Rosane Collor, agora com as feições de uma matrona de meia-idade, voltou ao foco da cena política no Fantástico deste domingo. Em vez da...

Rosane Collor, agora com as feições de uma matrona de meia-idade, voltou ao foco da cena política no Fantástico deste domingo. Em vez da figura débil da primeira-dama deslumbrada com a qual o País se acostumou durante o curto reinado do caçador de marajás, ela estava sóbria, tranquila, e discorria com assertividade sobre o que viveu quando a Casa da Dinda era o palácio presidencial.

“Collor era o chefe”, disse ela, quando confrontada com uma declaração da mulher de PC Farias de que “o chefe maior” foi quem o mandou fazer o que fez. Ou seja: Rosane disse que PC era pau mandado de Collor enquanto ele governava o País. A admissão causa surpresa, embora todos saibam hoje como funcionava a máquina alagoana de corromper.

Por que 20 anos tiveram que passar antes que Rosane decidisse abrir a boca ?

Porque Collor não vem pagando o que ela pretendia a título de pensão alimentícia. Há um processo em que a ex-primeira-dama tenta receber alimentos atrasados. Coitada! São só R$ 18 mil por mês, como se fosse a coisa mais natural do mundo alguém receber essa montanha de dinheiro só pelo título de ex-esposa.

Mas aqui não estou atacando Rosane. Falo de seu mantenedor, que a teria enganado, segundo suas declarações, ao impor um regime de separação total de bens que ela dizia desconhecer antes da separação. Collor ficou com tudo, inclusive o que foi amealhado no propinoduto instalado no Planalto sob seu comando. Até a casa em que a entrevista foi gravada pertence ao Napoleão de Alagoas.

As declarações de Rosane trazem de volta ao primeiro plano da cena política desavenças familiares que ganham o contorno de fatos políticos. O imbroglio que culminou com o impeachment começou com uma entrevista de Pedro Collor, irmão de Collor. E o capítulo final pode estar sendo escrito neste momento a partir das inconfidências da ex-mulher. Ambas as situações animadas pelo mesmo motivo: a mesquinharia.

Quando Pedro, o primeiro-irmão, abriu a boca para a revista Veja, caiu o Presidente. Quando a ex-mulher é quem fala, o que não pode acontecer?

Na caixa-de-Pandora que se abriu talvez haja explicações para fatos históricos ainda nebulosos, como a morte de Elma e PC Farias.

Se eu fosse Fernando Collor, mandava pagar logo a pensão atrasada.

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