Do Estadão. Na disputa por interesses privados, políticos ou estatais durante as discussões que permearam as reuniões da Comissão Interministerial, criada para discutir o...

Do Estadão.

Na disputa por interesses privados, políticos ou estatais durante as discussões que permearam as reuniões da Comissão Interministerial, criada para discutir o pré-sal, ao longo do último ano, há pelo menos um consenso: a Petrobras sagrou-se como a grande vitoriosa. Nos primeiros encontros, segundo fontes ligadas aos membros da comissão, a companhia começou em baixa, desprestigiada pela proposta de criação de uma nova estatal que ficaria com todas as reservas do governo e passaria a fazer contratos de partilhas com as empresas privadas (entre elas, a Petrobras) para a exploração do óleo. Na época, em um dos poucos comentários sobre o tema durante o ano em que se desenrolaram as discussões, o próprio presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, posicionou-se contrário à criação dessa nova empresa.

Durante os meses que se seguiram, com ânimos um pouco acalmados, os papéis da nova estatal e da Petrobras foram se definindo e a companhia começou a brigar por algo que inicialmente seria impensável: uma capitalização pela União e a garantia de operação de todos os blocos do pré-sal. Inicialmente, a proposta para que a empresa ficasse com a operação previa um porcentual para a Petrobras de, no máximo, 10%. A proposta foi fortemente rechaçada pela companhia, que encontrou aval para subsidiar seus argumentos em uma recomendação na legislação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de que as operadoras de um bloco não deveriam ter menos de 30%.

Se oficialmente as empresas privadas ainda não se posicionaram sobre esse aspecto, nos bastidores há uma clara divisão de opiniões sobre o fortalecimento da Petrobras. Entre os maiores grupos, como Exxon e Shell, a operação exclusiva da Petrobras é apenas “engolida” e deverá ser “digerida”, segundo uma fonte do mercado. “Essas empresas tradicionalmente preferem ser as operadoras dos próprios negócios e, poucas vezes, concordam em entrar em algum projeto com menos poder de decisão”, disse a fonte, para quem a operação exclusiva da Petrobras pode acarretar em diminuição da troca de tecnologia.

Para outro executivo, ligado às companhias que já atuam como parceiras da Petrobras no pré-sal, a possibilidade de ter a estatal como operadora é mais do que bem-vinda: é “desejada”. “Não há hoje quem detenha mais know-how, mais técnica, mais conhecimento para explorar o pré-sal. É melhor ser parceiro dela do que disputar uma área com ela em leilão. Preferimos disputar o porcentual restante com outros grupos que detêm o mesmo nível de conhecimento a enfrentar a Petrobras. É melhor casar logo e manter essa parceria segura.” 

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