Achei até elegante o texto de Mino Carta. Elegante e vazio. Faltou explicar por que  ele escreveu o que escreveu em Veja, permitiu que...

Achei até elegante o texto de Mino Carta.

Elegante e vazio.

Faltou explicar por que  ele escreveu o que escreveu em Veja, permitiu que escrevessem o que coonestou como editor da revista, condição que o obrigava a responder por toda a publicação.

Faltou justificar os elogios à “tranquilizadora” OBAN, à demora da ditadura em registrar a prisão dos que iriam morrer e até o enaltecimento ao “Ame-o ou Deixe-o”.

Houve uma impropriedade no uso da palavra “calúnia”. Ela descreve um tipo penal. E o problema é de natureza ética e moral.

De outra forma, não se pode caluniar alguém revelando seus próprios textos. O nome disso é crítica, e não calúnia.

Também faltou coragem para assumir o que fez — preferiu fazer alusão a um bom nome de dupla de circo. Não teve coragem para me chamar literalmente de palhaço.

Não vou tecer comentários em relação à covardia aludida por ele. Porque fui eu quem publicou os textos.

Prova de que coragem, pelo menos para enfrentá-lo, não me falta.

Sugiro aos leitores a leitura da série que publiquei. Os textos se encontram aqui.

Comentários

  • gilberto santel

    25/06/2012 #1 Author

    Por que não se pode criticar a “esquerda”?Lembro de uma capa de Isto E, à época, dirigida por Mino Carta, quando os banidos estavam de retorno ao pais.Fernando Gabeira lança a moda da tanga de crochê.Um tanto estranho àquela época para o distinto público masculino.Mas Gabeira era(e continua sendo) como ele é.Pois bem.O patrulhamento” esquerdista” foi virulento em cima da revista.Na edição seguinte, a revista veio com matéria de capa:PODE-SE CRITICAR RETORNADOS?Apenas por isso, a crítica à tanga, poderia caracterizar uma crítica reacionária, dirigida a um ícone da esquerda, como era considerado Gabeira naquela época?Falta sensatez jornalística aos que defendem o PT(e têm todo o direito de defende-lo) para aceitar a crítica oposta sem rotulá-la de direitista, reacionária, comprometida com o PSDB.Isso é democracia.

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  • Fábio Blanes

    13/06/2012 #2 Author

    Seria muito interessante que se pudesse localizar uma entrevista de Mino Carta com Jânio Quadros em que este reduz o entrevistador a pó de traque. Vale a pena.

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  • Ivan Lima

    05/06/2012 #3 Author

    Mino Carta não precisa responder ao Pannunzio. Deveria debater com profissionais mais gabaritados. Gente que, relamente, tem peso na história do nosso jornalismo.

    Responder

  • Emilson Werner

    04/06/2012 #4 Author

    O Mino deu uma aula de bem escrever a todos os que o criticam. E em sua memória prodigiosa faz o que sabe bem fazer: recordar como era complexa e difícil a tarefa de informar os cidadãos com um censor em seu cangote. Dizer o não dito nas entrelinhas, e ainda assim, ao menos para os que tinham inteligência para ler em profundidade, não se entregar, combater o combate possível numa época de trevas.
    O texto de Mino não é o texto histérico de Azevedo, nem tampouco a tentativa com casca de academicismo de um Magnoli e asseclas. É claro, como não foram seus acusadores.
    Azedo Azevedo acusou-o de “elogiar e agabar” a ditadura em três parágrafos pinçados de um texto de 1968. Eu os li, e lá salta aos olhos nada mais que uma crítica leve, que é o que se podia ser contra canhões e bancas de jornais que explodiam toda manhã. Mino diz que a ditadura concentrou poder e entregou-o nas mãos de Médici. Fato: contra isso, nem o próprio Médici poderia se pôr.
    A acusação parte de pessoas que não viveram o período, nem podem avaliar o que é “elogiar e agabar” um poder que é mais forte, mais forte até que um patrão a te demitir.
    P.S. O Millôr foi sim entregue aos leões pelo Roberto. Infelizmente.

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    • Vivi

      04/06/2012 #5 Author

      Emilson, concordo com você!
      Falou tudo o que eu tive preguiça de escrever, mas também percebi.

    • Emilson Werner

      04/06/2012 #6 Author

      Obrigado, Vivi.
      É o primeiro “reply” positivo que recebo. Mas, como revisor de textos, não posso deixar de anotar o prazer que dá ver um texto bem escrito. O que às vezes falta aos azedos azevedos, aos enrolados magnolis e aos noblats da vida. Vi uma defesa muito dolorida do Mino Carta, pois o ofenderam no mais profundo: a segurança de ter feito o que pode, uma pena contra o canhão (a imagem é piegas, mas vale).

    • Vivi

      04/06/2012 #7 Author

      É o discurso do ódio. São os porta-vozes da direita raivosa.
      É triste assistir a essa tentativa tardia e oportunista de demolir a sua biografia.
      Mino Carta não é santo, nem está livre de cometer erros, mas certamente não esperava tornar-se alvo da artilharia da Casa Grande a essa altura da vida…

    • Joilson

      04/06/2012 #8 Author

      Sim. Mino Carta escreve muito. Não chego a acreditar que ele defendia os militares. Não vou por essa linha.

      Mas não acredito na sua sinceridade quando defende o projeto do PT com unhas e dentes. Defende tanto e de tal forma que não parece no fundo acreditar no que escreve.

      Ninguém tão culto teria verdadeiramente nenhum senso critico sobre o PT.

  • Alessandro

    03/06/2012 #9 Author

    Não, Pannunzio! O “vazio” que Mino Carta trouxe no seu texto preencheu (transbordou até) a gigantesca lacuna nas suas considerações e acusações prévias.

    Pinçar aqueles textos, sem mencionar todo o resto, não parece honesto. Parece um atalho.

    Acho que o Jotavê disse tudo. Esperamos a sua resposta.

    Responder

  • Jotavê

    03/06/2012 #10 Author

    Só mais uma perguntinha – só para constar, pois sei que a perguntinha que farei não tem resposta. Mas perguntinhas que não têm resposta, vez por outra, precisam ser feitas, não é mesmo? Lá vai a minha:

    Vocês acham que Roberto Civita realmente ofereceu a cabeça de Millor Fernandes na bandeja, conforme alega Mino Carta? Vocês acham que Roberto Civita deveria “vir a público dar explicações” (é assim que se diz, não?) a respeito dessa “grave acusação” (estou pegando o jeito da coisa…)?

    Não? Ah, bom…

    Responder

    • Big Head

      03/06/2012 #11 Author

      Jotavê, o post é sobre Mínimo Carta, não? Como um grande leitor e fão do Millôr, acharia a suposta atitude mais que reprovável, mas o que isso teria a ver com os textos laudatórios à Ditadura vindos da pena do ítalo-brasileiro? Nada. Ponto.

    • Jotavê

      03/06/2012 #12 Author

      Essa é a lógica do denuncismo. Você vai lá no passado, desencava duas ou três frases fora do contexto e põe o cara na roda. Aí, vem o dilema.

      Se ele responde (como o Mino Carta respondeu), valoriza a denúncia feita, fazendo com que o assunto se estenda.

      Se ele não responde, dá a impressão de estar passando recibo.

      Estou lhe fazendo um convite muito simples. Estenda a sua lógica, agora, à denúncia feita por Mino Carta. Se estivesse na pele de Roberto Civita, o que você faria? Responderia, ou não?

      Quanto à “denúncia” propriamente dita, eu lhe pergunto só uma coisa. Se fosse o caso de bajular a ditadura e justificar a tortura, por que raios a revista Veja teria publicado MATÉRIAS DE CAPA denunciando a existência da tortura, enquanto na Rede Globo de televisão, se a memória não me falha, Amoral Nato tinha um programa dominical?

    • Big Head

      04/06/2012 #13 Author

      Jotavê, lógica do denuncismo é condenar alguém sem nem ao menos ter frases pinçadas, descontextualizadas ou coisa parecida. Nadianha mesmo. Aliás, denuncismo mesmo é condenar quando as frases justamente contrariavam a condenação. Foi precisamente o que o panfleto chapabranca minocartiano fez no caso Policarpo, ecoado por aqui através de você. Neste caso aqui não há pinçamento de frases coisíssima alguma. Deixe a preguiça de lado e veja que há sim textos inteiros louvando aspectos do regime. Só não vê quem não quer.

    • Jotavê

      04/06/2012 #14 Author

      O caso de Policarpo Jr e da revista Veja, tal como eu o tenho abordado, é diferente. Não aconteceu há quarenta anos atrás, mas agora. Não envolve a tentativa de destruir uma pessoa em função das posições políticas que assume, mas a análise de alguns dos fatos políticos mais relevantes dos últimos meses. Não ignora o contexto em que os fatos se deram, mas parte exatamente desse contexto para, ali, situar a atuação do jornalista e da revista Veja em determinados episódios.

      Procure em todos os meus textos. Não encontrará NENHUMA menção aos “200 telefonemas” supostamente dados por Policarpo Jr. Pelo contrário. Se for a outros blogs, verá que eu chamo (com todas as letras) de MENTIROSA essa fofoca, e argumentando que, mesmo que houvesse 500 telefonemas, isso por si só não quereria dizer nada.

      Meu ponto é outro.

      Combato o tipo de jornalismo partidarizado feito tanto pela revista Veja quanto pela revista Carta Capital. Ambas obedecem à mesma lógica do jornalismo stalinista dos tempos da Guerra Fria: a bússola editorial é dada pelos EFEITOS POLÍTICOS que as palavras publicadas possam gerar. A objetividade vai para o espaço, e passa a valer o lema segundo o qual o inimigo de meu inimigo é meu amigo. Foi isso que transformou um contrabandista importante com óbvias conexões e interesses em todo o aparelho de Estado num informante regular da revista Veja ao longo de mais de cinco anos. Foi isso que transformou o senador Demóstenes Torres num mosqueteiro da ética, com direito a CAPA e páginas amarelas na revista que tinha entre seus informantes regulares o CHEFE da quadrilha à qual o senador Demóstenes pertencia.

      Minha única acusação a Policarpo Jr, pessoalmente, é a seguinte: não me parece razoável supor que ele, tendo o contato amiudado que tinha, ao longo de tanto tempo, com Carlinhos Cachoeira, de um lado, e Demóstenes Torres, de outro, não soubesse que ambos jogavam do mesmo lado, pertenciam ao mesmo esquema. Na minha opinião, Policarpo Jr. SABIA disso, e mesmo assim a revista para a qual ele trabalhava continuou a cacifar o senador Demóstenes Torres para não perder conexão com sua principal fonte de informações para colecionar peças de artilharia (verdadeiras e fajutas, como o “falso grampo”) contra o PT.

      Esse tipo de jornalismo não é apenas empobrecedor. É também perigoso.

    • Emilson Werner

      04/06/2012 #15 Author

      Isso mesmo, Jotavê. Esse tipo de jornalismo é podre desde o nascimento, pois não se digna a olhar a realidade. Cria uma apenas sua e a usa para malhar ad libitum a verdade dos outros. Quando se substitui realidade por verdades, quem perde é o leitor.

  • Wilson Santos

    03/06/2012 #16 Author

    Prezado Pannunzio,
    O caminho que você escolheu, em nada difere dos que fazem jornalismo partidário e parcial, os quais você chama de BESTA e outros chamam de PIG.
    Você, PHA, Reinaldo Azevedo, Mino Carta, Augusto Nunes, Nassif, etc. estão no mesmo barco, uns remando para a direita e outros para esquerda.
    Lamentável!!!

    Responder

    • Alex

      03/06/2012 #17 Author

      Olha só, vão começar a achar que eu levo grana do Pannunzio pra defender ele aqui rs, mas vamos combinar, não misture o cara com a maioria desses ai, ele bate onde tem que bater, tem um estilo elegante, eu acompanho o blog dele faz uns dois meses.

      Tá só devendo um post sobre a Isto É, Pagot e Serra pra gente poder comentar, Pannunzio.

    • Fábio Pannunzio

      03/06/2012 #18 Author

      Vou fazer, Alex. Ocorre que eu estava viajando no fim-de-semana. Estou na estrada agora, minha mulher dirigindo, e eu liberando comentários do IPad. Assim que chegar em SP vou atualizar o blog.

    • Airton

      04/06/2012 #19 Author

      Pannunzio não esqueça de ler o blog da Adriana Vandoni sobre o Pagot

      http://prosaepolitica.com.br/2012/06/02/boquirroto-arrependido/#more-42822

    • Big Head

      03/06/2012 #20 Author

      Não saber separar o joio do trigo já é uma tomada de posição. Wilson, revele-se, você é leitor da Besta. Procure argumentar.

    • Roberto

      03/06/2012 #21 Author

      Putz cara, não nivela não. Não nivela porque não cola. Aqui deste lado e é nitido, se faz jornalismo. Do lado bestial. alguns até que tentam enganar, mas não passam de um bando de paus mandados.

    • Alex

      04/06/2012 #22 Author

      Não só do lado “bestial”, vamos ser honestos.

  • Alex

    02/06/2012 #23 Author

    “Vamos continuar mostrando a corrupção alarmante que esse governo está promovendo.”

    Apoio. Em todos os niveis – federal, estadual e municipal – e em todos os poderes – executivo, legislativo e judiciário.

    Certo, Kowalski?

    Responder

    • Kowalski

      03/06/2012 #24 Author

      Sim, Alex. Concordo plenamente.

    • Alex

      03/06/2012 #25 Author

      Certo, todo mundo. Não interessa o partido ou ideologia.. Aí vc fica como eu, que tenho a ousadia de achar que represento a maioria esmagadora da população. Eu quero ver algema em todo mundo que deve, vermelho ou azul.

  • foraPTbandido

    02/06/2012 #26 Author

    O amago central não é o fato de mino carta ter tecido, enquanto editor da veja, comentários louvando o golpe militar. Não há nada de errado e sórdido nisso; eu mesmo, apesar de repudiar a longa estadia dos militares no poder, intendo que o golpe foi um mal necessário, um tanto caro é verdade, pois organizou a esquerda e fez com que ela dominasse o espaço cultural brasileiro. Mas voltando ao linear da questão, o contraditório nele é que outrora movia elogios ao golpe, e de uma hora para outra, não se sabe por qual motivo, se bandeou para a esquerda, começando, certamente afim de apagar o passado, a fazer uma critica feroz ao regime que antes defendera, como prova os recortes da revista na naquela época. Curiosamente, este é o mesmo caso do paulo henrique amorim. Para aqueles que não tomaram parte do acontecido, o senhor PHA , antes de ser o mais feroz defensor da quadrilha petista, era um voraz critico do senhor lula, o qual o tempo e suas peripécias fez com que se tonassem grandes amigos.

    A repentina mudança de lado destes dois senhores, pode ser explicada, sem o mínimo de incerteza, pela grande benesse que é defender e elogiar o governo petista Atualmente. Quem se presta a essa tarefa, é muito bem pago e recebe, quando necessário, grandes favores, seja de que tipo for. No caso PHA, a mudança de lado pode ser explicada pelo fato do dono da empresa em que trabalha, a rede record, sofrer interferência direta do seu dono, Edir macedo, conhecido também como o grande mercenário da fé

    Mas o que fica bem claro, é que estes são homens volúveis, fracos, e incapazes de sustentar a posição que realmente acreditam, se deixando se corromper medrosamente pelo podre dinheiro governista. homens como estes, não merece nenhum respeito, só lastima e repúdio.

    Responder

  • Fábio

    02/06/2012 #27 Author

    É Pann!!!
    No final, apesar de tudo, vc me ajudou estes dias:
    A partir de hoje decido:
    Não leio mais a Abriliana.
    Não leio mais a Minocartiana.
    A Global então…
    Não leio mais Blog nenhum.
    Vcs, jornalistas nativos DÃO UMA CANSEIRA!!!
    Antes mal informado que mal acompanhado…

    Responder

    • Alex

      03/06/2012 #28 Author

      VC é muito mal humorado, ler a briga diária deles é o maior divertimento do momento para ps politizados do país.

      Relaxa e goza, amigo.

  • foraPTbandido

    02/06/2012 #29 Author

    Fabio Pannunziu, seu blog está ótimo, tanto na temática como na escrita . No entanto, sinto lhe dizer , que esta politica aberta de comentários não durará muito tempo.Não que estou sugerindo a censura, mas tal politica vai atrair a bandida militância petista ao seu ainda limpo blog, que aos poucos começa a ser infestado por esses vagabundos, por enquanto só com desonestidade intelectual, mas depois com baixaria e pilantragem, como é do feitio deles. Sendo a censura, Vamos assim definir, deixando claro que ela é justa neste caso, algo inevitável. O Reinaldo azevedo começou como você: abrindo espaço para o debate aberto, no entanto os militantes petistas começaram a sujar o blog com os velhos truques e chavões de sempre. Como homem sensato, que preza pela polidez e bom senso, promoveu a politica de censura aos comentários desse povinho. Espero que os militantes da mafia governista não leve você a fazer o mesmo.

    Responder

    • Alex

      03/06/2012 #30 Author

      Mas é claro que vc está sugerindo (induzindo) censura …..

    • Vivi

      04/06/2012 #31 Author

      Velhos truques? Eu acho que a palavra correta é “argumentos”…

  • Pereira

    02/06/2012 #32 Author

    A opnião de Mino sempre foi pautada pela do dono do bolso que o paga.Se Vocês continuarem a desmascaralo como irá pleitear sua bolsa ditadura..

    Responder

    • Alex

      03/06/2012 #33 Author

      Só conheço um cara no mundo da grande imprensa que escreve o que quer sem se preocupar com a linha política do dono do veículo. Aldir Blanc, no Globo. (que nem jornalista é, na verdade) Dizem que ele é maluco beleza, por isso relevam.

      Todos os outros escrevem pela voz do dono, sem exceção.

      O Mino não tá sozinho nessa. Mas agora, como é o dono, escreve o que quer.

  • Vivi

    02/06/2012 #34 Author

    Vou repetir aqui o que postei em outro espaço desse mesmo blog (de 31/05/2012):

    “Pannunzio, só tive estômago para ler os quatro primeiros recortes (isso, devido à “fonte de origem” da postagem, você sabe…).
    Lendo atentamente, percebi uma certa ironia, ora uma constatação factual, entremeada de adjetivos – e adjetivos não são sempre elogiosos, eles apenas qualificam.
    Sabe do que me lembrou? Daquela propaganda da Folha, famosa, em que o narrador enumera fatos e aos poucos vai se formando a figura do Hitler. Lá se apontavam fatos, atitudes, que passavam uma imagem positiva, e ao surgir a figura do ditador alemão você se surpreende, pois parece inimaginável que qualquer coisa boa ou positiva pudesse ter ocorrido naquela época.
    O que li nos textos do Mino foram verdades factuais, informações objetivas – magistralmente redigidas, devo acrescentar. Mino trabalha as palavras magnificamente.
    Mais um texto de RA desconstruído…”

    Foi essa a minha percepção, a partir dos poucos textos que li.

    Responder

    • Big Head

      03/06/2012 #35 Author

      Vivi, quais seria as tais verdades factuais que livraria a cara do Mínimo Carta? Coragem, diz aí. Acusar um suposto servilismo de outros em nada ajuda, né?

    • Vivi

      04/06/2012 #36 Author

      Vou citar SÓ UMA:

      “os militares surgiram como o único antídoto de seguro efeito…”

      Surgiu mais algum outro, além dos militares? Não! Então, eles foram os únicos!

      Teu anti-petismo, anti-Bestismo, anti-Minismo não te deixam RACIOCINAR!!

      Faça-me um favor: não se dirija mais a mim.
      Você é irritante, não sabe debater, seus argumentos são unicamente desqualificações. Finja que sou invisível, falou?

    • Fábio Pannunzio

      04/06/2012 #37 Author

      Olha os hormônios, Vivi.

    • Big Head

      04/06/2012 #38 Author

      Ah tá, você faz um comentário me esculhambando e me pedindo pra te ignorar. Depois quem não tem argumento sou eu… Olha aqui, este seu último comentário é autoexplicativo, talvez você tenha cabulado as aulas de interpretação de texto ou, quem sabe?, eu tenha que melhorar minha sintaxe, torná-la mais clara, pois esse trecho que você cita e mais todo o período em que ele está inserido é precisamente um dos mais claros louvores ao golpe dos milicos… Tá bom, você e sua trupe vive a criticar Reinaldo Azevedo ou Pannunzio, mas nunca usei como argumento chamá-los de anti-reinaldos ou anti-pannunzios ou algo do gênero. Será que isso é argumentar? No máximo os chamo de cordeiros da Besta, pegando carona no termo por aqui criado, por achar que ele resume bem a natureza de vocês. E só pra terminar, continuo a desconfiar que você não é aquela senhora que diz ser, pois atitudes como esta caem bem em adolescentes ou pós-adolescentes. Inté.

    • Roberto

      03/06/2012 #39 Author

      Sim, Mino trabalha muito bem com as palavras. Tem o dom de escrever bonito e não dizer nada. Ninguém o supera neste quesito.

  • Ricardo Mamedes

    02/06/2012 #40 Author

    Lendo o último comentário postado pelo Jotavê não posso deixar de reconhecer que a escrita é boa, o pensamento é bem delineado e a redação estabelece aquele respeito tão necessário com a língua portuguesa… Contudo, não comungo com o seu pensamento.

    Ainda que se possa admitir a possibilidade de deturpação do pensamento de alguém ao pinçar fragmentos da sua escrita, no caso do Mino Carta, as reportagens mostradas pelo Reinaldo Azevedo vinculando-o à ditadura como apoiador, ou, pelo menos, como um alegre “militante” da causa militarista, é possível aferir o caráter de alguém pelo que ele é, pela sua história, por seu perfil.

    No caso do Mino Carta, não se trata de uma análise post-mortem, pois o jornalista continua vivinho e escrevendo com a sua costumeira invectividade. Somente a práxis mudou: ontem, o apoio aos generais, hoje, o alinhamento com a esquerda então combatida pelos fardados.

    Ora, se não é possível traçar o perfil de alguém analisando “textos esparsos”, é possível fazê-lo observando a prática do indivíduo; enxergando no presente o que houve no passado. E desta análise brota o verdadeiro Mino Carta: um sujeito alinhado com o governante da hora. Chapa branca ontem, chapa branca hoje. Puxa-saco ontem, puxa-saco hoje. Pusilânime ontem…

    O mesmo raciocínio é possível em relação ao Reinaldo Azevedo, cuja conclusão é diametralmente oposta. Este, um jornalista coerente, corajoso e imparcial, inclusive ao “atacar” a esquerda tonitruante e reacionária deste país (e qual esquerda não é reacionária?). O citado jornalista sempre se apoia em argumentos bem alinhavados e fundamentados. Quem quiser que concorde ou discorde dele e dos seus textos, mas com argumentos, contrapontos, provas, ao contrário do que faz o Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e tantos outros abjetos “jornalistas” que há por aí, com essa mesma tática diversionista que lhes é tão peculiar.

    Aliás, o que esperar de alguém que ache gramsci um grande “pensador”? Se necessário, a posteriori, poderei comentar especificamente sobre essa colocação do “brilhante” Carta…

    Ricardo.

    Responder

  • Vivi

    02/06/2012 #41 Author

    Para o Big Head, que tanto gosta de citar Millôr:

    Millôr Fernandes em 2006:
    ““A imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o País. Acho que uma das grandes culpadas das condições do País, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu pusilânime”.

    Responder

    • Big Head

      03/06/2012 #42 Author

      Vivi, o Millôr é gênio.Ponto. Mas já que está em voga neste debate a questão do uso de frases pinçadas, da contextualização e blá-blá-blá, seu comentário veio em boníssima hora. Essa declaração do Millôr – nunca me subestime quando o assunto for o gênio multimídia, é coisa de fã mesmo – foi dada em 2006, época em que ele trabalhava na Veja. Não sei – mas desconfio – onde você tomou conhecimento dela. Apostaria que foi lá pelas bandas da Besta, afinal cairia como uma luva, por exemplo, na boca vendida de um Mínimo Carta, que vive a atacar a mídia nativa, sempre disposta a falar mal de antigos patrões ou senhores, como hoje fala mal dos milicos… O fato é que nessa mesma entrevista, ante o seguinte comentário: ” Há um consenso de que a imprensa brasileira, tecnicamente, teria atingido uma qualidade comparável com o que de melhor se faz no mundo”, respondeu: “de acordo. A revista onde trabalho, Veja, é um exemplo, tem todas as possibilidades; praticamente iguais às do Time”…” O fato é que, mesmo sendo um ardoroso fã do Millô, nada me impede de discordar dele de vez em quando, como nessa generalização barata a que recorreu. Agora, VOCÊ, fã confessa de certa parte da imprensa (vá lá, sejamos magnânimos e, em prol do debate, chamemos aquilo de imprensa), deveria não referendar tais palavras.

    • Big Head

      03/06/2012 #43 Author

      Pequeba correção:

      Em vez de:

      ” Apostaria que foi lá pelas bandas da Besta, afinal cairia como uma luva, por exemplo, na boca vendida de um Mínimo Carta, que vive a atacar a mídia nativa, sempre disposta a falar mal de antigos patrões ou senhores, como hoje fala mal dos milicos…”

      Leiam:

      ” Apostaria que foi lá pelas bandas da Besta, afinal cairia como uma luva, por exemplo, na boca vendida de um Mínimo Carta, que vive a atacar a mídia nativa E ESTÁ SEMPRE DISPOSTO a falar mal de antigos patrões ou senhores, como hoje fala mal dos milicos…”

    • Vivi

      04/06/2012 #44 Author

      Big Head,
      Não interessa de onde eu tirei essa citação, ela é verídica, é o que interessa. Se vc precisa mesmo saber, NÃO foi da Besta.

    • Vivi

      04/06/2012 #45 Author

      Ah, e você é super fã do Millôr, mas só concorda com ele até onde lhe convém.
      Então tá.

    • Big Head

      04/06/2012 #46 Author

      Fã e devoto são coisas muito distantes, minha querida…

  • Big head

    02/06/2012 #47 Author

    “Textos de jornalistas sobre jornalistas revelam muita coisa. Quanto mais os leio, maior é o asco que sinto pela categoria.”

    Só lembrando, Butchmo, não estamos a falar de textos de jornalistas sobre jornalistas e sim de publicação por jornalistas de textos de outros jornalistas, o que é muito salutar, por por na ribalta as ideias, passadas e presentes, dos debatedores. Sus primeira oração é reveladora. O asco que você sente pelo verdadeiro jornalismo é o mesmo que o Minhocarta sente pelo o que chama de mídia nativa, que é o jornalismo verdadeiro e não a mistura de “Armazén de Secos e Molhados” e central de difamação financiada com cacau público em que se transformou certos veículos da imprensa, em todas as mídias. Revele-se, meu rapaz. Este seu niilismo é falso como nota de três…

    Responder

  • Big head

    02/06/2012 #48 Author

    Butchmo, o cobertor está pequeno. Seu comentário mal consegue esconder que você, nesta história, acredita sim em alguém, e não é no Pannunzio ou no Azevedo… Coragem, meu rapaz. O único “mal” que fizeram ao Minhocarta foi expô-lo as suas próprias ideias. Isso, ao contrário do que pensam alguns, não é ataque e sim convite ao debate. Sem querer comparar, mas é como se digladiavam intelectualmente grandes intelectuais (me vem a mente o embate Sartre x Camus). Os que já começam o texto denunciando e reclamando da contenda, se mostram, mesmo que tentem inutil e desesperadamente esconder isso, partidários dos que não tem argumentos e que preferem se esconder num biombo de vitimização supostamente altiva.

    Responder

    • Butchmo

      02/06/2012 #49 Author

      Caro, eu realmente não sei em quem acreditar nestas discussões. E não sei por que deveria dar mais razão às interpretações de Azevedo do que a quaisquer outras. (Aliás, as de Azevedo costumam ser as mais maliciosas possíveis.)

      Eu realmente não tenho um posicionamento predefinido neste debate — ao contrário de você, que aparentemente não dá o mínimo valor a qualquer coisa que Mino possa ter a dizer sobre os textos exibidos por Pannunzio. Eu quero ouvir os dois lados.

      Além disso, também diferentemente de você, não coloquei os textos de Pannunzio e Azevedo no mesmo balaio, como fiz questão de deixar claro. O primeiro expôs os textos de Mino de uma maneira muito mais respeitável e honesta do que o segundo, que sempre age como um tragicômico spin doctor.

      Dizer, com toda a certeza, que os textos de Mino naquela época representavam as ideias pessoais do jornalista, é comprar a versão de Azevedo sem sequer ouvir o que Mino possa ter a dizer. É ter um posicionamento predefinido antes de qualquer debate.

      Quero de fato saber por que Mino escreveu e deixou publicar tantas baboseiras. (Bom, isso ocorre até hoje na CartaCapital, mas não explica os textos exibidos por Pannunzio.)

    • Big Head

      03/06/2012 #50 Author

      Não, Butchmo, definitivamente não. Pra quem sabe ler, a diferença entre os textos do RA e do Pannunzio sobre este assunto é só de estilo, tanto que o segundo resolveu pinçar o texto lá do blog do primeiro e colocá-lo por aqui. O conteúdo é extamente o mesmo. É como disse por aqui respondendo a um comentário do Jotavê, por muito menos e sem qualquer base fática vocês, ecoando os relinches da Besta, costumam moer reputações de quem ousa criticar o governo. Neste caso, os dois jornalistas ousaram – O horror! O horror! – expor uma pessoa às suas próprias ideias, nada mais fazendo do que – O horror! O horror! – revelando textos antigos dele.

    • Butchmo

      05/06/2012 #51 Author

      “Pra quem sabe ler, a diferença entre os textos do RA e do Pannunzio sobre este assunto é só de estilo, tanto que o segundo resolveu pinçar o texto lá do blog do primeiro e colocá-lo por aqui.”

      Só que, na minha leitura, a diferença de “estilo” é tão gritante que não é possível colocar Azevedo e Pannunzio no mesmo balaio.

      Pannunzio, pelo menos por enquanto, não demonstra agir como um spin doctor.

      “por muito menos e sem qualquer base fática vocês, ecoando os relinches da Besta, costumam moer reputações de quem ousa criticar o governo”

      “Vocês” quem, cara-pálida? Assim como nas discussões com o Jotavê, você não resiste a fazer acusações sem fundamento algum, chega a conclusões sem base alguma. Não é possível afirmar, pelo pouco que escrevi até agora, que minha repulsa a Azevedo deve-se às críticas dele contra o governo.

      Pelo contrário. Jornalistas têm mais é que criticar o governo. Mas precisa saber fazê-lo.

      Deixe de ser preconceituoso e atacar com argumentos fracos qualquer crítico de Reinaldo Azevedo. Quem realmente gosta de bom jornalismo não pode ser fã desse cara. Os tucanos mais racionais que conheço — e tenho vários em meu círculo — sentem-se envergonhados quando seus pares partidários citam Reinado Azvedo. Assim como os petistas que mais respeito também não são fãs de Paulo Henrique Amorim.

      “O horror! – expor uma pessoa às suas próprias ideias, nada mais fazendo do que – O horror! O horror! – revelando textos antigos dele.”

      Deixo explícito que, em momento algum, censurei o Pannunzio por ter publicado os textos de Mino Carta. Até porque gostei dos posts dele.

  • José Augusto Zague

    02/06/2012 #52 Author

    Pannunzio escreveu: “Prova de que coragem, pelo menos para enfrentá-lo, não me falta”.
    Quer dizer que é uma questão pessoal? Isso é coisa de duelo medieval. Agora entendi.

    Responder

  • Butchmo

    02/06/2012 #53 Author

    Textos de jornalistas sobre jornalistas revelam muita coisa. Quanto mais os leio, maior é o asco que sinto pela categoria.

    Essas trocas de farpas entre Reinaldo Azevedo, Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira e outros soam extremamente recheadas de mágoas, preconceitos e desrespeito. Sem contar a deselegância.

    O último texto de Azevedo sobre Nogueira é um belo exemplo disso. Faz uma série de julgamentos baseados em “fatos” completamente questionáveis — mas que são apresentados como se fossem verdade absoluta.

    Basta ler a réplica de Nogueira para ver como os tais “fatos” são duvidosos — e como acontecimentos semelhantes podem ser interpretados e contados de uma maneira diferente.

    A subjetividade é normal e talvez inevitável, claro. Mas o que Azevedo faz — apresentar interpretações como fatos definitivos — é completamente desonesto. (Suponho, aliás, que Azevedo tenha ouvido essas versões de colegas da Abril. Ele certamente não presenciou os acontecimentos que relata.)

    Em quem acreditar? Sei lá. No final, fico sem crer em versão alguma — e triste com esses ataques pessoais ridículos.

    De qualquer maneira, achei interessante Azevedo atacar assim, tão aberta e intensamente, um amigo de J.R. Guzzo. (Talvez pela minha ignorância sobre o que ocorre no meio jornalístico.)

    ***

    Deixo claro, Pannunzio, que não coloco os seus textos sobre Mino Carta no mesmo balaio.

    Porque, bem, os artigos de Mino — e da Veja dirigida por ele — estão reproduzidos na íntegra, para cada um interpretar como bem quiser.

    Na longa resposta de Mino, achei interessante os exemplos dados por ele para demonstrar que a revista não era subserviente à ditadura, pois seus posts neste blog não os mencionavam. Não que fossem necessários. Mas acho que enriqueceriam o debate, ao exibir o contraste — por exemplo: como a mesma revista, sob o mesmo chefe, faz esta capa sobre tortura e publica um texto com elogios à ditadura?

    No entanto, concordo com você: Mino não abordou o principal! Não explicou os malditos elogios. Não fez uma menção explícita ao exato material apresentado aqui neste blog. Decepcionante.

    Responder

    • Jotavê

      02/06/2012 #54 Author

      Comentarei um trecho da resposta do leitor Butchmo que, a meu ver, pode nos levar ao cerne da questão. Você diz:

      “Na longa resposta de Mino”, diz Butchmo, “achei interessante os exemplos dados por ele para demonstrar que a revista não era subserviente à ditadura, pois seus posts neste blog não os mencionavam. Não que fossem necessários. Mas acho que enriqueceriam o debate, ao exibir o contraste — por exemplo: como a mesma revista, sob o mesmo chefe, faz esta capa sobre tortura e publica um texto com elogios à ditadura?”

      Esse é todo o ponto. Se fosse para analisar o papel da revista Veja durante a ditadura, ou mesmo para analisar as posições assumidas por Mino Carta, enquanto editor-chefe, durante aquele período, a menção a esses números históricos da revista seriam necessários, sim. Seriam absolutamente indispensáveis. Seriam eticamente obrigatórios. Sem eles, os textos “simpáticos” à tortura dizem pouquíssimo. Na verdade, não dizem praticamente nada.

      Eu tinha por volta de quinze anos quando essas coisas todas se passaram. Era um adolescente razoavelmente politizado. Não participava de movimentos políticos, mas fazia teatro – ambiente em que a discussão era rica – e lia bastante. Não vou cometer aqui o mesmo erro que o Pannunzio e o Reinaldo Azevedo cometeram, e tentar reconstruir o todo a partir de fragmentos esparsos, mas minha MEMÓRIA da revista Veja dessa época é o de uma revista que fazia OPOSIÇÃO ao regime. Surpreendeu-me ler esses textos cuidadosamente pinçados para atacar o jornalista Mino Carta. Cheguei à conclusão de que teria, talvez, que rever minha imagem da revista e dele, matizando-a. Muitas perguntas começaram a me ocorrer. O que aconteceu ali? Por que o editor responsável pela Veja, submetido apenas ao dono da revista, publicava reportagens históricas DENUNCIANDO a tortura (coisa que podia significar a MORTE naquele tempo), e ao mesmo tempo escrevia linhas que pareciam fazer concessões ao regime?

      Lembro-me de uma entrevista com o delegado Fleury feita por Carlos Heitor Cony e publicada naquela época pela revista Manchete. É um exemplo ao acaso. Milhares de outros poderiam ser produzidos por uma pesquisa criteriosa. A entrevista mostrava o lado “família” de Fleury, desfazendo um pouco sua imagem de homem brutal, de torturador. Tenho certeza que, se reproduzissem essa entrevista com o estardalhaço e a parcialidade que vêm empregando na campanha contra Mino Carta, o resultado seria devastador para o Cony – que até preso chegou a ser, coitado. É difícil para quem não viveu aquele período compreender os arranjos estranhos que tinham que ser feitos para driblar a censura e a polícia. Não estou dizendo que seja o caso de Mino Carta. Estou dizendo que julgá-lo por esses textos apenas, e não levar em conta o contexto em que eles foram produzidos é leviano. Não é jornalismo. É propaganda ideológica, no pior estilo stalinista: mente-se, não porque se esteja dizendo o contrário da verdade, mas porque se diz apenas a parte dela que joga água no meu moinho.

      Ninguém, Butchmo, nem você, nem eu, nem Mino Carta, nem Reinaldo Azevedo, nem o Fábio Pannunzio, nem a Madre Tereza de Calcutá escaparia de um recorte malicioso e seletivo da “verdade”. Qualquer um de nós poderia ser exibido ao público como um canalha, caso fatos isolados fossem cuidadosamente escolhidos, tirados de seu contexto original, amplificados por adjetivos tonitruantes e manchetes espetaculosas, enquanto todo o restante de nossas vidas fosse esquecido. Ninguém escaparia, Butchmo. É esse o truque da “denúncia seletiva”. É esse o labirinto em que os jornalistas de hoje atiram seus leitores, obrigando-os a fazerem o trabalho investigativo que ELES deveriam ter feito, caso tivessem algum interesse em fazer jornalismo, e não comandar torcidas. Eles deveriam ter, em primeiro lugar, apresentado o PARADOXO de textos que continham alusões favoráveis à ditadura e aos órgãos de repressão por pessoas que tinham um histórico HERÓICO de luta no período mais brutal da ditadura militar. Qual é a hipótese que paira por trás dessas “denúncias”, afinal de contas? Que, ao publicar um número da Veja denunciando a tortura na própria CAPA, Mino Carta estava sendo coagido a fazer isso? Que não estava sendo sincero e, no fundo, apoiava os torturadores? É isso o que se está pensando? Será que não restou um pouco de bom senso às pessoas em meio a essa guerra ridícula entre torcidas organizadas?

      Não é Mino Carta que tem que se explicar, Pannunzio. É VOCÊ, e todos aqueles que, como você, vêm promovendo esse recorte parcial do passado. Qual é a SUA hipótese, afinal de contas? O que VOCÊ acha que aconteceu? Que leitura VOCÊ faz dos fatos? Qual a SUA posição a respeito dessa aparente contradição entre uma oposição flagrante e perigosa (estampada nas MANCHETES da revista, e não nas entrelinhas), e um punhado de frases que passam ao leitor uma certa, digamos assim, “simpatia” pelo regime? O que isso mostra? Diga, por favor, pelo menos uma palavra a esse respeito. Não há o que temer, graças a Deus. Já não temos o COI-CODI funcionando, e até eu, leitor de seu blog, posso vir até aqui e expressar tranquilamente minha opinião a respeito de qualquer assunto. Você certamente não será preso por responder a uma perguntinha tão simples. O que VOCÊ acha que aconteceu? Mino Carta apoiava torturadores, afinal de contas?

    • Sergio Canella

      02/06/2012 #55 Author

      JotaVê, assinaria o seu texto com prazer. Penso da mesma forma. Parabéns.

    • maisvalia

      02/06/2012 #56 Author

      A ditadura obrigava todos a não escrever contra ela, mas não obrigava todos a escrever a favor dela e foi este pequeno mas bem significativo detalhe que o sr. Mino Carta não consegue esclarecer. Ele babou os ovos dos militares por escrito e impresso e não tem como apagar isso – ponto final. O resto é armazém de secos e molhados, hehehe

    • Jotavê

      03/06/2012 #57 Author

      Às frases soltas, pinçadas ao acaso, o jornalista Mino Carta contrapôs MANCHETES contra a tortura, dadas EM CAPA da revista no auge da censura. É neste ponto que a discussão está. Se tem um contra-argumento, ponha-o sobre a mesa.

    • Big head

      02/06/2012 #58 Author

      Jotavê, mais uma vez: MUITO BARULHO POR NADA. Seus longos comentários tem se notabilizado pela vâ tentativa de explicar o inexplicável. Parece até que emulam a extensa, oca de conteúdo e lamuriosa autolisonja do Minhocarta. As palavras valem o que são, e os texto do ítalo-brasilero são claríssimos em defesa dos milicos. Tente constestá-los, em vez de recorrer a matizações fora do lugar ou a falsas nuances.
      “É difícil para quem não viveu aquele período compreender os arranjos estranhos que tinham que ser feitos para driblar a censura e a polícia”. Concordo em gênero, número e grau. Mas será que para realizar tal drible precisavam bajular? Errado. É certo que naqueles idos ninguém poderia exigir heroísmo de jornalistas ou achar que se poderia criticar um regime discricionário. Mas tampouco se era obrigado a tecer loas, não? Repito: o sentido dos textos é unívoco, sem ambiguidades. Quem pinçou algo foi o adulador, que em sua defesa faz menção a uma declaração de Figueiredo, representante dos estertores do regime, quando a ditadura já caminhava pra UTI, o que era do conhecimento até do…errrr…como é mesmo?…. mundo mineral. O ponto é esse mesmo, Jotavê: O MINOCARTA tem a vocação para o servilismo e seus textos, passados e presentes, são provas inequívocas de tal compromisso. O resto é conversa pra boiada dormir.

    • Big Head

      02/06/2012 #59 Author

      Perguntinha, Jotavê: por que todo esse excesso de zelo, toda essa preocupação com contextualizações e nuances não foi usada por você no caso Policarpo? Bom lembrar que ali nenhuma frase isolada, pinçada ou descontextualizada havia para incriminar o jornalista ou apontar algum desvio ético em sua conduta, o que não impediu a condenação dele perante o prolixo tribunal jotaveano. Antes pelo contrário, dois delegados que tiveram amplo acesso à farta prova baseada em meses e meses de gravações não conseguiram enquadrar o Policarpo, mas o Jotavê, sempre tão tomazbastianamente preocupado em achar filigranas que possam escusar quem com ele concorda, apressadamente condenou quem não está do seu lado. Mais um exemplo de seletivismo moral. Aliás, toda essa defesa hsitérica do Minhocarta é outro exemplo disso, afinal lá pelas bandas da Besta acusações pululam até mesmo sem palavras que as referendem, enquanto que por aqui se comete o gravíssimo crime de expor as ideias de um jornalista, desencavando seus próprios textos. Ora, do Pannunzio, que já está na alça de mira daquele povo há muito tempo, a única acusação que tem um pé na realidade é a de, vajam só que ignonímia!, ousar cometer o imperdoável deslize ético-moral de ter um parente que é parlamentar do PSDB, o que, de per si, fulminaria toda sua independência intelectual e imparcialidade jornalística e aprioristicamente condenaria ao opróbrio tudo que escreve. São patéticos.

    • Alex

      02/06/2012 #60 Author

      Eu acho que o material publicado pelo Pannunzio ( e uma boa navegada pelas capas de Veja da época), deixa claro que a questão aqui não é rubricar a ditadura mas bajulá-la, o que ninguém era obrigado a fazer. E A Veja fez desbragadamente.

      Isto pra mim, no lido e dito de ambas as partes, é claro como água.

      Também é claro como água que obviamente ele tinha o total apoio da familia Civita para tal linha editorial, que, por sinal, continua coerente até hoje, no virulento repúdio que faz ao PT.

    • Jotavê

      03/06/2012 #61 Author

      Quem bajulava a ditadura era Roberto Marinho, dando um programa em horário nobre (com direito a reprise aos domingos pela manhã) ao “jornalista” Amoral Nato.

    • Danilo Albergaria

      03/06/2012 #62 Author

      A meu ver, Jotavê tem toda a razão neste comentário. Big Head, por sua vez, parece aqueles líderes de torcida organizada que ficam de costas para o jogo.

    • Alex

      02/06/2012 #63 Author

      “Essas trocas de farpas entre Reinaldo Azevedo, Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira e outros soam extremamente recheadas de mágoas, preconceitos e desrespeito. Sem contar a deselegância.”

      Verdade. E também é ,vamos combinar, a coisa mais divertida que existe hoje na Internet.

  • Jose Almeida

    02/06/2012 #64 Author

    Não é uma discussão pontual. O Mino foi acusado de ser admirador dos ditadores (pra não citar as palavras exatas), e colocou um texto com argumentos mostrando o contrário. E também apontou textos, datas, capas e uma gravação do Figueiredo. A comparação foi grosseira mas menor se comparada aos adjetivos colocados por quem começou a discussão.

    Responder

    • Big head

      02/06/2012 #65 Author

      Não, Zé Almeida, o texto do Minhocarta não tem contra-argumentos. Só lembrando, ninguém acusou o ítalo-brasileiro de bajular os milicos, seus próprios textos fizeram isso.

    • Alê

      03/06/2012 #66 Author


      Hahahahahaha 😀

      “Minhocarta”….

      Hahahahahaha 😀

      Valeu, colegaCabeção !

      Não sei se a origem do apelido é tua, mas passei o domingo lembrando e sorrindo.

  • Mario

    02/06/2012 #67 Author

    “Também faltou coragem para assumir o que fez — preferiu fazer alusão a um bom nome de dupla de circo. Não teve coragem para me chamar literalmente de palhaço(…)Prova de que coragem, pelo menos para enfrentá-lo, não me falta.”

    Tivemos uma avaliação igual do texto do Mino Carta, Pannunzio.

    Eu pensei a mesma coisa: Pannunzio&Magnoli dariam um bom nome de dupla de circo. Até que ele foi criativo nesse ponto. Dei boas risadas ao imaginá-los dando piruetas. Mas vocês não fizeram palhaçadas, e sim denunciaram fatos graves e bem fundamentados em documentos.

    Notei também a covardia impressa no texto de MC: o autor sempre se esquivando de dar uma explicação decente acerca das acusações feitas, sob a alegação de que, pela sua biografia, sua credibilidade seria inquestionável. Escondendo-se atrás disso, preferiu debochar de seus acusadores. Postura covarde.

    Desde o pouco tempo em que venho acompanhando seu blog, Pannunzio, pude ver que a sua postura é exatamente o inverso disso. O que vejo neste blog é um jornalista aberto aos questionamentos e que, sem meias palavras, imprime coragem em seus artigos – bem redigidos, seja dito. Postura de Homem. Mas é que uma postura dessas é só para quem teve uma boa formação.

    Mario.

    Responder

  • Kowalski

    02/06/2012 #68 Author

    Fábio,

    Não recue ante esses canalhas da Esquerda corrupta. Você é um jornalista sério e inteligente.

    Continue com o ótimo blog. Já o indiquei, pelo Twitter, a dezenas de amigos.

    Vamos continuar mostrando a corrupção alarmante que esse governo está promovendo.

    Abraços,

    Kowalski.

    Responder

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