GABRIELA GUERREIRO Em depoimento ontem ao Conselho de Ética do Senado, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) negou ter usado o mandato para fazer lobby...

GABRIELA GUERREIRO

Em depoimento ontem ao Conselho de Ética do Senado, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) negou ter usado o mandato para fazer lobby para o empresário Carlinhos Cachoeira.

Ele disse ter informado o “amigo” com antecedência sobre operação da Polícia Federal para “testar” se Cachoeira tinha atividades ilegais.

O depoimento foi a primeira fala de Demóstenes no processo sobre quebra de decoro, que pode resultar na cassação de seu mandato. Para tanto, ele precisa ser condenado no conselho e em votação secreta no plenário. Não há prazo para isso.

Demóstenes chegou ao conselho de cabeça erguida e cumprimentou os membros da mesa. Disse estar em depressão, tomando remédios desde o início das denúncias.

Ele afirmou que vive o “pior momento” de sua vida, mas que tem “vergonha na cara” e, por isso, demorou um mês para voltar ao Senado e “ter coragem de olhar” os para colegas. Disse ainda ter redescoberto Deus.

Acompanhado de seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o senador procurou rebater todas as suspeitas em duas horas de fala. Depois, por mais três horas, respondeu perguntas de colegas.

Demóstenes disse ser vítima de uma “operação orquestrada” por policiais e procuradores para prejudicá-lo. Afirmou que os investigadores adulteraram áudios e vazaram trechos das apurações de forma seletiva.

Ele também negou ter recebido dinheiro de Cachoeira ou feito lobby para ele ou pela legalização de jogos de azar. Mas admitiu ter atuado pela Vitaplan, indústria farmacêutica de Cachoeira, como fazia com “várias empresas” de Goiás.

TESTES

“Que lobista sou eu que nunca procurei nenhum colega senador para discutir sobre legalização de jogos? Eu peço que eu seja julgado pelo que eu fiz, não pelo que eu falei que iria fazer”, apelou.

Sobre a gravação em que foi flagrado avisando Cachoeira de uma operação policial, Demóstenes disse que fazia “testes” com o empresário para confirmar se ele havia deixado a ilegalidade.

“Eu joguei verde em cima dele. Eu disse que tem operação conjunta da PF com o Ministério Público que nunca se realizou e nunca foi cogitada. Ainda assim, eu fazia esses testes com ele.”

Para sustentar a versão de que não sabia da atuação de Cachoeira, de quem afirmou ser amigo, disse que tomou conhecimento só em março de “ilícitos” do empresário -preso por explorar esquema de jogo ilegal, lavagem de dinheiro e corrupção.

Um dos argumentos a favor da cassação de Demóstenes é a sua suposta mentira em plenário sobre o desconhecimento das atividades de Cachoeira.

No depoimento de ontem, Demóstenes confirmou que Cachoeira lhe deu um rádio Nextel citado como antigrampo. As contas, também pagas por Cachoeira, variavam de R$ 30 a R$ 50 por mês. O senador reconheceu que a atitude foi um “erro”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Demóstenes nega lobby para Cachoeira – 30/05/2012.

Comentários

  • Vanessa

    30/05/2012 #1 Author

    Mais um para a série “me engana que eu gosto”.

    Ô Demóstenes: ninguém consegue enganar todo o mundo todo o tempo!

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  • Flavio

    30/05/2012 #2 Author

    Por que o “baluarte da ética”, o “voz do clamor da sociedade”, o “muso do jornal da globo”..senador Alvaro Dias correu ontem do depoimento do Demostenes ???

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  • Flávio Furtado de Farias

    30/05/2012 #3 Author

    Pannunzio, você assistiu o episódio?
    Este texto aí descrito está longe do que ocorreu.
    Eu assisti e não isto que o Senador Demóstenes afirmou não.
    Ele disse literalmente ser lobista desta causa e explicou suas motivações. Ele chegou mesmo a utilizar a expressão “fiz lobby”, momento em que o advogado lho falou alguma coisa ao ouvido, até pensei que iria lho aconselhar a mudar o que disse, mas era outro o assunto, alertava o advogado para o que estava sendo publicado nas mídias socias, distorcendo algumas coisas que acabara de dizer. Ao que ele enfatizou o que tinha dito a pouco tempo para não deixar dúvidas.
    Mas ele afirmou que fizera lobby.
    Quanto ao uso de telefone nextel, ele não reconheceu como erro. Pelo contrário, ele ficou perplexo e perguntou qual a importância do fato, uma vez que era de um valor irrisório. Ao que o Senador Randolfe disse que não importava o valor.
    .
    Matéria mal escrita esta que você está repercutindo acriticamente.
    Novamente, pergunto você assistiu atenciosamente a sessão?

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    • Fábio Pannunzio

      30/05/2012 #4 Author

      Professor, num raro momento de concórdia, temos uma opinião muito semelhante. Eu não assistir À sessão. Estava em viagem ao interior do estado. a reprodução realmente foi acrítica. Eu acho esse Demóstenes o fim da picada.

    • Flávio Furtado de Farias

      30/05/2012 #5 Author

      Pannunzio, não são raros os momentos de concórdia. Apenas os que se referem às nossas visões políticas (geralmente partidária), pois outros aspectos – direitos humanos, violência, saúde – tenho certeza concordamos em muitos aspectos.
      .
      Aproveito, para parabeniza-lo pelo excelente CANAL LIVRE no final de semana passado. Assisti quase integralmente. Muito lúcido o entrevistado, e instigante. Você já havia adiantado com uma postagem aqui no blog.
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