Erundina deixou todos petistas constrangidos. Fez o que qualquer petista histórico faria. O PT dos anos 1980, não este pragmático, sem cor, sem cheiro,...

Erundina deixou todos petistas constrangidos. Fez o que qualquer petista histórico faria. O PT dos anos 1980, não este pragmático, sem cor, sem cheiro, sem forma. Praticamente matou a candidatura de Haddad. Só uma reviravolta para colocar a militância engajada (da zona leste e sul) na rua.
Os pragmáticos, do PT e PSB, estão furiosos e jogam a culpa na escolha do nome da ex-prefeita. Não se importam com programa ou ideologia. Se importam com vitória, com cálculo de votos. Assim, pautados pela popularidade, se tornam conservadores, fiéis escudeiros do status quo, justamente porque não querem mudanças fundamentais, mas apenas se tornarem populares. Um atalho para a construção da hegemonia gramsciana. Em Gramsci, havia diálogo e costura de múltiplos interesses. Mas o pragmatismo petista de hoje é rebaixado. Não procura costurar interesses a partir de um programa. Faz o contrário: constrói seu programa a partir do cálculo de força eleitoral. Cede. Se rebaixa. Na verdade, não se preocupa com programa algum. Eleito, administra e sai a cata de programas que tenham algum sentido estatal-desenvolvimentista, o que sobrou do modo petista de governar. Aquele modo petista, mesmo difuso e confuso, tinha uma inspiração de transformação social, plasmada no slogan “inversão de prioridades”. O participacionismo, outra marca do início dos governos petistas, foi abruptamente abandonado. O motivo parece óbvio: não há como abrir a participação dos de baixo se os cálculos eleitorais exigem acordos com as elites coronelistas de sempre.
Erundina é a última petista. O que deve incomodar profundamente os caciques do PSB e do PT.

Beba na fonte: RUDÁ RICCI: Erundina, a última petista.

Comentários

  • Sadan Luizão

    21/06/2012 #1 Author

    Pannunzio, o que se estabelecercom a atitude da Erundina não é transformá-la em heroina, nem tampouco em dona da verdade (termo que foi anexado à figra do Lula e do Lulismo), mas sim tornar coerente em sua trajetória. Ora não podemos esquecer o radicalismo muitas vezes desconcertante e sem contexto que ela praticou, mas, a coerência agora expressada é pertinente, portanto, o Janio de Freitas comete um ato sectário e solitário, bem característico de suas posições, muitas vezes incoerentes, como o próprio ato do Lula.

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  • Jailson

    21/06/2012 #2 Author

    Ok. Serra foi eleito e governou a cidade e o Estado de São Paulo fazendo campanha com o apoio de Maluf. Alckimin governou e tem governado São Paulo fazendo camapanha com o apoio de Maluf. Marta Suplicy recebeu o apoio de Maluf em uma das eleições para prefeito. FHC foi eleito e governou o Brasil com o apoio de Maluf. Dilma recebe o apoio de Maluf. Assim, o PSDB, com o apoio de Maluf tem governado São Paulo há muito tempo.

    Antes de apoiar o PT, Maluf foi assediado várias vezes para apoiar Serra. Segundo o que eu li, Serra ficou irritadissimo porque o Governador Alckimin deixou escapar o apoio de Maluf. Ou seja, Serra queria o apoio de Maluf para a campanha dele.

    Porém, Serra e Alckmin, como diz o texto acima, raramente foram acusados “de não se importarem com programa ou ideologia. Raramente foram acusados de se importarem apenas com vitória, com cálculo de votos”.

    Na verdade o que se quer é que o PT continue ideológico e o PSDB governe São Paulo por mais 20 ou 50 anos, sempre fazendo campanha com o apoio de Maluf.

    As leis eleitorais brasileira, repito, as leis eleitorais brasileiras, me lembram Raul Seixas:

    “A arapuca está armada
    E não adianta de fora protestar
    Quando se quer entrar
    Num buraco de rato
    De rato você tem que transar”

    (Por favor, entendam-me, não estou defendendo essa forma de agir para o dia a dia de nossas vidadas . Apenas estou fazendo uma analogia com as leis eleitorais)

    Se eu tivesse em São Paulo, no primeiro turno não votaria nem Hadadd e nem em Serra.

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  • Edmundo Salgado

    21/06/2012 #3 Author

    Pannunzio, Jânio de Freitas na Folha faz uma análise extremamente crítica a Erundina. O que você acha das colocações dele, que, na contra mão de todos, retira o papel heroico da ex-prefeita.

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    • Fábio Pannunzio

      21/06/2012 #4 Author

      Vou ler e postar aqui, Edmundo, para que possamos debater. Obrigado.

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