Mítica do articulador

DORA KRAMER

Muito tem se falado sobre os recentes atos políticos imperfeitos do ex-presidente Lula.

Ora os tropeços são atribuídos a presumidos efeitos de medicação decorrente do tratamento de um câncer na laringe, ora a uma suposta crise aguda de onipotência pós-Presidência da República.

Seja qual for a tese defendida, seus autores partem do princípio de que Lula sempre acertou e de repente começou a errar sem uma explicação plausível para as falhas em seu instinto tido como infalível.

Há um assombro geral com a desfaçatez do ex-presidente ao passar por cima de tudo e de todos, da lógica, dos procedimentos institucionais sem a menor preocupação com as circunstâncias de seus companheiros de partido e com a repercussão de suas ações sobre a opinião pública.

Da mesma forma que se acha capaz de submeter processos eleitorais à sua vontade, não avalia consequências, não dá ouvidos às críticas preferindo enquadrá-las na moldura da conspiração engendrada por adversários políticos dos quais a imprensa seria agente engajado.

Falta, nessas análises, um exame mais acurado do ambiente político como um todo e do histórico de ações de Lula.

Se olharmos direito, não é de hoje que age assim – fez e disse barbaridades enquanto estava na Presidência – nem é o único a atuar de costas para o contraditório como se qualquer ação estivesse a salvo de reações.

O Congresso vem construindo há muito tempo sua crescente desmoralização agindo exatamente da mesma forma: toma decisões que excluem o interesse público, voltadas para seus próprios interesses como se a sociedade simplesmente não existisse.

Os escândalos ali produzem no máximo recuos temporários, promessas não cumpridas e recorrentes avaliações de que o Parlamento é um Poder aberto e, por isso, vítima de ataques injustos.

Sob essa argumentação os erros se acumulam, mas não cessam. Quando se imagina que deputados e senadores tenham ciência do repúdio que provocam, eis que de novo tentam patrocinar uma farra de salários mal saídos de crises em série decorrentes de farras de privilégios outros.

Lula achou que pudesse descartar impunemente a senadora Marta Suplicy, aproximar-se de Gilberto Kassab ao custo do constrangimento da militância e do discurso petista, anular uma prévia reconhecida como legal no Recife, pedir bênção a Paulo Maluf, direcionar a posição de um ministro do Supremo Tribunal Federal e administrar uma comissão de inquérito ao molde de seus interesses como se não houvesse amanhã.

E escolheu agir assim por quê? Porque é assim que as coisas têm funcionado na política.

Beba na fonte: Mítica do articulador – politica – versaoimpressa – Estadão.

Comentários

2 thoughts on “Mítica do articulador

  1. Não podemos aceitar que o ex-presidente Lula continue a falar as besteiras que sempre dizia , quando estava na presidencia , sem nos indignarmos .A imprensa tem um papel importante , para que seu festival de besteirol , tenha sempre o mesmo resultado :a lata do lixo da História .Sempre achei o Lula um sujeito sem educação e sem cultura , agora acho um cidadão pior ainda , sem escrúpulos e sem um mínimo de dignidade .

  2. E’ assim que e’, sempre foi e sempre sera’, porque a unica geracao que lutou por alguma coisa foi essa geracao de bandidos que infesta todos os niveis do poder no (des) governo brasileiro,(sem eximir nenhum dos partidos, todos estao infestados) que louvava e continua louvando o sistema comunista do qual comeu na mao por muitos anos enquanto nao ganhava nada nas eleicoes, com o fundo musical de artistas, nao menos comunistas que agora, tambem se locupletam do erario. Isso nao e’ uma vergonha nacional, nao ha mais vergonha, posto que, a justica, ultimo bastiao das nossas esperancas, tambem esta podremente dominada por desonestos e ladroes iguais (com rarissimas e ameacadas excessoes). Nao ha um salvador da patria, nao ha vislumbre de revolucao, nao ha sequer uma voz que saia dessa pagina eletronica para as ruas, ja que o radio e a TV tambem estao “vendidos”, nao ha sangue na veia das pessoas que se dizem ultrajadas com isso, a nao ser o de barata. Nao ha brio, nao ha decencia, nem indignacao, nao ha patriotismo, em suma, nao ha esperanca, porque se houvessem, a cisa nao estaria tao avacalhada como esta, e estar entre os mais ricos do mundo ou ser bem visto ou bem avaliado, como potencia, por quem quer que seja nao vem ao caso, sempre fomos assim… e a conclusao que tiro de tudo e’ que, parece que gostamos disso, nos da’ assunto alem do futebol e do carnaval. Uma grande pena!

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