fraude processual, por exemplo.
      Já li a Privataria Tucana sim. Fiz até alguns posts a respeito.
      A intenção da série de reportagens está expressa nela mesma: mostrar como o rabo abana o cachorro.
      Abraço.

    • Flávio Furtado de Farias

      23/05/2012 #21 Author

      é outro livro… não a privataria tucana, é um livro específico sobre a CPI da Pirataria.

    • Quintela

      23/05/2012 #22 Author

      Ato falho do blogueiro… ele só ler o que quer.. CPI da Pirataria… ele leu CPI da Privataria….rsrsrsrs

    • Airton

      23/05/2012 #23 Author

      Teve CPI da privataria ?
      Não é essa que o Protogenes , logo após o lançamento oficial do livro , colheu assinaturas e quer criar , mas pelo visto ficou só num mote pra promover o livro ?

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