SÃO PAULO – O julgamento do escândalo do mensalão ganhou protagonismo e foi usado como munição contra o PT, na noite desta quinta-feira,...
Oito candidatos estiveram no primeiro debate televisivo em São Paulo, realizado pela TV BandeirantesFoto: Marcos Alves / Agência O Globo

 

SÃO PAULO – O julgamento do escândalo do mensalão ganhou protagonismo e foi usado como munição contra o PT, na noite desta quinta-feira, no debate televisivo promovido pela TV Bandeirantes, o primeiro confronto entre os candidatos à sucessão da Prefeitura de São Paulo. O candidato Fernando Haddad foi colocado em saia-justa ao ser questionado, em duas oportunidades, sobre o tema. No primeiro, foi perguntado como poderia enfrentar a corrupção na capital paulista se o seu partido estava envolvido no escândalo político. Em outro momento, questionado se o julgamento do mensalão teria peso nas eleições deste ano. O debate televisivo reuniu oito candidatos à prefeitura de São Paulo, todos eles com representação na Câmara dos Deputados.

A primeira pergunta indigesta foi feita por Carlos Gianazzi, do PSOL, que já havia sinalizado no início da semana que poderia explorar o mensalão no debate televisivo. Giannazi também criticou o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), dizendo que o tucano é “o principal personagem do livro Pritaria Tucana”, além de aliado de Valdemar Costa Neto (PR), um dos réus no processo do mensalão. Em relação a Haddad, o candidato socialista questionou sobre como ele poderia combater a corrupção se havia se aliado ao PP, de Paulo Maluf, incluído na lista de procurados pela Interpol. Em sua resposta, o ex-ministro petista justificou a aliança ao fato do PP fazer parte da base aliada do governo federal, mas ignorou o julgamento do mensalão.

— Eu tenho uma visão de democracia baseada na alianças com partidos políticos. Nós vamos combater a corrupção. Eu passei pelas administrações municipal e federal e não há, nos órgãos de controle, uma única insinuação a respeito da minha conduta à frente dos órgão públicos. Eu vou ser um prefeito que vai fazer valer os princípios éticos — respondeu.

Em outro momento, contestado novamente sobre o tema, o ex-ministro petista reafirmou que nunca pairou dúvidas sobre a sua reputação como administrador público e ressaltou que, após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as instituições públicas “funcionam como nunca funcionaram”. O candidato petista citou, entre elas, o Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, “vai punir os responsáveis e inocentar os inocentes”.

O debate televisivo teve também as participações de Levi Fidélix (PRTB), Celso Russomanno (PRB), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), que apresentaram propostas em várias áreas e criticaram a gestão do prefeito Gilberto Kassab. José Serra foi o único defensor da atual administração.

As opiniões divergentes levaram os candidatos do PSDB e PT a protagonizar o seu primeiro confronto direto nas eleições municipais. A carga tributária da capital paulista levou Serra e Haddad a trocarem ataques sobre as gestões tucanas e petistas.

A primeira alfinetada foi dada pelo candidato do PSDB, o qual garantiu que não irá criar novas taxas na capital paulista e não aumentará o valor das atuais. José Serra lembrou do que chamou da “malfadada taxa do lixo”, criada na administração da ex-prefeita Marta Suplicy e que rendeu o apelido à senadora petista de “Martaxa”. Em resposta, o candidato do PT prometeu acabar com a taxa de inspeção veicular que, segundo ele, substituiu a taxa do lixo. Na tréplica, o candidato do PSDB atacou a administração petista.

— A taxa do lixo não foi trocada por nada, a taxa do lixo foi uma aberração feita na administração do PT. Nós encontramos a prefeitura de São Paulo, em 2005, em uma péssima situação financeira, com um buraco de R$ 12 milhões — criticou Serra.

Outro confronto entre PT e PSDB ocorreu em torno do sistema de saúde público em São Paulo. Em resposta à pergunta enviada por um internauta, Haddad contestou Serra em relação à construção de hospitais nas administrações do tucano e de seu sucessor e atual prefeito. O ex-governador paulista disse que, em sua gestão, construiu “cerca de dois hospitais” e que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), do governo federal, copiaram as Assistência Médica Ambulatoriais (AMAs), criadas por José Serra quando prefeito.

— O problema da saúde é um dos mais críticos da cidade. Faltam leitos hospitalares na cidade de São Paulo. Chegamos (o PT) a construir 45 hospitais em uma única administração. A AMA não faz alguns procedimentos que a UPA, que funciona 24 horas, faz — disse Haddad.

Serra, em contrapartida, elogiou a área da saúde na cidade, falando de políticas públicas de sua gestão e da de Kassab.

— Na questão da saúde é importante lembrar que nos últimos anos houve programas bem sucedidos. Um deles é o mãe paulistana. Cerca de 700 mil crianças já nasceram. Melhoramos consideravelmente em relação à distribuição de medicamentos. Durante 17 anos, não tivemos um hospital construído. Fizemos cerca de dois, mais um que foi incorporado — afirmou o tucano.

Outro ponto discutido no debate foi a segurança pública, aproveitando a escalada da violência na cidade nos últimos meses. Paulinho disse que tem uma proposta da cidade de São Paulo ser responsável pela área, e não o estado, como atualmente. Tanto ele quanto Celso Russomano (PRB) falaram em equipar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e aumentar seu contingente, além de colocar mais câmeras de segurança na cidade e reforçar os convênios do município com as polícias Civil e Militar.

Giannazi voltou a alfinetar quando disparou contra o prefeito Gilberto Kassab em relação ao fato de terem sido nomeados 30 coronéis da reserva subprefeitos, além de outros oficiais para chefiar autarquias, como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

— O Kassab esqueceu que a ditadura militar acabou em 1985 e continua militarizando a administração pública, impedindo que a população participe de um debate democrático — afirmou. Também criticaram a atual administração na área da saúde Russomanno, Paulinho, Levi Fidélix, Soninha e Chalita. Para Giannazi e Russomanno, o problema da saúde na cidade é gravíssimo. A área foi citada pelo candidato do PSOL como “uma das mais críticas da cidade”.

Já Russomano disse que fará o programa da saúde da família funcionar, além de informatizar a área da saúde, proposta também apresentada por Chalita. Soninha falou da demora para marcar consultas e exames e disse que o problema pode ser resolvido por mutirões. Paulinho disse que faria “o Sistema Único de Saúde (SUS) funcionar”, se eleito. Fidélix citou alguns programas de sua autoria, como o Plano de Atendimento à Saúde da População de São Paulo (PASP) e a utilização de motos para levar remédios e médicos à população usuária do sistema público.

Antes do debate, nos discursos do lado de fora dos estúdios da Band, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, todos mostraram-se pouco dispostos a entrar em discussões acaloradas no debate. Num pleito em que muitos deles são estreantes, o objetivo da maioria dos postulantes a prefeito da capital paulista era apresentar-se ao eleitorado.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/sp-mensalao-ganha-destaque-no-primeiro-debate-televisivo-5675044#ixzz22Uc4Nu20

Comentários

  • Vivi

    03/08/2012 #1 Author

    Ah, e uma correção: a administração petista chegou a entregar CINCO hospitais, e não 45, como está escrito…

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    • Vivi

      06/08/2012 #2 Author

      A correção é no SEU texto.

  • Vivi

    03/08/2012 #3 Author

    A propósito, posso lhe fazer uma pergunta pessoal? Qual é a sua altura? rsrsrsrs É que, pela foto, percebe-se que ficaram os mais baixinhos do lado esquerdo do video, e os mais altos, à direita, e, sabendo quanto você mede, dá para ter uma ideia da altura dos demais. Pergunta boba, mera curiosidade besta… rsrsrs

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    • Vivi

      06/08/2012 #4 Author

      Falando com as paredes…

  • Vivi

    03/08/2012 #5 Author

    Que manchete mais desonesta e canalha! O Mensalão foi objeto de uma única pergunta, e só.
    Destaque teve, isso sim, a péssima administração Kassab/Serra, onde tudo está por ser feito, e o que foi feito, foi muito mal feito!!
    Em vários momentos, a pergunta que eu me fiz foi: “o que esses dois fizeram esse tempo todo à frente da prefeitura, meu Deus?” Absolutas NULIDADES, incompetentes, embusteiros! Espero que os paulistanos tenham enxergado a falácia que é a “fama” dos demo/tucanos de serem os “mais preparados”!! Marketing puro, vazio, que agrada à soberba dos seus eleitores!
    Serra destoava nitidamente do grupo, é um candidato anacrônico, com ideias e discurso de anteontem. Todos os demais se mostraram mais assertivos, deixando claro que a cidade precisa de sangue novo, de novos caminhos, novas soluções, e que a “experiência” apregoada por Serra não é suficiente, é mais do mesmo, que contribuiu para afundar a cidade.
    Você se saiu muito bem, Pannunzio, conduziu os trabalhos com competência, seriedade, equilíbrio. Está de parabéns pelo desempenho, e a Band também!

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