Fernando Rodrigues A fórmula mais clássica para se livrar de uma acusação no reino da política é alegar desconhecimento de um fato. Funciona muito...

Fernando Rodrigues

A fórmula mais clássica para se livrar de uma acusação no reino da política é alegar desconhecimento de um fato. Funciona muito bem no Brasil e no mundo.

Ronald Reagan, nos anos 1980, negou conhecer a cabeluda venda irregular de armas para contrarrevolucionários nicaraguenses via Irã.

Fernando Henrique Cardoso dizia, em 1997, não ter notícia das traficâncias no Congresso para comprar votos a favor da emenda da reeleição. Compungido, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, professou ignorância sobre o mensalão.

Essas negativas têm duas características em comum. Primeiro, são inverossímeis. Segundo, ninguém tem como desmenti-las. Inexistem provas. Daí a estratégia ser tão usada na política. Inclusive ontem pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, durante seu longo depoimento à CPI do Cachoeira.

Com seu semblante sereno, o tucano repetiu a história a respeito da venda de uma casa em 2011. Recebeu R$ 1,4 milhão em três cheques emitidos por uma empresa suspeita de receber dinheiro irregular do esquema de Carlos Cachoeira.

Não ocorreu a Perillo perguntar quem era o emitente dos cheques. Vendeu o imóvel para uma pessoa, recebeu cheques de uma empresa esquisita e nada quis saber.

O governador goiano revelou seguir uma peculiar regra de etiqueta financeira: seria um “ato constrangedor e não usual abordar o interessado e exigir dele a declaração de onde vêm os seus recursos”.

O experiente deputado Miro Teixeira duvidou: “Nunca vi alguém vender uma casa e entrar em tremenda fria”. Perillo não piscou.

Fora da CPI, petistas lamuriavam que “não dá para acreditar” na versão de Perillo. Repetem os resmungos de tucanos sobre Lula ter negado conhecer o mensalão. No fundo, PT e PSDB cada vez mais se equivalem. Tanto nas acusações como nas desculpas esfarrapadas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – “Eu não sabia” – 13/06/2012.

Comentários

  • RAFAEL D’AMICO

    13/06/2012 #1 Author

    ESSA LAMBANÇA POLÍTICA NÃO VAI DAR EM NADA.

    NO * B R A S I L * – POLÍTICO É :

    —- impune
    —- e
    —- imune.

    PERANTE A JUSTIÇA . ponto.

    Responder

  • Gandalf

    13/06/2012 #2 Author

    O jornalista Fernando Rodrigues, ao que parece, nunca comprou ou vendeu um carro usado ou um imóvel. Carro usado já comprei e vendi vários. Imóvel não vendi, pois ainda não pude comprar. Mas conheço que tenha comprado e vendido.

    Nunca em minha vida um comprador me perguntou de onde vinham os recursos para comprar o carro, e eu nunca perguntei a origem da grana de meus compradores. Nunca ouvi falar de algo semelhante com meus amigos, familiares e conhecidos na compra e venda de imóveis também.

    Rodrigues, um notório jornalista “isento” (eufemismo para petista enrustido ou nem tanto), na impossibilidade prática de defender abertamente o PT, finge que é tudo a mesma coisa. Se o PT não pode mais se arvorar em monopolista da ética, pelo menos temos que fazer crer que “todo mundo faz” a mesma coisa.

    Além de achar “desculpa esfarrapada” um procedimento universal (ou será que ele, Fernando, pede as declarações de imposto de renda do comprador quando vende algum bem?), o jornalista finge que se trata da mesma coisa. Enquanto Perillo vende um imóvel seu, a preço de mercado, e coloca o dinheiro em sua conta, sem beneficiar nem ser beneficiado pelo comprador (seja ele quem for, mesmo sendo Cachoeira), Agnelo não consegue explicar como juntou “200 mil” para comprar por 400 mil um imóvel que vale 10 vezes isso. Mas, para Rodrigues, é tudo a mesma coisa…

    Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *