Foram quase 30 minutos de discurso para um plenário vazio. Em plena sexta-feira, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) subiu à tribuna da Casa para informar...

Foram quase 30 minutos de discurso para um plenário vazio. Em plena sexta-feira, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) subiu à tribuna da Casa para informar sua decisão. Como líder, passou a frente do senador Pedro Simon (PMDB-RS), previamente inscrito para falar. Houve quem dissesse que isso aconteceria pela última vez.

É que pela exaltação da semana, seguida por inúmeras postagens no microblog “Twitter” afirmando que a renúncia da liderança do partido era inevitável e irrevogável, tudo indicava que o parlamentar fosse honrar a palavra e deixar o cargo. E fora da liderança, ele não poderia discursar antes de outros parlamentares.

Mas Mercadante deu para trás.  Deixou de lado os apelos dos filhos e da mulher, que não viam necessidade de mais exposição e desgaste. Escolheu ceder aos pedidos do presidente Lula, que recentemente o enquadrou, junto a toda a bancada petista. “Peço sinceras desculpas, mas não posso dizer não ao meu companheiro Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou. Ontem, o petista conversou com o presidente Lula por mais de cinco horas e expôs todas as frustrações, que só aumentaram com o arquivamento das reclamações contra o presidente Sarney no Conselho de Ética. Arquivamento escolhido em voto por nove senadores do colegiado, três petistas (Ideli Salvatti, João Pedro e Delcídio Amaral).

No começo da fala, aparentemente embargada, Mercadante afirmou que subia à tribuna “com um sentimento de frustração enquanto homem público e líder da bancada que lutou para construir um caminho alternativo à crise”.

Mas ele esqueceu das críticas, da desilusão política que afirmou viver enquanto homem público e líder de uma bancada que lutou para construir uma alternativa para a crise. Esqueceu que o partido dele queria Sarney mantido na presidência do Senado, enquanto ele, Mercadante, clamava veementemente pelo afastamento do parlamentar da Casa. “Deixar o PT nunca passou pelo meu coração e pela minha cabeça”, contou ao reiterar que faz parte da legenda há mais de 30 anos.

Ao fim, fez um mea-culpa. “Essa Casa errou, meu partido errou, eu errei. Só espero que a gente aprenda com esses erros para superar a crise”. “Vou continuar minha luta dentro do PT, ajudando a superar a crise”.

Abaixo, entenda o porquê da desistência de Mercadante. Disponibilizamos para você, leitor, a carta do presidente Lula que motivou a permanência de Mercadante da liderança do PT.

“Meu companheiro Aloizio Mercadante,

Ontem à noite, tivemos uma longa e franca conversa, mais uma entre tantas nesses mais de 30 anos de companheirismo e amizade em comum. Você me expressou novamente, como tem feito publicamente, sua indignação com a situação do Senado Federal e suas duras críticas ao posicionamento da direção do PT nos processos do Conselho de Ética. Respeito sua posição e considero um direito legítimo você expressá-las para militância do PT e para a sociedade. Bem como continuar lutando por uma reforma profunda no Senado.

Mas, não posso concordar com sua renúncia da liderança da bancada do PT. Você tem todo o apoio de nossos senadores e senadoras. A bancada e eu consideramos você, Mercadante, imprescindível para a liderança.

Não tem sido fácil construir alianças e aprovar projetos tão relevantes ao nosso governo para superarmos a grave crise da economia internacional, como estamos superando, distribuir renda, implantar novas políticas públicas e melhorar a vida do nosso povo. Todo esse processo depende do Senado. Você tem contribuído decisivamente e sua liderança é fundamental para as nossas lutas no Senado.

Mercadante, estamos juntos há 30 anos travando as lutas que interessam ao povo brasileiro e mudando a história do País. Dificuldades e divergências fazem parte dessa caminhada, mas são menores do que ela. Em nome dessa história e dessa caminhada, fique na liderança.

Esse é um pedido sincero de um velho amigo e sempre companheiro.

Luiz Inácio Lula da Silva”

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