As enroladas transações envolvendo um imóvel, pagamentos triangulares e malas de dinheiro expuseram as entranhas de um sistema de corrupção introjetado na máquina goiana....

As enroladas transações envolvendo um imóvel, pagamentos triangulares e malas de dinheiro expuseram as entranhas de um sistema de corrupção introjetado na máquina goiana. O protagonismo do governador Marconi Perillo parece agora indelével. Quanto mais tenta explicar a transação envolvendo a venda de sua casa, mais complicado fica entender o negócio sem enveredar por suspeitas mais do que bem fundamentadas de que ali houve corrupcão.

A CPI do Cachoeira pegou Perillo. É evidente demais que os tucanos não percebam que perderam a primeira batalha na guerra de morte congressual. O bicheiro nomeava gente no governo, mantinha em seu bolso boa parte dos oficiais da PM, tinha influência inequívoca na corte goiana.

E fazia negócios com o próprio governador — dissimulados por uma teia de fantasmas e laranjas voluntariosos.

Ao invés de assumir a derrota e entregar os anéis de Perillo, o PSDB adotou a mesma estratégia que os petistas usam para defender o indefensável: negar o óbvio. Assim como o PT nega o Mensalão (negaria o Holocausto por José Dirceu se fosso preciso), agora é o PSDB, acuado, que aparece na cena para tentar salvaguardar uma posição perdida no tabuleiro da política nacional.

Ao espernear, o PSDB confere a Lula uma vitória com sabor de goleada. Primeiro porque a CPI parece ter cumprido uma de suas tarefas: a de rifar Marconi Perillo, a quem o chefão petista não perdoa por ter dito publicamente que o ex-presidente sabia do Mensalão.

Segundo, por igualar no fosso moral as duas legendas.

Para sempre, vai ficar a possibilidade do bordão ensaiado “Vossa Excelência não moral para falar de nós”.

E não tem mesmo!

Comentários

  • Flávio Furtado de Farias

    19/07/2012 #1 Author

    É engraçado, Pannunzio, não sabe fazer uma crítica ao PSDB, sem na verdade criticar o PT. Casuísmo.
    Quando critica o PT, você não faz a mesma coisa. Mas para criticar o PSDB tem que fazer essas ressalvas. Direito seu, é claro, mas… bem… mas não precisa ser dito.

    Responder

  • Jose Almeida

    18/07/2012 #2 Author

    Perá lá, com a eleição do Lula e o caso do mensalão a teoria difundida era que o PT teria se igualado ao PSDB e outros partidos, teria perdido a inocencia. Agora é o PSDB que se iguala ao PT? Quando foi que o PSDB foi inocente? Quando abandonou o Quercia ou quando se uniu a ele?
    No caso do PT a insistencia de boa parte da imprensa em igualar os corruptos do partido com todo o partido, seus mititantes e simpatizantes é notória, como no Paraguai, não precisa de prova.

    Responder

  • Sergio

    18/07/2012 #3 Author

    Será que precisava todo mundo para meter a boca na CPI?
    De duas uma: ou o Perillo é o maior injustiçado desde Jesus Cristo, ou o PSDB fez merda. Se ele for culpado, com que cara que aquele povo todo vai aparecer? Com cara de dirceu, de lulla?

    Responder

  • SideShow Bob

    18/07/2012 #4 Author

    Por enquanto o único partido que vem demonstrando verdadeiro e entusiástico furor em defenestrar quem se envolve em maracutaias é o Democratas.

    Não teve pudor em expulsar o José Roberto Arruda (então único governador do partido) e o Demóstenes Torres.

    O Democratas ensinando como melhorar as práticas partidárias em relação à corrupção.

    Responder

  • Silva

    18/07/2012 #5 Author

    Hoje eu concordo com o blogueiro. Quem quer ter moral pra atacar um bandido não pode proteger o outro.

    Responder

  • Sol

    18/07/2012 #6 Author

    Lembra aquele episódio do Eduardo Azeredo, não é? Aí é um silêncio ensurdecedor por parte do PSDB! Cadê a porcaria da oposição. Franco Montoro e Mario Covas devem estar se revirando na cova.
    Os nossos políticos são uma desgraça, nada se salva!

    Responder

    • Rodrigo

      18/07/2012 #7 Author

      Agora o Mario Covas é exemplo de moral; quando vivo não hesitavam em agredi-lo. Ah, já entendi: pra PTista, tucano bom é tucano morto.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *