A epidemia de gripe suína avança. Todo mundo está apavorado, inclusive eu. Tenho cinco filhos, três deles ainda suscetíveis a infecções virais porque são...

A epidemia de gripe suína avança. Todo mundo está apavorado, inclusive eu. Tenho cinco filhos, três deles ainda suscetíveis a infecções virais porque são muito novinhos. Compartilho com todos os pais a angústia em relação à disseminação dessa doença.

Entrevistei ontem o infectologista David Uip, no Jornal da Noite. É um dos maiores, senão o maior especialista em pandemias do país. Ele está muito preocupado. Sabe exatamente qual o potencial de dano que esse vírus pode provocar.

Antes da entrevista, ele me disse que a epidemia leva cinco dias de vantagem sobre os serviços de vigilância. É o período de incubação do vírus. As pessoas estão contaminadas, não apresentam ainda nenhum sintoma e já estão espalhando a gripe.

Também segundo o Dr. David Uip, há portadores assintomáticos. Eles entram em contato com o vírus, não desenvolvem os sintomas, mas são portadores ativos e, portanto, disseminadores ativos.

Uma das evidências mais estranhas dessa epidemia é que ela parece estar afetando mais pessoas na faixa entre 24 e 42 anos do que pessoas mais vulneráveis, como as crianças e os idosos. Não existe explicação para essa constatação, uma vez que é nessa faixa etária que o sistema imunológico está mais maduro e mais apto a proteger o organismo das ameaças virais.

O mais grave de todos os aspectos da doença é a altíssima taxa de mortalidade. A prevalecer o perfil de morbidade anotado até agora no México, seis por cento dos pacientes infectados pelo H1N1 morrem. Isso equivale a praticamente um morto a cada 15 ou 16 doentes. É 12 vezes mais letal do que as epidemias de influenza que todos os anos assolam o Planeta.

Com essa doença não dá pra brincar. Também não dá para tergiversar sobre as armas estratégicas para enfrentá-la. Uma das coisas controversas é o estoque do antiviral Tamiflu, o único medicamento disponível no Brasil com efetividade comprovada contra a gripe suína. O governo diz que tem nove milhões de kits. A Roche, o laboratório que fabrica a droga, diz que há três milhões de kits espalhados pelo mundo. Com quem está a verdade ? 

Pode ser que a contabilidade oficial esteja certa. O princípio ativo do Tamiflu integra o coquetel antiviral ministrado a pacientes de AIDS.

Vamos torcer para que seja verdade. O Brasil vai precisar dessa medicação, que já desapareceu das farmácias. Mas fica a pergunta: se a medicação dos portadores de HIV for destinada às vítimas da gripe suína, como ficará a situação de quem precisa tomar o coquetel para controlar o vírus da AIDS ?

 

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