DORA KRAMER, no Estadão Sentindo que Lula poderá não voltar a se candidatar – mesmo se a saúde permitir, por razões políticas – e...

DORA KRAMER, no Estadão

Sentindo que Lula poderá não voltar a se candidatar – mesmo se a saúde permitir, por razões políticas – e querendo assegurar o papel de protagonista no projeto de continuidade no poder, o PT estaria fomentando atritos entre os outros dois principais partidos de sustentação ao governo para, assim, enfraquecê-los junto à presidente Dilma Rousseff.

Pode ser fato ou só impressão, mas é essa a versão preponderante nas conversas entre lideranças do PSB e do PMDB a respeito do que entendem como um plano para criar um cenário de dificuldades a fim de “vender” – é o termo utilizado – proteção à presidente, apresentando-se a ela como fiel esteio a fim de assumir o papel de maior destaque que os petistas esperavam ter no governo sem Lula à frente da Presidência.

Apontam como o arquiteto da obra o deputado cassado e réu do mensalão José Dirceu, lembrando o discurso dele em reunião de sindicalistas no ano passado dizendo que no governo Dilma o PT teria espaço para fazer e acontecer, o que por enquanto não se confirmou.

Ao contrário: os petistas se sentem alijados e desconfortáveis com a maneira mais cerimoniosa da presidente de tratar dos interesses do partido, enquanto a veem mais próxima de valores que vinham sendo reclamados pela sociedade e deixados de lado pelo partido durante a gestão Lula, conduta que lhe confere uma autonomia além do esperado no programa original.

Nesse quadro, a possível volta do ex-presidente era um trunfo e, quando essa hipótese se distancia, o PT começa a se inquietar com o futuro e a trabalhar para se fortalecer.

Como faz isso, na visão dos aliados? Enfraquecendo as outras correntes de sustentação ao governo a fim de tornar a presidente cada vez mais caudatária do PT. A meta seria afastar esses partidos da convivência presidencial e dos ministérios para ceder maior espaço ao partido à medida que se aproximar a campanha presidencial de 2014.

Com essa análise na cabeça, PSB e PMDB decidiram que o melhor a fazer é não cair na armadilha, não brigarem entre si, não disputarem quem é o mais próximo da presidente, mantendo sempre ativa uma linha direta de diálogo com Dilma e reafirmando apoio à reeleição dela.

Em suma e com outros detalhes sobre o risco de as artimanhas do PT acabarem levando os aliados a procurar outros caminhos, foi o que disse a Dilma o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no jantar que teve com ela há uma semana.

Risca de giz. O senador Aécio Neves vetou a coligação na chapa de vereadores em Belo Horizonte sabendo que os petistas não aceitariam, para forçar a ruptura da aliança e assim demarcar terreno como pré-candidato de oposição à Presidência.

No momento em que o PSDB dá duro para combater o PT em diversas praças, principalmente em São Paulo com José Serra à frente, Aécio precisava dar uma demonstração ao partido de que sabe falar grosso com o adversário.

Ainda que entenda as razões, Dilma Rousseff está contrariada com o prefeito de BH, Marcio Lacerda, que 15 dias antes da ruptura havia lhe garantido a continuidade da aliança.

Beba na fonte: Tremor na base – politica – versaoimpressa – Estadão.

Comentários

  • intruder

    19/07/2012 #1 Author

    A cumpanheirada está agitada, estão querendo LULA 2014, era melhor na enrolação do povo e desviava com mais facilidade a grana de nossos impostos.

    Responder

  • Antonio

    18/07/2012 #2 Author

    Concordo plenamente com o título do texto, só não entendo porquê apenas o PT estar a se borrar com essa possibilidade, pelo que sabemos, o Lula sempre foi muito mais condescendente com a pilantrágem do que a Dilma, enquanto a atual presidente se preocupa com a imágem do governo, seu criador não dava a mínima, para êle tudo era coisa da mídia terrorista, como ver, o medo que aflinge o PT com certeza é muito maior nas demais legendas da base.

    Somente após o julgamento do MENSALÃO, saberemos quem tomará as rédeas das eleições de 2014, se o CRIADOR ou a CRIATURA, em qualquer das hipóteses não vejo nenhuma possibilidade para o Aécio, salvo apenas, se o PMDB romper com aliança desde 2002 e apoiar o mineiro, o que duvido muito, e tem mais, pela primeira vez o PT vencerá uma eleição no 1º turno, volto a lembrar, o julgamento do MENSALÃO só servirar de marco entre Lula e Dilma, o resto passa pelo PMDB.

    Responder

  • SideShow Bob

    16/07/2012 #3 Author

    O Traécio Neves falando grosso com o governo????????

    Creio que não. Ele nem parece um senador da oposição, parece até um daqueles “independentes como táxi” como o Jarbas e o Simom.

    Os senadores Álvaro Dias e Mário Couto parecem ser os únicos realmente de oposição.

    Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *