Marcelo Portela e Mariângela Galucci O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza negou na sexta-feira, 27, por meio de seu advogado, Marcelo Leonardo, a...

Marcelo Portela e Mariângela Galucci

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza negou na sexta-feira, 27, por meio de seu advogado, Marcelo Leonardo, a autoria de documento que relaciona um suposto repasse de R$ 185 mil ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corte começa a julgar na próxima semana o processo do mensalão, no qual Valério é acusado de ter operado o esquema que, segundo a Procuradoria-Geral da República, foi usado para a compra de apoio político ao governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa do empresário disse ter ficado “perplexa” com o teor do documento, divulgado pela revista Carta Capital.

O gabinete de Gilmar Mendes informou que ele “vai entrar com as medidas judiciais cabíveis contra a revista” e que não vai se manifestar sobre “a absurda matéria”.

A documentação, encaminhada à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte, relaciona supostos repasses de recursos que seriam provenientes de caixa 2 da campanha à reeleição, em 1998, do então governador de Minas e atual deputado federal, Eduardo Azeredo (PSDB). Na lista consta o nome de Gilmar Mendes seguido pela sigla AGU, referência à Advocacia-Geral da União, órgão que chefiou durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O documento de 26 páginas é datado de 28 de março de 1999. No site do STF consta que Gilmar Mendes atuou na AGU entre janeiro de 2000 e junho de 2002.

“Essa lista chegou à minha mão e eu achei melhor por precaução protocolizar na Polícia Federal, fazendo um requerimento de perícia. É uma lista autenticada e o original está em nosso poder. Na lista assinada pelo Marcos Valério consta a Cristiana como beneficiária de um valor de R$ 1,825 milhão, sendo que ela não teria motivo nenhum para receber esse valor”, afirmou Dino Miraglia ao Estado.

Ele se referia a Cristiana Aparecida Ferreira, de 24 anos, que teria mantido relacionamento com integrantes do primeiro escalão do governo mineiro e foi morta em um flat, em 2000.

Miraglia representou a família de Cristiana no julgamento. O detetive particular Reinaldo Pacífico, ex-namorado da jovem, foi condenado pela morte. “No júri, eu sustentei que era queima de arquivo e que ela carregava malas para o mensalão do PSDB e o promotor sustentou que era um crime passional e ela foi morta pelo ex-namorado.”

Nilmário. O advogado admitiu que teve contato com o ex-ministro petista Nilmário Miranda ao lutar pela libertação de um homem que passou nove anos na prisão por latrocínio e que a própria Justiça assumiu ter sido condenado por engano, mas nega qualquer interesse no processo que será julgado pelo STF. “Não tenho nada com o mensalão, não sou filiado ao PT. Só recebi esse material há uma semana”, disse, sem revelar a fonte dos documentos.

Para Marcelo Leonardo, porém, o documento “é falso”. Ele confirmou que manteve contato com seu cliente ontem, após a divulgação do caso, e que “Marcos Valério jamais produziu um documento desta natureza”.

Lula. Gilmar Mendes esteve no centro de outra polêmica ao se reunir com Lula em abril, quando o ex-presidente teria tentado pressionar para que o julgamento do mensalão fosse adiado para depois das eleições municipais. Mendes negou ter havido tentativa de chantagem, mas acusou Lula de atuar numa “central de divulgação” de boatos para tentar “melar” o processo.

Beba na fonte: Valério diz que é falsa lista que cita Mendes – politica – politica – Estadão.

Comentários

  • SideShow Bob

    30/07/2012 #1 Author

    A lista é real ou fictícia? A lista foi inflada ou editada? A lista não cita o nome do Traécio Neves ou do Ministro Gilmar Mende, por razões óbvias.

    O problema é que a Carta Capital já está tão desacreditada que qualquer cousa que publique deve ser recebida como mentira.

    Se alguém citado na reportagem vem a público e nega a própria reportagem, então é que já se perde toda a fé.

    A Carta Capital está de tal modo envolvida com a propaganda do Lulo-petismo, que tudo o que ela divulga torna-se imediatamente passível de descrédito.

    Este é o problema do jornalismo pago (tudo sempre parece matéria paga).

    Responder

  • Otavio.

    29/07/2012 #2 Author

    Por que a reportagem de capa da revista Carta Capital desta semana não mereceu nenhum comentário deste blog, mas o desmentido sim?

    Responder

    • Fábio Pannunzio

      30/07/2012 #3 Author

      Porque a lista é falsa segundo seu suposto autor.

    • Vivi

      30/07/2012 #4 Author

      E o mensalão nunca existiu, segundo seus supostos autores.
      No entanto…

  • Vivi

    29/07/2012 #5 Author

    Comentário do JOTAVÊ no Blog do Nassif a esse respeito:

    sab, 28/07/2012 – 11:30
    Jotavê

    A revista Carta Capital disponibilizou ontem à noite os documentos que embasaram a reportagem de Leandro Fortes. Com eles em mãos, já é possível fazermos uma avaliação mais sóbria.

    Marcos Valério, através de seu advogado, alega que a lista é falsa. É possível que seja, mas não é provável. O motivo é simples. Os valores que constam nos recibos correspondem, na quase totalidade dos casos, aos valores constantes das listas. Mais ainda. Quando há DIVERGÊNCIA entre os valores da lista e os constantes nos recibos, essa divergência obedece a um padrão uniforme que, como veremos, REFORÇA a hipótese de a lista ser autêntica.

    Vamos, antes de passar à análise dos dados, entender o material que a revista tem em mãos. Trata-se, por um lado, de um volume encadernado com o registro de doações recebidas pelo PSDB mineiro em 1998 e dos valores pagos pelas agências de Marcos Valério. Desse volume constam tanto os pagamentos contabilizados quanto os feitos por baixo do pano. A evidência disto é a discrepância entre os valores declarados pelo PSDB e os valores constantes do documento. Os pagamentos totais constantes da contabilidade secreta de Marcos Valério somam mais de 100 milhões de reais.

    Além desse volume encadernado, há uma série de comprovantes de depósito ou de transferência bancária feitos (todos) pela agência SMP&B de Marcos Valério em nome de pessoas e empresas listadas (todas) no volume encadernado. Há comprovantes de todos os pagamentos? Não, não há. Não esperem encontrar um recibo com o depósito na conta de Gilmar Mendes, por exemplo, ou de Aécio Neves, até porque, se esses pagamentos aconteceram de fato (e já não tenho motivos para duvidar de que isso tenha acontecido, diante dos documentos apresentados), certamente foram feitos em espécie.

    Se comparamos os recibos com os pagamentos declarados na lista, a concordância é quase total. Eis aqui a lista dos recibos que correspondem exatamente aos valores discriminados na lista. Listei-os por ordem decrescente de valor para fazer uma observação importante a seguir:

    Maria Cristina Cardoso de Mello 175.000,00

    Maurílio Borges Bernardes 125.000,00

    Fábio Valença 91.457,28

    Jaldo Retes Dolabela 53.025,00

    Afonso Celso Dias 50.000,00

    Luiz Flávio Vilela Mesquita 50.000,00

    Nei Martins Junqueira 50.000,00

    Vagner Nascimento Junior 30.000,00

    AntônioMarum
    25.000,00

    Cláudio Pereira 25.000,00

    Ermino Batista Filho 25.000,00

    Gilberto Rodrigues de Oliveira 25.000,00

    Gilberto Wagner/
    Mario Luis P. Pereira 25.000,00

    Márcio Luiz Murta 25.000,00

    Baldomedo Artur Napoleão 23.000,00

    Edson Brauner da Silva 20.000,00

    Honório José Franco 20.000,00

    Ivone de Oliveira Loureiro 20.000,00

    Maria Ângela Arcanjo 20.000,00

    Marlene Arlanda Caldeira 20.000,00

    Martins Adélio Gomes 20.000,00

    Olavo Bilac Pinto Neto 20.000,00

    Ricardo Desotti Costa 20.000,00

    Rosane Aparecida Moreira 20.000,00

    Wilfrido Albuquerque Oliveira 20.000,00

    Ajalmar José da Silva 15.000,00

    Arnaldo Francisco Penha 15.000,00

    Clemente Sarmento Petroni 15.000,00

    Francisco Ramalho 15.000,00

    João Manoel Rathsam 15.000,00

    Maria Olívia de Castro Oliveira 15.000,00

    Maurício Antônio Figueiredo 15.000,00

    Obed Alves Guimarães 15.000,00

    Odair Ribeiro Vidal 15.000,00

    Sonia Maria Salles Campos 15.000,00

    Eder Antônio Madeira 12.000,00

    GeruzaPereiraCardoso 12.000,00

    Naylor Andrade Vilela 12.000,00

    Maria Eustáquia de Castro 11.000,00

    Aldimar Dima Rodrigues 10.000,00

    Alencar Magalhães da Silveira Jr. 10.000,00

    Grupo Hum Prop./Marketing 10.000,00

    Marcelo Jerônimo Gonçalves 10.000,00

    Rui Resende 10.000,00

    Tarcísio Henriques 10.000,00

    Vilda Maria Bittencourt 10.000,00

    José Augusto Ribeiro 9.000,00

    Antônio de Pádua Luma Sampaio 8.000,00

    Silvana Vieira Felipe 8.000,00

    Cláudio de Faria Maciel 7.000,00

    Heloísa Helena Barras Escomini 5.000,00

    Nelson Antônio Prata 5.000,00

    José Roberto del Calle 4.000,00

    Maria Aparecida Vieira 2.500,00

    Maria da Conceição Almeida Alves 2.500,00

    Antônio Milton Sales 2.000,00

    Reparem que, se excetuarmos os quatro primeiros pagamentos, todos os outros têm valores iguais ou menores a 50 mil reais. Ou seja, nos casos em que os valores constantes na contabilidade de Marcos Valério COINCIDEM com os depósitos feitos em conta corrente, os valores são relativamente baixos. Como veremos a seguir, existem abundantes evidências de que valores maiores que 50 mil foram divididos em vários depósitos. Quem estava recebendo não queria acender sinais de alerta no Banco Central e na Receita Federal. Mesmo nos quatro primeiros casos, reparem que o terceiro e o quarto referem-se a pagamentos de mercadorias ou serviços. Têm valores exatos, até a casa dos centavos, e muito provavelmente foram feitos de forma regular, com nota fiscal e tudo.

    Agora, os casos em que os valores depositados não batem com os valores declarados. Pus entre parênteses os valores que constam da contabilidade:

    Alfeu Queiroga de Aguiar dois depósitos de R$25.000,00

    (R$133.222,00)

    Amilcar Viana Martins Filho R$6.000,00

    (R$255.500,00 + R$211.726,40 (referente a multa))

    Cantídio Cota de Figueiredo R$40.000,00

    (R$53.000,00)

    Carlos Welth Pimenta Figueiredo R$12.000,00

    (R$59.000,00)

    Custodio de Mattos R$20.000,00

    (R$120.000,00)

    Elmo Braz Soares R$6.000,00

    (R$120.000,00)

    Geraldo Magela Costa R$40.000,00

    (R$ 5.000,00 – único caso de valor menor)

    Humberto Candeias Cavalcanti R$3.000,00

    (R$53.000,00)

    João Batista de Oliveira R$7.000,00

    (R$35.000,00)

    José Pinto Resende Filho R$7.500,00 + R$15.000,00

    (R$22.500,00 – fica claro o parcelamento)

    Kemil Said Jumaira R$9.000,00

    (R$59.000,00)

    Luciano Claret Gonçalves R$15.000,00 + R$30.000,00

    (R$45.000,00 – fica claro o parcelamento)

    Paulo Abi Ackel R$50.000,00

    (R$100.000,00)

    Olinto Dias Godinho R$20.000,00

    (R$120.000,00)

    Romeo Anisio Jorge R$100.000,00

    (R$200.000,00)

    Sebastião Navarro Vieira R$9.000,00

    (R$40.000,00)

    Wanderley Geraldo de Ávila R$21.000,00

    (R$43.900,00)

    Como se vê, os poucos valores DISCORDANTES que temos entre recibos e contabilidade da SMP&B não afetam a credibilidade do documento. Pelo contrário, a reforçam. Em todos os casos, temos valores altos que foram pulverizados em diversos depósitos, para driblar o Banco Central e o fisco. Em dois casos (José Pinto Resende Filho e Luciano Claret Gonçalves), temos o retrato completo da operação toda de pulverização, com a soma dos recibos batendo exatamente com o valor declarado na contabilidade de Marcos Valério.

    Agora, a pergunta principal. É possível que esta lista tenha sido falsificada? É possível, mas não é provável. A única possibilidade que consigo imaginar é a de alguém pegando a lista original e ACRESCENTANDO nomes que não estavam nela. Marcos Valério diz que o documento é falso. O cartório em que ele tem firma diz que a assinatura é dele. É preciso fazer uma perícia e verificar a autenticidade dessa assinatura. Se for dele, o Ministro Gilmar Mendes está exatamente na mesma posição que a maioria dos réus do mensalão. Recebeu dinheiro não contabilizado de campanha (sabendo disso ou não), e ainda por cima mentiu ao dizer, agora, que não recebeu coisa nenhuma. Por aquilo que sabemos até aqui, essa lista tem tudo para ser autêntica, e é um crime que a mesmíssima imprensa que deu publicidade ao grampo sem áudio envolvendo Demóstenes Torres, Gilmar Mendes e Policarpo Jr. não se preocupe em pelo menos investigar a fundo os dados fornecidos na reportagem da revista Carta Capital

    [http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-documentos-que-comprovam-relacao-entre-valerio-e-azeredo]

    Vai noticiar, “psdbista roxo”?

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