O Poder tem o charme de uma mulher irresistível, o gosto do caviar e inebria como o ópio. Só isso justifica a atitude covarde do...

O Poder tem o charme de uma mulher irresistível, o gosto do caviar e inebria como o ópio. Só isso justifica a atitude covarde do senador Aloizio Mercadante, um homem que foi símbolo de combatividade do PT nos anos 80 e 90.

Nada, no plano moral, explica a ciranda de contradições em que o líder petista se meteu nas últimas semanas. Também não há como entender como um homem honrado e altivo como ele pode suportar tantas humilhações — apenas para permanecer onde está.

Mercadante foi desautorizado duas vezes esta semana por um suplente de senador chamado João Pedro, cuja história é uma incógnita e cuja atuação parlamentar se pauta pela mais desbragada servilidade às ordens do rei Lula.

Foi esse suplente quem orientou os parlamentares da bancada no Conselho de Ética, a despeito da presença silenciosa do líder, e contrariando sua manifestação. Os dois outros colegas — Delcídio Amaral e Ideli Salvatti — obedeceram fielmente a orquestração e desconheceram o último arroubo tímido da liderança exercida por Mercadante.

O líder do PT, apesar de dispor da maioria absoluta dos votos a favor do impedimento de Sarney, não teve energia suficiente para assinar um manifesto, firmar uma posição clara, e muito menos induzir seus liderados a se apresentarem ao lado da decência e da compostura que a opinião pública cobra dos senadores.

Mercadante também não teve a força moral necessária para cumprir a promessa “irrevogável” de renunciar à liderança, blefe ao qual ele recorreu todas as vezes que se viu em apuros previsíveis em relação à necessidade de renovar o mandato na próxima eleição.

Como dissera antes, Mercadante entregou sua combatividade ao presidente Lula. Vendeu a alma ao diabo. Talvez ele não saiba ainda, mas possivelmente sua subserviência tenha lhe custado a chance de se manter no Senado a partir do ano que vem.

Oito anos atrás, quando ele disputou pela última vez, simbolizava a esperança de mudanças éticas profundas na estrutura política brasileira. Nesse interim O PT mudou, Mercadante mudou, Lula virou o que virou. Mas o eleitor, que não engole essas empulhações, não mudou seus valores nem suas crenças.

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