Do Estadão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao dizer que o...

Do Estadão.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao dizer que o parlamentar, até o momento, tomou as “medidas certas” em relação à crise no Legislativo e que não se pode levar a sério “o oba-oba do denuncismo”. Em entrevista à Rádio Tupi AM, do Rio, Lula explicou a sua posição, ao frisar que defende a “instituição”.

“Então você fala, bom, Lula, por que você apoia o Sarney? É menos do que apoiar um homem, é apoiar a instituição. Você não pode a cada vez que alguém fizer uma denúncia ao (governador) Sérgio Cabral (PMDB-RJ), você tirar o Sérgio, ou tirar o (prefeito do Rio) Eduardo Paes (PMDB)”, afirmou. “Defendo que haja um processo justo de investigação, uma apuração correta, depois se faça um julgamento correto. Se a pessoa for culpada, paga pelo crime que cometeu.”

Na fala à rádio, Lula comparou o cenário atual às pressões da União Democrática Nacional (UDN) sobre os governos Getúlio Vargas (1951-54) e Juscelino Kubitschek (1956-1961). Segundo Lula, os dois ex-presidentes foram alvo dos “denuncistas” da sua época. Chegou a citar, também, o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTB-AL), inimigo do PT na eleição de 1989 e hoje aliado.

“Esse país teve um presidente que governou com mão dura durante 15 anos chamado Getúlio Vargas. Quase tudo que nós temos foi feito por aquele homem, inclusive a Petrobras. Esse homem nos quatro anos de democracia foi levado ao suicídio porque era chamado de ladrão todo dia, era chamado de corrupto todo dia.”

“Juscelino Kubitschek era chamado de ladrão todo dia, é só pegar os denuncistas da época, que era a UDN, porque a direita está cheia de ética para vender, depois tivemos o Jânio Quadros, meses depois renunciou por causa de forças ocultas. Depois João Goulart, depois foi o Collor…”

Lula avaliou que o Senado tem como resolver a crise sozinho. “O Senado já cassou Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, (José Roberto) Arruda, cassou o Renan (Calheiros). Então faça um processo de investigação. O Sarney tem culpa? Tem. Merece ser cassado? Casse. O que não dá é que as pessoas achem que você pode trocar um presidente da instituição todo dia. Aí ninguém tem estabilidade.”

Os senadores citados pelo presidente não foram cassados. Renunciaram, em meio a escândalos, para evitar a perda de mandato.

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