A foto que abre este post foi feita em 1974 pelo jornalista Valdir Zwetsch. Ela eterniza a ingenuidade de uma india Kamayurá num momento...

A foto que abre este post foi feita em 1974 pelo jornalista Valdir Zwetsch. Ela eterniza a ingenuidade de uma india Kamayurá num momento da história em que o governo expandia as fronteiras econômicas e promovia o povoamento do Norte do País.

No ano passado, essa linda bailarina foi a estrela de uma exposição rica e rara. Revendo os negativos produzidos em duas viagens ao Parque Nacional do Xingu para as revista Realidade e O Cruzeiro, Valdir descobriu um tesouro. Escolheu as quarenta melhores fotos e deu forma ao acervo, que é composto por centenas de fotogramas. Eles constituem um documento histórico de grande valor e beleza.

Aí aconteceu um desses milagres que só a tecnologia pode proporcionar. A foto correu o mundo pela internet. E foi aterrissar num povoamento ainda hoje distante, onde o indígena Marcello Kamayurá nasceu. Por intermédio do Facebook, ele entrou em contato com Valdir, que lhe enviou uma cópia.

Resultado: identificou-se a bailarina, hoje uma senhora de meia-idade.

O inusitado desse encontro virtual, que teve o condão de unir passado e presente, é a história que o Blog vai contar nos próximos dias.

Repare, não é pouca coisa. Não se trata apenas de localizar o personagem eternizado no negativo que dormiu durante quarenta anos numa gaveta. É  a crônica de uma transformação gigantesca. Simbolicamente, representa um pulo do isolamento neolítico em que viviam os índios brasileiros para a pós-modernidade.

Enquanto eu vou construindo essa história, você pode conferir um pouco mais dos tesouros de Valdir Zwetsch visitando o site Nu Xingu, onde há outras amostras dos registros do jornalista. Logo, logo eles serão compilados em um livro, para o deleite de historiadores, fotógrafos e amantes da fotografia.

 

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