Não foi uma entrevista, foi bajulação explícita. Ainda assim, foi louvável o esforço de Lula para aparecer no programa do Ratinho. Ele entrou no...

Não foi uma entrevista, foi bajulação explícita. Ainda assim, foi louvável o esforço de Lula para aparecer no programa do Ratinho. Ele entrou no palco claudicante, mas dispensou a muleta. Teve que se amparar na mesa do cenário para que as pernas não lhe traíssem. E enfrentou o incômodo de uma garganta ainda doente que lhe conferiu um tom metálico à voz.

A julgar por tudo o que lhe foi perguntado e pelas respostas oferecidas, o objetivo da presença de Lula no Ratinho foi plenamente alcançado: apresentar às classes C e D o candidato que ele impôs ao PT para disputar a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Lula não estava ali para esclarecer nada, estava ali para fazer campanha.

Quem assistiu do começo ao fim ficou sabendo algumas coisas fundamentais para entender Lula. Sabe-se agora que ele come rabada com apresentadores de TV, que arrumava sua casa e cozinhava quando ia a São Bernardo do Campo passar fins-de-semana com a esposa Marisa e que ele tomou dois tombos, e não apenas um. Onde ocorreu o segundo ele não revelou, talvez porque isso faça parte do rol de coisas das quais não convém falar.

Ratinho, que montou uma rede de emissoras de rádio e televisão ao tempo da gestão do amigo, criou um clima emocional para recebê-lo. Exibiu um trecho de ‘Lula, o Filho do Brasil’ e botou no ar uma matéria enaltecendo o PROUNI. A filha de um pedreiro que está estudando medicina ilustrou metonimicamente a abordagem.

Duas outras figuras públicas de grande prestígio foram utilizada como peças auxiliares para a promoção das virtudes do ex-presidente. Ronaldo Fenômeno cedeu-lhe a associação com sua imagem resiliente. Apareceu novamente como o personagem que não desiste nunca. E Zeca Pagodinho o convidou para um chope, aproveitando-se da oportunidade para reiterar o cervejeiro, fazendo uma espécie de merchandising de seu (dele, Zeca Pagodinho) alcoolismo lucrativo.

Luis Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo, tem motivos para ficar enciumado. Mereceu apenas um cumprimento do apresentador e nenhuma palavra do entrevistado. Ficou na platéia enquanto seu companheiro paulistano foi convidado a se sentar em uma cadeira ao lado da ribalta, embora seja tão candidato quanto Haddad.

O affair com o ministro Gilmar Mendes só foi abordado no último minuto do programa, quando a entrevista já resvalava para as considerações finais – ainda que Ratinho tenha antecipado que não queria entrar no assunto porque o povo “não está entendendo” esse assunto. Lula passou ao largo do problema, disse apenas que já havia se maniffestado em uma nota. Não se manifestou. A nota não é dele, é do Instituto Lula, e nela não há nenhuma declaração de Lula de que a versão do encontro apresentada pelo ministro do STF não é verdadeira. O silêncio reiterado, a esta altura, parece deixar claro que o desmentido não é um problema estratégico — é uma impossibilidade concreta.

Comentários

  • LUIZ DE MORAES REGO FILHO

    03/06/2012 #1 Author

    A História de Mora: Proposta indecente (Hoje no Jornal O Globo). Uma estória / história parecida com a encenada por Lulla, GM and “a certain Mister jobim”. Trata-se do “Rendez Vouz” ocorrido entre Tales Ramalho, Golbery e Ulysses. De comum entre as duas estórias / histórias: O POVO SEMPRE DE FORA! Corroborando o que Lima Barreto disse: “O Brasil não tem povo! Tem público”. Sim, tem público para assistir estupefato os dois ou até mais “Ménage à trois” como os ocorridos com atitudes anais para com o povo, desculpem, o público do Brazil. Só faltaram mesmo ocorrer num “Rendez vouz” esses “Ménage a trois” com certeza enquadrado no tipo AAA. Melhor que fosse uma “mexicana” ao estilo Quentin Tarantino com cada um dos envolvidos disparando analmente, simultaneamente um no outro.

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  • Alex

    01/06/2012 #2 Author

    Comentar o que ? NADA!

    nada a declarar, nao por esconder alguma coisa, mas por vergonha de ver um espetaculo tao deprimente…
    que republica onde chegamos meu Deus???
    poderia dizer patetico…
    o melhor de tudo..o cara nao esta podendo como outrora
    a vida, o tempo e a morte fazem a diferença…
    o poder é temporario cara palida…seu tempo ja foi
    fica imaginando que ainda é! nao fostes e nao serás mais
    a fila anda querido…
    Alex

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  • Flávio Furtado de Farias

    01/06/2012 #3 Author

    E o Pannunzio fica assistindo a tudo isto. Pode olhar, não tem problema.
    Nunca reclamou, o Pannunzio, quando foi o Serra que fez, agora fica aí de biquinho. Pode ficar.

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    • Airton

      01/06/2012 #4 Author

      E que foi que o Serra fez ?

  • Airton

    01/06/2012 #5 Author

    O Lula encontrará espaços tão propicios como esse para fazer campanha pro Haddad ? Com certeza não . E com a saúde debilitada como fará para participar de comicios na tentativa de eleger o seu eleito ?
    No final de novembro aquele que acha que tudo pode verá que não é Deus e se dará por satisfeito..

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  • Dorothy Lamour

    01/06/2012 #6 Author

    É conhecida a capacidade do indivíduo entrevistado de enganar a tudo e a todos. A metamorfose continua ambulante.

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