Débora Álvares Preocupada em blindar o Palácio do Planalto contra eventuais efeitos negativos do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, a presidente Dilma...

Débora Álvares

Preocupada em blindar o Palácio do Planalto contra eventuais efeitos negativos do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, a presidente Dilma Rousseff escalou na terça-feira, 7, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para uma operação de prevenção de danos. “Aqueles que apostam nesse processo para um desgaste desse projeto político se decepcionarão, porque o povo avalia a sua vida, sua realidade, a justiça e tem sabedoria para colocar cada coisa em seu lugar”, afirmou o ministro, após participar de um evento oficial em Brasília.

Carvalho foi o principal assessor pessoal de Lula durante seus oito anos de governo e mantém grande influência na gestão da sucessora do ex-presidente.

Na entrevista de terça, ele comparou a atual profusão de notícias sobre o mensalão motivada pelo julgamento do Supremo àquela vivida quando o esquema de pagamento de parlamentares veio à tona, em 2005. “Quando baixou a espuma do debate político, ficou a realidade dos fatos de que era um país que estava mudando, crescendo, distribuindo a renda e fazendo um processo que foi apoiado pela grande maioria da população em 2006 e depois em 2010”, afirmou Carvalho, citando os anos da reeleição de Lula e da eleição da sucessora.

O ministro foi a público um dia depois de o advogado José Luiz Oliveira Lima, que defende o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, evocar os testemunhos do ex-presidente e de Dilma ao falar aos ministros do Supremo.

Dirceu é apontado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, como o “chefe da quadrilha” que “usou dinheiro público” para comprar apoio no Congresso Nacional nos primeiros anos do governo Lula. Segundo a acusação, o ex-ministro usou sua influência para beneficiar os bancos Rural e BMG – eles emprestaram dinheiro ao PT e a agências do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza que viria a ser usado no pagamento de partidos aliados do governo.

Dilma disse no processo desconhecer algum tipo de favorecimento aos bancos por atuação de Dirceu. O mesmo disse Lula nos autos do caso do mensalão.

O ministro, no entanto, não comentou diretamente as declarações da defesa de Dirceu nem a acusação formal do procurador-geral, lida no plenário do Supremo na sexta-feira passada.

Carvalho voltou a ressaltar as ordens palacianas de não paralisar as atividades por causa do julgamento. “A presidenta Dilma nos deu a orientação de seguirmos trabalhando rigorosamente, seguindo nossa tarefa de governo, numa atitude semelhante à que o presidente Lula já fizera em 2005”, disse.

O ministro afirmou que a expectativa do Palácio do Planalto é que o julgamento ocorra “a partir dos autos, com atitude madura e justa dos julgadores”.

Eleições. Ele afirmou que não acredita em prejuízo eleitoral para os candidatos do PT nas eleições municipais e voltou a falar em decepção. “Nós continuaremos à frente com o nosso projeto e se decepcionarão muito aqueles que apostam em tirar um proveito e que parcializam os julgamentos e as opiniões pensando que isso poderá causar um grande prejuízo inclusive eleitoral.”

Beba na fonte: ‘Quem aposta no desgaste do governo vai se decepcionar’, afirma ministro de Dilma – politica – politica – Estadão.

Comentários

  • Hana

    09/08/2012 #1 Author

    Ninguém quer apostar em desgaste, pois gostando dos petebas ou não, moramos no mesmo país que eles.

    Ou seja, se desgraça pouca é bobagem, a desgraça deles valerá para todos nós.

    Diferente dos petebas, claro, absurdamente destrutivos e irresponsáveis enquanto oposição, onde sempre apostaram em um cenário do quanto pior, melhor.

    Só que agora é a hora da verdade. O Sapão, ou The Guy, como diria Obama, governou com ventos totalmente favoráveis, tanto em cenário domestico quando externo.

    Nunca olhou para o futuro.

    Destruiu no ninho a recém nascida eficiencia do Estado brasileiro. Eficiencia que era um brotinho pequenininho, novinho e frágil, e fez isso aparelhendo cada canto e muitas mesas de repartição pública com a companheirada, um pessoal que sabemos não é lá bem o que chama ser bom de serviço.

    Mas nem precisava de competencia. De 2004 até 2010 (com um pequeno declive devido a crise de 2008), o Sapão surfou bonito no Plano Real enquanto no cenário externo os mares eram absolutamente tranquilos.

    Mas agora, nós brasileiros (eleitores de petebas ou não) esperamos que o PT no Governo Federal mostre a que veio.

    A Dilma tem a duríssima missão de anular a herança maldita do Sapão, que em 8 anos como presidente governou o país em palanques por aí e dando entrevistas coletivas baseadas somente em oba-oba.

    Desejamos boa sorte, pois como eu já disse, o que Dilma decidir afetará a todos deste país.

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  • SideShow Bob

    08/08/2012 #2 Author

    Duas questiúnculas.

    Primeiro – e isto é triste escrever – o ministro tem razão. A base eleitoral do lulo-petismo, nem sabe que está havendo o julgamento do mensalão. A avalanche de votos (concentrados no RJ e NE) que construiu a maioria parlamentar e a chefia do executivo vai continuar a inundar as urnas. É fato que o típico eleitor massivo do PT usa jornal para fins menos nobres do que a informação. A outra parcela dos petistas (ínfima no universo eleitoral) são os que se beneficiam do próprio governo, através de suas ONGs, Sindicatos, Movimentos e “Intelequituais” e portanto, mesmo sabendo do mensalão, o entortam ou fingem que não existiu para poder dormir melhor. Portanto, o ministro está corretíssimo em seu raciocínio. Eleitoralmente o julgamento do mensalão terá um efeito mínimo, para não dizer nulo, mormente em um paíz, onde um prefeito que busque uma re-eleição, por mais comprometido com a higidez das finanças municipais, tenha agido de forma honrada e escorreita e feito em suma uma boa administração, é capaz de não se re-eleger pois seu adversário tem uma foto ao lado de Lula, enquanto um prefeito ladrão e inepto será fatalmente re-eleito, bastanto para tanto que tenha um vídeo de Lula mandando o povo votar no prefeito.

    A segunda, é o ministro afirmar que ” governo vai continuar trabalhando”. Ora o governo federal não trabalha, ele esbarra, como um bêbado em ladeira, vai caminhando, sem saber para onde nem como, tromba com postes, tropeça no meio-fio e vai indo, porém o faz por inércia, sem qualquer projeto ou programa planejado. O busílis reside em quando a ladeira acabar, como o bêbado vai continuar sua marcha incoerente e suicida?

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