Em São Paulo e outros grandes centros, onde há mais carros do que espaço na rua para estacioná-los, os motoristas se tornaram reféns dos...

Em São Paulo e outros grandes centros, onde há mais carros do que espaço na rua para estacioná-los, os motoristas se tornaram reféns dos valets. O prolífico mercado nasceu da institucionalização da flanelagem, ou da privatização das vagas públicas por aproveitadores que, não raro, atuam à margem de qualquer regulamentação — e muitas vezes contra ela.

Ao entregar o carro a um manobrista, seu proprietário não tem a menor ideia do que vai se passar com ele nos minutos em que estiver num restaurante, cinema ou teatro. Muitas vezes, o “motorista” a quem você dá a chave aproveita a oportunidade para vasculhar o interior e furtar objetos de valor .

Quando isso se tornou evidente demais, com a queixa reiterada de pessoas que descobriram o golpe na volta do veículo, os gatunos encontraram um meio de furtar algo cuja subtração raramente é percebida: o pneu de estepe.

Aí, a gatunagem só vai se revelar em situações que provocam muito aborrecimento e expõem as vítimas a situações de risco: o momento em que um dos pneus estoura ou fura e tem que ser substituído. O aborrecimento costuma tomar horas na espera do guincho e impõe um prejuízo enorme. Não raro é impossível adquirir apenas uma roda nova porque as empresas sérias costumam vender somente o jogo completo, com cinco rodas.

O recurso alternativo pode ajudar a retroalimentar a outra vertente desse mercado da pilantragem. A roda que você não encontra no comércio pode ser adquirida em borracharias que atuam como receptadoras. É para elas que os ladrões destinam o produto do furto. Ao recorrer a elas, você vai estar fortalecendo o pródigo mercado dos ladrões de estepe.

Há, no entanto, um procedimento simples que o motorista deve adotar como cautela: exigir que o valet inventarie o estepe e conferir na volta se ele está lá. Ou ao menos declarar que o carro possui o equipamento e verificar na volta se ele continua no lugar.

Essa exigência toma alguns minutos a mais e pode provocar aborrecimentos. Mas é bem melhor proceder assim do que ficar parado na beira de uma rodovia por causa de um pneu furado que não pode ser substituído.

Se todos fizerem assim, os ladrões disfarçados de valets vão ter que arranjar outra ocupação — o mesmo com os borracheiros que cumprem  o papel de vender a você a mesma roda que os manobristas furtaram do seu carro.

Comentários

  • Vivi

    10/07/2012 #1 Author

    O valet existe porque existem os que não querem se dar ao trabalho de procurar uma vaga, estacionar longe e caminhar.
    Se dependesse de mim, os valets já teriam acabado. Não entrego o carro para eles, não concordo com o preço extorsivo que cobram, e se o lugar estiver muito cheio, procuro outro.
    Sabe-se que esse problema do pneu é só mais um. Avarias no automóvel, estacionamento em locais proibidos (geralmente longe da vista do dono), sumiços de pertences são mais algumas “chateações” decorrentes da “comodidade”…

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  • Joao Florentino DaSilva

    10/07/2012 #2 Author

    Ok. Se a invencao do pneu sem ar se fizer efetiva, essa farra acaba, mas ha sempre o perigo de descobrirem uma outra coisa a ser roubada, como, a buzina que voce nao vai usar imediatamente ao sair e etc… O fato e’ que, como em Cuba, roubar no Brasil, ja faz parte da cultura, e’ um mal instituido.

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