Da Agência Leia. Raquel Ribeiro Alves O gerente-geral de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu Lima, Glauco Legatti, admitiu hoje durante audiência pública...

Da Agência Leia.

Raquel Ribeiro Alves

O gerente-geral de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu Lima, Glauco Legatti, admitiu hoje durante audiência pública na CPI da Petrobras que a construção da nova planta da estatal já superou em R$ 13 bilhões o valor total da obra. De acordo com o técnico, o aumento na previsão de gastos – de R$ 10 bilhões para R$ 23 bilhões – foi provocado por “indefinições e mudanças” no projeto inicial da obra dos quais os problemas mais importantes foram a escalada de preços de equipamentos e produtos e a inclusão de unidades de tratamento de enxofre e emissões que não estavam contempladas.
 
“Quando colocou R$10 bilhões de reais estávamos falando do plano conceitual para o projeto básico. Com o avanço das ações, chegamos ao plano detalhado, analisando várias etapas e a empresa já coloca o número de R$ 23 bilhões, com mudanças e indefinições que não estavam contempladas no projeto. Esse projeto em fase de aprovação e esses números vão fazer parte de uma avaliação”, afirmou. 

Legatti ainda garantiu aos parlamentares que não existe a prática de sobrepreço na obra, a despeito dos questionamentos levantados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na avaliação do técnico, o TCU precisa rever seus parâmetros de avaliação de obras porque a construção de uma refinaria é muito mais complexa que a de uma rodovia. Auditorias do tribunal apontam para a prática de sobrepreço e de superfaturamento na obra da refinaria de Pernambuco que já ultrapassam R$ 121 milhões.
 
“Já esclarecemos questões sobre os preços desses itens que foram questionados pelo TCU. Na verdade, alguns não contemplam algumas especialidades do nosso tipo de construção, não levando em consideração mão de obra, hora extra, parte de treinamento e recomendações técnicas”, afirmou.
 
Apesar das garantias de total regularidade na obra, Legatti afirmou que a estatal suspendeu o pagamento de R$ 16 milhões para empreiteiras que estavam reservados de dezembro de 2008 até abril de 2009. A suspensão de parte do valor destinado às empreiteiras – o total é de R$ 63,5 milhões – foi para atender a um pedido feito pelo TCU. No mesmo sentido, a Petrobras já respondeu seis dos 12 questionamentos feitos pelo tribunal.
 
Também convidado para dar explicações sobre a construção da refinaria, o gerente de engenharia de custos e prazos da Petrobras, Sérgio Santos Arantes avaliou que os indícios de irregularidades apontados pelo TCU nada mais são que “excesso de zelo” da própria estatal para garantir a execução adequada da obra por meio da contratação de mão de obra qualificada.
 
“A Petrobras zela pela saúde e responsabilidade social. Não é à toa que é a quarta empresa das Américas. Esses requisitos são necessários porque temos um programa de capacitação para que a gente não contrate pessoas não esclarecidas, analfabetas, por exemplo”, disse.
 
O depoimento dos dois técnicos foi articulado pelo relator da CPI, Romero Jucá (PMDB-RR), para fragilizar os questionamentos da oposição quando do depoimento do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. A idéia é evitar questionamentos muito detalhados a Gabrielli sobre a obra, de forma a não constrangê-lo nem permitir que se contradiga em alguma das respostas. O depoimento de Gabrielli está previsto para a próxima semana.

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