Depois de dez anos de muita estrada, meu passaporte venceu. Tive que renovar rapidamente para cumprir o imperativo de outra viagem ao exterior. Achei...

Depois de dez anos de muita estrada, meu passaporte venceu. Tive que renovar rapidamente para cumprir o imperativo de outra viagem ao exterior. Achei que ia ser o diabo. Mas foi uma maravilha.

Acredite. No Brasil há serviços públicos que funcionam de verdade. Isso deveria ser a regra. Mas não é. É por esta razão que gasto e meu tempo e tomo o seu elogiando algo que deveria ser rotineiro, mas infelizmente constitui uma singularidade.

Aqui em Brasília, onde vivo, há um serviço que concentra o atendimento ao consumidor de vários órgãos públicos. Sei que há em vários estados, mas o daqui é espetacular. Chama-se Na Hora. Foi a um desses postos de que me dirigi.

Antes, fiz a solicitação do novo passaporte pela internet. Paguei a taxa sem sair de casa, imprimi o comprovante. Depois, no site da Polícia Federal, fiz o agendamento do atendimento. O posto que oferecia a data mais próxima era o de Taguatinga. Havia disponibilidade de horários no dia seguinte.

Cheguei meia hora mais cedo pensando que iria purgar um calvário. Ledo engano. Não havia fila — não havia literalmente ninguém na minha frente. Fui atendido 20 minutos antes da hora marcada. Que sensação maravilhosa!

A atendente da Polícia Federal foi gentil e atenciosa. Disse que faltava o comprovante eleitoral do plebiscito de 2.005. Orientou-me a procurar um cartório eleitoral. O mais próximo ficava a quatro quilômetros de distância. E qualquer um servia — eu não precisaria me deslocar por outros 50 quilômetros, como aconteceu de uma outra vez, quando precisei de uma certidão de quitação.

Descobri, então, que realmente não votara no plebiscito. A multa — irrisória — era de R$ 3,51. Podia ser paga na lotérica. Foi a única dificuldade que enfrentei. Com a mega-sena acumulada, a fila era enorme.

Vencido o percalço, voltei ao cartório eleitoral de Taguatinga. Esperei cinco minutos. Além do certificado de quitação, a moça sorridente que me atendeu imprimiu outro título, novinho em folha, corrigindo o nome da minha mãe, que fora grafado errado por um escrivão desatento em 1.982.

Beleza!

Volto ao Na Hora. Esperava uma filha enorme. Não havia ninguém na minha frente!!!! Em menos de dois minuitos, lá estava eu, diante de outro atendente da PF, tão gentil e dedicado quanto a primeira.

Cinco minutos depois, colhidas as impressões digitais numa maquininha que dispensa aquela tinta horrorosa, a solicitação estava encaminhada. De acordo com o protocolo, a data de entrega seria a próxima sexta-feira, dia 21.

Pois acabo de receber um e-mail comunicando que meu passaporte está pronto. É só passar lá e pegar o documento. Menos de 3 dias!!! Incrível!!!!! E estamos no Brasil!!!!!!

Já sei que quem vai buscar o documento tem prioridade na fila. É atendido antes dos demais. E mesmo que não fosse, não tenho nenhum motivo para duvidar de que vou chegar lá, ser atendido na hora e, sem perda de tempo, sair com meu documento no bolso.

Como seria bom que outros órgãos tivessem a mesma agilidade. A cidadania agradeceria.

Só pra lembrar, antigamente todo jornalista que precisava de um passaporte rapidinho tinha que ligar para um delegado amigo e pedir um favor. Eu mesmo recorri a esse expediente, que era praxe nas redações, uma vez.

Demorava meses se fosse pelo caminho normal. Mas,. com o jeitinho brasileiro, furava-se a fila de mortais comuns. Era uma vergonha. Eu mesmo me envergonhei quando recorri a esse expediente. Até porque você fica devendo um favor ao seu amigo, que pode se enrolar daqui a pouco e resolver cobrar a gentileza.

Entendeu porque a pressa, nesse caso, é amiga da perfeição ?

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