Durante mais de oito horas de depoimento à CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo se saiu bem. Ele afirmou que nunca teve...

Durante mais de oito horas de depoimento à CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo se saiu bem. Ele afirmou que nunca teve relações próximas com o contraventor Carlinhos Cachoeira, negou ter intermediado negócios com a Delta Construções e disse ainda que os negócios que envolveram a venda da casa foram totalmente legais. Durante todo o depoimento, Perillo evitou falar do caso mensalão toda vez que o assunto foi mencionado.

Confira aqui os principais trechos do depoimento do governador Marconi Perillo à CPI do Cachoeira:

Vítima

O governador começou sua fala na CPI do Cachoeira se dizendo vítima dos acontecimentos, de “fatos distorcidos” e de uma “grande injustiça”.

– Venho a esta CPI coma cabeça erguida e firme com o propósito de apresentar a verdade dos fatos – disse Perillo, destacando que apresentou formalmente ao procurador-geral da República a abertura de investigação sobre as denúncias, e que se ofereceu a comparecer à comissão para prestar esclarecimentos.

O governador citou sua trajetória política e enalteceu o Parlamento.

– Todos sabem que enfrentei forças poderosas para chegar aqui – afirmou o governador.

Relação com Cachoeira

O governador negou ser próximo do contraventor Carlos Cachoeira.

– Nunca mantive qualquer relação de proximidade com o senhor Carlos Augusto Ramos. Trinta mil horas de gravações, três anos, e nenhuma ligação do senhor Carlos Cachoeira para mim ou meu gabinete.

Perillo fez questão de citar a única ocasião, segundo ele, quando estava em uma reunião social, em que falou por telefone com Cachoeira para cumprimentá-lo por seu aniversário.

– Apenas uma ligação minha de cumprimentos pelo seu aniversário. Se eu mantivesse com ele qualquer relação mais próxima, seria natural que ele tivesse ligado para mim em muitas ocasiões.

– Eu não estava telefonando para um contraventor, estava telefonando para um empresário – disse.

Perilllo afirmou que a existência de apenas um diálogo telefônico dele com Cachoeira nas gravações da Polícia Federal traduz a falta de proximidade e intimidade entre ambos:

– Não ter feito sequer uma ligação a mim em todo o processo de escuta da Polícia Federal. Só há uma e fortuita ligação telefônica. Estava na casa de um amigo, quando alguém dos presentes me disse que era aniversário do senhor Carlos Cachoeira. Me perguntou se eu aceitaria falar com ele, pela data. Não estava ali telefonando para um contraventor, mas para um empresário que atuava no setor de medicamentos, sócio do maior laboratório de bioequivalência (de Goiás). Disse que, se ele telefonasse, eu falaria. Conversa rápida e trivial.

Venda da casa

O governador de Goiás negou que tenha praticado qualquer irregularidade na venda de sua casa, em Goiânia.

Vendi pelo valor de mercado, depositei o pagamento em minha conta bancária e declarei tudo no Imposto de Renda. Se houvesse qualquer elemento fraudulento, jamais teria publicado anúncio de venda no jornal de maior circulação e depositado em minha conta pessoal – disse Perillo.

Ele negou que tenha recebido pagamentos em duplicidade e disse que não é usual que o vendedor de um imóvel indague o comprador sobre a origem do dinheiro:

– Não tem a menor sustentação diante dos fatos e da lógica. Se algum dos citados nas ligações tirou vantagem ou ganhou dinheiro no negócio foi sem meu conhecimento ou consentimento.

Perillo procurou minimizar as acusações de que é alvo:

– É incrível que eu seja exposto por ter vendido um bem pessoal, bem meu, dentro da lei, enquanto outros cobram propina, fazem licitação com sobrepreço, fazem esquema em licitações. Lá em Goiás eu sou acusado de ter vendido uma casa de minha propriedade.

Campanha eleitoral

O governador Marconi Perillo anunciou nesta terça-feira que ajuizou ação por calúnia, injúria e difamação contra o jornalista Luiz Carlos Bordoni, que diz ter recebido R$ 40 mil das mãos do governador, em dinheiro, como pagamento por serviços na campanha eleitoral de 2010. Perillo nega que isso tenha ocorrido e afirmou que o jornalista prestava serviços também para outros políticos de Goiás.

– Eu já disse, repito, repito de novo. O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que é uma figura controversa no estado. Ele terá a oportunidade de provar na Justiça. Cabe a ele o ônus da prova – disse Perillo.

Ex-chefe de gabinete

– Eliane Pinheiro era encarregada dos assuntos partidários. Trabalhou durante 20 anos em vários governos, inclusive no meu. Ela trabalhava atendendo aos partidos e aos parlamentares, em sala distante da minha. Nunca pediu pra favorecer nada a nenhuma pessoa ligada aos investigados. Ela saiu do meu governo por se sentir constrangida. Eu não sabia das relações dela com o Cachoeira. Ela tem uma relação familiar com Cachoeira.

Lula

Desafeto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Goiás, Marconi Perillo fez menção ao ex-presidente, ao dizer que sugeriu a Lula, ainda em 2003, a criação de dois dos principais programas sociais do governo: o Bolsa Família e o ProUni.

– Dei duas sugestões em 2003 ao presidente Lula. Que juntasse os carões do Fernando Henrique e criasse um programa único. Quem acessar o YouTube, no lançamento (do Bolsa Família), verá Lula me agradecendo – disse Perillo.

O governador contou também que sugeriu a oferta de bolsas para universitários de baixa renda:

– Ele (Lula) me disse que faria e criou o programa.

A animosidade entre Lula e Perillo remonta ao escândalo do mensalão, quando Perillo declarou que havia alertado o então presidente sobre o esquema de corrupção.

Delta

Na segunda parte do depoimento, ao responder perguntas do relator Odair Cunha (PT- MG) o governador disse que o Estado de Goiás tem apenas 4% de contratos assinados com a Delta, num total de R$ 51 milhões, contra R$ 64 milhões do governo anterior. Ele afirmou também que o ex-vereador Wladimir Garcez nunca tratou com ele sobre assuntos relacionados a Delta, mas que tinha conhecimento que ele procurou algumas pessoas do governo. Garcez é apontado pela PF como a pessoa que levava ao governo os pleitos do contraventor ao governo de Goiás.

Perillo negou conhecer o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish, e afirmou ter estado com o ex-diretor da empreiteira no Centro-Oeste, Claudio Abreu.

– Nunca conversei com o Fernando Cavendish. Sei que ele já esteve em Goiás, mas comigo nunca. Não o conheço. Claudio Abreu, estive com ele uma vez, acho que foi na casa do senador Demóstenes (Torres, sem partido-GO). E estive com ele uma ou duas vezes na campanha – disse Perillo.

Questionado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) se ele teria comparado, para seus secretários estaduais, que a Delta seria uma empresa corrupta, o governador afirmou que isso teria sido um mal entendido.

– Determinei que no meu governo não haverá “por fora”, caixa de campanha, propina, e não haveria delta X, que é sinônimo de propina – explicou o governador.

Quebra de sigilo

Os ânimos se acirraram após o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), perguntar ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) se ele estaria disposto a abrir seu sigilo telefônico. Parlamentares saíram em defesa do governador, gritando que Perillo não havia comparecido na condição de investigado, mas de testemunha. Afirmaram que a pergunta do relator deveria etr aprovação dos demais integrantes da comissão.

– Não vejo sinceramente, na condição de ex-deputado estadual, federal, senador, motivos suficientes, justificativas plausíveis para que haja quebra de sigilo – disse Perillo.

O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) pediu calma diversas vezes. A gritaria durou alguns minutos. Parlamentares tucanos acusaram Cunha de falta de imparcialidade, já cobrando dele o mesmo tipo de rigor no depoimento de quarta-feira, quando comparecerá à CPI o governador petista do Distrito Federal, AgneloQueiroz . O relator enumerou, então, argumentos para justificar o pedido. Segundo Cunha, ainda que a versão dada no depoimento pelo governador sobre as suspeitas de que é alvo tenha “início, meio e fim”, há indícios que deixam em aberto outras possibilidades e que isso precisa ser investigado.

Jogo do Bicho

Indagado se é favorável à liberação do jogo no Brasil – a pergunta foi genérica, referente a jogos ilegais, mas sem especificar qual tipo -, o governador Marconi Perillo disse que o tema é tratado atualmente com hipocrisia.

– Eu, particularmente, não jogo e sou contra o jogo. Agora, entre a hipocrisia reinante por todos os cantos e a legalização, talvez fosse melhor que uma providência como essa fosse tomada. Embora, repita, se tivesse que votar aqui no Congresso, a favor ou contra, eu votaria contra a legalização.

Grampos ilegais

Perillo disse que a investigação do serviço de inteligência do governo goiano indica que ele estaria sendo alvo de grampos telefônicos desde a sua eleição, em outubro de 2010. O governador afirmou que, por ora, só existem relatos preliminares e não identificou quem seriam os responsáveis pelos supostos grampos:

– Existem arapongas oficiais, segundo relatos preliminares, bisbilhotando e fazendo escutas ilegais desde que eu ganhei a eleição, em outubro de 2010.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/confira-ponto-ponto-do-depoimento-de-perillo-cpi-5182208#ixzz1xgOD1q2H

Comentários

  • Bruno Amaro

    13/06/2012 #1 Author

    O Perilo é muito melhor que o Agnelo em debate, claro que se sairia melhor que o Agnelo. Mas não interessa quem sabe debater melhor, mas quem tem explicações a dar e quem tergiversa para esconder o óbvio envolvimento.
    Perilo é membro do bando e isso fica claro nas gravações. Agnelo tem vários problemas éticos em sua passagem pelo Ministério dos Esportes e até com sua casa e aumento de patrimônio, mas não parece ter nada com o bando do Cachoeira.

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